O Pan do Rio passou e deixou seu rastro de obras super-faturadas, investimentos mal explicados (o orçamento estourou em 600% o previsto em 2002, quando o Rio foi escolhido como sede do evento) e um vazio inexplicável pela falta de vontade da grande mídia em explicá-lo. Porque fazê-lo seria admitir a própria tacanhice e falta de escrúpulos e honestidade para com o público. O Pan expôs ransos de falta de civilidade no povo brasileiro pelas suas medievais demonstrações de "torcer" ao vaiar com falta de educação e respeito delegações estrangeiras e criar uma idiota, inócua e ridícula rivalidade com Cuba e Canadá - como se tivéssemos nós algo de melhor que o evoluído, culto e tranqüilo Canadá.
E agora, mais de um mês após um evento de baixíssimo nível técnico que te venderam como Olimpíada, vamos ao balanço real das coisas feito pelo sempre excelente Juca Kfouri:
O basquete masculino brasileiro foi tricampeão pan-americano no Rio de Janeiro, em julho.
Houve, e não foram poucos, os que se esgoelaram com a medalha de ouro.
O atletismo brasileiro ganhou nove medalhas de ouro, cinco de prata e nove de bronze no Pan-2007.
Uma façanha, um feito admirável, olhe do que somos capazes, tantos se orgulharam.
O basquete masculino brasileiro não conseguiu vaga para Pequim no Pré-Olímpico das Américas, em Las Vegas, no primeiro dia de setembro.
E no Mundial de atletismo, no Japão, que acaba de acabar, o esporte nacional conseguiu apenas uma medalha, de prata, com Jadel Gregório.
Mas, não se esqueça: o Brasil é uma potência esportiva."
Mas não há porque desconfiar. A Globo diz que são nossos atletas. Nosso esporte. É Brasil-sil-sil, macacada! Ou ame-o ou deixe-o!!!
Um país que sequer consegue alimentar seu povo não pode arvorar-se de ser potência olímpica - salvo exceções como Cuba e algumas ex-repúblicas soviéticas herdeiras de política de incentivo de esportes e cultura suficientes para conseguir estes ou aqueles sucessos esportivos. O que não é nosso caso. Super-faturamos e construímos elefantes brancos modernosos sem o menor planejamento de manejo pós-evento, mas não discutimos um pouquinho que seja políticas de incentivo aos esportes.
Sobretudo no caso dos idiotas da seleção de basquete me dói o seguinte: no dia da final pan-americana, ao vencer a poderosíssima, a estonteante seleção de Porto Rico, ao final, às lágrimas vinham aos borbotões dar suas declarações para a Globo, a Globo que patrocina toda essa palhaçada sem transmitir uma partida de basquete o ano todo - incluindo o pré-olímpico em que a atual campeã panamericana de basquete, a seleção brasileira, fracassou espetacularmente. A Globo embalada pelo nefasto "Brasil-sil-sil", o ufanismo desmedido e idiota de Galvão Bueno, a truculência do Oscar falando em falta de apoio ao esporte, ao basquete, à desorganização, ao diabo à quatro.
Além de tudo muito bobos os jogadores de basquete. A Globo os vende, não os patrocina, está literalmente cagando e andando para o esporte. Sequer transmite uma partida por ano, e os trouxas, ao vencerem, fazem questão de demonstrar sua alienação e dizer "tô na Globo". O interesse da emissora no basquete somente surgirá se aparecer uma geração tão espetacular como a do vôlei masculino, o que parece não ser o caso por mais uns 4 anos, nas mais otimistas previsões. Enquanto isso ela ocupa a programação matinal do domingo com desafios internacionais, jogos mundiais de verão que sequer existem, são competições amistosas, de modalidades infantis e boçais apenas para vender a idéia de que "apoiamos o esporte".
Talvez a lavagem cerebral tenha tido um efeito especial em você. Neste caso, vamos aos números estatísticos:
Em suma, o Brasil é um estrondoso fracasso olímpico. Vai muito bem no Pan porque, a rigor, seus maiores adversários são Cuba, Canadá e delegações semi-profissionais dos Estados Unidos - o Comitê Olímpico deles só manda atletas profissionais em caso de haver disputa por vaga nas Olimpíadas, do contrário são enviados atletas de ligas estudantis. Em Olimpíadas o Brasil ganha medalhas de ouro em esportes pouco difundidos e que são praticados por meia dúzia de abonados como o iatismo e o hipismo.
Em lugar desse patriotismo imbecil e canalha que nos socaram goela abaixo, porque não se ocuparam de cobrar políticas públicas pelo esporte como ferramenta de equilíbrio social? Porque não começar a questionar a caixa preta do esporte brasileiro do COB à CBF?
É mais interessante enganar o público. Eu sinceramente acho que pega-se uma espécie de gosto mórbido pela coisa. Talvez Freud explique porquê. Depois que se conquista o poder de enganar a população e exercita-se essa capacidade a exaustão, suponho que fica difícil de abandonar o vício. Numa só tacada você ilude a população, "testa hipóteses" jogando na conta do governo 200 mortes da Tam e de lambuja ganha as lágrimas burras e comoventes dos jogadores da nossa incrível seleção de basquete. O poder é poda, diria o poeta.
Está virando um bordão, mas:
Estamos cercados de débeis mentais.
* Legenda que não coube na foto: trata-se de um jogador da seleção uruguaia de handebol durante o Pan. Nicolas Orlando com 1,68 de altura pesando 109 quilos é considerado obeso. E isso ilustra bem o nível técnico bizarro dos Jogos do Rio. Lembro que conheci o adorável gordinho em uma matéria do Globo Esporte que enfocava o lado inusitado de um "atleta" em um evento "sério" ser obeso.
Foto: Flavio Florido/UOL

2 comentários:
Eu não acho nada importante ter trocentos campeões olímpicos.O ideal seria que a prática de esportes fosse uma cultura .Nem precisaria de interferência do estado mas apenas fcilitador, com praças de esportes. Há muito estas olimpíadas deixaram de contemplar o esporte como um todo e virou batedor de recordes com exigência fora dos padrões de resultados cujo retorno é o caixa das empresas que bancam.Eu acho o povo brasileiro ótimo na medida que não topa entrar nessa.Juca Kfuri tem que dizer isso porque é o ganha pão dele mas , pelo que eu sei, não joga nem purrinha.Meu filho é um grande nadador desde os 8 meses mas nunca topou entrar nessa mesmo com o meu insentivo.Não aceitou nadar 6 horas por dia nas piscinas e competir com gente obsecada por baixar tempo e optou ser nadador do mar nadando grandes distâncias.Às vezes ganha medalhas, às vezes não.Eu aprendi muito com ele neste ponto.
Cara, muito bom esse post, tô rindo aqui da tragicomédia =D
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