Derrota, talvez, seja levar 7 gols em semifinal de Copa do Mundo. Derrota, para uns, é ver o candidato do tucanato empoado e plutocrata, que desmontou o país, perder mais uma eleição. Derrota é, talvez, o baixo salário. Não ter para empatar as contas. É trabalhar no domingo. Derrota é, como tudo na vida, uma medida oscilante, varia conforme o referencial. Não é um conceito absoluto. Derrota, meus queridos, é aquilo que vai acontecer com você. Derrota é como o universo, um tudo e nada em constante expansão. Derrota é questão de tempo, você vai perder, em algum momento, é estatístico. E por ser mensurável, derrota é algo que se pode computar na vida das pessoas. Quantas vezes você vai perder, qual é a chance de você se dar bem, no geral. Mas isso vale para você. Você. Eu, não. Comigo, derrota não é a variável, é a constante. Eu perdi, eu perco, eu perderei. Em mim a derrota se fez verbo e destino.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
segunda-feira, 9 de junho de 2014
O Brasil não termina
Digam o que quiserem, mas realizar uma Copa do Mundo no país do futebol, diminuindo o interesse geral do público pelo esporte, é uma façanha que não tem paralelo na longa história das tremendas cagadas protagonizadas pelo nosso inacabável Brasil.
São por essas e outras que o Brasil nunca acaba.
às 18:08 0 comentários Marcadores: Aforismos
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Grid dos sonhos. Fonéticamente
Eu sou um apaixonado por automobilismo e venho, recentemente, me instruindo sobre os anos que antecederam a Fórmula 1 e as escaramuças travadas em rodovias e nos incipientes circuitos europeus da época sob o nome de Campeoanto Europeu de Pilotos.
Além da inerente loucura de correr com carros daqueles a velocidades superiores aos 250 por hora, a época foi pródiga nos mais imponentes nomes de pilotos de corridas. Algo que se explica, em grande parte, pelo fato de que, na época, corridas eram coisa de aristocratas, dos "gentleman drivers". Fosse eu um locutor, gostaria de narrar o grid imaginário que segue:
Tazio Nuvolari
Manfred Von Brauchitsch (lê-se "brauquitch)
Bernd Rosemeyer
Rudolf Caracciola
Raymond Sommer
Hermann Paul Müeller
Toulo de Graffenried
Georg Meier
Maurice Trintignant
Jean-Pierre Beltoise (anos 1970, lê-se "beltoáse")
Jack Brabham
Wolfgang Von Trips
Graham Hill
às 01:52 0 comentários Marcadores: Fórmula 1
terça-feira, 13 de maio de 2014
Desmotivacional da comunicação
Devemos medir sempre a grandeza do homem pelos sonhos que tem. Sonhar nos ajuda a aliviar as dores da existência e a trilhar o caminho de grandeza que define o destino de todos nós. Porque todos nós estamos destinados a ser grandes.
Com exceção dos babacas que tentam carreiras na comunicação. Esses estão todos condenados a uma vida de mediocridade acachapante.
às 15:28 0 comentários Marcadores: Desmotivacional
domingo, 4 de maio de 2014
Senna
Eu, sinceramente, achava que nunca mais iria redigir alguma linha sobre Ayrton Senna. Mas os últimos dias foram pródigos em me lançar, ainda outra vez, aos tempos de menino, ao que pude acompanhar da carreira do tricampeão, do que ele significou por tanto tempo, dias que me lembram do sujeito que hoje sou, profundamente marcado pela paixão por carros e corridas, que nasceu em 1990/1991. Num tempo em que Ayrton Senna, um tipo de força da natureza, dobrava o destino e o mundo à sua vontade. E vencia.
Vinha ensaiando esse texto nos últimos dias, mas o que me incentivou de verdade a escrevê-lo foi um depoimento, de Emerson Fittipaldi, que li dias atrás. Em inglês, ele diz, sobre Senna, "penso nele todos os dias e sinto muito a sua falta". A declaração me pegou desprevenido, porque eu lembro de Senna com grande frequência. Não como a divindade, mas como o gênio que era de um esporte que eu aprendi a amar com reverência.
A percepção de que Senna era, e é, muito mais do que um piloto já me incomodou, assim como incomoda a muita gente, notavelmente fãs mais sisudos da F1 e jornalistas tarimbados, que esperneiam contra o endeusamento, as proporções sobre humanas a que os fãs, não só brasileiros, fazem questão de excelsar uma criatura que, na verdade, era apenas um homem.
