Aí está. Eu diria que trata-se de um imperdível atentado contra o jornalismo, contra a literatura e, por que não, contra as minhas possibilidades de me formar este ano.
É uma grande reportagem com inúmeras liberalidades no que tange a escrita, relatando o período da navegação fluvial a vapor pelo rio Iguaçu no Paraná, sobretudo na perspectiva da cidade de Porto Amazonas, enfocando no declínio da atividade sob a ótica de seus protagonistas.
Resultado de um ano de pesquisa e escrita, eis aí meu livro:
Clique aqui!
Para efetuar o download você precisa clicar no link que lhe levará ao servidor onde o arquivo em pdf está armazenado - recomendo que você o abra em uma nova janela. Aparecerá o site mediafire.com. Basta esperar e clicar em "Click here to start download" e baixar o arquivo.
P.s.: embora ainda não tenha colocado as insígnias nem no livro, nem aqui no blogue, todo o conteúdo está registrado em Creative Commons, ou seja, não há como se apropriarem. A este Tertuliano vocês não sacaneam!
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Saudade de Pedra
às 09:36 4 comentários Marcadores: Contos, História, Memórias
sábado, 10 de novembro de 2007
Idiotices do dia-a-dia
Há uma enorme fauna de reacionários de cabelo em pé com o Chávez, que se arma. Se por um lado a razão história penda sempre para o fato de que, inegavelmente, após uma corrida armamentisa estoura um conflito, por outro lado, não sejam parvos, Chávez não ameaça a soberania brasileira. Queria eu ver ele, com 10 milhões de habitantes, ocupar o Brasil.
Mas o fenômeno tem de ser estudado com cuidado. O governo fala em adquirir um novo porta-aviões - embora a estratégia contemporânea diga que supremacia naval não garante mais ninguém - além da retomada dos investimentos maciços no submarino nuclear.
Estaríamos nós, daqui há poucos anos, em pé de guerra com os vizinhos?
Se for este o futuro, parem. Parem tudo. Desliguemos o mundo.
às 02:18 1 comentários Marcadores: Atualidades, Política
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Por que você veio até aqui? (Outubro)
Seguindo a tradição deste blogue, seguem aqui algumas tags (buscas) que renderam visitas no mês de outubro.
- "Paul Potts" - e correlatos. O inglês rendeu 16 acessos. E isso só atesta o poder midiático. Ele era um fenômeno já passado e, com a recente exposição que ganhou nos comerciais da SomLivre pelo lançamento do cd em plagas brasileiras, voltou à ordem do dia.
- 2001 ouvir casamento zarathustra - eis aí a mais curiosa. Provavelmente alguém confundiu a peça de Richard Strauss com a Marcha Nupcial de sei lá eu quem.
- bruxaria para conseguir emprego - o que só comprova a que ponto chegamos com essa crise social que não fustigou o pessoal do Cansei. A falta de emprego assola realmente o país. E a prova disso é que, potencialmente, sou um desempregado.
- marcos historicos que aconteceram todos os anos desde 1962 ha 2007 - lamento ter frustrado este internauta que buscava algo próximo a uma enciclopédia.
No mais, o tema "reforma ortográfica" rendeu 26 visitas. Muitos também por aqui vieram guiados por curiosidades acerca do tema "queda da URSS", que esmiucei num post de antanho. Em números totais, pelo mês de outubro, o blogue teve 131 acessos mediante buscas em serviços de pesquisa da internet. Destas pesquisas, monopólio absoluto do Google, com 126 buscas. Yahoo em segundo, tendo oferecido 3 pesquisas. Uma foi via MSN.com e a restante pelo serviço de busca de imagens do Google.
sábado, 3 de novembro de 2007
Frases, literatura e um pouco de vida
Remexendo entre meus guardados, econtrei antigas anotações de frases específicas que me chamaram a atenção ao longo de anos e anos de leitura. Algumas ainda excelentes, por conseguirem me dizer algo, outras já de sentido turvo e esquecido, que não mais me fulguram na mente.
À elas:
“Bata em um cão e ele irá ganir, corte uma arvore e ela irá chorar, ofenda um homem, ele irá crescer.”
"... a morte, por si mesma, sozinha, sem qualquer ajuda externa, sempre matou muito menos que o homem."
