Até onde podemos imaginar que o destino rege nossas vidas? Há mesmo algum destino? E quanto a alguma habilidade especial, um dom, que seja individual e inerente a apenas uma pessoa em todo o mundo justamente por que será preponderante no seu destino e no seu papel perante a história? Ou tudo é apenas uma mera coincidência?
São essas as questões que emergem na mente após terminar a leitura dessa excelente história, que bem poderia ser um filme fantástico, aliás, me foge do entendimento o porquê desse livro não ter virado um. Retomando, é inevitável que esse tipo de questionamento não acabe ocorrendo, a vida de Felix Kersten, personagem principal dessa biografia, médico especializado numa milenar técnica de massagem oriental, é algo de muito especial e interessante.
Kersten é um estoniano que tem nacionalidade oficial finlandesa e tem como país preferido a Holanda. É um médico extremamente bem sucedido, que divide suas agendas entre Haia e Berlim naqueles doidos tempos, na iminência da Segunda Guerra Mundial. Era além disso um ignorante em política, e pouco se lhe dava sobre quem governava a Alemanha e o que pretendia, néscio que era em assuntos de política e as tensões daquela época.
Entretanto, pouco antes de começar a guerra uma parte da sociedade germânica já antevia a catástrofe se desenhando no horizonte, a morte, a destruição e o desrespeito diante dos mais singelos e antigos princípios de humanidade por parte do regime nazista. Um homem, o segundo no comando, exatamente abaixo do então todo-poderoso Führer alemão, o chefe das forças para-militares do partido nacional-socialista alemão, as Waffen SS, Heinrich Himmler, era o responsável direto, como Ministro do Interior do III Reich, pela perseguição, confinamento e morte dos inimigos do regime.
Apesar de toda a soberba advinda das pregações fanáticas da corja mais alucinada que o mundo já teve notícia, a respeito da sua superioridade enquanto raça, Himmler era um homem baixo, careca, que usava óculos e ainda sofria de homéricas crises estomacais, que lhe rendiam dolorosos acessos de cãibras pelo corpo.
Aliás, lendo o livro você que sempre se perguntou: "diabos, Hitler não era loiro, alto nem tinha olhos azuis, porque dizia então que quem era assim era superior?" vai descobrir que o austríaco baixinho invocado que queria dominar o mundo, na verdade, ficara ainda mais aloprado porque tinha sífilis em estado avançado na última fase da guerra, quando os exércitos de Von Paulus eram varridos pelos soviéticos em Stalingrado e quando a investida suicida de Von Rundstedt na Floresta Negra contra as forças aliadas desembarcadas meses antes na Normandia deu em nada e a sorte da Alemanha, dessa forma, estava decidida. Eram duas frontes para se vencer, algo muito difícil, mesmo para a Wehrmacht. Um erro estratégico ou o mais puro sintoma da loucura de Adolf Hitler e seus sequazes?
Voltando ao doutor e seu paciente. Kersten acabou sendo indicado junto ao Reichsführer, Himmler, para tratar-lhe desses problemas estomacais e, de uma hora pra outra, se vê envolvido numa atmosfera de perigo, incertezas, medo, onde todo e qualquer oficial representa um perigo, um espião. Kersten, dado o sucesso de seu tratamento e a gratidão que este proporciona a Himmler, acaba virando confidente e, porque não, amigo do general supremo das SS.
Himmler, além da constituição física frágil, tinha o mesmo problema a respeito de sua constituição mental, psíquica. Pela amizade e gratidão que começou a cultivar pelo simpático doutor, ele que sabia - apesar do fanatismo - ser responsável direto pelo infortúnio de milhares de almas, naquele clima pesado e de tensão em que vivia, encontrava no bonachão Felix Kersten, aquilo que jamais teve: um amigo, um confidente. Por essa razão, acabava durante os tratamentos por ser sugestionado, induzido a fazer coisas que agradassem ao já horrorizado doutor que começa a descobrir os horrores do nazismo e cobrar suas consultas com vidas poupadas em prisões da Gestapo e em campos de concentração.
Essa influência que Kersten conquistou perante ao Reichsführer lhe garante feitos heróicos que salvaram, sem sombra de dúvida, mais de meio milhão de pessoas de morte certa. Um dos serviços mais marcantes foi sua interferência em relação à decisão de Hitler de deportar todo o povo holandês para a Polônia, a troco de que a Resistência Holandesa estava custando caro na sua encarniçada luta contra os invasores.
Sendo holandês de origens e de coração, Kersten consegue induzir Himmler a desistir da idéia, que certamente significaria a morte de grande parte do povo germânico (ué?) da Holanda. Já no apagar das luzes, ou melhor, no cagar dos pintos, bem melhor, da Segunda Guerra, Kersten conseguiu algo de insuperável. Uma entrevista entre Heinrich Himmler e um delegado do Conselho Mundial Judaico, em favor da libertação de alguns milhares de judeus dos campos de concentração. Judeus que foram libertados, diga-se.
Ao simpático e gorducho doutor Kersten é atribuída a responsabilidade direta pelas vidas de mais de 60.000 judeus e um incontável número de holandeses, poloneses, finlandeses e noruegueses que salvou durante o período em que tratou de Himmler. O livro, "Dr. Kersten - o Médico de Himmler" foi escrito por um jornalista, o Joseph Kessel, que desempenha com precisão e extrema competência o serviço de narrar a vida desse combatente da Segunda Grande Guerra, o doutor que foi um tipo de soldado muito mais eficiente que bombas, tiros e outras modalidades não menos pavorosas de morte, destruição e intolerância.
Li esse livro tem um tempo já. Encontrei-o num sebo em Curitiba e comprei, obrigando-me dessa forma a reler essa história fantástica. Entretanto não pretendia escrever a respeito, mudei de idéia com as crescentes ocorrências de imbecis fazendo apologia ao nazismo. Fiz minha parte, faça você a sua.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2005
Dr. Kersten, o médico de Himmler
às 08:25 0 comentários Marcadores: Cultura, História, Vida pregressa e blogue antigo
domingo, 27 de junho de 2004
Patriotadas de ocasião
Como se sabe, este é um ano olímpico, assim como é bissexto e de eleições.
As olimpíadas começam em agosto, o que inadvertidamente começa muito antes, em todo ano bissexto, são as famigeradas ações ufanistas de uns e outros, que com intuito de encher os bolsos, fomentam o fenômeno do nacionalismo mandraque que aparece nessas ocasiões. São os gigolôs do esporte, e principalmente, dos campeões de ocasião.
Seria muito mais proveitoso gastar tanta energia assim nas questões políticas que entram em cena com maior vigor no período que vai de agora até outubro, na boca da urna. Os jogos nem começaram, entretanto já escolheram o nosso depositário de esperanças, de pretensas graças de uma coletividade que não existe. A bola da vez é a ginástica.
Pouco tempo atrás houve uma etapa do mundial dessa modalidade no Rio de Janeiro, a mídia esportiva, devidamente avisada de que o futebol não comparece às festividades do Barão de Colbertin, inventou novas glórias olímpicas, que insisto, de uma coletividade ainda mais falsa. Precisam de um atrativo, do contrário todos irão perder os milhões investidos na cobertura dos jogos na Grécia.
Na verdade os ginastas brasileiros foram bem, isso todos sabem. O que, talvez, esqueceram de avisar é que os grandes favoritos às medalhas nem vieram ao Rio, porque já estão classificados, e como em geral esses favoritos são ou russos ou americanos, e bem por isso levam a questão um pouco mais a sério, estão ocupados treinando.
O Brasil irá mal em mais uma olimpíada, não assustará ninguém, meia-dúzia de medalhas douradas serão um acontecimento. E depois que apagarem a tocha, surgiram as mirabolantes teorias sobre o por quê dessa terra abençoada não ter sucesso olímpico, como tem Cuba. É bem simples: o Brasil não consegue dar hospitais, educação e até comida para seus habitantes, por que e como diabos seria uma potência olímpica?
O Brasil é bom em samba, caipirinha e bundas. Talvez. Mas não consta que exista 200 metros de bundas com barreiras, nem maratona em sambódromo e nenhuma modalidade prevê bebedeira, quer antes, depois ou durante a disputa. É triste esse nacionalismo de araque que irrompe nas competições internacionais, os locutores abusam dele: "nossa vitória...","nossa medalha...", "nosso Guga...". Tratam os poucos triunfos de uns poucos bons esportistas, que por acidente geográfico nascem aqui, como glórias de uma coletividade que não existe. Acidente geográfico sim, porque a grande maioria treina no exterior. Tomam para si uma vitória que não lhe pertence.
Nessa atitude egoísta embarca a coletividade tão falsa quanto esse patriotismo estilo "ame-o ou deixe-o", uma coletividade que, em geral, vota errado, que é preconceituosa, que se mata em estádios, que se mata em favelas, que rouba dinheiro público e consegue se candidatar à cargos públicos. Um país assim, convenhamos, não merece ser potência olímpica. Uma coletividade que é unida na vitória e no pódio, separada na consciência social e política. E nas derrotas também, nós vencemos, eles perderam.
Acredito que esta seja uma questão cultural. Somos uma nação que nasceu do nada, crescemos do nada, e talvez isso explique essa patriotada de ocasião. Na Europa, em lugares como a Áustria, demonstrações assim são entendidas como fascismo. Diferentemente dessa pátria varonil, eles eram um império que decaiu e viveu sob o totalitarismo, lá acabam admirando mais o esporte em si. Isso é visível, muitos estrangeiros torcem pela seleção brasileira, porque acham, coitados, que somos os melhores e invencíveis, no fundo acabam torcendo pelo espetáculo. Lá o sujeito do bronze é um herói assim como o cidadão que venceu. É a cultura e a forma de pensar dos tiroleses.
Não há mal algum em torcer, eu torço, todos nós torcemos. O problema é exagerar em algo, que no fundo, é só um esporte. Devemos exagerar é nas eleições, nas atenções ao tal panorama político, que no apagar das luzes é realmente o que pode mudar esse nosso país, cheio de palmeiras e sábias.
sábado, 26 de junho de 2004
Diário de um Poeta Corrompido II - Síndrome
Quando você propõe-se a criar um diário virtual (ok, virei um Suassuna do sul, portanto, não é mais weblogger, é diário virtual. Tal mudança tem referência direta com o dia da língua portuguesa), mas eu dizia, que quando você enceta (sempre quis usar essa palavra) a proposta de criar um diário é presumível que ele terá proclames seus diariamente, do contrário, não diga, deixa de ser um diário.
No entanto não tenho muito a dizer ultimamente, ou talvez até tenha o que mencionar, falta apenas o momento oportuno ou mesmo a maneira correta de tratar do assunto. Sou um néscio, portanto. Desde que comecei a publicar meus absurdos na internet, lá por novembro do ano passado, nunca tive nada definitivo e bem planejado nisso. A coisa toda surgiu meio que como uma daquelas projeções de ano novo, as quais em dado momento da vida, todos nós - não neguem, acabamos fazendo. Se conseguimos ou não seguir, é outra conversa.
E já que toquei no assunto lembro-me ainda de onde tirei tais idéias (a das projeções, não do blog - escapou, não sou um bom "suassuniano", se me permitem o neologismo). Ávido leitor de gibis que sempre fui, topava com esse tipo de coisa anualmente (lógico, disposições de ano novo, em geral, tendem a ocorrer na ocasião propícia, não consta que os personagens planejassem seus anos nas edições de junho, onde, invariavelmente a questão recorrente eram as festas juninas), mas eu dizia, topava com grande freqüência com as decisões de ano novo, que sempre buscavam criar um ano perfeito na vida feita de nanquim dos personagens, coisa que raramente, na verdade, nunca acontecia. Era o Pato Donald convicto de que ia saldar as dividas com o Tio Patinhas e ser menos pavio curto, por exemplo.
Eu peguei o exemplo, não critiquem, eu tinha uns 7 ou 8 anos, nada mais. Este blog (não resisto, é mais forte que eu, sou um fraco), surgiu assim. A idéia era criar algo novo (nem isso, não consigo mentir, abandonei o outro diário - vá lá - porque ele não funcionava), a idéia era criar coisas melhores. Não ficou legal, a exemplo das minhas tristes definições de ano novo, que nunca funcionaram. Além disso, hoje não se pode planejar nada, ninguém sabe direito o que será da vida em dois dias, uma semana. Quiçá em um ano. Que será do seu blog (sem comentários). De qualquer forma, eu com 7 ou 8 anos planejava o futuro. Era um sábio.
Era. Não sou mais. Deixei de ser. Comecei esse texto com a disposição de tratar de uma sindrome, a sindrome da tela em branco, que assola esse vil escrevinhador ultimamente. Olhando de soslaio pra cima noto que nem de longe tratei do meu real objetivo. Incompetente. Nada justifica esse texto, nada justifica você ao lê-lo, parem, parem, parem. Pode existir absurdo maior que esses parágrafos?
Talvez o que impele alguns beldroegas como eu a publicar suas parvoíces na internet seja o fato de que elas não seriam aceitas em outro lugar. Não vejo alguém publicando esse texto de boa vontade, a não ser seu autor, no caso, não diga, eu mesmo. É bem verdade que não ofereci ele a ninguém, e exatamente por esse motivo é razoável que ninguém o publique. Poderia tentar, mas tenho preguiça. Assim como tenho preguiça de tratar da tal síndrome, que agora perdeu completamente a razão de ser, posto que era a síndrome da tela em branco e pelo que percebo, do alto da minha perspicácia, enceto (vou acabar viciando) a segunda página de absurdos. A continuar desse jeito, a síndrome passa a ser da tela cheia, que clama por cortes, para não ficar demasiado longa. Percebo também que esse blog (é vício), caminha solenemente para a cucuia. Se procuram um texto melhor, recomendo o "diário I" (absurdo, escrevo um por semana, não é diário, portanto).
Se estão lendo esse derradeiro parágrafo é porque têm estômago, me conhecem ou eventualmente, nada pra fazer. Acho que estou muito reticente. É. Isso, isso mesmo, reticente, é o que eu sou. Num texto onde se fala muito e não se diz nada.
domingo, 20 de junho de 2004
Nem por decreto!
Como todos vocês sabem, este ano foram introduzidas mudanças no campeonato de Fórmula 1, com intuito de melhorar a competitividade. Na minha modestíssima opinião, uma temeridade. Se os demais competidores não conseguem derrotar a Ferrari é por sua própria incompetência. Querem assegurar por decreto o que não ocorre na prática, querem por decreto tornar vencedores o bando de pangarés que desfila pelos autódromos do mundo.
A culpa é de todo mundo, menos de quem está ganhando. Aos demais, os inglórios sacos de pancada, cabe trabalhar e se espelhar no afinco do time vermelho, que colhe suas vitórias inatacáveis do suor de seus pilotos. O alemão tem um quartinho em Fiorano com academia de ginástica onde dorme antes de testar. Acorda com os passarinhos, e só pára de andar quando anoitece. E está a 14 anos lutando por vitórias, troféus, tacinhas, medalha, medalha, medalha.
Ao passo que nesse mesmo período, o que fizeram os rivais? Passaram os anos reclamando de não poder ter uma Ferrari nas mãos, dando desculpas e, não raro, acusando os vitoriosos ferraristas de trapaças e sabotagens. Vão trabalhar, pois. O tedesco hexacampeão do mundo não pode ser responsável pela passiva moleza com que McLaren e Williams cruzam oceanos a fim de desfilar carrinhos barulhentos e coloridos por todo o mundo.
Enfim, como tenho a certeza de que os eternos derrotados não abandonaram jamais sua passividade, sugiro mudanças de regulamento que vão livrar a categoria da mesmice Ferrari/Schumacher, que já está esgotando a paciência de todo mundo:
1- Os carros da Minardi terão autorização para largar no sábado. Com isso, tem alguma chance de, no dia seguinte, se terminarem a corrida, chegar mais ou menos na mesma volta do piloto vencedor;
2- Michael Schumacher, fazendo ou não a pole, só poderá largar 20 minutos depois de iniciado o GP. Assim fará o que se chama de "prova de recuperação", garantindo alguma emoção ao público.
3- A Jordan e a Jaguar terão o direito de inscrever seis carros por corrida, para que pelo menos um ou dois terminem andando.
4- Mudanças em alguns circuitos para permitir mais ultrapassagens. Como em Spa Francorchamps, com a construção de uma rampa sobre a Eau Rouge, através da qual os mais ousados podem superar seus adversários pelo alto. Villeneuve e Zonta simularam algo parecido em 1999, mas não deu certo.
5- Sortear carros momentos antes da corrida, mantendo suas posições no grid. Isso permitirá ao italiano Gianmaria Bruni largar na pole com uma Ferrari e a Fernando Alonso sentar numa Minardi. O primeiro não poderia reclamar do equipamento, o segundo ao menos saberia do que reclamar.
6- Mudar os traçados no meio das corridas, com a colocação de cones e criação de chicanes descartáveis, que só seriam usadas pelos carros da Ferrari. Em pistas que tem traçados alternativos, os pilotos que largassem de décimo para trás poderiam usar apenas os mais curtos.
7- Proibir os mecânicos de trocarem os pneus. Os chefes de equipe, como Ron Dennis e Eddie Jordan ou diretores esportivos, como Jean Todt passam a ser os responsáveis pelos pit stops.
8- Proibir o rádio nos carros da Ferrari. Se os pilotos quiserem alguma informação ou orientação, que parem e perguntem.
9- Largadas sem horário previsto. Em algum momento, entre 9h e 14h do domingo, a direção de prova toca uma sirene. Cada um pega o carro que estiver mais perto e vai para a corrida.
10- Trazer de volta ao calendário o GP de Portugal, no circuito de Estoril, que seria modificado com a introdução de três cruzamentos. Não se preocupem, para manter a segurança dos pilotos seriam inseridos semáforos nestes cruzamentos.