Compreendo essa reação. Eu mesmo comungo da ideia de que fazer de Senna um herói, mito, santo, messias, o que mais couber entre esses absolutos, é despi-lo da sua fascinante personalidade, da riqueza do sujeito capaz de dar milhões para ajudar a quem precisa da mesma forma que era capaz de bater, de propósito, para embolsar um campeonato de F1. Senna é ainda mais fascinante como personagem quando observado à luz de seus defeitos e falhas. É o campeão, o melhor de todos os tempos, o cara que arrisca o pescoço pra socorrer o Erik Comas, mas veta um companheiro de equipe porque não queria ver as atenções do time divididas. Senna é humano, contraditório, problemático, genial e escroto, humilde e exagerado. Senna é uma manifestação da natureza.
Mas sem embarcar nas tortuosas linhas dessa filosofia de boteco e do entendimento do fenômeno de mídia que transforma um tremendo atleta em profeta, tenho mesmo é que recordar. Senna influenciou profundamente a minha geração e a comoção nacional por conta de sua morte, em 1994 e agora, 20 anos depois, dão a dimensão disso.
Eu lembro que era absolutamente natural ter a F1 no convívio diário. Meu pai via os Grande Prêmios, era um fã dos brasileiros na categoria, tendo começado a acompanhar corridas nos tempos de Fittipaldi. Minha primeira recordação de F1 se passa em 1988/89: estávamos na casa de um tio, em Porto Amazonas, e passava uma corrida na TV. Meu pai assistia com meu tio e discutiam as possibilidades de Senna na prova e eu lembro, perfeitamente, do carro costurando algumas curvas que me lembram Hockenheim.
Em casa, era com meu pai que eu dividia o sofá para ver as corridas. Lembro que, ao fim delas, ele já estava ocupado com a churrasqueira. E lembro também que era meio raro eu acordar para ver as corridas. Eu gostava muito de dormir e Senna era eterno. Sempre existiria outro GP.
No fim das contas, descobri, com oito anos de diferença, que nenhum dos dois viveria para sempre.
Quando comecei a acompanhar corridas, de verdade, em 1991, Senna media forças contra a Williams de Nigel Mansell. Embora longe do brilho das batalhas contra Prost, os duelos dos dois iluminavam a minha pulsante imaginação de criança. Eu lembro que, na escola, tomava os balanços com os colegas. Eu era o Senna. Ao lado, no balanço azul, ia Prost ou Mansell. Mais tarde, em 1992, nossos GPs ganharam a participação de um alemãozinho que começava, um certo Chumaquer, como escrevíamos. Nossos GPs duravam um recreio e, honestamente, não sei como medíamos vitoriosos e derrotados. Sei, contudo, que eu me esforçava para fazer a balança ir mais alto e mais longe do que as outras. Eu era Senna, tinha toda aquela vontade de vencer por trás, e eu ia mais alto por causa disso.
Para as crianças da época, Senna era essa tradução de vontade. Ele era o herói. Era o Jaspion de verdade. O cara que vencia corridas com carros que pareciam naves espaciais, que era tão forte, capaz e que nada se colocava no seu caminho. Era talento, determinação, invencibilidade em tais níveis que o cara parecia mesmo capaz de salvar o mundo, de ser herói só porque era bem sucedido num dos esportes mais mesquinhos do planeta. Senna e suas vitórias despertaram em mim a vontade de virar piloto. Lembro de ter sofrido muito quando percebi que o sonho era impossível.
Em relação a todos aqueles garotos, eu acabei diferente. A esmagadora maioria era fã de Senna, não de corridas, não da Fórmula 1. Com a morte, todos debandaram. Corridas deixaram de ser assunto nos recreios e ninguém estava interessado a assumir os cockpits nos balanços com nomes tão distantes, como Hill, Coulthard, Barrichello, Herbert, Verstappen. Eu, que adorava Ayrton Senna e chorei copiosamente pela sua morte, não. Eu gostava muito de Fórmula 1, tinha uma curiosidade insuportável sobre a história do esporte, curiosidade que só foi possível saciar com a chegada da internet. Foi Senna que me levou a gostar de F1, o que me levou a me interessar por carros, tecnologia e outras manifestações do esporte a motor.
