Trata-se de uma faixa refugo do OK Computer, lançada só agora, 20 anos depois. E que coloca as coisas em perspectiva de um disco tão importante diante do fato de que essa música, um rejeito, é uma das minhas preferidas.
Eu considero a crítica musical uma das coisas mais insuportáveis da crítica cultural. Em geral, textos sobre músicas, álbuns e artistas são cheios de pedantismo insuportável e eu me pelo de pudores e censuras para nunca, jamais, posar como conhecedor, como crítico, para sair por aí resenhando músicas, álbuns e artistas, quer voluntariamente ou não. Como dizia o Raul, eu acho toda essa gente um saco.
Toda essa resistência está relacionada com o ambiente tóxico e ególatra de artistas e críticos, que se engajam num relacionamento promíscuo de grupos que deviam manter um distanciamento sadio em virtude do que produzem.
Mas acabei gostando tanto da canção que me permiti ler resenhas sobre. Tive engulhos em apenas dois parágrafos da crítica laudatória da Rolling Stones, suficientes para me recordar do porquê de achar o jornalismo cultural, em especial aquele que se debruça sobre música, uma das coisas mais insuportáveis do mundo pós-moderno. Eu ando velho, não me critiquem, me deixem pregar ao deserto, que aqui é quentinho e eu, para falar a verdade, nasci cagando para a claque.
Entretanto, vou reconhecer que a jornada foi útil porque me deixou descobrir que "Man of War" esteve a ponto de ser o tema de Spectre. Algo que faz todo sentido: a música tem uma batida bem James Bond, que eu não teria percebido por minha conta. A título de curiosidade, os produtores do filme, embora tenham gostado da peça, desistiram dela em virtude do fato de que a música não seria original para o filme, algo que tornaria a disputa por um Oscar impossível para Spectre.
Drift all you like
From ocean to ocean
Search the whole world
But drunken confessions
And hijacked affairs
Will just make you more alone
domingo, 19 de novembro de 2017
Radiohead - Man of War
às 11:36 Marcadores: Rádio blogue

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