11- Permitir a instalação de uma sirene no carro de Ralf Schumacher, para que seja acionada sempre que houver dificuldade de ultrapassagem (ou seja, em todas as corridas), quando os carros da frente serão obrigados a sair da frente.
12- Contratar o Eurico Miranda para fazer o calendário e escolher os pilotos e equipes. O Clube dos 13 redige o regulamento. O Gama, o Avaí e o Figueirense, isso já está decidido, não podem correr.
13- Por imposição da Rede Globo, teremos duas corridas por semana, uma as terças-feiras depois da novela (para concorrer com o filme do SBT) e outra aos domingos as 16 horas (para concorrer com o Gugu).
sábado, 19 de junho de 2004
A "Pataquada"
Refletindo nesses últimos dias, chafurdado em toda a sorte de livros, xerox (desconheço a forma plural adequada pra esse substantivo, que até pouco tempo era nome de uma empresa, apenas. Troquemos, pois, para "fotocópias") e uma série de outros elementos inerentes à vida acadêmica, chego à conclusão de que é extremamente saudável essa coisa de escrever uma patacoada por semana na internet, espero que você seja da mesma opinião no seu papel de ler a patacoada.
Não, eu não errei no título. Escrevi "pataquada" e não o correto, patacoada, porque na minha presunçosa maneira de ver as coisas entendo como muito mais prática a minha maneira de escrever. É sem duvida extremamente mais simples, e além do mais, segue o principio do: "escreve-se como fala-se". Preocupado com isso, pretendo organizar uma representação em forma de protesto perante à ABL (Academia Brasileira de Letras), para conseguir a revisão de ortografia deste ilustre verbete que é patacoada. Estejam avisados os beligerantes leitores que sentem-se incomodados e, como eu perdem o sono por conta dessa ultrajante condição, para engajar-se nessa digna causa.
Sempre tive o hábito, mórbido, eu confesso, de notar certas incongruências dos idiomas dos quatro cantos desse mundo redondo (taí mais um dos grandes mistérios da humanidade: como pode, o mundo, que é redondo, ter cantos?). Por exemplo: o inglês, idioma anglo-saxão que quer dominar o mundo, onde é tudo, sistematicamente tudo ao contrário. "John's House" é casa do João, e não House of John como seria muito mais lógico. Roda esquerda (do carro) é "left wheel", traduzindo, esquerda roda, e não wheel left, afinal a roda é mais importante que o esquerdo e, portanto deveria ser priorizada na sentença, mas não é. As línguas devem ter seus absurdos, do contrário estão fadadas ao fracasso. Provavelmente por isso o esperanto jamais emplacou.
Em compensação, xícara de chá, que por analogia deveria ser tea's cup, é cup of tea, traduzindo, xícara de chá. Absurdo. Acredito que isso tudo se explique pelo fato de que essa língua floresceu na Inglaterra, país onde tudo é invertido, a começar pelos carros, posto que é o único lugar onde você dirige no banco do carona - li isso em algum lugar, não tem muita graça. Aliás, não são os únicos. No Japão é assim, na África do Sul idem, na Índia também, acho que nas Malvinas, Nova Zelândia e muito provavelmente na Austrália, não tenho certeza.
Há que se considerar também o caso dos chineses, japoneses e outros menos votados povos do extremo oriente. Quem consegue compreender aqueles risquinhos entrelaçados que eles usam? Suspeito que nem eles mesmos compreendam. Tenho até uma teoria referente ao fato de serem tão bem sucedidas as civilizações orientais, tudo explica-se pelo idioma absolutamente incompreensível que usam, como ninguém se entende, ninguém discute. Sem discussões inúteis, as empreitadas tem maior possibilidade de funcionar, se não estiverem de acordo, eles partem pra ignorância, mesmo. Vide o parlamento...
Podia também discorrer de certas impressões que tenho no tocante aos caracteres árabes, bem como sua pronúncia. Tenho certo receio de incorrer em desagrado dessa ou daquela organização extremista e eventualmente virar alvo de algum ataque terrorista. Coisas inexplicáveis são os terroristas, como também é inexplicável escrever "inexplicável" com "x" e "inesperado" com "s" e não com "x". Culpa de um grego ou de um romano qualquer perdido em livros de etimologia, que um dia, há uns bons "buzilhões" de anos resolveu, ou por sacanagem ou com o intuito de propiciar assunto a um texto, isso ainda não se sabe, controverter nosso idioma. Deve ser o mesmo cara da "pataquada".