Eu sou apaixonado por velocidade. A ideia de ir além do limite, de percorrer distâncias em lapsos de tempo, de controle e de fusão com a máquina, são incrivelmente sedutoras. Eu tenho certeza que teria dado um excelente piloto.
Nada à sombra de Ayrton Senna, que não pode ser explicado e medido apenas pelo talento. Senna, como eu me acostumei a vê-lo, dentro de um carro, era uma força da natureza. Imparável, inexorável e invencível.
às 06:39 0 comentários Marcadores: Fórmula 1, Memórias, O dia em que cresci
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Rádio: Radiohead - Bodysnatchers
I have no idea what I am talking about.
às 21:27 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
domingo, 17 de novembro de 2013
Para falar de meu avô
Quem, desatento, olhar para a longa história de postagens desse blog poderia pensar que seu autor se sente realmente orgulhoso deles.
Não seria verdade.
Eu gosto de uma meia-dúzia de poemas, alguns posts são bons, outros são ruins, mas me recordam épocas importantes. Com muito esforço, eu juntava um punhado deles.
No meio desses, certamente, eu carregaria comigo aqueles que menciono o homem de dois nomes, o meu avô.
Hoje, dia em que conto mais um ano de vida, fui visitá-lo. A doença e a idade são cruéis com ele que, sem poder fazer nada, embarca de memória em memória, temperada com os devaneios de quem, muito além da vista borrada que lhe impede de divisar o neto, não atina mais com a lucidez. Antes, eu gostava de ouvir as recordações de meu avô. Hoje, não dá mais para saber onde terminam as memórias e onde começam as fantasias.
Eu o invejo.
às 21:40 0 comentários Marcadores: Memórias
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Rádio: Johnny Cash - Can't Help But Wonder Where I'm Bound
O bom e velho Cash:
às 11:19 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
No vermelho
Vivo em parcelas
juros
sobre juros
sobre juros sobre
sobre juros sobre juros
sobre juros sobre juros sobre
sobre juros sobre juros sobre juros
empréstimos de sorrisos
custos, custos
taxas de lágrimas
juros, juros e mais juros
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Por que eu me irrito com a patrulha animal
O resgate dos cãezinhos gerou um animado debate em que eu me vejo, já há algum tempo, incluído. Essa coisa de, hoje, tanta gente moderninha devotar desmedido amor a animais, enquanto relega a nem sempre tão brilhante humanidade a condição de ódio, rancor, um certo discurso de decepção pelo demasiado humano.
Ora, atire aí o primeiro beagle aquele que não deu com as fuças quando se fiou na humanidade.
Meu interesse na questão vem do fato de perecer de tantas amizades que comungam dessa percepção de vida. Vegetarianos, veganos, amigos que olham torto para uma jaqueta de couro - mesmo que ela seja sintética - são os exemplos que me ocorrem e com quem, ao longo já de tantos anos, venho travando discussões divertidas em que sempre me bato pelo lado do deboche.
É, no meu caso, sinceramente impossível levá-los a sério.
Por vários motivos. Não só pelas delícias da carne, das quais sou entusiasta de primeira hora, mas pela razão que me faz valorizar uma criança mais do que um cãozinho.
Sentir amor por animais não é algo que se deva escusar, obviamente. Meu problema nasce com o panfleto: a ideia de que todos, pelo bem da humanidade, deviam mudar de dieta. Seja pela poluição, pela crueldade, por qualquer razão que seja. Eu não vou na salada do vegetariano palpitar sobre os louvados transgênicos que compõem sua dieta, por exemplo, e que, paulatinamente, vão alimentando em seu bojo os mesmos tumores cancerígenos que, por seu turno, os incomodam em quem se alimenta de carne. Creio que palpitar no que orça a refeição do outro é uma tremenda falta de educação, a rivalizar com o falar de boca cheia.
Declarar que ama mais os animais do que pessoas, no meu caso, sempre pareceu distúrbio psicológico, e dos graves. Longe de me arvorar entendido nessas mecânicas, mas a única coisa que consigo extrair desse tipo de discurso é que o sujeito vota mais amor à criaturas incapazes de dizer não, de reagir, de interagir, de construir sentido e ideias complexas, do que aos humanos, extremamente hábeis em qualquer uma dessas atividades. Amar um cãozinho é muito fácil: a margem de manobra para que ele o decepcione é medida pela bosta que ele larga onde não deve.
Um ser humano pode destruir sua vida.
