sábado, 4 de julho de 2009

Bloody Sauce

Faltou uma piadinha no post anterior:

Eu devia ter pedido um miojo para acompanhar o "molho".

Bloody Mary nunca mais

Há certas influências dos filmes que nos marcam. Eu sempre quis, por exemplo, estar vestido de smoking, chegar num balcão, com toda a pose, propriedade e circunstância, olhar para quem estivesse atendendo e dizer: um vodka martini, batido, não mexido.

Aguardo o momento de fazer isso. E da mesma forma eu tinha certa curiosidade com o bloody mary, que é uma bebida com larga história no cinema. Afinal, que dizer, a coisa é vermelha, chama-se bloody mary, Maria sanguinolenta, e tem álcool. Devia ser bom, não fosse ninguém beberia. E a bebida se chama assim em homenagem à distinta rainha inglesa, também Maria, contada como a Primeira, e que angariou a não tão honrosa alcunha de "a sanguinária".

E resolvi que chegara o momento de experimentar um bloody mary. Embalado, sobretudo, pela decisão, nunca sábia, de um amigo, que pedira o dele enquanto eu exercitava a minha indecisão. Resolvi que um bloody mary caberia na minha noite. E pedi.

Mas o problema é que o bloody mary é horrível. Se você já tomou pomarola, saiba que o sabor é precisamente este. Com um agravante: não se sente teor alcoolico algum naquilo. Parece que abriram uma lata de extrato de tomate, dissolveram o conteúdo num copo com água, colocaram uma rodela de limão e gelo e mandaram servir. Um horror.

Bebendo alguns goles da beberagem eu sentia, por vezes, engulho. Mas fui macho. Até o fim, bebi o copo inteiro. Revoltado, com náuseas, amaldiçoando o inventor da pomarola com um limãzinho e fazendo esforço, mas bebi. Meu companheiro dedo podre pra bebida, não. Desistiu. Pomarola foi demais para ele, que tem uma curiosa história com porres de chamito.

Contudo a experiência me serviu de algo, além de amaldiçoar quilômetros de filmes assistidos ao longo dos anos e as ideias infelizes de meu camarada, notório em escolhas infelizes quando o assunto é mochilas, bebidas e lugares para se beber (eu deveria ter lembrado, antes de pedir o bloody mary, que um chopp de 300 ml já me custou 10 reais numa zona portenha na companhia das escolhas deste querido amigo). Mas dizia eu que a experiência do bloody mary serviu para outra definição que me acompanhará para o túmulo e que farei questão de repetir por todos os anos que me restam a todos que merecerem. Porque beber pomarola achando que dá barato é um castigo que delegarei com gosto aos meus inimigos, na possibilidade de os tiver.

A verdade é:

Nunca confie numa pessoa que bebe bloody mary. E gosta.

Tributo a Steve McQueen

Steve é muito mais legal que Marlon Brando, que em si já é um dos atores mais legais de todos os tempos. Estou frustrado por não poder embutir um vídeo do YouTube por conta dos head-hunters dos copyrights. Que parágrafo mais anglófono, man.

O vídeo está aqui, aproveitando uma música da Sheryl Crow, que se chama "Steve McQueen" e que a faz, de hoje em diante, a minha cantora preferida. Mais até do que a curvilinea Shakira.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Dólar furado, velho, rasgado

Torn like an old dollar bill...

Mark Lanegan - Dollar Bill from Bianca P on Vimeo.


Ção

Eu não sou problema.
Tampouco solução.
Eu sou um poema,
e nenhuma comoção.

Uma noite pra não esquecer jamais

No mesmo palco onde BB. King já desfilou seu talento estava um dos meus herois. Mark Lanegan, o vocal soturno e grave, as músicas com letras e ritmos intensos, a sensação do ambiente vibrando em comunhão daqueles todos que sabem muito bem o que canções como "Sworn and Broken", "Dollar Bill", "If I Were Going", "Ressurection Song" têm a dizer. O show dessa quarta-feira do Gutter Twins, mas mais do que isso, de Lanegan e Dulli, foi uma catarse.

Todos os que viveram um pouco de cada uma dessas canções sabem da dimensão que um show dessa qualidade pode alcançar. O nome do espetáculo, "An Evening With Mark Lanegan and Greg Dulli" (Uma Noite com Mark Lanegan e Greg Dulli) dá uma ideia do que po
de acontecer. Mais do que o repertório do atual projeto dos dois, o The Gutter Twins, é uma apresentação calcada na trajetória de ambos, desde a exuberância do grunge do começo dos anos 1990, até seus mais recentes e sensacionais trabalhos. Foi, na melhor definição possível, um espetáculo sensacional. Valeu à pena todos os centavos investidos. Valeu mesmo à pena o bloody mary ingerido, que é uma merda, foi uma das maiores decepções da minha vida descobrir que a bebida tão famosa tem sabor de pomarola. Foi um pouco decepcionante ver Lanegan dividir o palco e o show, mas mesmo isso, depois de tudo, compensa. Era o Lanegan!

Eu nunca vou esquecer desse show - é difícil dizer tão cedo, mas hoje é uma das minhas maiores e melhores experiências com um bom som. De ver há uns 4 metros de mim um dos sujeitos mais importantes da minha noção do que é música, cultura e mesmo poesia. Tenho fotos, vídeos, neurônios que cheguem para lembrar dessa noite. Tenho o ingresso autografado por Mark Lanegan. Tenho, enfim, uma sensação no coração de que o grunge não morreu, que nem tudo foi em vão e que se for para ter uma vida blues, ora, bem vale à pena, porque se ela for assim, recheada de períodos tristonhos, ao menos serão embalados por gente como Mark.

E essa é uma vida que, sim, vale à pena ser vivida.



No vídeo, da esquerda para a direita: Greg Dulli, Mark Lanegan e o guitarrista desconhecido.

Momento Caras: estiveram no show, que eu vi, Nando Reis, Miranda (produtor musical e jurado do programa Ídolos. Falam também em um dos membros do CPM22 e mais algumas personalidades B)

Pronto, informei.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ídolos

Não neguem, vocês têm os seus. Não a coisa meio infantil, do fã inconsequente que torna-se xiita por conta de um objeto de admiração. Mas aquela empatia por pessoas que foram capazes de fazer coisas que você gostaria de fazer. Ou nem isso, fizeram muito bem feito coisas que julgamos importantes, e daí às admiramos.

E eu tenho uma muito extensa lista de figuras dessa categoria. Poderia classificá-las em ordem pelo ramo de atividade em que se destacaram, alfabéticamente a partir da primeira letra dos seus nomes. Ou sobrenomes, como fazem as boas livrarias em relação a autores. Poderia listá-los num rol que obedeça uma ordem cronológica. Ou ainda usar como critério o quanto minha admiração por essas figuras é grande, o que é abslutamente mensurável. Admiro, por exemplo, muito o Johnny Cash. E admiro também Ennio Morricone, mas é uma admiraçãozinha, assim, assim, meio arrependida.

Eu comecei cedo no ramo. A partir do momento em que me encantei pela TV, muito cedo, naquele tempo video-game era mais restrito que hoje, era o Batman. Passavam incansávelmente aquela série dos anos 60, o ator que fazia o papel do morcego era o Adam West, com aquela barriguinha e tudo mais. E tinha aquele Robin meio afeminado. Saibam, ó incautos, que a piadinha em relação às opções sexuais da dupla dinâmica, que vem a ser constituída de Batman e Robin, vieram de alguns episódios dessa série, mal e porcamente dublados no Brasil, o que abriu espaço para toda a sorte de maus (é assim?) entendidos vinculados com a reputação dos herois. Até onde se sabe, quadrinho nenhum deu margem às conotações infelizes que o espírito debochado do brasileiro inferiu. Lembro que ganhei um vinil - é, eu tive vinis! - com a trilha sonora do filme de 1989 (dirigido pelo Tim Burton e com o Michael Keaton - onde diabos eles estavam com a cabeça).

Mas todo esse digressivo parágrafo só para dizer que meu primeiro ídolo foi o Batman. Só que isso meio que se perdeu com o tempo, parei de achá-lo legal depois dos X-men - embora ainda admire o conflito interno da mente de um cara que, a rigor, não tem muito de diferente dos sociopatas que combate nanquins à fora.

