Agora me resta ir a São Paulo. Minha primeira final de campeonato no estádio. Tudo muito bonito, tudo muito corrido. Só falta o São Paulo perder e, como em 100% das grandes ocasiões da minha vida, foder inapelavelmente com tudo.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Não há mais Joelmir Betting
Entristeceu-me perder os escritos religiosamente publicados de Lessa nas segundas, quartas e sextas via BBC Brasil.
E hoje foi o dia de lamentar-se pelo falecimento de Joelmir Betting. Jornalista maiúsculo, somado ao sóbrio Boechat, eram as razões fundamentais da minha preferência pelo telejornal da Band que, verdade seja dita, há muito que não assisto, dadas as horas roubadas pela vida de gente grande. Essa tão inútil, aliás, vida de gente grande.
Mas vou recordar com carinho de Joelmir Betting que, na TV, me parecia um sujeito dotado de serenidade, equilíbrio, algum senso de justiça e integridade, coleção de predicados tão rara de se verificar em jornalistas. Fará falta a habilidade de traduzir a economia para o cotidiano das pessoas normais, fará, também, enorme falta o jeito de radialista de tecer comentários e aforismos sobre as condições gerais desse nosso louco, doido e doído, tempo.
"No Brasil, fomos dopados pela cultura da abundância, irmã siamesa da cultura da ineficiência, da acomodação e da tolerância; responsável pelo nosso atávico desperdício de terra, de água, de mata, de energia, de sossego e de gente".
às 17:35 0 comentários Marcadores: Atualidades, Memórias
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Aforismos - Livros religiosos
O segredo de interpretação da Bíblia e, na verdade, de qualquer livro religioso, está em considerá-la como verdade literal nos trechos que te interessam, como fábula nos que te atrapalham e ignorar completamente os que te contradizem.
Isso explica, por exemplo, porque cristãos não saem apedrejando mulheres por usarem calças ou a não realização de fogueiras em praça pública para assar os hereges que não guardam o sábado.
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Niilismo do fim
Eu não esboço a menor reação
meu peito calejado não sente
eu só penso
e me ressinto da vida
e me arrependo
e penso: quero que tudo seja diferente
mas nada é
me resguardo
e, cá comigo, fico cismando
que já não há esperança
é no fundo do peito
apago a última lembrança
e lamento mais este dia
escorro pela vida
me culpando pelo jeito
esse jeito meio decepcionado
tão meu
de olhar para dentro de mim mesmo
e me ver acabado.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Gênio político
Lula caiu muito no meu conceito com o apertar de mãos com Maluf e pela desastrada maneira pela qual geriu egos, pessoas, recursos e fatos envolvidos na organização de Copa do Mundo e Olimpíadas que, por infelicidade dolorida, serão mesmo no Brasil. Com essa, sim, não há quem possa.
Mas há de se reconhecer o gênio político que se imbui no iletrado ex-metalúrgico, que bienalmente, convida à baila todos os idiotas da objetividade nababescamente remunerados pela mídia, reacionários de plantão, a gente que esconde a farda e os estranhos onanistas do tempo do verde oliva, do brasil-il-il, ameooudeixeo.
Armaram, eles, o julgamento do Mensalão, que verdade seja dita, devia, antes de tudo, ter se debruçado sobre a questão: "deveria, ou não, o PT pagar roylaties ao PSDB pela evidente usurpação de seu legado político?" - fosse eu FHC, arquiteto da edificação e destruição do tucanato empoado e plutocrata que desmontou o país, esse monumento do nada ao nada, estaria agora me debatendo em artículos, discursos e entrevistas expondo o que é, na mais pura definição do termo, pirataria.
Outra verdade acerca do tema, firmemente impressa no juízo nacional, solenemente ignorado pela mesma mídia, é a de que, via de regra, o cidadão comum está cagando e andando para o mensalão. Prova disso foi a coça de urna que deu Lula em Alkmin no ano de 2006. A de 2010, quando fez de peã, rainha do tabuleiro político e a de agora, quando, esperamos nós, jogou a pá de cal em cima do cadáver, há muito moribundo, de José Serra, dito democrata social, dono de truculência e de delicadezas que só encontram paralelo na gentileza de um esquilo estuprado por um elefante.