''O que tem religião não é o que crê numa Escritura Sagrada, mas o que não precisa dela e seria, ele próprio capaz de fazê-la.''
"Nem a juventude sabe o que pode nem a velhice pode o que sabe."
"Sabes o nome que te deram, mas não sabes o nome que tens."
"Jesus: ninguém têm tantos pecados na vida que mereça morrer duas vezes." - esta, tenho certeza, é de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de mestre Saramago, na passagem onde Maria Madalena pede ao Cristo que este ressuscite Lázaro, ao que ele responde assim.
"As palavras proferidas pelo coração não têm língua que as articule. Retém-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se pode ler."
"Mesmo que a rota da minha vida me leve a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo."
"Como sabeis, o crânio é uma caixa óssea que contém o cérebro, o qual vem a ser, por sua vez, conforme podemos apreciar neste mapa anatômico a cores naturais, nem mais nem menos que a parte superior da espinhal medula. Esta, que ao longo do dorso vinha de apertada, tendo encontrado espaço ali, desabrochou como flor de inteligência."
"Não dormiu bem, sonhou com uma nuvem de palavras que fugiam e se dispersavam enquanto ele as ia perseguindo com uma rede de caçar borboletas e lhes rogava Detenham-se, por favor, não se mexam, esperem aí por mim. Então, de repente, as palavras pararam e juntaram-se, amontoaram-se umas sobre as outras como um enxame de abelhas à espera de uma colmeia onde se deixassem cair, e ele, com uma exclamação de alegria, lançou a rede. Tinha apanhado um jornal."
"Mal informados sobre a natureza profunda da Morte, cujo outro nome é fatalidade, os jornais têm-se excedido em furiosos ataques conta ela, acusando-a de impiedosa, cruel, tirana, malvada, sanguinária, vampira, imperatriz do mal, drácula de saias, inimiga do gênero humano, desleal, assassina, traidora, serial killer, outra vez, e houve até um semanário, dos humorísticos, que, espremendo o mais que pôde o espírito sarcástico dos seus criativos, conseguiu chamar-lhe filha-da-puta."
"Em verdade, em verdade vos digo, não há limites para a malícia das mulheres, sobretudo as mais inocentes."
às 10:17 1 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Saudade
"Ah, todo cais é uma saudade de pedra" - Álvaro de Campos.
Caríssimos oito leitores, esta é, na minha opinião, a frase mais linda de todo o idioma português.
às 10:01 2 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
sábado, 27 de outubro de 2007
Ainda sobre a idiotice do post anterior, eu que não sou político, penso:
Pra que serve um balão de ensaio desses, se não para fortalecer a oposição?
A política brasileira se compõe de centenas de idiotas. Uns mais, outros menos.
Profundamente enojado
Construir algo nos caóticos tempos que correm não é algo fácil. Construir uma casa, um projeto, uma família, uma vida. Nada costuma cair do céu à enorme maioria das pessoas que compõe o mundo. E isso não é novidade nenhuma.
E tão difícil como construir cada uma das coisas que ilustram o parágrafo anterior é construir uma nação. Um país é uma coisa. Uma nação é algo completamente diferente.
E com a derrocada das ideologias, com o fim das utopias que foram por terra junto com o Muro de Berlim (ainda que a idiotia tenha erguido outro no Oriente Médio), o mundo que vivia na dura luta entre o equilíbrio da ordem bipolar e sem nenhuma certeza, ao menos, ganhou uma.
A de que as nações se controem pelas mãos das pessoas, do povo. E se é pelo povo que elas podem ser eregidas nada mais justo que dar a ele, o povo, os plenos e sagrados direitos de governar suas respectivas nações. A verdade, caros, é que o caminho para a construção de um grande país passa obrigatoriamente pelo respeito e preservação irrestritas dos preceitos da democracia.
Não sou cientista político, jovem demais também para ter vivido sob a ditadura, mas posso imaginar sozinho que deveria ser bem ruim. E isso me faz prezar a liberdade que hoje desfruto e que estimo muito que meus filhos, netos, bisnetos e por aí a fora possam desfrutar.
E é precisamente por este motivo que ler essa matéria da Folha mexeu com todos os meus princípios e vestiu meu coração de indignação.