Esse compasso desregulado é apenas um sintoma de imaturidade, de pessoas que não conseguem votar sentimentos para criaturas mais complexas, que dizem não, se zangam, decepcionam e são decepcionadas, que mentem, que surpreendem, que nem sempre vão te amar em troca. É muito fácil amar uma criatura inferior, que não te ameaça e que não te desafia.
Considere-se o fato, também, que todo esse amor provoca perturbações. Cães de hoje eram lobos há 30 mil anos que, domesticados, acabaram sendo selecionados artificialmente, geração após geração. O cãozinho dócil de hoje é artifício da mão humana na seleção natural, não um primor de uma natureza sedenta de render uma pata amiga ao ser humano para que este possa odiar, tranquilo, seus pares, sabedor de que tem um amigo felpudo com quem conviver quando acabar sendo relegado a condição de ermitão, ou pária social.
Assim como, se pudesse, uma vaca comeria você e toda a sua família, um cão escolheria a vida isolada e distante de você. Se pudesse. Mas ele não pode, e é por isso que você o ama.
O amor aos bichinhos sinaliza um desvio de caráter: a tendência do sujeito de não se sentir confortável perante outros seres humanos. De não tolerá-los e de negar a capacidade tão nossa de sermos bichos altamente sociáveis.
Não surpreende, por exemplo, que Adolf Hitler, notório exemplo histórico de intolerância a seres humanos, concepções de mundo e raças diferentes, fosse ele também vegetariano e notável defensor de animais.
Em conclusão, é por isso que voto imatura a concepção de que animais são mais dignos de sentimentos nobres como o amor. Nietzsche, embora se referisse a deuses, disse que não há amor demais no mundo para que nos calhe o luxo de desperdiçá-lo com criaturas invisíveis. O adendo que cabe aqui é que, com efeito, não há amor que sobre no mundo que possamos dispensar para criaturinhas indiferentes.
Vivemos numa quadra em que a humanidade parece ter se esquecido do afeto por si em alguma gaveta do século 20 e em que, cada vez mais, sobram razões para lamentar a sociedade perturbada e doente que se convulsiona para salvar uma porção de cãezinhos num mundo que mata, por dia, milhares de crianças de fome. De fome.
às 06:48 0 comentários Marcadores: Atualidades
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Metades
Eu ando meio molhado
meio sem fim
caminho pelos cantos
e nas sombras
me perco de mim
Eu ando meio assombrado
do passado ruim
meio que desencorajado
porque o presente
esse foge, fode
foge de mim
Vou meio ressabiado
que lá vem o sim
é o futuro, está por aí
pronto para dar cabo
do que sobrou de mim.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Rádio: Clint Mansell - Lux Aeterna*
A composição de Clint Mansell, vibrando nas cordas, é um tipo de elegia musicada, um panegírico para a loucura, um contraponto. É a música do outro lado. O contraste para um dia feliz, o equilíbrio de um universo simétrico.
"Lux Aeterna" ("luz eterna" no pouco latim que eu nunca soube) faz parte da trilha sonora de "Requiem For a Dream". Há uma versão mais popular, "Requiem for a Tower", que foi usada como trilha de um dos trailers de um dos filmes da trilogia de O Senhor dos Aneis.
às 17:19 0 comentários Marcadores: Cinema, Rádio blogue
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Sem Snowden
Vem muito ao caso toda essa sofreguidão com que, revela-se agora, os norte-americanos espionam o mundo digital a troco de matar toda a colossal curiosidade que parece habitar os aparatos de segurança e vigilância lá deles.
Vem muito ao caso, digo, as denúncias porque eu as inaugurei quando, em março deste ano, sem Snowden nenhum para valer-me, identifiquei que fui visitado por algum esbirro do Departamento de Estado norte-americano. Provavelmente tratava-se de algum bisbilhoteiro ainda verde, recém saindo das escolas formadoras de novas e cada vez maiores gerações de sequazes daquelas paragens. A se lamentar o fato de tê-las inaugurado em março e ninguém ter me dado qualquer crédito, o que só reforça minha fama de jornalista de meia-pataca.
Distraído, nosso malsim, sinônimo para espião constante em qualquer dicionário, vá lá conferir, acessou o blog e esqueceu-se provavelmente de apagar os registros. A história você lê aqui.
Estamos todos, portanto, à mercê da insaciável curiosidade, desse voieurismo louco do estado norte-americano.
às 16:47 0 comentários Marcadores: Atualidades, Memórias
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Rádio: Mark Lanegan - I'm not the loving kind
Sempre ele
às 15:15 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Triste
A única coisa realmente triste nos protestos de São Paulo é que vai passar. Simples, vai voltar tudo ao normal. Ano que vem tem aumento na passagem, quem foi preso pelos esbirros do estado por carregar vinagre vai se acomodar novamente. A polícia vai voltar a descer a borrachada impunemente nas convenientes vielas das periferias sem câmeras e os verdadeiros culpados por tantos e tantos anos de violências, das mais miúdas às mais graúdas, continuarão sossegadamente embastilhados em Higienópolis, nos Jardins, em Alphaville, no Morumbi, acordando toda miserável manhã para caminhar pelas calçadas das douradas comunidades em que vivem, alheios aos cidadãos que tomam 4, 5 conduções para ir ao trabalho ao filho da puta do preço de 3,20 dilmas. Porque aqueles entre eles que não têm a seu serviço um choffer, dispõe de um SUV desses bem escroto na garagem. Hoje, porque daqui um ano é mais.
O mais triste no episódio não é a cobertura imbeciloide e fascista da mídia, o despreparo do estado, a desconexão do governo com os anseios de seus cidadãos. Nada disso, porque isso acompanha a sociedade desde que o primeiro canalha descobriu que era muito divertido brincar de eleições. O primeiro oligarca imprimiu a primeira manchete e assim por diante. O triste, mesmo, é que vai voltar tudo ao normal.
às 16:53 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
Estupidez
Na quadra em que vivemos aceitamos com certa naturalidade que os esbirros do estado enquadrem nos rigores, e que rigores, da lei aqueles que carregam consigo qualquer porção de vinagre, o vinho que deu errado na Idade Média, e que parece ter encontrado utilidades que já vão além do condimento que tempera saladas, sendo, mais recentemente, desestímulo aos olhos de quem briga pelo que é justo verter lágrimas.
E é bom não morar em São Paulo. Eu descobri que a vida em São Paulo sem dinheiro é uma vida estúpida. Agora, estão aí os aguazis do estado para mostrar que qualquer variável de vida na pauliceia é, sim, completamente estúpida.
às 16:42 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
quinta-feira, 13 de junho de 2013
24 Horas de Nurburgring
Durante muito tempo eu encarei a caixinha do Gran Turismo, ali, na sala, meio esquecida. GT5 tem vários problemas, mas ainda assim, é o Gran Turismo 5. Curisamente, de todos eles, de longe, é o que menos eu joguei.
Nesses meses de olhares trocados entre o game e eu, sempre pensava em terminar os endurance events, que eu sempre adorei fazer nas já pré-históricas versões antigas. Em Gran Turismo 5, por exemplo, temos duas provas de 24 horas - sim, 24 horas de corrida - e uma de 1000 quilômetros, além de alguns eventos de menor extensão, como 500 milhas, 2 ou 3 horas disso e daquilo. Se você tem GT5 e acha um exagero qualquer uma dessas corridas, saiba que você não merece o jogo. Gran Turismo é uma série feita por Jeremys Clarksons para Jeremy Clarksons. Ah, não sabe quem é Jeremy? Pare de ler o blog e descubra.
Eu adoro corridas e a perspectiva de correr as 24 Horas de Le Mans no jogo sempre me interessou. A questão é que para chegar lá, precisava desbloquear vários níveis, carros e elementos que, na adolescência, seriam muito bacanas de perseguir. E eu fui deixando o GT5 de lado.
Mas agora voltei. Embuído da determinação necessária, já disputei, e venci, as 24 Horas de Nurbürgring. Atravessei o inferno verde, logrei faturar a vitória a bordo do Audi R8 LMS. Gostei tanto da experiência que pretendo correr de novo, dessa vez de BMW M3 ou Nissan GT-R.
Isso dá uma ideia de Nurburgring no GT5:
O que mais me intrigava é a ideia de correr a noite. Qual seria a sensação? A imagens das 24 Horas de Le Mans quando os pilotos cruzam a Mulsanne noite à fora são fantásticas, mas qual seria a sensação no jogo?
Eu não corri a prova de Le Mans, ainda. Mas disputei Nurburgring e suas 24 horas de corrida no inferno verde. Média de um pit-stop a cada duas voltas, em virtude da extensão assustadora da pista de 23 km.
