segunda-feira, 1 de abril de 2013

Rádio: Elvis Presley - You've Lost That Love Feelin'

Uma das preferidas:

Rádio: Elvis Presley - Trying to Get You

Não é por acaso que chamam ele de Rei.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Réquiem

Eu, dificilmente, casarei um dia. As mulheres, em geral, têm se tornado criaturas muito desinteressantes. E considerando que, segundo todas as probabilidades, eu não vou mesmo comer a Keira Knightley e nem a Ellen Roche, resta-me fazer um conformado voto celibatário, ainda que, eu o confesso, involuntário.

Mas, na hipótese remota de que decida casar para não me aborrecer sozinho pelo resto da existência, saliento que planejo toda a pompa e circunstância para a cerimônia de fim de vida a que se dá o nome de casamento. Não é por acaso que Dumas tenha dito que a cadeia do casamento é tão pesada que, por vezes, são necessárias três pessoas para carregá-la.

Caso case, veja a construção, atestado de má redação que eternizo nesse texto, decidi que adentrarei nos meus últimos passos antes da morte matrimonial com uma marcha fúnebre. Ou talvez uma retumbante cantiga bélica, um Bella Ciao, ou The Red Army is The Strongest, quem sabe até mesmo o tema de Battlefield 1942.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Meu camarada

Se prepara
meu amigo
que dessa vez sou eu que te digo
e te escrevo
mesmo em verso
que a vida deu o bote
que a gente se estatelou
e esse olhar disperso
já não disfarça
essa vida que é farsa
que é bandida
e que veio munida
de faca nos dentes
moeu nossos sonhos
tão inocentes.

sexta-feira, 22 de março de 2013

It just sounds like power 2

Eu não gosto da Ferrari. Mas esse é o ronco de motor mais bonito de todos os tempos. É lírico. É como Pavarotti acordando de bom humor para cantar Nessun Dorma. É imortal como Caruso.


quinta-feira, 21 de março de 2013

Brace myself

Eu disponho de dois serviços para monitorar audiência e acessos deste blogue. O mais antigo deles, o ShinyStat, me acompanha desde que migrei do Blogger da Globo.com para este Blogger do Google, que por bizarrices contratuais, virou blogspot no Brasil. Com o tempo, o Shiny ganhou a companhia do Analytics do Google e, mais recentemente, o contador estatístico embutido no Blogger, que veio numa revisão da plataforma para torná-la mais competitiva diante do WordPress.

Não há a menor necessidade para tantos contadores num blogue só. Primeiro porque todos fazem rigorosamente o mesmo serviço. Segundo, que o Analytics é, de longe, muito melhor do que os outros dois. Terceiro, meu blogue não é assim tão requisitado, conserva sempre os mesmos visitantes e um ou outro esporádico, que cai inadvertidamente aqui por uma busca inocente no Google, que acaba apontando para cá.

Todo o enorme preâmbulo para dizer que, eventualmente, checo, a título de curiosidade, as estatísticas de acesso do meu blogue. Há vezes em que vejo que recebi um visitante da Mauritânia. Já houve gente da ilha de Java. Até de Moutain View, sede do Google, lá na ensolarada Califórnia. Na imagem que ilustra este post os caros leitores verão que recebi gente de outros cantos, como a Holanda. Sou uma marca internacionalizada, como se vê.

Hoje, inocentemente, checava os resultados do mês de março quando vi que recebi uma visita suspeita. Às 15 horas, 25 minutos e 50 segundos, deste dia 21 de março, um computador rodando Windows XP, usando o Explorer 7 como navegador, entrou neste blogue em busca de sei lá eu o quê. O IP da máquina remete aos Estados Unidos. E, de acordo com o monitor de acessos, o provedor de acesso da máquina em questão é o U.S. Department of State. Só é injusto, nesse mundo da internet, que nenhum desses serviços de monitoramento me permita estancar no limiar da porta deste blogue, medir da cabeça aos pés o eminente visitante, e dizer-lhe: "a que devo a honra?".

O Departamento de Estado norte-americano, gerido por Hillary Clinton, tem qualquer interesse nas idiotices que eu escrevo. O que é bem preocupante, porque nem com muito deboche logro ter ideia de qual seria o interesse dos esbirros e da gente togada do referido departamento em minha humílima, desinteressante e carcomida pessoa. Só espero não ter concorrido, ainda que inadvertidamente, para irritar os suscetíveis humores da belicosa gente que milita no referido órgão e, se o fiz, resta-me pedir desculpas e me declarar, desde já, inexoravelmente disposto a reparar qualquer que tenha sido o descuido. Em todo caso, na hipótese de que eu desapareça no futuro próximo, caros oito leitores, fiquem cientes de que devo estar respondendo à máquina de medo em algum buraco de Guantánamo.


Música

"It just sounds like power".



