Ver "José e Pilar" é uma mistura de sentimentos. Avassaladores, como a dor palpitante de quem reconhece em Saramago um mestre no ofício da escrita e, bem por isso, lamenta-se por sua já consumada morte. Entusiasmantes, por encontrar numa versão fragmentada de seu cotidiano algo próximo do que sempre se imaginou ao grande Saramago. Nostalgia por saber que o filme não frutificará outro Saramago e não haverá outro livro a se revisar, discutir, escrever, traduzir e imprimir do mestre esperando para ser lido e impresso, outra vez, mas dessa vez no espírito e nos recessos próximos que chegam ao coração dos que o leram, o amaram, o saudaram e hoje, mais uma vez, o choraram. Com efeito, deixei a sala de cinema esfrangalhado em emoções e saudades, e em clima de quem, mais uma vez, com todos os protestos de sincera afeição, se despede de um amigo querido.
Trailer de "José e Pilar"
É, em última instância, o encontro com sentimentos intensos, e até inveja, porque se a carne é fraca no gênero humano, o é muito mais a mim, que lhe invejo enormemente a felicidade que teve ao conhecer e dividir boa parte da sua vida com quem estimou tanto, a Pilar, que dá nome ao filme e consistência aos sonhos de José. "José e Pilar" é um filme sobre amor e é um registro de afeição no mais alto grau, amor mais forte que o tempo, que as pessoas e que a própria morte. Digno, pois, de toda a reverência e de toda a humanidade possível em: eu invejo.
De resto, lamento hoje e sempre, até que chegue minha vez de cessar de estar, o fato de nunca ter tido a ventura de conhecer Saramago de perto. De fato, vem o filme a reparar um pouco da frustração que comungo com tantos outros pelo mundo, mas o fato é que faz falta não poder aborrecê-lo com fotos, abraços, carinhos e pedidos.
* Digo "Não há mais" por conta desta série de acabrunhados e intrestecidos posts. E que se sucedem em 1, 2, 3 e 4. (Clique nos números!)

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