Há muito que eu não me sentia ultrajado pelas peripécias dos nossos políticos em fazer cagada e vangloriar-se aos quatro ventos de como é gostoso legislar em causa própria arrebentando com o país que um dia será dos seus herdeiros.
Mas ler esse absurdo, sentir mais uma vez a sagrada divisa* que me motiva, todo maldito outubro de escrutínio a ir à urna segredar meu Nulo, só posso manifestar a revolta que me toma.
Não é possível que haja quem tenha a desfaçatez de dizer um absurdo desses.
*Não se pode votar em ninguém porque simplesmente, a rigor, não conheço o sujeito e me parece muito irracional delegar meu poder de escolha a alguém que absolutamente não conheço.
às 04:59 0 comentários Marcadores: Política
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Fórmula 1 - vou sentir falta
A repercussão no mundo esportivo foi das melhores. Há muito tempo que o Brasil não organizava um GP tão perfeito como esse. Interlagos revigorado, uma ameaça de paddock surgindo no aperto do ancestral autódromo. E para finalizar, uma corrida sensacional das que serão lembradas anos e anos depois.
Mas o maior barato foi hoje, encontrar essa imagem no banco da agência Sutton:
A curiosidade? Simples, a legenda da foto identifica: fãs de Alonso no GP do Brasil.
Não tenho muita certeza se eram mesmo fãs do asturiano...
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Elvis é assim
Tem como não curtir um cara assim?
Grande Elvis.
às 21:32 1 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
Brasil Revisitado ou Brasil Inexistente?
Essa semana seria de se sair a estourar fogos pelos bons ventos e bons augúrios que, infelizmente, não vemos nos jornais. Correção, não vemos todos. Ou se os vemos, os vemos porcamente interpretados, o que aos mais incautos seria o mesmo que não estar lá uma vírgula sobre, por exemplo, o fato de que Octavio Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco dizer: "O Brasil voltou para o radar".
Os grandes grupos de mídia do Brasil estão a brincar com a população. Só que são anacrônicos demais. Folha, Estadão e o grupo da vênus platinada não estão mais no inalcançável púlpito que a ditadura lhes garantiu - especialmente no caso das Organizações Globo - púlpito este que se antes lhe possibilitava o ar da verdade inconteste e da credibilidade ilibada, hoje já demonstra desgaste e que, afinal, nem o melhor mármore está livre de abrir rachaduras e perder o fulgurante brilho da sua textura conforme passa o tempo.
Poderíamos cá lembrar de dúzias de casos. Apontar centenas de indícios de que a informação hoje não é mais de mão única e não sai apenas da cabeça tortuosa dos editores e dos oligarcas da comunicação deste país. Ao invés disso, o que faremos é listar aqui as boas novas que ensejam foguetórios, conforme dito na abertura deste texto. Imbuído da boa nova de que o dólar, moeda norte-americana que ainda domina o mundo, decaiu perante o real à sua mais baixa cotação desde o ano 2000, faremos um repertório dessas boas novidades da economia. E aí Miriam Leitão, o Brasil não ia quebrar?
Citei o diretor de pesquisas do Bradesco não por acaso. O Bradesco é uma das instituições financeiras que mais lucram no Brasil. É o nosso maior banco privado. E na esteira do Plano Real cresceu. Segundo Joelmir Betting a situação é tão favorável às instituições financeiras que hoje no Brasil nada lucra tanto como um banco mal administrado. Evidente que lucram ainda mais os medianamente e os bem administrados, mas o fato é que aos bancos o céu tem sido de brigadeiro desde os primeiros momentos do real.
E Octavio, pela posição que ocupa e pela instituição que representa, não seria de estranhar que fizesse parte do cansaço coletivo que assaltou o país em agosto. Não sabemos nada sobre suas inclinações políticas e senso de ridículo. Sabemos contudo que ele disse, esta semana em uma palestra no 3º Congresso Nacional de Crédito que:
- O Brasil está na lista de compra de todos os investidores globais.
- O apetite para a tomada de risco do setor privado brasileiro é forte – é o que mostra uma pesquisa com 1 mil 200 empresas clientes do Bradesco.