E posso dizer que o trecho noturno da pista - na minha corrida até choveu noite a dentro - foi impressionante. Depois que você memoriza as curvas e se acostuma com a ambientação, a corrida vira um experiência bem solitária. Cruzar as retas e curvas no meio da floresta, a 250, quase 300 por hora causou uma sensação que, honestamente, eu não esperava.
Foi uma sensação de curiosa. Eu não esperava, mas no cenário noturno, rendi mais, cansei menos na corrida e, algo inédito na minha relação com Nordschleife, finalmente, memorizei boa parte das curvas.
Se você tem Gran Turismo 5, levo em consideração que só se compra um GT se você gosta de carros e corridas, faça essas provas. É uma experiência única de jogo, corrida e competição que só um bom video-game pode garantir. E, agora, falta me preparar para as 24 Horas de Le Mans.
Na chuva e no escuro, é disso aqui para bem pior:
às 18:07 0 comentários Marcadores: Games
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Aforismos - Chorar
"Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar".
Carlos Drummond de Andrade.
às 17:01 0 comentários Marcadores: Aforismos
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Não vá ler um livro
Bioshock Infinite vai muito longe na hora de extrapolar as capacidades de contar uma história, o storytelling perfeito, perseguido por bons roteiristas de cinema. A narrativa te desafia, quebra paradigmas, coloca a belle-epocque num cenário de ficção científica, reinventa a Madame Curie, faz sonhar com Paris, mistura física quântica com feiras mundiais, põe para flutuar uma cidade inteira nos céus norte-americanos de 1912. Bioshock Infinite inclui, nisso tudo, um pano de fundo sociológico, há os anarquistas, os tiranos, os falsos profetas que usam religiões ainda mais falsas para justificar sua vida de poder, corrupção e mentiras, para flutuar pelo imaginário coletivo, dizendo e desdizendo, governando destinos e fazendo parecer que o totalitarismo é uma benção, não uma maldição. Bioshock Infinite é extremamente complexo, tão complexo que a história, e seu desfecho maravilhosamente fora do comum, só farão sentido para quem entender a realidade como uma tímida manifestação física de múltiplas possibilidades e o tempo da forma como Einstein vislumbrou: uma dimensão.
E você aí, achando que videogame é coisa de crianças ou de quem não quer crescer. Bioshock, qualquer um dos três, aliás, é só mais um jogo para mostrar que isso, hoje, não faz o menor sentido.
E, como deve ter acontecido com boa parte dos outros marmanjos que jogaram, me fez me apaixonar por Elizabeth, a NPC mais interessante e simpática da história dos vídeo-games. Ela é um caso a parte em todo o jogo. Elizabeth me resgatou do meu habitual cinismo, especialmente em video-games: eu jogo atrás de defeitos, de riso, de diversão, de alienação da minha realidade. Em Bioshock Inifinite, mesmo sabendo que Elizabeth não precisa de ajuda durante as batalhas, me via constantemente preocupado: será que ela está bem?
Ponto, parágrafo. Logo vamos chegar, neste mesmo texto, ao ponto onde dou veredito sobre o game em termos de impressões e da sua capacidade de competir com outros grandes jogos que eu joguei. Independente do veredito, se segure na cadeira se já leu até aqui, já chegamos a ele, toca dizer que Bioshock Infinite me provocou como só Journey havia provocado.
Ao veredito: É o melhor jogo que eu já joguei na vida? Não. Nem perto disso, mas Bioshock Infinite, assim como os outros dois títulos antecessores, tem aquela marca, aquela coisa da experiência, do impacto, de deslumbramento. Bioshock Infinite pode não ser o meu maior game de todos os tempos, mas sem dúvida será um daqueles que eu vou lembrar para sempre.
Nunca vou esquecer o primeiro diálogo com Elizabeth e a chegada de Mister DeWitt a Columbia, a cidade flutuante. Nunca vou esquecer essa história tão intrincada, tão cheia de detalhe, de carinho de quem fez um jogo pensando em quem joga. Bioshock Infinite devia ser vendido com um aviso na caixa: "Advertência: os últimos 30 minutos da história desse game podem causar dor de cabeça, sangramentos no nariz e crise existencial".
Que venha um próximo Bioshock. Dessa vez sem os corvos, eu quase enfartei com os corvos.
às 00:32 0 comentários Marcadores: Cultura, Games, Memórias
domingo, 2 de junho de 2013
Arte
Senhoras e senhores, com vocês o Cinema Brasileiro:
às 01:05 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura
