Tenho redescoberto o prazer de ler livros de filosofia. Daqueles mananciais densos de informação, arcabouço intelectual, plenos. Rios caudalosos de caudalosa prosa penserosa que, em outro tempo, eu lia e fingia entender. Depois, evolui para o não ler e dizer ter lido para impressionar gente e hoje, finalmente, eis-me em condições de esgrimir conceitos e ferramental filosófico com quem quer que seja.
No momento, vou navegando sobranceiro pelas águas de "Tratado de Ateologia", de Michel Onfray. Romancista, se deu ao trabalho de traçar as origens e classificar o que é, afinal, ser ateu. O tino de quem escreve ficção parece tê-lo ajudado de maneira sensível a escrever um livro de filosofia absolutamente tragável.
Trabalho de boa qualidade porque nos equipa, a nós, ateus, de instrumentos lógicos e de uma compreensão mais fundamentada sobre o processo histórico que nos traz do Testamento de Jean Meslier, o famoso cura de aldeia que tinha a inestimável qualidade de ser ateu radical, ao nosso estado das coisas, assombrados que vamos pelos demônios inexistentes dos monoteísmos dominantes que armam e elegem aqui e acolá, legislam sobre as nossas cabeças e nos explodem pelas nossas ruas.
É bom se deparar com livros de filosofia que, de fato, iluminam.

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