Aí veio Ayrton Senna e Raí, na mesma época. Zetti. E depois, Elvis Presley, a quem ainda devoto um grande carinho. Comecei a ouvi-lo no período nerd-antisocial da minha adolescência, ele era meu único companheiro. Ouvia Elvis e tinha vergonha, porque odiava com todas as forças do meu ser Legião Urbana. Foram tempos difíceis. Meu time era uma piada, eu não ouvia o que as pessoas ouviam, ouvia um cara morto, identificado como coisa de velho, não suportava Malhação e não tinha assunto com as meninas. Não sei como sobrevivi. Aliás, até sei. Mas não quero falar sobre isso.

E depois a literatura me apresentou uma enorme quantidade de pessoas brilhantes. E não falo só de autores, falo também de personagens, como Athos, o Professor Anronax, Arne Sakknussen, Róbinson Crusoé, e tantos outros. Alguns serviram - serviram - de modelo nos complicados tempos de adolescência, onde você busca criar uma imagem de si que imagina que os demais ficarão encantados em conhecer e normalmente não ficam, acabam te enxergando como um babaca excentrico. Enfim.

Na Fórmula 1 adquiri também inúmeros ídolos. Fernando Alonso, Kimi Raikkonen (até trair o movimento, ir para a Ferrari e parar de encher a cara). E alguns que não vi correr, como Jack Brabham (campeão na década de 1960), Bruce McLaren, Jean-Pierre Beltoise e Nelson Piquet.

E é meio assustadora essa dependência em admirar pessoas. E olhando esse texto, nem citei um monte de gente. Dá uma sensação de nanismo enorme, como somos pequenos, precisamos projetar imagem de pessoas que jamais conheceremos, admirá-las, reconhecer seu talento em fazer coisas que achamos interessantes e não conseguimos. O homem é uma criatura eminentemente frágil.

E eu tinha uma ideia ótima sobre um texto sobre Steve Mcqueen, sobre o filme "As 24 Horas de Le Mans" que pude assistir dia desses e foi tudo em vão, porque não sou capaz de lembrar qual era a ideia, o tema e o assunto. Amanhã escrevo sobre Mcqueen, porque ele vale à pena umas boas penadas.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Se

Se poemas são escritos,
como podem os versos,
que nunca são ditos,
impressionarem tanto como gritos?

Se poemas não existem
e apenas são,
que dizer daqueles que vão,
nas rimas em que nossos corações insistem?

Se poemas são vidas,
daquelas que se vive e que não se sabe,
então que tudo mais sejam poesias,
vida, amor e alegria que nunca mais acabe.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O amor é importante, porra - III

Tenho observado uma nova tendência nas minhas viagens à São Paulo. Eu durmo só na parte final. O que é ruim, porque no melhor do sono, eu chego na Barra Funda. E fico pensando: "eu poderia ir até Belo Horizonte só para não perder esse sono".

O acordar é entorpecido. Meio titubeante, dado o sacolejar de uma noite dentro do ônibus, sozinho entre filmes, séries no iPod, músicas, leitura e algumas ponderações escritas, mas jamais reveladas. Nada nos obriga mais a pensar sobre a vida do que o confinamento num ônibus durante algumas horas.

São ponderações que não levam a lugar nenhum na maior parte dos casos - ao menos quando o ponderante sou eu. Porque sou de pensar muito, sou de passar em revista a vida nas ondas das minhas sinapses com enorme frequência. A diferença é que preso ao ônibus, não tem jeito, forçado a pensar a gente é forçado a admitir o que vê. E que nem sempre é algo bonito.

Eu acordei em função pela parada do ônibus na guarita da rodoviária e pensei: "ah, tá brincando que a gente já chegou?". Não teve recurso. Era a Barra Funda. E às 6 da manhã de segunda-feira, pensei: "pronto, vai ser um inferno pra sair daqui, lá vai uma hora em transbordos".

E na verdade, por pior que eu pudesse ter imaginado o quadro ao descer do ônibus, saibam, ele estava muito, mas muito pior. Entre conseguir sair da plataforma, entrar na fila para comprar os bilhetes do metrô e embarcar, gastei 20 minutos. O que é um absurdo. Esmagado no tubo, desci na Sé, e distraído como só eu sou capaz, desci no sentido errado da Linha Azul, indo para o norte em vez do sul. A sorte foi que atentei para o engano antes de embarcar. Subi, desfiz o caminho, cheguei na plataforma certa.

Eu poderia contar o resto das minhas desventuras no metrô - elas não pararam por aí. Mas já cansei de falar sobre o metrô nas minhas vivências paulistanas, e mais vale abrir espaço para o novo, porque o novo sempre vem, como diz a canção. O novo nisso tudo é que não há novidade.

São Paulo, a Avenida Paulista, o caos urbano, as ruas, continuam as mesmas. Nada mudou. Mudam as pessoas. Como disse Heráclito, nada se mantém, e a luz dos incidentes e dos menores instantes, é tudo novo, tudo diferente. Por mais que não pareça.

Eu ia caminhando cismando com as novidades da vida. E confrontava-as com as minhas indolentes verdades, aquelas que nós todos temos dentro de nós. Se fossemos equações, seriam as nossas constantes, aqueles valores atribuídos, os quais se conhecem e não mudam, por mais que a equação oscile entre números irracionais, inexistentes e parábolas que não toquem as retas do plano cartesiano, que nos atestam que ou a conta está errada, ou pior, está certa e não faz o menor sentido. Igualzinho à vida.

A vida, pasmem os incautos que odeiam a matemática, pode ser profundamente traduzida em equações. Vi que minhas constantes estão aí, como o número Pi, a aceleração da gravidade, dentre outras. Vi que tais quais as suas paridades na Física, elas foram submetidas a inúmeros testes, a inúmeros confrontos com a realidade das coisas, longe dos planos algébricos e, inevitavelmente, não se viu ainda, uma delas, qualquer que fosse, sucumbir diante da verdade das coisas. Minhas constantes, está tudo dito, são constantes.

Mas o problema são as variáveis. Para aproveitar o trocadilho, é aí que está o X da questão. Da vida, da existência, do caminho. Do vislumbrar o horizonte da vida, encontrar o valor que verifique a equação como real, possível, existente no mundo das verdades.

Eu descia pela Rua Augusta e sentia cheiro de café. Café me lembra muita coisa, meu pai, amigos, manhã fria e solidão. Minha relação com o café me traz uma sensação de estar sozinho, de solitude muito grande. Há uma frase que diz que as duas mais solitárias atividades que um ser humano pode contemplar são: escrever e praticar o sexo solitário. Incluo aí com muita propriedade o beber uma xícara de bom café.

E foi aí que me veio a ideia. Café. Parei numa cafeteria, com uma mochila enorme e uma pasta menor nas mãos, mas que se foda, quero um café. Diria que preciso, porque se há místicos que enxergam o futuro e as verdades insondáveis das existências individuais na borra que o café deixa ao ser coado, não é menos verdade que eu, no meu caso, conheço bem poucas coisas que me clareiem tanto as ideias e a urina como o suco quente e amargo que nos vem da moagem do fruto torrado do cafeeiro.

E sorvia calmo o primeiro gole, feliz em deixar de lado meus cálculos e ponderações. Não procuro, por certo, valor que caiba nas minhas variáveis. É inútil. Porque a natureza dessa equação difícil de equilibrar que chamamos de vida é totalmente alheia aos padrões clássicos. Ela varia. As constantes não, mas ela, como um todo, varia. Sofre, digamos, influências da relatividade das coisas, das CNTP e outras condições absolutamente insuportáveis.

Não procuro, eu dizia, encontrar com valor que me sirva na equação. Ela vai mudar dali há pouco, e eu terei de calcular tudo novamente, o que é, afinal, a graça da vida, nos garantem os poetas. Não sei se é graça, tristeza, fato consumado. O que eu sei é que pensando na distância entre a verdade e a realidade, entre pergunta e resposta, olhei pela vitrine. Vi, estampado no poste, "O amor é importante, porra".

E, sorrindo, me peguei cantarolando: "verdade pra quê? Pra que verdade?"

domingo, 28 de junho de 2009

Fio de raciocínio

Eu lavo minhas mãos. Em "muddy water", como diria a canção. Do Lanegan, inclusive. Show dele na quarta. São Paulo. Aliás, embarco amanhã, malas feitas, essa coisa toda. Viagem. E de mãos lavadas. E com Lanegan no ouvido. E no coração.

sábado, 27 de junho de 2009

Sem e cem

Eu te dou um mundo feito de poemas
Eu te amo nas rimas, eu te acaricio nos meus temas.

Eu te dou estrofes, eu faço sonetos.
Eu te beijo em verso, eu construo momentos.

Eu me faço poeta, me desdobro em poesias.
Eu aspiro memória, e exalo você em todas as epifânias.

Eu te dou um estilo novo, cem versos.
Sem rima, amores, beijos, dias e invernos.

Feiosos da F1

É o maior chavão em termos de Fórmula 1 montar listas sobre os carros mais bonitos e os menos aquinhoados. Mais comum até do que listas de quem foi o melhor piloto.

mostrei um dos modelos que considero bonito. É a vez de um feioso. Nesse caso o R29, carro da Renault, que além de um formato estranho - shape diriam os britânicos - usa uma combinação, digamos, pouco comum de cores, como se verá na foto. Se parar para pensar, é brega até. E brega é legal, segundo Reginaldo Rossi.

O R29 é o carro da Renault nessa temporada, conduzido por Fernando Alonso e, até segunda ordem, Nelson Ângelo Piquet.

Olhem e digam: parece ou não parece um tijolinho?


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Coisificação do homem, diria Adorno

Realmente, foi como dar um verso para o Mário Quintana. Ou pior até...

Brrr!

Eu sinto frio.
Aqui dentro, em algum pedaço de mim.

Quem dera aquecer, me ater àquele abraço,
buscar esquecer sorrindo e vencer o inverno,
e com tudo isso de poemas dizer o que é eterno,
que persiste, resiste ao frio, à saudade, o fracasso.

Eu sinto o inverno dentro de mim.
Espalha suas cinzas, suas neves.
Há geada dentro de mim.
Faz frio aqui na distância do calor,
de tudo, o que mais for,
se não as marcas dos invernos passados,
em brisas geladas,
em manhãs e saudades leves,
de minhas ausências caladas.

Ah, inverno, por aqui vamos todos resistindo.
Não há como negar.
Que nas manhãs orvalhadas de mim,
colhendo o gelo pelas madrugadas,
vamos todos desistindo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Observo

De manhã
Me esqueço.
À tarde,
me pergunto.
Pelo dia:
anoiteço.
À noite,
me perturbo.
Pela madrugada,
digo nada.

Serenata do adeus

Ah, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora...
Ai, que amar é se ir morrendo
Pela vida afora
É refletir na lágrima
O momento breve
De uma estrela pura
cuja luz morreu
Numa noite escura
Triste como eu...

Vinícius de Moraes

Vidinha

Ah, essa vontade de ser
E esse medo de ter.
De ver e ter que correr,
de querer e deixar de viver.

Porque se viver é um pouco de morrer
a gente se vai acostumando, existindo.
Amando, desistindo.
Renascendo, voltando para se arrepender.

Viver é um pouco de sorriso
outro tanto de lágrima.
É um pouco de perda de juízo,
é só ir, por aí, seguindo.

Viver é um pouco de amar,
porque a gente vive mais quando ama,
e perece menos quando vê que, se morreu,
não era nada demais.

E aí a gente acorda dos sonhos,
passa a viver os pesadelos, sorrindo.
E espera que se aguente tudo mais,
porque a vida fica menos pura.

Até o dia em que você acorde.
Justo na noite escura,
e enxergue se algo acabou,
ao menos você não ficou triste como eu.

Breaking point

Parei na estação;
desci do trem.

Cansei de andar pela contra-mão.
É um pouco daquela coisa,
assim, assim, meio sem fim,
de tropeçar em quem vem
trazendo no bolso
um pouco de razão.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Mineral

Eu sou como as águas.
Escorro.
Vivo pelas horas, escapo pelos recessos.
Deixo minhas marcas.

Dou refresco, te evaporo.
Condenso, nos olhares congelo.
Esparramo por todo o lado,
um pouco dos meus abraços.

Eu flutuo, eu afundo, eu purifico.
Eu faço possível.
Me reinvento, sou resiliente.
E tudo tem um pouco de mim.

Surgi não se sabe quando,
nem de onde.
Sou sem começo e meio,
sou uma paixão que não tem fim.

Gambling

Tem gente que não pode, mesmo, experimentar jogos: