"Can't hold my head up high so I'm licking the ground
Tasting my dirt cries and drinking their sound.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Rádio: Jamie Lidell - Compass
às 15:50 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Rádio: Screaming Trees - Dollar Bill
"Torn like an old dollar bill"...
às 19:50 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Crise
Gastei os tubos para comprar o videogame. Não me arrependo. Aí, hoje, o celular exalou seus últimos pulsos, medidos em Hertz, e que levam consigo, naquele emaranhado de silício, medido em nanometros, qualquer perspectiva de fazê-lo, ainda uma outra vez, tocar e transmitir via éter as nulidades que ouço e que digo por aí.
Fato é que preciso de outro celular.
Ah, esse imorredouro desprezo que a vida parece votar para os meus recursos financeiros é algo que não cessa de me impressionar.
às 17:52 1 comentários Marcadores: Memórias
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Aforismos - Estratégia
Meu sarcasmo é estratégia. O humor afiado é o último recurso do feio.
às 17:01 1 comentários Marcadores: Aforismos
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Rádio: Mogwai - Stop Coming to My House
Mogwai toca fundo nas fibras enrigecidas deste combalido, velho e carcomido coração de gelo.
às 12:41 5 comentários Marcadores: Rádio blogue
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Aforismos - Amor
"Amar é nadar contra a correnteza, num rio de mijo, com uma lata de merda amarrada nas costas".
Bukowski.
às 17:41 2 comentários Marcadores: Aforismos
Trovinhas da inconsequência
Eu já abdiquei dos sonhos impossíveis
hoje me apraz a ilusão de que um dia me vem a paz
e das minhas derrotas inamovíveis
vai sobrar a lembrança de tudo o que um dia fui capaz
e o conforto de que não fiz os impossíveis
e acabei como um velho na pele de um rapaz.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Brasil: país do futuro. Sempre
O Brasil, dia desses, ultrapassou a França no ranking das nações mais ricas do mundo. Grandes bostas. O país do futuro, sempre, como dizia o já saudoso Millôr, se confirma como vedete de uma nova ordem, de um mundo novo. Por força economica, por vigor das volumosas exportações de commodities e, na bem da verdade, por força da deblace mais ou menos global de todos os principais concorrentes.
Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas para citar outro recém desaparecido: e o salário, ó.
O mundo caminha para ver a terceira maior economia do mundo nos ombros de um país que exporta ferro para comprar aço, que exporta madeira para comprar móvel caro, tecido para comprar roupa, couro para comprar tênis. O Brasil é um país improvável.
FHC, quando se ocupou da presidência e se esforçou para desmontar o país, único aspecto em que seus tormentosos anos de governo lograram êxito inescapável, disse em uma ocasião que seu maior mérito foi dar um rumo ao país. Sabe-se, hoje, que estas veredas são percorridas às apalpadelas, que por algum motivo o país progride à revelia dos homens, dos desgovernos, dos méritos e da lógica, como que tropeçando nos calos da gente pequena e moída miseravelmente por uma terra de poucos muito ricos e muitos indigentes.
às 10:10 2 comentários Marcadores: Atualidades, Política
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Escolhas
Você pode, com todo direito, rir da frivolidade deste post, mas ainda assim, é a mais pura verdade. Impasse sério na vida é ficar entre fazer boxe e musculação todas as noites, ou jogar Red Dead Redemption no recém adquirido videogame, como se não houvesse amanhã.
Sim, já fui mais profundo. Em algum momento destes nem tão bem vividos 27 anos, o que mais me espevitava os nervos era escolher uma profissão, o que fiz bem mal e porcamente, desistir de mais ou menos qualquer coisa em que levava algum jeito, no que fui bem sucedido e ser uma criatura classifica como a) estranha; b) antipática; c) teorema e d) todas as anteriores. Sou, como disse Nietzsche, um desses homens que já nascem póstumos. Só me ocorre agora, mas a frase permite uma interpretação mais sutil: um homem que já nasceu morto. É isso, mais do que não ser compreendido em vida, sou um sujeito que nasceu morto, algo que vem bem a calhar a um bigorrilhas (saudade de usar essa palavra) cuja primeira realização em vida foi mijar nas bandagens do esculápio que performava o parto (episódio pormenorizado aqui) e que vive, macambúzio, a regar as flores mortas do passado.
Ter tido a ventura de nascer morto e póstumo não me impediu de atravessar tempos de bons prognósticos. Nestes tempos de maior efervescência, me ocupava imaginar o mundo, sonhar com o futuro, desejar ser escritor. Pensar nos meus futuros filhos, na hipótese da mulher da minha vida, na vida, enfim. Já conto 27 anos, estraguei tudo no que se refere às profissões, descobri que não tenho estofo para escrever 10 páginas de qualquer coisa que valha a leitura e que, no fim, sou um homem natimorto e póstumo bem meia-boca.
Mas nesta breve primavera da vida, eu vivia entre escolhas extremamente definitivas e dramáticas. Precisava decidir, e para escolher, precisava me iluminar. Me instruí a valer por anos a fio, li, aprendi, descobri. Hoje, vai para meses o último livro lido de cabo à rabo e, confesso, falta-me vontade de encetar qualquer outra leitura, por mais que não faltem bons títulos na estante, que me encara altaneira e indiferente, enquanto explodo terroristas no videogame. Eu era denso e profundo e hoje sou razo e sem episódios.
Hoje eu me divido entre contas, preços para o futuro, boxe e videogame. Hoje eu só quero saber a que horas sai o trem e se por lá vai ter mulher e cerveja.
Em todo caso, admita, eu tenho um tremendo de um bom gosto para videogames. Está aí o Red Dead Redemption e sua trama para confirmar este auto-elogio, praticamente um tributo ao western-spaghetti. Não há nada mais intenso de que embrenhar-se neste universo ao som de Ennio Morricone, enquanto desfio esse rosário de misériazinhas que é a vida, dando risada dos meus defeitos, e lamentando enormemente as poucas virtudes que eu ainda guardo, dessas tão difíceis de se abrir mão.
às 14:10 2 comentários Marcadores: Memórias
domingo, 1 de abril de 2012
Aforismos - Coração
"Existe um pássaro em meu coração que quer sair, mas eu sou mais forte do que ele".
Bukowski
às 15:13 1 comentários Marcadores: Aforismos
Pó
Se somos feitos de poeira
se de uma estrela que espocou em possibilidades
nasceram todas essas saudades
Eu queria poder registrar
E gritar
para você ouvir
e sentir
eternamente
que eu e você
somos apenas
criaturas a esmo
e uma forma
de um universo, indiferente
amar a si mesmo
A ti mesmo
"Na vastidão, do espaço e na imensidão do tempo, é uma alegria eu poder partilhar um planeta e uma época com você, Annie". Esta frase não brotou de algum poeta apaixonado, ou do cancioneiro de gosto duvidoso. É uma breve dedicatória que consta num livro de ciência, redigido por um astrofísico, e que se debruça ao honesto exercício de especular e traduzir o universo de descobertas científicas ao homem comum. Gente como eu e você, curiosa a não mais poder sobre origens, destinos, possibilidades, desencontros e encontros de um lugar que chamamos de universo.
A bela dedicatória é um tapa na cara de quem vincula ciência com objetividade e falta de humanidade. Pelo contrário. Na constelação de luminares que chamamos de ciência, talvez, não por acaso, a que mais condense subjetividade seja a astronomia. Há quem diga que a astronomia é uma experiência constante de humildade e de construção de caráter - não há palco mais substancial que ela para colocar no lugar as vaidades, temores e crenças antropocêntricas do homem.
E há mais poesia na singela homenagem de um cientista que conheceu o amor balizado por limites de espaço e tempo, do que 90% dos mau traçados versos impressos hoje em dia. Há mais sentimento em concluir de que somos uma manifestação do universo e, portanto, uma forma dele conhecer a si mesmo, do que boa parte das músicas que empolgam a gente ligada na "cena". Não que eu vá julgar gostos pessoais.
Preciso sempre render tributos ao pouco que sei, ou julgo que sei, de ciência e à figura de Carl Sagan, que me levou a pensar que nós, feitos de poeira de estrelas, como ele gostava de dizer, somos também uma forma do universo amar a si próprio.
às 14:20 1 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo, Memórias
sábado, 31 de março de 2012
Aforismos - Invisível
Eu descobri que tenho um super poder. Descobri que sou invisível. Às mulheres bonitas.
às 15:53 2 comentários Marcadores: Aforismos
quinta-feira, 29 de março de 2012
Frio
Vitória é sair do boxe, corpo quente e suado, depois de levar uma surra de criar bicho. Depois de espancar o estresse do dia no saco de areia, depois de pular corda loucamente. Vitória é sair deste mundo de virilidade e testosterona para a rua e receber vigorosas lufadas de vento curitibano, de 7 graus, desses tão densos, que chegam a pesar no lombo. Vitória é engolir, em vigorosos haustos, o frio curitibano e se sentir vivo, ainda que por conta do choque térmico.
Derrota é acordar no dia seguinte gripado, sentindo pena de você mesmo e dor em todas as fibras que definem o seu ser.
às 17:06 2 comentários Marcadores: Memórias
sábado, 24 de março de 2012
Pra baixo, idiota!
Eu sempre penso nesse filme. Eu sempre quero que Sean sobreviva à explosão. Que a Revolução triunfe, que não falte ouro para Juan. Que suas crianças cresçam à luz de um mundo melhor. Eu sempre vejo esse filme para encontrar qualquer coisa perdida, lá atrás. Para reviver cá, com meus botões e solidões, a improvável, e eterna, amizade entre um revolucionário irlandês e um bandoleiro indolente mexicano. Eu sempre revejo esse filme para buscar a sensação que tive ao vê-lo, maravilhado, pela primeira vez. Eu sempre revejo esse filme para ouvir Enio Morricone e me imaginar na pele do "firecracker", cruzando os desertos áridos sobre a moto, esquecendo dos meus remorsos, cismas, das minhas derrotas, dos tropeços do passado:
às 22:11 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura, Memórias
terça-feira, 20 de março de 2012
Pra não dizer que esqueci do blogue 2
Aliás, isso é só um atestado daquela observação certeira de José Saramago. "A maior tragédia nossa é essa coisa de não saber o que fazer com a vida". Eu não sei, em absoluto, o que fazer da minha, daí a não escrever mais como antes, daí a desistir de mais ou menos tudo que tentei, daí a desconfiar das veredas, não atinar com os rumos e viver nessa inércia assassina, que diz não todo dia, acena com talvez no futuro e grita o "sim, você pode" para tudo que já passou.
É a minha maior tragédia essa coisa de não saber o que fazer com o blogue e muito menos com a vida.
às 23:23 3 comentários Marcadores: Memórias
Só para dizer que não esqueci do blogue
O último post é de 1º de fevereiro. Vamos já às portas de 21 de março. Nada mais foi dito, pensado e ensaiado. Este blogue definha como o eu do passado.
às 23:19 0 comentários Marcadores: Memórias
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Rádio: Mark Lanegan - Deep Black Vanishing Train
Mark Lanegan teve o bom senso de lançar um novo disco solo. E, depois de dois anos, voltará ao Brasil com um show em São Paulo, dia 14 de abril. Não tenho outro recurso a não ser ir.
às 13:31 0 comentários Marcadores: Cultura, Memórias, Rádio blogue
domingo, 22 de janeiro de 2012
Lógica
Então Deus encheu-se da razão, criou aí um tal de mundo plano apoiado no lombo de uma tartaruga. Não satisfeito, tomou nas mãos uma porção de terra da qual fez um sujeito, o primeiro deles, a quem se deu o nome de Adão. De uma das costelas de Adão, moldou o melhor que pôde uma mulher, também a primeira de todas, que se chamava Eva.
Adão e Eva gararam dois filhos. Os primeiros da história que, em dada altura desta história, deixam a companhia dos pais e firmam residência em vilas separadas. Onde encontram esposas.
às 12:54 1 comentários Marcadores: Evangelhos
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Desmotivacional do amor
Nunca subjugue seus impulsos amorosos. Viver com o fardo do arrependimento de uma aventura é ainda mais saboroso que resistir ao peso dos anos amargados pelo remorso da ação não tomada, da palavra não dita, do email não enviado.
Nunca cale o amor no fundo de si. Faça com que frutifique, ainda que em lágrimas suas. O amor é o que nos move, resgata o que há de bom em nós, dignifica nossas existências, torna o humano ainda mais humano. O amor, as lágrimas do amor, sublimam o que há de mais belo no homem. Não se acanhe de chorar por amor de alguém.
Mas se possível, tome providências para que as lágrimas sejam delas, aquelas vadias.
às 13:30 5 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo, Desmotivacional, Memórias