E não poderia faltar o motor mais musical de todos os tempos:


quarta-feira, 20 de março de 2013

Rádio: Mark Lanegan - Burn the Flames

Um belo arranjo, baixo e guitarra, melodia sombria, voz estragada. É a trilha sonora da minha vida de céu cinza, do inverno que chega, do vento, o único toque que ainda me acaricia a face. A solidão assombrada de uma caminhada sem volta, meio desajeitada, essa coisa que chamamos de vida, a tragédia tão nossa, exemplarmente definida por Saramago: "a nossa grande tragédia é não saber direito que fazer com a vida".

Ensombreça a alma:



"So burn, so burn, burn the flames, higher, higher and higher".

Quem dera gritar

Há uma canção do Chico Buarque, aquela do "tô me guardando para quando o carnaval chegar" que, em dado instante, diz: "quem dera gritar".

Eu vivo me imaginando soltando berros libertadores, de rasgar o peito, no meio do trabalho, sempre, em todas as ocasiões em que sou confrontado com alguma das patranhas do ofício.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Rádio: 16 Horsepower - Prison Shoe Romp

16 cavalos de potência nunca foram tão divertidos.

Sempre quando me encontro com essas bandas, soterradas num passado de sexo, drogas e rock n' roll, me sinto como o sujeito que se atrasou para sair de casa no dia em que choveram dinheiro e Ellen Roches.


Rádio: Tom Waits - I Hope That I Don't Fall in Love With You

Tom Waits é um Mark Lanegan mais conhecido.

"These old tom-cat has feelings that you don't understand".

sábado, 16 de março de 2013

Battlefield 1942 mora no meu coração

Vídeogames já são um tipo de arte, como o cinema. Técnica e dependente de inúmeros profissionais. Como os músicos.

Há trilhas de games que não cansam, que não envelhecem, que ainda me evocam o sentido embasbacamento da primeira vez que a ouvi casada com algum momento icônico do jogo em questão.

Uma delas é a trilha clássica, marcial, belicosa e bem marcada dos antigos jogos da série Battlefield. Escolhi a versão do Battlefield 1942, mas poderia ter escolhido qualquer outra. Quando a ouço, lembro de um dia jogando, no PC, isso deve fazer uns 10 anos, um mapa na Normandia em que meu desafio auto imposto era não morrer nenhuma vez. A coisa de "puta que pariu, caralho, eu morrer nessa merda" não parava de surgir na mente a cada progresso pelo cenário. Era uma das minhas primeiras experiências em jogo de tiro de primeira pessoa e no multiplayer.

Não que não se possa morrer nesses joguinhos. É um tipo de guerra cômoda. Você dá uns tiros, explode coisas, avacalha com alguém, dali a pouco morre, e em 20 segundos, volta para tentar de novo. É a guerra civilizada. A única coisa que sai ferida é o orgulho, quando você leva um tiro de mais de 200 metros nas guampas, ou morre esfaqueado.

Eu lembro de um trecho do jogo, na porção singleplayer, que um personagem diz "start fighting or I'll find someone who can". Dadas as limitações técnicas da época, a atuação do dublador era bem macarrônica e o sincronismo labial beirava o inexistente. Mas, por algum motivo, é uma cena que eu sempre lembro da série Battlefield.

Nessa partida histórica de Battlefield 1942, de tantas e tantas, a única que lembro, recordo de ter vencido o mapa. Ter matado uma porrada de nazistas, muitos deles com headshots, eu sempre gostei de jogar como franco-atirador, gosto da ideia de precisão. Lembro que destruí os adversários e, olhando em retrospecto, nada melhor que o tema do jogo para embalar o vídeo desse gameplay que registrei profundamente na memória.

Pode ser que não tenha sido bem assim, mas é assim que eu gosto de lembrar.

Abaixo, a música para as cenas editadas pela minha memória seletiva. This sound never gets old.


sexta-feira, 15 de março de 2013

Pingos nos is

"Ennio Morricone diz que não trabalha mais em filmes de Quentin Tarantino".

Obrigado, velho amigo, obrigado pela única vitória do dia: aqui.

Morricone disse que o diretor coloca as músicas sem coerência em seus filmes. Não espero que fãs do "diretor" entendam a ideia de coerência. Mas, ainda assim, gostaria de que todos vissem a cena de abertura de "Era uma vez no Oeste". Longa, lenta e trabalhada, toda a cena, comunica pelos sons. É o "design de áudio", idealizado por Morricone para a cena.

Aquilo é genialidade e coerência com a proposta do filme, um dos mais lentos do cinema. Fazer o que Tarantino fez em "Django Livre", pegar uma composição de Morricone aleatória e a colocar no filme, é falta de coerência.

Grande Ennio.

Sabor do dia

Hoje é um dia com gosto amargo. Meu irmão vai dar um passo importante na vida, e em que se considere o fato de que fui avisado com pouco tempo, o trabalho me impede de estar presente. Todas as recriminações são merecidas, me sinto envergonhado, pequeno e mesquinho. Mas a verdade é que a vida que eu levo não é a que eu quis. É a que sobrou. Desculpa, brother, mas eu escolhi mal as minhas veredas.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Rádio: O Natal, por Mark Lanegan

Mark Lanegan, o Clint Eastwood da música (o que vale para Clint, que é o Mark Lanegan do cinema), lançou um disco com cantigas de... Natal. Todas soturnamente agraciadas com a voz de rouquidão, uísque, heroína, decepções e derrotas deste patrimônio do rock.

Ponto, parágrafo. Não foi por acaso que um dia definiram Mark como um sobrevivente do rock, apesar de seus melhores esforços (a rock survivor, despite his best efforts).

Mark vende o disco diretamente nos seus shows, um EP de seis músicas. Dark Mark Does Christmas é sensacional. Se um dia tivesse filhos, iria embalar o Natal deles com o bom Mark e sua forma transtornada de cantar a vida e a morte. É um gole de uísque para o Papai Noel (sacaram? A genialidade? Whiskey for the Holy Ghost? Ahn? Ahn?). Que sujeito, caros oito leitores, que sujeito!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Rádio: Joaquin Sabina - ¿Quién me ha robado el mes de abril?

"En la posada del fracaso, donde no hay consuelo ni ascensor, el desamparo e la humedad comparten colchón..."

"El hombre del traje gris".

Lembro dos escurecidos e amargos tempos onde essa canção embalou minha desdita. Trocaria o abril por dezembro, mas de resto, El Flaco acertou em tudo. Pena, mas pena mesmo, que essa é a única canção do espanhol que presta.

"Como pudo sucederme a mí?"

terça-feira, 12 de março de 2013

Sonho que não realiza

Eu tinha vontade de, no futuro, daqui muitos anos, ligar para meu filho, ou filha, no meio do dia, sem razão alguma, apenas para dizer que sinto falta de quando eles eram pequenos e me sorriam com a boca cheia de janelinhas.

De fé

Dizem os especialistas, sempre eles, que há um risco, e não é pequeno, de que a próxima santidade venha a comungar comigo a honra de ter dado os primeiros berros na querida terra dos pinheirais.

Digo que não sei. Nada contra os senhores que se reúnem para escolher o qual, entre eles, terá a duvidosa distinção de usar uma saia maior que a dos outros todos, mas para cá, penso, seria bem ruim que o Paraná, essa nossa Albânia tropical, venha a emplacar um papa.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Nem por deboche

Causa certa comoção a eleição de um membro do partido social cristão ao comando da comissão de direitos humanos que, dizem, é mantida pela câmara dos deputados como um esforço de monitorar o respeito dos ditos direitos em território nacional. Eu juro que, até agora, não sei qual é o nome do sujeito. Tendo a reservar meu tempo para coisas mais úteis, como explodir russos no videogame.

A comoção dá-se porque o distinto edil tem o mau vezo de ser uma daquelas ratazanas de altar, nascidas nos escurecidos tempos da idade média e que, de lá para cá, vêm empestilando o progresso da humanidade, para quem casamento entre gente nascidada no mesmo sexo, respeito ao direito de escolha da mulher, e tantas outras questiúnculas que os religiosos transformam em cavalos de batalha, são definidas a partir do que diz, não diz, ou contradiz, um enorme livro escrito na idade do bronze por pastores que consideravam que mijar nas feridas era uma boa ideia para curar enfermidades.

Sem questionar o direito do distinto deputado a ser um tremendo idiota, é lamentável, mas ele tem o direito de ser idiota o quanto puder e quiser, e mesmo a lisura do desequilibrado processo democrático que o colocou onde está, só nos resta um pouco de equilíbrio para lembrar que a eleição dessa ratazana de altar em específico é apenas reflexo de quem, pelas alvas calçadas do congresso, anda, e quando dá, frequenta suas dependências interiores, como o plenário. Poderiam, se fossem cidadãos melhores, ter colocado alguém nascido no século XX e com mentalidade formada no cargo, mas a verdade é que num congresso tomado de reaças, indigentes intelectuais, pastores e religiosos de diversos matizes, não acho que dava para correr para algo muito melhor. Nem que fosse por deboche.

terça-feira, 5 de março de 2013

Quase

Eu vejo esse quase coração
pulsando para a quase vida
me lembro
da vida de priscas eras
onde tudo seria
e o que não era
podia.

Aí eu resgato
e me lembro
e me digo
e me prometo
e desisto.

Essa coisa de quase viver
ainda vai nos levar
a quase amar, a quase ser
e vai nos matar.
ou quase.