A Folha está longe de ser considerada padrão de jornalismo de qualidade por este que vos escreve - sobretudo após terem me negado uma vaga no programa de trainée na edição deste ano. Contudo na coluna Painel, saiu uma nota na edição de quarta (você precisa ser assinante da Folha ou do Uol para poder acessar - a não ser que possa consultar a versão impressa), sobre Clodovil Hernandes, do PTC (Partido Trabalhista Cristão), cujo título é: "Patrulha da Moda":
"A Comissão de Seguridade Social da Câmara discutia recentemente um projeto de mudança na lei que instituiu os medicamentos genéricos no mercado. Dr. Rosinha (PT-PR) defendia a colocação do nome comercial do remédio ao lado do genérico para facilitar o reconhecimento pelo público. Clodovil Hernandes (PTC-SP) interveio. "Sou contra essa coisa de genérico. É coisa de pobre." Perplexos, os demais deputados da comissão pararam para ouvir a justificativa, e Clodovil prosseguiu. "Esta minha bolsa, por exemplo, é Louis Vuitton. Comprei em Paris, por US$ 4.900. No camelô da frente tinha uma genérica, mas sem a mesma qualidade. Voto contra!"
Segundo números colhidos por este Tertuliano Máximo Afonso na Justiça Eleitoral, Clodovil foi eleito deputado federal pela vontade de 493.951 pessoas.
Aí vem um babaca de cabeça vazia me criticar por votar nulo. É, me critique, mas pode ter certeza que eu não tenho culpa por esse e outros tantos deboches.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Brasil e o Voto
às 03:21 2 comentários Marcadores: Política
Renan e o Voto
Resumindo: com o senado fazendo o que fez, me perdoe, se você ainda tem esperança na política, repense.
E ano que vem, nas eleições, pense mesmo se vale à pena delegar seu poder de escolha a alguém que você sequer conhece.
às 01:51 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Não vai ao ar, não está nas páginas...
Enquanto a grande mídia se ocupa em criar "crises", "apagões" (é engraçado, mas pouca gente lembra o evento original em 2001 e eu defendo que Lula e a grande mídia devia pagar royalties pelo termo ao tucanato empoado e plutocrata que desmontou o país - por que, aliás, FHC que aparece sempre como um urubu agourento não cobra os royalties pela invenção do termo e do colapso da infra-estrutura nacional? Mesmo quando os jornais falam em "matriz energética", fariseus, deixam de remeter às origens do apagão, trata-se de um país sem memória), mas eu dizia, enquanto a grande mídia se ocupa de caos e apagões aéreo e na saúde (não vi nenhum pentelhésimo de segundo na TV sobre a epidemia de dengue em São Paulo), dizer com ar de fatalismo comovente que a bolha imobiliária norte-americana nos consumirá a todas e tenta expandir a lama de Renan Calheiros ao governo, passa incólume no noticiário interessantes notícias oriundas da BBC e do Financial Times (sim, a matéria da BBC-Brasil é um resumo interpretado da original do Financial Times - consideremos abertamente como picaretagem jornalística para conseguir mais acessos e justificar investimento público inglês na sucursal).
Pois é, resumindo, ambas dizem que o Brasil deixará a rabeira dos Bric's. O que dito assim, é pouca coisa. Mas lendo-se o texto com um bom dicionário na outra janela, dá pra entender que o Brasil, quero ver a cara dos cansados e dos bolcheviques do Morumbi, cresce. Há projeções para este trimestre que marcam 6,9%. O que não é apenas para inglês ver: a ANFAVEA (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou números sobre o mês de agosto, o melhor da história do país na venda de carros: foram vendidas nada menos que 217.324 unidades, o que dá uma média de 7.010 carros vendidos por dia, ou 292 por hora, se todas as concessionárias funcionassem na base de 24/24 horas. E se o povo tem dinheiro para comprar carro, que é luxo...