Mas dizia eu que Lula é um gênio político do maior calibre. Marcou-se o carnaval do mensalão para o período pré-eleitoral - que curiosa coincidência o veredito sair justo na semana do segundo turno. Lula, antevendo o passo há meses, adiantou-se e escalou o PT com caras novas, completamente desapegadas de qualquer eventual nódoa, porque manchas ficaram, vinculadas com o mensalão.
Resultado: venceu 16 cidades com mais de 200 mil eleitores, que se somam à retumbante vitória do primeiro turno. E, agora, irá resolver como fará para segurar seu projeto, legado e plano político no poder em 2014, enquanto os idiotas da objetividades se agarram em tímidas vitórias regionais - quem deveria comemorar a eleição de ACM como prefeito de Salvador é o país todo, livre que fica de sua presença no legislativo, e não os solteropolitanos e nossos imaculados colunistas - se fia de tímidas análises, se agarra a preconceitos e lamenta-se por esse povinho tão estranho que, parece, desaprendeu a votar, desapegado que anda dos sociólogos, economistas, poliglotas e plutocratas que ela, a mídia, quer tão bem.
às 18:42 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
sábado, 27 de outubro de 2012
Meu ódio, quando explode a vingança, será a herança do Facínora
Eu acabei desenvolvendo uma afeição inexplicável por westerns depois de velho. Bem velho. Diversas coisas me arrebatam nessas produções que, verdade seja dita, já estão longe da ordem do dia quando o assunto é cinema que preste nos tempos que correm.
Uma das coisas mais interessantes sobre esses filmes são os nomes que acabaram recebendo no Brasil. Como o auge desse tipo de produção definhou nos anos 1970, as versões nacionais eram verdadeiras licenças poéticas, quando não simples e libérrimas traduções do inglês:
Exemplos:
"The Wild Bunch" - No Brasil, o excelente bang-bang de Sam Peckinpah - excelente mesmo, considero um dos melhores de todos os universos e tempos - ficou com o para lá de sangrento título de "Meu Ódio Será a Sua Herança". Nada a ver com o filme e, principalmente, com o título, que dá, numa tradução sem qualquer devaneio, "O Bando Rebelde". Muito menos extravagante, sem dúvida, que o escolhido no Brasil.
"The Good, The Bad and The Ugly" - Um dos retumbantes e esmagadores clássicos de Sérgio Leone, meu diretor preferido, é conhecido no mundo todo com esse nome, até mesmo aqui no Brasil: muita gente se refere ao filme, estrelado por Clint Eastwood, como "O Bom, O Mau e O Feio", o que seria, precisamente, a tradução do nome original em italiano e da versão norte-americana. Contudo, por motivos que me escapam totalmente, no Brasil, o filme foi batizado de "Três Homens em Conflito".
"Duck, You Sucker" - Talvez, talvez, seja meu filme preferido. E, como os demais, foi batizado de modo desastrado por algum compatriota. Aqui, no Brasil, o longa ficou com o exuberante título de "Quando Explode a Vingança". Nome pastelão que desconstrói o título original, uma frase feita que sempre sai da boca do personagem de James Coburn, alertando seu comparsa para se abaixar. Na tradução, "pra baixo, idiota".
"The Magnificent Seven" - Uma exceção. No caso do filme que moldou muito do imaginário masculino na metade final do século 20, o nome brasileiro até que não joga contra: "Sete Homens e Um Destino". Para quem não conhece, vale a recomendação: é a maior concentração de testosterona e macheza por frame já encontrada no cinema. No fim das contas, deu origem há décadas de propagandas para a Marlboro.
"True Gritt" - O filme tem duas versões, a original, dos anos 1960, com John Wayne, e a de 2010, com Jeff Bridges. Ambas usaram os mesmos nomes, tanto lá como cá. No Brasil, o filme ficou batizado como "Bravura Indômita", nome meio incomum para as versões nacionais atualmente, mas que casa perfeitamente com o perfil dos filmes de John Wayne. Nesse caso, simpático o gesto de manter o mesmo nome dos anos 1960.
