Reformar um Karmann Ghia e um Opala 73, modelo cupê e de teto de vinil.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
João Felix e Bernardo Bravo consertaram o poema promissor que estraguei
Hoje é um dia simbólico para este Tertuliano. Celebro, hoje, uma pequena vitória pessoal, dessas que não redefinem muita coisa, mas guardam em si, um pouco de triunfo, um pouco de doce sabor de sucesso em qualquer coisa. Não é nada, nada, mas é alguma coisa.
Hoje uma ideia minha frutificou. E foi uma das boas. Sinceramente, me reconheço como um sujeito criativo, tenho ideias para endereçar problemas com facilidade e noto essa capacidade, fleumáticamente, mesmo no trabalho ingrato e na hora do lazer merecido.
Essa minha ideia, que hoje é vitória, foi musicar poemas. Poemas presentes na coletânea disposta no site NegoDito.com. Fui um dos fundadores da empreitada, me distanciei do cotidiano do site, da sua furiosa produção de conteúdo de alta qualidade na internet sem lei, mas deixei lá, vibrando, no coração panegírico de um dos meus melhores amigos, a ideia de musicar uma boa porção de poesias do Reversos.
Se eu sou bom de ideias, verdade seja dita, sou lamentável em executá-las e é por isso que minha vitória, hoje, é resultado direto de trabalho em equipe, reforçado sem a menor participação de minha estabanada e procastinadora pessoa. A rigor, minha contribuição foi ter dado a ideia e escrito um poema. Só. O meu amigo de coração olímpico correu meses para organizar tudo, encontrou no talento de outros tantos amigos e conhecidos o traço bonito para os encartes e livro que acompanharão o projeto e levarão, mais um pouco de mim, para a eternidade. E foi sempre nisso que pensei, a eternidade, desde que me arrisquei a escrever qualquer coisa.
Este amigo deu contornos ao projeto e encontrou a outra metade do todo, sem a qual nada teria sido feito, e para quem preciso, também, render de todo o coração, meu muito obrigado. João Felix e Bernardo Bravo são os responsáveis por musicar o primeiro poema de minha lavra do projeto Reversos. Eles esgrimiram o mais que puderam com meus versos que coagulam sentimentos e que são herméticos, cheios de palavras fortes e ingratas para rimas e a suavidade de uma boa canção. Agradeço a eles a gentileza de terem aparado as arestas e consertado o poema promissor que estraguei.
Mas definir tudo isso dessa maneira é ser rasteiro e subestimar o talendo daqueles que se entregam aos bons desafios. É o caso do bom amigo e destes sujeitos que nunca vi na vida pessoalmente, mas a quem devo a honra de ouvir cantar meus versos. Que, agora, estão livres. Eles já não são mais meus, são de quem ouvir a canção, de quem os ler e, de alguma maneira, se sentir convidado a sonhar junto. A este poema se somarão outros três de meu traço no projeto, que você pode conhecer melhor no NegoDito, e que já tive a satisfação de ouvir e me emocionar.
Segue "Como estragar um poema promissor nº 1" na voz, som e talento de João Felix e Bernardo Bravo, o Felixbravo:
E o poema, originalmente publicado em outubro de 2010, vai aqui abaixo. Os versos, como se vê, estão longe de serem excelentes, defeito que se explica pelo fato de que nunca me presumi poeta:
Como estragar um poema promissor nº1
Entre as insustentáveis vagas
do oceano dos meus sonhos
onde uma gota é o todo,
onde a solidão corta como adagas,
eu vou me procurar entre os escolhos
que brotam à flor das águas
Nesse meu oceano de possibilidades
das minhas infinitas veredas
carrego meu caleidoscópio de saudades
onde estão a geometria da minha poesia
e a verdade em fé da minha heresia
que faz com que a realidade
seja só um desdobramento da minha vontade.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Farsas
"Estrelas piscam".
"Não, elas não piscam".
"Uma vez disseram na escola que as estrelas piscavam no céu e os planetas não".
"É, disseram, mas nenhum dos dois pisca".
"Não é o que parece".
"Não piscam. São oscilações atmosféricas que distorcem a luz e dão a sensação de variação que você entende como piscar".
"Só estrelas piscam".
"Nenhum dos dois pisca. E a atmosfera não distingue planeta de estrela, portanto, de bater o olho, não dá pra diferenciar um do outro. A não ser que você saiba onde está cada um deles".
"Sempre achei que estrela piscava..."
"Mas não pisca, elas explodem em regime constante. Ja viu o Sol explodir um pouco menos e piscar?"
"... enfim, sempre achei que planeta não piscava e estrela sim. Sempre".
"Pois é, sua vida inteira foi construída sobre uma farsa".
às 16:58 1 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo
terça-feira, 17 de abril de 2012
Rádio: Jamie Lidell - Compass
"Can't hold my head up high so I'm licking the ground
Tasting my dirt cries and drinking their sound.
às 15:50 1 comentários Marcadores: Rádio blogue
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Rádio: Screaming Trees - Dollar Bill
"Torn like an old dollar bill"...
às 19:50 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Crise
Gastei os tubos para comprar o videogame. Não me arrependo. Aí, hoje, o celular exalou seus últimos pulsos, medidos em Hertz, e que levam consigo, naquele emaranhado de silício, medido em nanometros, qualquer perspectiva de fazê-lo, ainda uma outra vez, tocar e transmitir via éter as nulidades que ouço e que digo por aí.
Fato é que preciso de outro celular.
Ah, esse imorredouro desprezo que a vida parece votar para os meus recursos financeiros é algo que não cessa de me impressionar.
às 17:52 1 comentários Marcadores: Memórias
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Aforismos - Estratégia
Meu sarcasmo é estratégia. O humor afiado é o último recurso do feio.
às 17:01 1 comentários Marcadores: Aforismos
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Rádio: Mogwai - Stop Coming to My House
Mogwai toca fundo nas fibras enrigecidas deste combalido, velho e carcomido coração de gelo.
às 12:41 5 comentários Marcadores: Rádio blogue
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Aforismos - Amor
"Amar é nadar contra a correnteza, num rio de mijo, com uma lata de merda amarrada nas costas".
Bukowski.
às 17:41 2 comentários Marcadores: Aforismos
Trovinhas da inconsequência
Eu já abdiquei dos sonhos impossíveis
hoje me apraz a ilusão de que um dia me vem a paz
e das minhas derrotas inamovíveis
vai sobrar a lembrança de tudo o que um dia fui capaz
e o conforto de que não fiz os impossíveis
e acabei como um velho na pele de um rapaz.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Brasil: país do futuro. Sempre
O Brasil, dia desses, ultrapassou a França no ranking das nações mais ricas do mundo. Grandes bostas. O país do futuro, sempre, como dizia o já saudoso Millôr, se confirma como vedete de uma nova ordem, de um mundo novo. Por força economica, por vigor das volumosas exportações de commodities e, na bem da verdade, por força da deblace mais ou menos global de todos os principais concorrentes.
Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas para citar outro recém desaparecido: e o salário, ó.
O mundo caminha para ver a terceira maior economia do mundo nos ombros de um país que exporta ferro para comprar aço, que exporta madeira para comprar móvel caro, tecido para comprar roupa, couro para comprar tênis. O Brasil é um país improvável.
FHC, quando se ocupou da presidência e se esforçou para desmontar o país, único aspecto em que seus tormentosos anos de governo lograram êxito inescapável, disse em uma ocasião que seu maior mérito foi dar um rumo ao país. Sabe-se, hoje, que estas veredas são percorridas às apalpadelas, que por algum motivo o país progride à revelia dos homens, dos desgovernos, dos méritos e da lógica, como que tropeçando nos calos da gente pequena e moída miseravelmente por uma terra de poucos muito ricos e muitos indigentes.
às 10:10 2 comentários Marcadores: Atualidades, Política
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Escolhas
Você pode, com todo direito, rir da frivolidade deste post, mas ainda assim, é a mais pura verdade. Impasse sério na vida é ficar entre fazer boxe e musculação todas as noites, ou jogar Red Dead Redemption no recém adquirido videogame, como se não houvesse amanhã.
Sim, já fui mais profundo. Em algum momento destes nem tão bem vividos 27 anos, o que mais me espevitava os nervos era escolher uma profissão, o que fiz bem mal e porcamente, desistir de mais ou menos qualquer coisa em que levava algum jeito, no que fui bem sucedido e ser uma criatura classifica como a) estranha; b) antipática; c) teorema e d) todas as anteriores. Sou, como disse Nietzsche, um desses homens que já nascem póstumos. Só me ocorre agora, mas a frase permite uma interpretação mais sutil: um homem que já nasceu morto. É isso, mais do que não ser compreendido em vida, sou um sujeito que nasceu morto, algo que vem bem a calhar a um bigorrilhas (saudade de usar essa palavra) cuja primeira realização em vida foi mijar nas bandagens do esculápio que performava o parto (episódio pormenorizado aqui) e que vive, macambúzio, a regar as flores mortas do passado.
Ter tido a ventura de nascer morto e póstumo não me impediu de atravessar tempos de bons prognósticos. Nestes tempos de maior efervescência, me ocupava imaginar o mundo, sonhar com o futuro, desejar ser escritor. Pensar nos meus futuros filhos, na hipótese da mulher da minha vida, na vida, enfim. Já conto 27 anos, estraguei tudo no que se refere às profissões, descobri que não tenho estofo para escrever 10 páginas de qualquer coisa que valha a leitura e que, no fim, sou um homem natimorto e póstumo bem meia-boca.
Mas nesta breve primavera da vida, eu vivia entre escolhas extremamente definitivas e dramáticas. Precisava decidir, e para escolher, precisava me iluminar. Me instruí a valer por anos a fio, li, aprendi, descobri. Hoje, vai para meses o último livro lido de cabo à rabo e, confesso, falta-me vontade de encetar qualquer outra leitura, por mais que não faltem bons títulos na estante, que me encara altaneira e indiferente, enquanto explodo terroristas no videogame. Eu era denso e profundo e hoje sou razo e sem episódios.
Hoje eu me divido entre contas, preços para o futuro, boxe e videogame. Hoje eu só quero saber a que horas sai o trem e se por lá vai ter mulher e cerveja.
Em todo caso, admita, eu tenho um tremendo de um bom gosto para videogames. Está aí o Red Dead Redemption e sua trama para confirmar este auto-elogio, praticamente um tributo ao western-spaghetti. Não há nada mais intenso de que embrenhar-se neste universo ao som de Ennio Morricone, enquanto desfio esse rosário de misériazinhas que é a vida, dando risada dos meus defeitos, e lamentando enormemente as poucas virtudes que eu ainda guardo, dessas tão difíceis de se abrir mão.
às 14:10 2 comentários Marcadores: Memórias
domingo, 1 de abril de 2012
Aforismos - Coração
"Existe um pássaro em meu coração que quer sair, mas eu sou mais forte do que ele".
Bukowski
às 15:13 1 comentários Marcadores: Aforismos
Pó
Se somos feitos de poeira
se de uma estrela que espocou em possibilidades
nasceram todas essas saudades
Eu queria poder registrar
E gritar
para você ouvir
e sentir
eternamente
que eu e você
somos apenas
criaturas a esmo
e uma forma
de um universo, indiferente
amar a si mesmo
A ti mesmo
"Na vastidão, do espaço e na imensidão do tempo, é uma alegria eu poder partilhar um planeta e uma época com você, Annie". Esta frase não brotou de algum poeta apaixonado, ou do cancioneiro de gosto duvidoso. É uma breve dedicatória que consta num livro de ciência, redigido por um astrofísico, e que se debruça ao honesto exercício de especular e traduzir o universo de descobertas científicas ao homem comum. Gente como eu e você, curiosa a não mais poder sobre origens, destinos, possibilidades, desencontros e encontros de um lugar que chamamos de universo.
A bela dedicatória é um tapa na cara de quem vincula ciência com objetividade e falta de humanidade. Pelo contrário. Na constelação de luminares que chamamos de ciência, talvez, não por acaso, a que mais condense subjetividade seja a astronomia. Há quem diga que a astronomia é uma experiência constante de humildade e de construção de caráter - não há palco mais substancial que ela para colocar no lugar as vaidades, temores e crenças antropocêntricas do homem.
E há mais poesia na singela homenagem de um cientista que conheceu o amor balizado por limites de espaço e tempo, do que 90% dos mau traçados versos impressos hoje em dia. Há mais sentimento em concluir de que somos uma manifestação do universo e, portanto, uma forma dele conhecer a si mesmo, do que boa parte das músicas que empolgam a gente ligada na "cena". Não que eu vá julgar gostos pessoais.
Preciso sempre render tributos ao pouco que sei, ou julgo que sei, de ciência e à figura de Carl Sagan, que me levou a pensar que nós, feitos de poeira de estrelas, como ele gostava de dizer, somos também uma forma do universo amar a si próprio.
às 14:20 1 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo, Memórias
sábado, 31 de março de 2012
Aforismos - Invisível
Eu descobri que tenho um super poder. Descobri que sou invisível. Às mulheres bonitas.
às 15:53 2 comentários Marcadores: Aforismos
quinta-feira, 29 de março de 2012
Frio
Vitória é sair do boxe, corpo quente e suado, depois de levar uma surra de criar bicho. Depois de espancar o estresse do dia no saco de areia, depois de pular corda loucamente. Vitória é sair deste mundo de virilidade e testosterona para a rua e receber vigorosas lufadas de vento curitibano, de 7 graus, desses tão densos, que chegam a pesar no lombo. Vitória é engolir, em vigorosos haustos, o frio curitibano e se sentir vivo, ainda que por conta do choque térmico.
Derrota é acordar no dia seguinte gripado, sentindo pena de você mesmo e dor em todas as fibras que definem o seu ser.
às 17:06 2 comentários Marcadores: Memórias
sábado, 24 de março de 2012
Pra baixo, idiota!
Eu sempre penso nesse filme. Eu sempre quero que Sean sobreviva à explosão. Que a Revolução triunfe, que não falte ouro para Juan. Que suas crianças cresçam à luz de um mundo melhor. Eu sempre vejo esse filme para encontrar qualquer coisa perdida, lá atrás. Para reviver cá, com meus botões e solidões, a improvável, e eterna, amizade entre um revolucionário irlandês e um bandoleiro indolente mexicano. Eu sempre revejo esse filme para buscar a sensação que tive ao vê-lo, maravilhado, pela primeira vez. Eu sempre revejo esse filme para ouvir Enio Morricone e me imaginar na pele do "firecracker", cruzando os desertos áridos sobre a moto, esquecendo dos meus remorsos, cismas, das minhas derrotas, dos tropeços do passado:
às 22:11 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura, Memórias
terça-feira, 20 de março de 2012
Pra não dizer que esqueci do blogue 2
Aliás, isso é só um atestado daquela observação certeira de José Saramago. "A maior tragédia nossa é essa coisa de não saber o que fazer com a vida". Eu não sei, em absoluto, o que fazer da minha, daí a não escrever mais como antes, daí a desistir de mais ou menos tudo que tentei, daí a desconfiar das veredas, não atinar com os rumos e viver nessa inércia assassina, que diz não todo dia, acena com talvez no futuro e grita o "sim, você pode" para tudo que já passou.
É a minha maior tragédia essa coisa de não saber o que fazer com o blogue e muito menos com a vida.
às 23:23 3 comentários Marcadores: Memórias
Só para dizer que não esqueci do blogue
O último post é de 1º de fevereiro. Vamos já às portas de 21 de março. Nada mais foi dito, pensado e ensaiado. Este blogue definha como o eu do passado.
às 23:19 0 comentários Marcadores: Memórias