Parágrafo parênteses: Bric é um termo criado por algum basbaque do mercado para designar as economias enormes, díspares, bagunçadas, adormecidas e cheias de contrastes de Brasil, Rússia, Índia e China - ahn? ahn?. Os basbaques do mercado são insuperáveis em termos idiotas, a exemplo do pra lá de irritante "comodities", pode haver palavra mais chata? E ainda esperam que o povo entenda e leia cadernos de econômia. O jornalismo, decididamente, não se leva a sério.
Mas se você é leitor da Veja ou acha que a corrupção no país é coisa desse século, se acha que caos aéreo é o maior problema do país, foi na onda e acha realmente que o Cansei foi o maior movimento político brasileiro no século XXI e ficou amargamente decepcionado com esses dados, não se aborreça. Logo a Globo e suas congêneres inventam o "apagão das rodovias (privatizadas pelo tucanato emp... você sabe) e ruas", afinal, com tanto carro assim na mão do povo, só pode dar nisso, apagão, impeachment, corrupção, incompetência, falta de planejamento...
Em tempo: Tertuliano Máximo Afonso está longe de ser partidário dos petistas tresloucados e acovardados que assumiram o governo - eles se borram de medo da grande mídia, o que é prosaico e alimenta 80% do desprezo que o editor deste blogue é capaz de votar nos atuais mandatários. Tertuliano é pessimista como poucos e descrê na política como muito menos ainda. O que, no entanto, Tertuliano tem como poucos é senso de justiça. E gostaria muito de ver os anos de petismo tendo o mesmo tratamento que os de tucanato emp... tiveram, ou seja, solícita e aberta camaradagem da mídia. Tertuliano diz:
Tratamentos iguais entre iguais, putada.
às 03:45 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
terça-feira, 11 de setembro de 2007
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Super Mario e frustração de criança
Super Mario Bros 3 foi um jogo que ocupou minha infância como poucos. Eu jogava muito Super Mario 3 porque era o único jogo que eu tinha para rodar no meu Nintendo. O Nintendo era o video-game mais escroto que alguém poderia ter na época em que eu o ganhei. Naquele momento, começavam a chegar aqui no Brasil as primeiras unidades do Super Nintendo. Foi um péssimo negócio, portanto. E vale frisar que esse tipo de equívoco assolou inúmeras crianças: você fica anos sonhando com um específico video-game, quando o ganha, chegam as primeiras unidades importadas com muito atraso da geração seguinte e você vira motivo de piada eterna na escola. É horrível ser criança às vezes.
De qualquer forma, o Nintendo vinha com um cartucho de Super Mario 3. E eu o joguei a exaustão. Jogando todas as fases e todos os mundos, que se compunham de fases, estimo que levar-se-ia coisa de umas 4, ou 5 horas para encerrar o game. Ocorre que eu nunca teria paciência para esse tempo todo, eu era uma criança, não um nerd. Isso eu virei depois, o que é assunto para outro dia.
Além de não ter saco para tamanha intemperança, o Nintendo que tinha não salvava o progresso no cartucho, como se tornou comum nos video-games posteriores. Resumo, embora jogasse e conhecesse como poucos as artes de Super Mario 3, eu jamais logrei encerrar o jogo.
Passou o tempo e se criou uma coisa chamada emulador. Emulador é um programa que lê jogos de video-game no computador (e hoje descobri que se pode jogar em flash aqui - um horror). Ano passado, pleno de toda a razão que me coubesse para encerrar em uma só tacada essa página da minha infância e o jogo que dela fez parte por tanto tempo, arrumei um emulador de Nintendo. E como os programas de computador melhoraram essa questão de salvar o seu progresso no jogo, voi lá, em questão de alguns dias e sazonais jogadas, encerrei Super Mario Bros 3 e me senti, enfim, adulto.
E dia desses tropecei nesse vídeo abaixo. Trata-se de um japonês nerd e sem graça que estabeleceu o recorde mundial de Super Mario 3. O que eu levei dias para conseguir, se você for mais puritano, anos, ele consegue através de manobras e atalhos que jamais sonhei existirem em 11 minutos!
às 14:35 1 comentários Marcadores: Entretenimento, Memórias
terça-feira, 4 de setembro de 2007
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Por que você veio até aqui?
Atualmente há serviços gratuitos e muito eficientes de monitoramento de tráfego para sites e blogues. Eu uso um, o ShinyStat. E dentre as ferramentas que o usuário do serviço gratuito tem acesso, há uma bem interessante: ela mostra as palavras-chave que os internautas que acessaram o blogue digitaram em sites de pesquisa como o Google. Veja alguns exemplos curiosos que renderam visitas em agosto:
- "para quê serve uma onça homem cara"
- "paul potts"
- "carne de onça"
- "oab e a ditadura"
- "visivelmente"
- "filmes nas madrugadas da globo"
- "midiatrix"
Eu achei muito curioso o "para quê serve uma onça homem cara" e resolvi testar, conforme você confere na imagem acima. Clique nela para ampliar.
às 17:36 1 comentários Marcadores: Entretenimento
domingo, 2 de setembro de 2007
Pan e Globobagens
O Pan do Rio passou e deixou seu rastro de obras super-faturadas, investimentos mal explicados (o orçamento estourou em 600% o previsto em 2002, quando o Rio foi escolhido como sede do evento) e um vazio inexplicável pela falta de vontade da grande mídia em explicá-lo. Porque fazê-lo seria admitir a própria tacanhice e falta de escrúpulos e honestidade para com o público. O Pan expôs ransos de falta de civilidade no povo brasileiro pelas suas medievais demonstrações de "torcer" ao vaiar com falta de educação e respeito delegações estrangeiras e criar uma idiota, inócua e ridícula rivalidade com Cuba e Canadá - como se tivéssemos nós algo de melhor que o evoluído, culto e tranqüilo Canadá.
E agora, mais de um mês após um evento de baixíssimo nível técnico que te venderam como Olimpíada, vamos ao balanço real das coisas feito pelo sempre excelente Juca Kfouri:
O basquete masculino brasileiro foi tricampeão pan-americano no Rio de Janeiro, em julho.
Houve, e não foram poucos, os que se esgoelaram com a medalha de ouro.
O atletismo brasileiro ganhou nove medalhas de ouro, cinco de prata e nove de bronze no Pan-2007.
Uma façanha, um feito admirável, olhe do que somos capazes, tantos se orgulharam.
O basquete masculino brasileiro não conseguiu vaga para Pequim no Pré-Olímpico das Américas, em Las Vegas, no primeiro dia de setembro.
E no Mundial de atletismo, no Japão, que acaba de acabar, o esporte nacional conseguiu apenas uma medalha, de prata, com Jadel Gregório.
Mas, não se esqueça: o Brasil é uma potência esportiva."
Mas não há porque desconfiar. A Globo diz que são nossos atletas. Nosso esporte. É Brasil-sil-sil, macacada! Ou ame-o ou deixe-o!!!
Um país que sequer consegue alimentar seu povo não pode arvorar-se de ser potência olímpica - salvo exceções como Cuba e algumas ex-repúblicas soviéticas herdeiras de política de incentivo de esportes e cultura suficientes para conseguir estes ou aqueles sucessos esportivos. O que não é nosso caso. Super-faturamos e construímos elefantes brancos modernosos sem o menor planejamento de manejo pós-evento, mas não discutimos um pouquinho que seja políticas de incentivo aos esportes.
Sobretudo no caso dos idiotas da seleção de basquete me dói o seguinte: no dia da final pan-americana, ao vencer a poderosíssima, a estonteante seleção de Porto Rico, ao final, às lágrimas vinham aos borbotões dar suas declarações para a Globo, a Globo que patrocina toda essa palhaçada sem transmitir uma partida de basquete o ano todo - incluindo o pré-olímpico em que a atual campeã panamericana de basquete, a seleção brasileira, fracassou espetacularmente. A Globo embalada pelo nefasto "Brasil-sil-sil", o ufanismo desmedido e idiota de Galvão Bueno, a truculência do Oscar falando em falta de apoio ao esporte, ao basquete, à desorganização, ao diabo à quatro.
Além de tudo muito bobos os jogadores de basquete. A Globo os vende, não os patrocina, está literalmente cagando e andando para o esporte. Sequer transmite uma partida por ano, e os trouxas, ao vencerem, fazem questão de demonstrar sua alienação e dizer "tô na Globo". O interesse da emissora no basquete somente surgirá se aparecer uma geração tão espetacular como a do vôlei masculino, o que parece não ser o caso por mais uns 4 anos, nas mais otimistas previsões. Enquanto isso ela ocupa a programação matinal do domingo com desafios internacionais, jogos mundiais de verão que sequer existem, são competições amistosas, de modalidades infantis e boçais apenas para vender a idéia de que "apoiamos o esporte".
Talvez a lavagem cerebral tenha tido um efeito especial em você. Neste caso, vamos aos números estatísticos:
Em suma, o Brasil é um estrondoso fracasso olímpico. Vai muito bem no Pan porque, a rigor, seus maiores adversários são Cuba, Canadá e delegações semi-profissionais dos Estados Unidos - o Comitê Olímpico deles só manda atletas profissionais em caso de haver disputa por vaga nas Olimpíadas, do contrário são enviados atletas de ligas estudantis. Em Olimpíadas o Brasil ganha medalhas de ouro em esportes pouco difundidos e que são praticados por meia dúzia de abonados como o iatismo e o hipismo.
Em lugar desse patriotismo imbecil e canalha que nos socaram goela abaixo, porque não se ocuparam de cobrar políticas públicas pelo esporte como ferramenta de equilíbrio social? Porque não começar a questionar a caixa preta do esporte brasileiro do COB à CBF?
É mais interessante enganar o público. Eu sinceramente acho que pega-se uma espécie de gosto mórbido pela coisa. Talvez Freud explique porquê. Depois que se conquista o poder de enganar a população e exercita-se essa capacidade a exaustão, suponho que fica difícil de abandonar o vício. Numa só tacada você ilude a população, "testa hipóteses" jogando na conta do governo 200 mortes da Tam e de lambuja ganha as lágrimas burras e comoventes dos jogadores da nossa incrível seleção de basquete. O poder é poda, diria o poeta.
Está virando um bordão, mas:
Estamos cercados de débeis mentais.
* Legenda que não coube na foto: trata-se de um jogador da seleção uruguaia de handebol durante o Pan. Nicolas Orlando com 1,68 de altura pesando 109 quilos é considerado obeso. E isso ilustra bem o nível técnico bizarro dos Jogos do Rio. Lembro que conheci o adorável gordinho em uma matéria do Globo Esporte que enfocava o lado inusitado de um "atleta" em um evento "sério" ser obeso.
Foto: Flavio Florido/UOL
às 13:20 2 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia, Política
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Lula, as frases e as metáforas

Lula às vezes nos brinda, logo ele que - seguindo o que nos atesta o jornalismo de palpites de Larry Rhoter - é contumaz beberrão, com umas metáforas e frases muito infelizes.
Ainda que a fonte seja a Folha - o jornal que mandou pra geladeira o sujeito que se atreveu a aprofundar-se na compra de votos pela reeleição de FHC - vale ler e refletir nisso:
"Estou convencido de que as realizações sociais e econômicas e de projeto de país só terão comparação com o governo do presidente Getúlio Vargas"
Qual deles? A ditadura ou o populista? Ambos?
Eu não sou presidente. Mas se o fosse jamais me compararia, positiva ou negativamente, a outro governo, afinal todos eles falham em alguma coisa. E admitir, ainda que tacitamente uma falha, é passar munição à oposição.
Enfim, de qualquer forma, o mais curioso é que no bom e honesto jornalismo, no modo decente, o correto seria dar enfoque não a uma frase de efeito de Lula, mas ao que importa realmente ao cidadão: a reunião ministerial. A Folha prefere lançar balão de ensaio para vender mais jornal e Lula dizer mais uma asneira quando poderia muito bem ter ficado quieto. Lamentável.
Continuamos cercados de débeis mentais.
às 05:50 1 comentários Marcadores: Política
terça-feira, 28 de agosto de 2007
FHC no banco dos réus
Além de FHC e outros implicados, será acionada pela justiça em ação pública a União Federal pelas sombrias circunstâncias pelas quais sucedeu a venda da Companhia Vale do Rio Doce. Há indícios, se não provas, de que foi detectado o sumiço de mais de 9 bilhões de toneladas de ferro das reservas da Vale na época da venda. É o sonho dos esclarecidos desse país: FHC no banco dos réus. Esquentando o banco para quando for a vez de Lula.
E eu ainda acho que deviam privatizar o congresso. Para cada ação de empresa estatal comprada pelo capital externo, determinado número de deputados teriam de ser bancados pela mesma empresa. Duvido que nossos serviços e nosso patrimônio viraria pó tão facil e asquerosamente como foi.
Dados:
Na época da venda a Vale do Rio Doce tinha um patrimônio estimado em R$ 92 bilhões. O governo do tucanato empoado e plutocrata que desmontou o país a vendeu por R$ 3,3 bilhões.
Pois é. (4)
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Novo novo Jornalismo Novo

Na década. de sessenta, onde tudo de mais animado no pós-Segunda Guerra aconteceu no mundo ocidental, houve no jornalismo uma corrente denominada new journalism. Consistia em largar o uso das correntes burocráticas e, na minha visão ineficientes, de produção de reportagens e notícias na imprensa escrita. Uma feliz e muito funcional fusão de jornalismo e literatura, na qual foram mais simbólicos representantes Tom Wolfe e Gay Talese (Gay de Gaetano, por favor).
Pois é, os anos passaram, os representantes do gênero lançaram alguns ótimos livros e o estilo não vingou na imprensa diária pela tacanhice de algumas rotinas escrotas do jornalismo. Mas não vem ao caso explicar isso aqui.
Há alguns anos a vertente se revigorou noutros bons nomes, noutras experimentações e no manancial praticamente inexplorado, no caso brasileiro, do livro-reportagem (sim, e eu, veja você caro leitor, atesto a veracidade disso e produzo o meu livro reportagem presentemente - em breve nas melhores livrarias perto de você) em função do mercado editorial, se é que temos um. Aliás, temos não um mercado editorial, mas uma bodega editorial. E de porta de zona, ainda.
De qualquer modo, essa baforada de novos ares virou o "novo jornalismo novo".
E hoje, lendo mais sobre iniciativas como o Rec6, realmente, começa a passar um fio de dúvida de 5 metros de diâmetro pela minha cabeça:
Teria eu, novamente, escolhido a profissão errada?
O susto é instantâneo, não é descabido, mas como tudo na vida, meus caros, pode e deve ser relativizado. Aqui cabe a idéia de que emprego sempre há para quem saiba procurar e a eles mereça.
E tudo isso é sintomático: a redução cada vez maior das redações, a confluência dos meios nessa grande coisa que chamamos de Internet e a falta cada vez mais engraçada de presença de espírito dos grandes oligarcas da imprensa, especificamente no caso brasileiro, só apontam para que se os jornais não mudarem, radicalmente e rapidamente, estão fadados a morrerem.
O NYTimes cogita encerrar a versão impressa em cinco anos. Em função de iniciativas como o Rec6 e os blogues - e ambas estão intrinsecamente ligadas, lembrando que os blogues são um fenômeno antigo - e a divulgação de análises e pesquisas mostrando que a pessoa comum crê com mais facilidade naquilo que houve do amigo e vizinho e não no que lê na grande mídia. Enquanto isso, aqui no Brasil, o Estadão promove campanha contra os blogues - logo eles que já mudaram a história ao enforcar o Cristo, antes de o crucificar - dizendo que não são leitura qualificada.
Não adianta os jornais ficarem coloridinhos. Não adianta investirem desesperadamente em campanhas publicitárias se o calhamaço de papel do jornal de domingo não é lido porque, simplesmente, não nos interessa. Você pode até querer saber de tudo que o jornal é capaz de dizer. Mas você não pode. Você dificilmente terá tempo hábil para lê-lo e, pior, se tentar, entrará em esgotamento mental depois de algumas poucas páginas pela simples razão de que no fim das contas os textos orientados pela falsa idéia de objetividade e isenção irão lhe aborrecer.
Na internet você seleciona realmente o que quer ler. Basta cadastrar uma conta em qualquer serviço de Feeds. Não sabe o que são? Simples, são como caixas de entrada do seu e-mail, mas para notícias veiculadas por sites do seu interesse. Você evita a frustração e a perda de tempo de abrir aquela página, aquele blogue que curte e, poxa, não postaram nada.
E diante de todas essas realidades inescapáveis e incontornáveis, o Estadão vem me chamar de macaco? Enquanto eles reproduzem estratégias criadas no início do século XX, eu me informo por feeds, blogues. Não falamos a mesma língua, eles arcaicos e limitados e eu contemporâneo. Essa enormidade digital, a blogosfera, os conceitos wiki, a criação de grupos como Rev6 del.icio.us (ahn? ahn?), configuram, me arrisco a usar o conceito, um "Novo novo Jornalismo Novo".
Só não percebe quem não quer ou não pode.
Para Estado de S. Paulo e similares, só digo, sinto muito e que o último apague a luz. Não se iludam, vocês estão nos estertores, no limiar do cagar dos pintos.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Pra encerrar o assunto, porque...
... eu também canso. Parece que todo o furor revolucionário que teria acometido os rebeldes, os ativistas, os revolucionários de Alphaville cessou. Coitados, depois de pregarem no deserto, infelizes, devem agora estar entrincheirados, exilados nas suas mansões, elite oprimida que são.
E hoje, qual não foi a surpresa desse mordaz pretenso e propenso jornalista, quando ele descobre que o d'Urso é o advogado do rapaz cognominado de "estuprador do semáforo" e do casal da Igreja Renascer.
Pois é. (3)
Pra mostrar que não sou tão chato
O que incomoda d'Urso e patota são, a saber:
- Corrupção. Embora no "movimento apartidário" não faltem partidários e ferrenhos defensores de Paulo Maluf.
- Impunidade. Maluf, pois é...
- Carga Tributária. Ah sim, classe média e elite endinheirada paulista tendo de pagar impostos. As taxas podem e até devem ser discutidas, porque, de fato, no Brasil elas são sufocantes. Mas basta que alguém se atreva a propor reforma tributária ampla para ver o clima de conflagração que se instala. E imagina de que lado a classe média e os bolcheviques do Morumbi vão ficar...
- Caos aéreo. É, cansa. Cansa saber que ninguém debate questões, todos que podem aproveitam seus palanques para trocar acusações e tentar a todo custo transformar questões de logísticas e de ordem administrativas em ringues de disputas políticas.
É, estamos definitivamente cercados de débeis mentais acéfalos.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Gracejo
A propósito, encontrei por aí uma jocosa piadinha, já andam apelidando os cansados de "os bolcheviques do Jardim Europa", casuísmo, oportunismo e furor revolucionário, ao que parece, não faltam nesses revolucionários do século XXI a exemplo de seus antecessores do Outubro Vermelho.
Pior que isso, só as metáforas ignóbeis do Lula e a campanha do Estado de São Paulo contra os blogues.
Como diria Flávio Gomes, "estamos cercados de débeis mentais".
Ainda os "Cansados"

O que, seguramente, me chama mais a atenção nessa história do "Cansei", além de parecer coisa de adolescente rebelde sem causa, é que eles não cansaram da desigualdade social do país. Eles não cansaram da excludente distribuição de renda do Brasil, semente da esmagadora maioria dos nossos problemas, eles não cansaram do trabalho infantil ou do fato inegável e incontestável de que eles pouco fizeram, como eu e você, eventualmente, para combater a discriminação racial, social e econômica tão arraigada numa sociedade como a nossa, de duas caras, de duas faces.
Eles não cansaram das oligarquias agrícolas forçando o uso de transgênicos - porque, talvez, sejam parte delas. Não cansaram do Pan superfaturado em 600%, socando goela abaixo da população desinformada um evento de baixíssimo nível técnico e que não cumpriu 10% de suas promessas, como trens, metrôs e semelhantes. Ao contrário, entregou inescapáveis elefantes brancos e modernosos para o Rio de Janeiro carregar nas costas. Isso até privatizarem tudo sob formas obscuras. Não cansaram do fato de que esse país não tem a menor nesga de política de incentivo aos esportes e justamente por isso é um fragoroso fracasso olímpico. Mas sabe como é, a Globo diz que é bom, é o Pan, medalha, medalha, medalha, Brasil-sil-sil, macacada!
Por que eles não cansam do fato de que o "movimento" babaca idealizado pelo engajado e participante nas querelas sociais brasileiras, João Dória Jr., move mídia muito superior que uma manifestação do MST de 10 mil pessoas, enquanto o "Cansei" - de que mesmo? - não chega a somar duas mil cabeças, nas mais otimistas estimativas da polícia paulistana em plena Praça da Sé, que em momentos mais honestos viu 10 mil pessoas na missa de sétimo dia por Vladimir Herzog?
A diferença do "Cansei" - cansaram, é? - de um movimento político sério é essa: enquanto eles cansam de um avião caindo por uma soma de imperícia do piloto e descuido da companhia aérea - embora eles tentem fazer parecer desesperadamente que quem derrubou o Airbus foi o governo, um movimento político sério, ou com algum respeito pela população e por si próprio, não atravessa o menor ato sem martelar nos clichês, embora verdadeiros, de renda, discriminação, desigualdade... enfim.
Por isso, se cansaram, ora, que descansem...
Que descansem em paz...
Graaaande Camões
Meu pai adorava poesia. Era, aliás, ótimo poeta - sem puxa-saquismo - e hoje, ao encontrar uns versos de Camões, um dos seus poetas preferidos, a lembrança, as memórias e duas toneladas de saudades tomaram conta desse corpo carcomido, desta alma desditosa e desse dia aborrecido.
Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Dobraram ainda além da Tapobrana."
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
domingo, 19 de agosto de 2007
Carruagens de Fogo
Na madrugada da Globo (sábado pra domingo) passou "Carruagens de Fogo", filme do início dos anos 80 que versa sobre ideais do olimpismo e que acabou reforçando o tremendo clichê que abastece a temática da enorme maioria dos filmes sobre esporte. E tem aquela trilha sonora revoltante, do Vangelis acho, que foi usada a exaustão e virou chavão em vinhetas esportivas na tv.
E em comerciais também. Na criminosa peça da Nova Schin, feito no oba-oba dos infelizes jogos Panamericanos, onde aparecem dois dedos correndo (?) para uma garrafa de cerveja, ao fundo da música tema do filme com um coro que agride a inteligência de qualquer um dizendo "ou seja cerveja" invariavelmente.
O engraçado é que os publicitários que tem essas idéias geniais crêem piamente que alguns pares de dedos embalados por uma música referenciada no esporte por conta de um filme vende mais cerveja. E os executivos também. A publicidade no Brasil, assim como outras tantas coisas, é algo muito inusitado. Procure as peças da Quilmes, que é argentina, no YouTube para fazer uma comparação e entenderá o que estou dizendo.
Eu simplesmente não consigo entender a relação de bundas e burrice com compra de cerveja. E talvez por isso eu não seja publicitário, mas jornalista.
Enfim, eu gostaria de ter visto "Carruagens de Fogo" porque fazia, e faz, muito tempo que não o vejo. Mas o diabo é que estava ocupado com o livro que tenho de escrever.
E a gente nunca pode ter tudo, afinal.
sábado, 18 de agosto de 2007
Definitivamente, há um clima de ruptura neste país. Quando se sabe que Ivete Sangalo assinou no fim de julho um contrato milionário até 2010 para ser garota-propaganda da Philips, e que dias depois foi convocada para se cansar publicamente no movimento apoiado pelo presidente da Philips, Paulo Zottolo, que em entrevista ao "Valor Econômico" diz que se o Piauí deixar de existir ninguém sentirá falta - por acaso, um dos maiores rincões eleitorais do PT - o que dizer de Ivete, da Philips e do Piauí?
Digo que essa turma, realmente, cansa. Mas ela continuará a aparecer na Globo domingo sim, domingo não, porque é uma moça de valor, do lado pessoal e profissional, ô lôco, meu.
Estamos cercados de débeis mentais.
Pois é. (2)