"The Man Who Shot Liberty Valance" - Em resumo, esse longa dos anos 1950 coloca John Wayne na pele de um mocinho que vai lá e mata o tal Valance, que era um tremendo de um escroto e, de repente, merecia mesmo levar uns tirinhos. No Brasil devem ter achado que traduzir o título para algo sem criatividade, como "O Homem que Matou Liberty Valance", esvaziaria os cinemas inapelavelmente. Daí a terem resolvido florear um pouco o título para "O Homem que Matou o Facínora". Notem bem: O Facínora, não foi qualquer um desses facínoras meia-bomba do oeste, FOI O FACÍNORA.
às 03:32 0 comentários Marcadores: Cinema
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Aforismos - Ciência e religião
Rick Gervais é um comediante inglês. Ateu de quatro costados, lá não é feio ser ateu, disse ele, na última semana, via Twitter:
"Querida religião, nessa semana eu soltei com sucesso um homem da borda do espaço enquanto você deu um tiro na cabeça de uma criança que queria ir para a escola.
Sinceramente, Ciência".
Rick se referia a isso e isso.
às 15:38 0 comentários Marcadores: Aforismos
domingo, 7 de outubro de 2012
Porque "Império do Sol" é um filme inesquecível
Eu lembro de, deitado sobre a barriga de meu pai, assistir pela primeira vez à "Império do Sol". Lembro da sala, da luz amarela da lâmpada, lembro que era um sábado à noite, que o filme estava sendo exibido pela Globo e que o televisor que tínhamos era bem antigo, um Telefunken, marca da Alemanha Oriental que não existe mais. Televisor que seria mais ou menos surrupiado por um eletricista de má índole, ou fora abandonado nas mãos dele por falta de dinheiro na hora de pagar o conserto. Nunca logrei decifrar esse mistério de família. A quebra desse aparelho, aliás, fez com que eu e meu pai fossemos para o Paraguai em 1994, comprar uma tv de outra marca obscura, desta vez Eltec, que não fulgurara sob o julgo da foice ou do martelo e, talvez bem por isso, não se sabe nada sobre seu destino. Devia ser apenas uma estripulia asiática que emulava aparelhos de concorrentes de mais nome e apenas colocava no produto um nome qualquer que, nesse caso, calhou de ser Eltec.
Não era sobre o meu histórico com aparelhos televisores que queria escrever. Era, na verdade, sobre "Império do Sol". Esse filme marcou minha vida, é seguramente um dos registros mais antigos de cinema que eu tenho comigo, devo tê-lo assistido aos 6 ou 7 anos de idade. E guardei comigo profundas impressões de diversas cenas do filme, muito embora tenha demorado alguns anos para que pudesse, enfiar, altaneiro, dizer a todos que sim, entendia direitinho toda a história do longa de Spielberg.
No resumo, "Império do Sol" conta a vida de um garoto britânico que reside na China. Filho de aristocráticos ingleses, está acostumado à boa vida, a tudo ter, aos brinquedos caros e aos mimos que, ainda em 1939, soaram para este jovem Tertuliano como impressionantes.
O menino é Jamie, vivido por Christian Bale. Naquela época, o ator que hoje é muito conhecido por dar vida a Batman, já mostrava a veia para o drama, para a carga psicológica. O garoto vivia encantado, vejam vocês, pelos pilotos e aeronaves japonesas, frutos de um império, o japonês, que já naquela altura acenava com as intenções belicosas de conquistar para si todo o Pacífico. O objetivo causaria, como causou, enormes insatisfações a outro império, o britânico, do qual Jamie e seus pais faziam parte. A vibração da criança pelos aeronautas japoneses durante o filme é um toque sútil de ironia, e muito bem calculado: crianças não se preocupam com geopolítica, ao guri aprazia torcer pelos aviões japoneses porque os admirava. Não lhe passava pela cabeça que eventuais vitórias dos nipônicos poderiam significar até mesmo sua morte.
Com o passar do tempo, os japoneses lançam-se sobre a China, num episódio conhecido como guerra da Manchúria. Ao invadir a cidade, Jamie e sua família precisam fugir às pressas do ataque japonês e do risco de acabarem prisioneiros em um campo de concentração. Por diversos desencontros, os pais de Jamie fogem, ele não.
E é nesse momento que o filme, de fato, começa. Jamie, mimado e acostumado à boa vida, vê se num cenário de guerra onde é alvo, abandonado e sem perspectiva, precisa encarar a vida e a luta pela sobrevivência de frente. Com coragem e criatividade.
O diapasão do filme passa a se centrar nesse desenvolvimento. De certa maneira, "Império do Sol" é uma boa fábula para a perda da inocência. Jamie acaba deixando de ser criança quando precisa se virar para comer restos, quando precisa convencer pessoas a não o abandonarem. Quando acaba num campo de concentração e desenvolve um talento especial para esgueirar-se pelas difíceis e comprimidas instituições que florescem como podem dentro de uma sociedade confinada entre grades, arames, armas e inimigos.
"Império do Sol" é um belo filme de Spielberg. Há muita gente que torça o nariz por conta de suas produções, mas é preciso reconhecer onde o diretor acertou. O filme todo constroi uma sensação de absurdo tão sútil, que fica difícil ignorar.
Algumas cenas de "Império do Sol" me acompanharam por mais de 15 anos, até que dia desses eu revisse o filme: Jamie rastejando na sarjeta por uma aposta. A respiração boca a boca em um cadáver. A fuga do campo. A relação de amizade proibida e muda com um cadete da força aérea imperial. O interesse nas aeronaves e a cena do ataque ao campo no arco final da narrativa. Tudo isso, mestre Spielberg, imprimiu em algum recesso da minha mente. Conheço uma meia-dúzia de diretores melhores que Steven, mas, confesso, nenhum desses soube imprimir um filme no meu coração de menino.
às 22:01 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura, Memórias
domingo, 23 de setembro de 2012
Rádio: Belchior - Pequeno Mapa do Tempo
Eu tenho medo, medo, medo, medo...
às 19:39 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Eu vou sentir falta da Banca Kika
Meu irmão aprendeu a cultivar um hábito que, confesso, nunca tive. O de ler os jornais da terrinha. Não os leio porque são ruins, em virtude das limitações práticas do jornalismo numa cidade de 60 mil almas, e não satisfazem qualquer curiosidade que eu, por ventura, venha a ter sobre a cidade que me viu crescer.
Mas venho revendo o costume. Deve estar me batendo nostalgia e saudades da indolência da infância.
E nessas idas e vindas descobri que a Banca Kica vai fechar. O lugar é um ícone da cidade, fica na principal via do comércio por lá e, ao contrário de diversos pontos que sofrerão mudanças nos últimos 20 anos, ela sempre esteve lá. Sólida, inexorável, a desafiar a passagem dos tempos, o povo inculto que não lê e a chegada de uma época onde o hábito de se comprar revistas e jornais já soa inócuo. Por meio do texto do jornal vim a saber que o estabelecimento desafia o tempo desde o ano de 1970. Minha mãe tinha 16 anos, meu pai sequer conhecia a cidade e eu provavelmente não passava de uma porção de átomos e moléculas dispersas por aí, apenas esperando o destino.
Tenho carinho por essa banca porque ia lá com meu pai aos domingos pela manhã. Era preciso chegar cedo para garantir as cópias do Estadão e da Folha, que ele gostava de ler no fim de semana. Meu pai era um homem sábio e aproveitava minha empolgação no passeio para abastecer meu sortimento de revistas em quadrinho, prática a qual, hoje, sei que devo meu gosto pela leitura. Dos jornais, meu pai comprava sobretudo a Folha, que durante boa parte dos anos 1990, trazia fascículos para a montagem de livros, guias e enciclopédias que me acompanharam durante todo o tempo que morei por lá.
A banca também tem profunda ligação com o meu consumo de leitura. Era lá que eu levava os poucos cobres de que dispunha para trocá-los por gibis, revistas de videogame, de história, de carros, de automobilismo. E de mulher pelada também.
O que, aliás, me recorda da doçura daqueles tempos de infância, de tantos hormônios, tão pouca coisa na cabeça. As artimanhas, a engenharia social, as técnicas, os subterfúgios, as intrigas para comprar exemplares de revistas pudicas, como Playboy, e de sacanagem, como, bem, aquelas. Pobres dos meninos desses nossos doidos tempos, que nunca hão de saber o doce sabor da masturbação inspirada pelas revistas compradas através de verdadeiras operações de quinta coluna.
A Banca Kica vai me deixar saudades, embora eu não more lá há tanto tempo e nem mesmo seja capaz de dizer quando foi a última vez que adquiri algo lá. Aí veio o tempo e acabou com tudo. O tempo é a medida da precariedade de qualquer coisa. E eu vou sentir falta da Banca Kika, mesmo não usando de seus serviços há anos. Era um tipo de porto seguro saber que, não importa o quão avacalhadas possam ficar as coisas, lá na terrinha, onde cresci, na Munhoz da Rocha, ao lado da rádio, estaria a Kica, com o Seu Benedito atrás do balcão, rechaçando modismos, atravessando os anos, enfrentando as gerações e vendendo pornografia adoidado para os taradinhos tímidos como eu.
Tudo morre, tudo definha, tudo se acaba e tudo encontra o ocaso nessa vida que é medida pelo passar do tempo. O tempo passa. Ele, aliás, não faz outra coisa.
às 21:03 0 comentários Marcadores: Memórias
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Rádio: The Brian Jonestown Massacre - Straight Up and Down
A canção eu descobri na vinheta de abertura da série Boardwalk Empire. Das grandes produções da HBO, o seriado se passa na Atlantic City de 1920, bem no começo da proibição do alcool, conta o surgimento dos mafiosos e o fortalecimento das redes de abastecimento ilegal de bebida nos EUA.
Gosto muito da série e da canção. E me peguei revirando a internet atrás de informações sobre a banda que a toca, o que me fez descobrir que, agora, também sou fã de The Brian Jonestown Massacre. Um rock psicodélico mais contemporâneo, bom de ouvir, com variações, bom embalo na guitarra e melodias interessantes. De mais a mais, com um nome desses, The Brian Jonestown Massacre, os caras podiam tocar pagode, e mesmo assim acho que seria interessante:
às 01:23 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Decadência
Decadência é se encontrar acordado às duas e muitos da madrugada tendo que levantar em três horas para um dia muito puxado de trabalho. Gravação, set, filmagem, demora, espera, atraso, complicações. Decadência é não encontrar sono, a despeito do cansaço. Decadência é jogar baixo, apelar para a última long neck da geladeira, virar a beberagem guela abaixo, na esperança que o alcool me coloque no caminho do sono e deposite meu corpo carcomido nos braços do tal Morfeu, que ele deve saber o que faz. Decadência é virar 600 ml de cerveja importada na esperança do sono que, covarde, foge correndo por essas linhas. Decadência vai ser a segunda-feira zumbi que eu vou levar, coisa de louco, vou te contar.
às 02:15 0 comentários Marcadores: Memórias
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Rádio: Roy Hamilton - You Can Have Her
Eu tropecei nessa canção jogando Mafia II. Curioso que, diante do fato de que o jogo se passa nos anos 1950, admiti de primeiro instante que se tratasse de mais alguma vibrante música de Elvis Presley - mesmo calculando aí o fato de que a história (você encontra, facilmente, exemplares melhores de games de degradação social por aí, se está afim de uma boa história), segundo lembro, acaba antes do Rei estourar.
E, ao menos no meu caso, qualquer coisa que lembre Elvis Presley presta. Me peguei diversas vezes percorrendo as estações de rádio de Empire Bay, a cidade fictícia do jogo, atrás de Roy e sua "You Can Have Her". Durante boa parte do tempo estava profundamente convencido de que se tratava de Elvis Presley.
Acontece que, não, nada disso, não é Elvis. Os primeiros versos sugerem fortemente a voz de veludo do Rei. Na verdade, trata-se de Roy Hamilton. Trata-se de um cantor negro de rythm n' blues daqueles doidos tempos, na iminência dos anos 1960, e fica fácil entender a razão do seu tímido sucesso, ao menos quando comparado com tanta gente que cantou mais ou menos o mesmo tipo de som com mais ou menos o mesmo tipo de talento na mesma época.
Roy era negro e, mesmo tendo o timbre do Rei do Rock dos anos 1960, nunca fez o mesmo sucesso. O mundo não estava pronto para Roy Hamilton, mas estava para Elvis que, branco, cantava como um negro e tinha repertório firmemente solidificado no convívio com os corais gospel da igreja, com o blues entristecido e com o country, mais alvo, é verdade, mas nem por isso menos autêntico.
Roy fora boxeador durante boa parte da vida e foi morrer no fim dos anos 1960, jovem ainda, vítima de um ataque cardíaco. Deixou filhos, e foi se imortalizar, ao menos nas minhas contas, na trilha sonora do bem mediano Mafia II.
às 15:21 0 comentários Marcadores: Games, Rádio blogue
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Matemática explica meu gosto por Reckoner, In Rainbows e Radiohead
Tudo é matemático nesse universo em constante transformação. Para Newton, Deus era um grande matemático, noção essa que o puritano extraiu de seus princípios matemáticos e não houve o que o demovesse dela. Para Einstein, Ele não jogava dados com o universo. Já para o grego Euclides, o mesmo que inventou a geometria, havia uma relação muito profunda entre existência e os números. E sendo a arte aquilo que dá à existência timbre e permite ao artista a fuga da equizofrênia, nada mais justo que haver matemática em tudo que é belo, que todas as manifestações artísticas acabem transbordando matemática de uma forma ou de outra.
Tanto é assim que foi a Euclides que coube a descoberda do chamado Número de Ouro. Trata-se de uma razão universal em qualquer sólido que garante a ele proporcionalidade, fazendo-o agradável de se admirar. O Número de Ouro de Euclides, que é quase que insinto matemático, vem sendo usado nos últimos séculos como boa diretriz para artistas plásticos e para definir os gostos da cristandade. Seu valor é um número irracional - como poderia ser diferente? - 1,618 e foi obtido pela primeira vez quando seu descobridor se viu às voltas com o curioso desafio de solucionar uma questão, naquele momento, definitiva: qual é a proporção idela para se dividir uma reta em pedaços não congruentes? Chegou no tal número, que acabou sendo usado em tudo quanto é arte. Ele está na fachada do Paternon da Acrópole, por exemplo.
Todo o preâmbulo para dizer que encontrei o Número de Ouro de Euclides embutido numa música e num disco. Isso explica porque, em especial, a canção e o álbum me são tão caros.
A canção é Reckoner, o álbum é In Rainbows, a banda é Radiohead. Aos 2:49 de Reckoner, ponto que é precisamente o Número de Ouro do disco, se levar em conta o somatório da duração de todas as faixas, um coro irrompe cantando "In Rainbows" ao fundo. A referência, claro, foi proposital. Sim, eu sou frio e calculista a ponto de me atrair por simetria matemática até em música.
Interessante notar que, traduzindo, reckoner no bom português quer dizer calculista.
Muita gente ignora solenemente a canção que, no entanto, é precisamente um das minhas preferidas. Fico imensamente contente de ter tanto tempo livre, tanta cultura inútil e tanta inquietação para tirar de um gosto puramente subjetivo uma razão puramente matemática. Interessante descobrir tudo isso. De alguma forma, agora, parece que gostar de Radiohead, In Rainbows e Reckoner faz muito mais sentido.
Também é interessante considerar que esse tipo de refinamento estético, infelizmente, vai longe da efervescente, dizem, cena musical nacional, com seu irrefreável mais-do-mesmo temático e sonoro.
Qualquer um dos caros oito curiosos leitores pode, agora, ouvir Reckoner e concordar comigo a respeito da qualidade da música.
às 16:25 0 comentários Marcadores: Cosmo por ele mesmo, Cultura, Rádio blogue
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
A frase de Armstrong
Morreu no último sábado, aos 82 anos, o homem a quem coube a imorredoura honra de ir colocar os primeiros pés humanos no solo da Lua. Neil Armstrong, o astronauta, ficou imortalizado por ter dito na ocasião que era aquele um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco salto para o coletivo deles todos, a humanidade.
De minha parte, considero que Armstrong está imortalizado por outros dizeres que fez em seu traje pressurizado, também com os pés apoiados na Lua. Em certo momento da sua excursão de três horas pelo satélite, disse Armstrong: "Boa sorte, Senhor Gorsky". Houve alguma especulação na época, florescida em torno da frase inesperada e um tanto desloucada.
Teve quem a considerasse uma provocação aos rivais soviéticos, vendo no nome Gorsky uma associação aos povos eslavos, nome comum que é por lá. Outros foram mais além, e afiançaram que Armstrong delirava, vítima de qualquer complicação médica insuspeita pela Nasa porque, afinal, até então ninguém tinha ido para a Lua. Também se especulou sobre a possibilidade de que a frase fosse um código previsto na missão, que servisse para afiançar qualquer checklist. Houve até quem expremendo o mais que pôde a sanha conspiratória fosse capaz de dizer que Armstrong encontrara, enfim, o habitante lunar e que ele chamava-se Gorsky. Neste cenário, o "boa sorte" fora, na verdade, mal compreendido em função da má transmissão de rádio oriunda da Lua. Armstrong, em realidade, saudara Gorsky dizendo: "boa noite, senhor Gorsky".
De tudo isso, nada.
Gorsky era, em realidade, vizinho de Armstrong quando Neil era apenas uma criança. Certa vez, jogando beisebol, a bola escapou de Neil e seu irmão, e acabou parando diante da janela do quarto do casal Gorsky. Armstrong se inclinou para buscar a bola a tempo de ouvir uma enfurecida senhora Gorsky: "sexo oral! Sexo oral? É isso que você quer? Isso você só terá quando o garoto do vizinho andar na Lua!".
Uns 30 anos depois, lá da Lua, tudo o que restava a Armstrong era desejar boa sorte a Gorsky.
E essa foi, nas minhas contas, a maior frase que o astronauta foi capaz de eternizar na sua viagem histórica.
às 03:22 1 comentários Marcadores: Aforismos, Atualidades, História
sábado, 28 de julho de 2012
Rádio: Placebo - Song to Say Goodbye
Eu voltei para São Paulo, uma breve visita na inóspita selva de pedra, e também voltei a escutar Placebo.
"You are one of God's mistakes"...
às 17:09 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
terça-feira, 17 de julho de 2012
Rádio: Elvis Presley - Mary in the Morning
Gosto tanto desta canção que sinto vontade de me apaixonar por uma Mary, apenas para lhe cantar ao pé do ouvido essa letra.
às 18:04 2 comentários Marcadores: Rádio blogue
terça-feira, 10 de julho de 2012
Aforismos - MMA
Lutadores de MMA são tão machos, mas tão machos, que a Feiticeira largou um e virou evangélica.
às 19:29 1 comentários Marcadores: Aforismos
Civilização
Pode ser que eu seja antiquado, mas prefiro pensar que, assistir a dois grandalhões disputarem uma briga de rua, com direito a joelhaço nas fuças, vestindo tanguinhas, transmitidas em VT e a galera achando que é ao vivo é só mais um solene e decisivo tropeço da nossa sociedade rumo ao grunhido como forma de comunicação.
As pessoas se imbecilizam ao ponto de "vestir o branco pela paz", se escandalizar pelo crescente número de ateus na sociedade, passam a demonstrar toda o seu exuberante repertório político ideológico neste período de campanha, exigem mais segurança, ficam chocadas quando recebem uma fechada, um "vai tomar no cu" no trânsito. Mas são essas mesmas pessoas que fazem filas para ver dois homens de tanguinha, cobertos de vaselina, distribuindo cotoveladas e joelhaços um na cara do outro.
Essa é a nossa civilização, eu me envergonho dela. E você?
às 19:16 0 comentários Marcadores: Atualidades
sábado, 7 de julho de 2012
Aforismos - Natureza
Unicórnios são rinocerontes com anorexia.
às 01:18 0 comentários Marcadores: Aforismos