- Esse apetite para tomar risco tem hoje o seu melhor momento, desde que Barros montou a série, três anos atrás.
- Se eu (Barros) fosse classificador de risco dava grau de investimento ao Brasil.
- A crise do sub-prime americano já “deixou o mundo para entrar na História”. (parênteses meu: o que diverge da opinião dos ilibados analistas da grande imprensa)
- Desde 17 de julho – quando a crise eclodiu – para cá, o valor de mercado dos 50 maiores bancos europeus e dos 50 maiores bancos americanos já voltou aos níveis anteriores a 17 de julho.
- Os Estados Unidos são 33% do PIB mundial, embora, hoje, a China tenha um impacto maior sobre a economia mundial que os Estados Unidos. A duvida é: os Estados Unidos vão crescer 2% ou 1% em 2008? O mais provável é que cresçam 2% e o mundo inteiro vai ficar feliz.
- O cenário para as commodities é positivo – especialmente por causa da China.
- E esse cenário de commodities – por causa da China – vai durar ainda 10/15 anos.
- Brasil, Argentina, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, África, exportadores de commodities, vão se beneficiar com isso. (O Governo chinês decidiu que toda cidade com mais de três milhões de habitantes tem que ter metrô. A China tem 72 cidades com mais de três milhões de habitantes ...)
- Nenhum país emergente tem o conjunto fantástico de commodities para vender que o Brasil tem: açúcar, etanol, soja, milho, café, cobre, minério de ferro, frutas, bauxita e que tais.
- Também nenhum outro país emergente – nem a China – tem uma indústria de transformação apoiada sobre commodities como tem o Brasil (o etanol, a Vale do Rio Doce...)
- O crescimento do PIB será de 4,9% em 2007.
- Entre 1999 e 2003, o crescimento da economia foi, na media, de 1,9% ao ano. (Outra vez, eu. Saudades do FHC? alguém?)
- Entre 2004 e 2007, 4,3%. (Insisto, alguém? Ninguém? O cavalheiro iludido pela Folha e a Globo ali, mais alguém?)
- Hoje, há 22 trimestres consecutivos há crescimento do PNB: é o maior ciclo de crescimento econômico dos últimos 15 anos.
- Nos últimos 12 meses, entraram no Brasil US$ 50 bilhões em investimentos estrangeiros diretos.
- A dívida externa brasileira é de US$ 30 bilhões. Dentro de alguns meses, o Brasil vai ZERAR a dívida externa!
- O Brasil se abriu ao comércio exterior: desde 2002 triplicou o volume de importação e exportação.
- Nenhum país emergente tem uma exportação tão diversificada: o Brasil exporta em percentuais parecidos para os Estrados Unidos, Mercosul, Europa, Ásia - A China nem a Índia têm isso. (Eu novamente: o que nos lembra o contraste das viagens de Lula e as de FHC. Fernando Henrrique viajava para que lhe afagassem o ego no exterior conferindo-lhe comendas ignóbeis. Fernando Henrrique, bajulado e empavoado por natureza, se crê, desde Roosevelt, o maior estadista já nascido. Torno à carga, alguém manifesta saudades do FH?)
- Os juros vão cair inexoravelmente.
- Em 2008, a Selic será de um dígito. (Coitados dos "Mencheviques do Morumbi", perderão aqui uma das suas justas reclamações).
- O percentual do crédito no PIB passou de 22% em dezembro de 2002 para 33%, hoje.
- O crédito cresceu 30% para a pessoa física nos últimos doze meses.
- O crédito imobiliário – que está muito forte – é apenas 1,7% do PIB. Isso não é nada. Na Espanha, o crédito hipotecário é 50% do PIB; na Holanda, 90%. E o Brasil tem um déficit de 8 milhões de moradias. Resumindo, caríssimos, há espaço para crescer.
- Como o mercado de trabalho – emprego – vive a melhor situação dos últimos oito anos, a inadimplência superior a 90 dias é de 7,2% - o que é baixo.
E não acabou. Além desta enxurrada de dados e sinais positivos para o devir, que, frise-se não provém do governo, mas de uma instituição financeira privada - saiu um estudo interessante da Standard and Poors, que diz ter sido a Bovespa o quarto mercado mais lucrativo do mundo desde 9 de outubro de 2002. O ganho médio foi de 74%. Só perdemos para Peru, Ucrânia e Bulgária. 88%, 84% e 77%, respectivamente. A bolsa norte-americana foi apenas a septuagésima colocada e a China ficou em quadragésimo sexto lugar.
Ao longo desse período você deve ter ouvido os gabaritados e sinceros analistas da grande mídia dizendo para investir na China, Rússia e Índia. O Brasil ia quebrar, afinal. Ao passo que aqueles que não deram ouvidos aos avisos destes, se investiram R$ 1000, tiveram retorno de outros R$ 15.000.
Eu fico com pena do FHC. Ele se ocupa a falar mal do Brasil no exterior, ganhando muito para isso - aliás, só tem liquidez para pedir os milhares de dólares que cobra por palestra se falar mal mesmo - enquanto aqui no país que ele governou, com a política econômica que diz ter sido o inventor, colhem-se frutos oriundos de maior equilíbrio administrativo, que o furor neoliberal esqueceu-se não se sabe em que defecada homérica da dupla Tatcher e Reagan. Coitado do FH.
E eu ainda acho que Lula deveria pagar royalties ao FH.
Para pensar:
A filha de Renan Calheiros fora do casamento lhe valeu centenas de aborrecimentos por sustenta-la de forma pouco ortodoxa. Mas e a filha de Fernando Henrique Cardoso fora do casamento? Por que, quando este fora senador e presidente, ninguém veio lhe inquirir como sustentava a mãe, jornalista da Globo, e a filha que mandou "exilar" na Espanha?
Se é relevante saber como Renan sustentou sua aventura extra-conjugal, mais ainda era investigar, em 2000, quando a revista "Caros Amigos" (quando esta ainda prestava para alguma coisa) publicou matéria de capa sobre os arroubos adúlteros de FH. Era o presidente. Ou seja, quem pagou a conta? Quem pagou as pensões de lá pra cá? Quem bancou a vida das duas na Espanha? O contribuinte?
O que faz de FHC intocável pela imprensa? Só o fato de pertencer a grupos políticos poderosos oriundos do paleolítico não me convence. Será por ele falar inglês, espanhol e francês ao passo que o Calheiros, alagoano, deve dominar apenas o idioma luso?
Jornalismo de exceção e anti-ético: você vê por aqui.
às 03:23 2 comentários Marcadores: Atualidades, Política
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Debaixo do sol...
... não há nada novo. Frase antiga. Verdade invencível que consta, faço uso de meus surrados conhecimentos da organização do Novo Testamento, no livro de Ecesiastes. Não, sequer desconfio o capítulo.
Em agosto passado alguns aproveitadores, outros desocupados, somados ao crescente clima de descontentamento que assaltou Alphaville, Leblon e congêneres, abrindo o perigoso precedente da "Revolução Menchevique do Morumbi", lançou ao vento um movimento "apolítico", disseram, chamado de "Cansei". O "Cansei" foi uma das maiores piadas para nós outros. Para seus criadores uma das maiores vergonhas, mas isto é lá com estes senhores engravatados, tão cientes dos problemas nacionais que vêm a público nos dizer que cansaram. Não estão nem aí para o tamanho da bobagem ou para a bazófia.
Na verdade acredito que subestimamos a importância do "Cansei", que de tamanho fastio, tirou merecidas férias na Europa onde foi descansar suas amolações com a "preocupante situação de crise que se instaura no país". Digo que subestimamos os mencheviques do Morumbi porque, meus caros oito leitores, muito mais que movimento social e "apolítico", foi ou é, o "Cansei" um movimento filosófico. Uma vanguarda filosófica, não há dúvida quanto a isto, que vem buscando responder uma até então irrespondível questão do saber, o que é o nada?. O "Cansei", imbuído nesta busca sumiu. Saiu em busca do nada e jamais foi visto.
"indignado" apresentador Global que, coitado, foi expropriado de seu para lá de cobiçável Roléx (que segundo busquei saber compra-se a módicos R$ 48 mil) e, ciente do direito de se indignar e, por que não, cansar-se em público, escreveu uma impressionista carta que intitulou com o poético, embora rasteiro e torpe título de "Pensamentos quase póstumos", onde expressou toda a sua indignação e a sensação de ter sido praticamente assassinado ao sofrer o assalto que para si, ao que parece foi uma novidade. "Luciano Huck foi assassinado. Manchete no 'Jornal Nacional'", começa a epístola.Embora tenha já dado voltas à questão e torcido que chegue meus fosfatos e sinapses para desvendar porque diabos o relógio do Huck, tão roubado como o vizinho ali na esquina, tenha ganho destaque na Folha - que embora seja um jornaleco, é uma das nossas maiores tiragens, infelizmente - chego a conclusão de que a filosofia em cima desta questão vem a ser desnecessária. Que bom que publicaram a carta do Huck. Que excelente saber que, para Huck, um exausto defensor e panfletário homem público contra a desigualdade social, o certo é chamar a "Tropa de Elite" e seus truculentos métodos.
Huck diz pagar seus impostos religiosamente e não temos porque duvidar - não pagasse, já teria rodado na malha fina que, estranho, tem funcionado bem ultimamente, o que é um dos maiores itens que cansou a turma da OAB-SP em agosto, Daslu e aquela patota toda. O que Huck não diz na sua carta é que tem contrato com a Globo fora das CLT's justamente para não pagar tantas contribuições e, assim, faturar limpo. E nem isso se deve recriminar, não é crime.
Depois de ter perdido seu relógio Huck acha que "chegou a hora de discutirmos de verdade a questão da segurança". Sim, evidente que a hora é agora. Não era hora quando houve chacina na Candelária. Quando o PCC estourou por inépcia governamental ano passado. Quando o Carandiru e Bangu explodiam anos, séculos, de falta de dignidade e decência na administração do futuro desse inusitado Brasil. A hora de discutir segurança pública é agora porque um diretor diz crer que a mídia "só diz a verdade sobre as favelas", fez um filme fascistóide que vende às pessoas a visão pequena, fascista e ignorante de "bandido bom é bandido morto", de que a solução é a multiplicação de "Tropas de Elite" onde estiver instalado o conflito.
Huck compara São Paulo a Bogotá - o que só comprova que a questão da educação é ainda um problema perto do interminável. Ao menos aos olhos deste que escreve este enorme texto que ninguém lerá. Para Huck devemos encontrar a solução, tiro e queda, nas duas seguintes vertentes: ou o capitão Nascimento (personagem central de "Tropa de Elite"), ou no investimento em escolas. O risco era de que o "Cansei" abraçasse mais esta nobre canseira e defendesse, em função de ser rematadamente sabido que os frutos da educação são colhidos apenas no longo prazo, a solução de criarmos um estado de exceção e "Tropas de Elite" para resolver a questão da segurança porque, segundo o narigudo apresentador, "a hora é agora".
Estamos cercados de débeis-mentais.
Complemento:
Um dia após a bombastíca e histórica correspondência de Huck:
Corregedoria investiga policial que diz saber de Rolex de Luciano Huck
Aqui você conhece a "amadurecida" visão de Padilha, diretor de "Tropa de Elite" sobre a pirataria:
Nas ruas, gato por lebre
às 04:17 1 comentários Marcadores: Atualidades, Política
sábado, 13 de outubro de 2007
Celular também não pode mais
Eu lembro, lá pelos já há muito vividos anos de 95, que havia a febre pelos ioiôs da Coca-Cola. Na escola todos tinham alguns e eram mestres nas acrobacias com o pêndulo. Eu inclusive.
E nos horários livres, de antes das aulas e no recreio, havia por toda a extensão do pátio um verdadeiro balé. Múltiplas e mirabolantes evoluções, uns bons, outros medianos e alguns mais, eu incluso, enganadores de platéia.
Aí um dia um menino desentendeu-se com o outro. Provavelmente disse que se o primeiro não lhe reparasse o remoque, embora lhe ultrajasse a idéia, teria de ir arrancar-lhe os olhos em troca da honra ofendida. O menino ofensor não reparou o agravo e ambos foram às vias de fato.
Um deles, já não lembro o qual, fez do brinquedo, o ioiô, arma: deu com o pêndulo, modelo Super da Coca-Cola - ou da Fanta, eram realmente parecidos - na idéia do outro beligerante. Como medida de combate à falta de civilidade das crianças, as freiras que dirigiam a escola não tiveram dúvidas: que se proíba o uso de ioiô nas dependências da escola.
É mais ou menos o que o governador José Serra quer fazer com os celulares. Embora não se tenha sabido de alguém ter levado uma celularzada na idéia, acredita o governador que os índices educacionais do estado só poderão melhorar na medida em que as crianças não tenham celulares para serem encontradas pelos pais num contexto tão perigoso como no que vivem.
Tertuliano mora no Paraná. Tertuliano se preocupa caso a moda pegue, afinal ele pensa:
- Não seria melhor proibir celulares nas cadeias?
às 22:44 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Disse Harold Bloom
Harold Bloom é um dos mais notórios críticos literários do nosso tempo. Há quem o diga um dos homens mais inteligentes do mundo atualmente, o que, eu, naturalmente, relativizo. De qualquer forma, fui conhecer Bloom numa matéria da Superinteressante sobre o sujeito e sua teoria desconstrucionista da literatura. Uma abstração só.
Enfim, lendo sobre Saramago, a quem alcunhei de "mestre", trata-se, da enorme e vasta fauna de escritores que me agradam, meu preferido, descubro que é a mesma opinião deste norte-americano tido como um dos mais bem aquinhoados espíritos do mundo. No livro de Bloom, publicado em 2003, "Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds", "Gênio: Um Mosaico de Cem Mentes Exemplarmente Criativas", disse que Saramago é o "mais talentoso romancista vivo no mundo atual", galardão este que, vindo donde vem, converte-se num panegírico incontestável. Bloom foi ainda além ao chamá-lo, assim como este Tertuliano, de "o Mestre" e "um dos últimos titãs de um gênero literário que está desvanecendo".
Fiquei feliz por Saramago. Fiquei feliz por mim. Penso igual a Harold Bloom, meus caros, morram de inveja. Mas não é só neste ponto em que meus tortuosos pensamentos, deste carcomido cérebro, encontram paralelo aos de Harold. Assim como eu, este vota visceral desprezo pelo que há na literatura infantil no mundo.
O caro Bloom é muito mais radical que este Tertuliano. Eu, embora tenha uma invencível vontade de distribuir pontapés em quem lê Harry Potter, entendo perfeitamente que este, embora fraco exemplar da literatura mundial, pode contribuir no longo prazo para o aliciamenteo de uma nova e vasta gama de amantes da leitura, o que seria ótimo. Enquanto as pedagogas semi-idiotizadas (e por isso idiotizantes) que nossas universidades regurgitam todos os anos esforçam-se para criar campanhas bem intencionadas de incentivo a leitura em alunos bocós e analfabetos com livros como "Dom Casmurro" e similares de densidade e desinteresse natural em qualquer jovem - levando-se em conta que estas pedagogas não lêem e bem por isso jamais farão alguém ler - Potter e seu texto comercial e fraco conquista hordas e hordas de leitores.
Bloom disse em entrevista à revista Época: "odeio Harry Potter. É bruxaria barata reduzida a aventura. É prejudicial ao leitor. Não tem densidade. A escrita é horrível. Lancei a polêmica, sabendo que eu atuaria como Hamlet, que defronta com um oceano de aborrecimentos. Continuo me incomodando com os fãs do pequeno feiticeiro".
No que é verdade. Se um dia a humanidade tiver de selecionar cinco volumes da literatura mundial para a eternidade, entre eles, podem ter certeza, não teremos nenhum Harry Potter. Harold extende a crítica à literatura infantil: "é um fenômeno de mercado. A maior parte dos livros para crianças à venda nas livrarias é idiota, não serve para nada, muito menos para suprir a necessidade de leitura de uma criança ou do leitor de qualquer faixa etária. Livros estão sendo confeccionados para vender e se tornar sucessos no cinema e na televisão. Isso nada mais é que uma máscara que oculta o rosto cada vez mais estúpido da era da informação. Os tais livros infantis ajudam a destruir a cultura literária".
O que é perfeitamente tangível não apenas na literatura infantil. Materi
al dito "cultural" feito pra vender é o que não falta. E mais velha ainda é a constatação disso, que remonta a tempos imemoriais do breve século XX, mais precisamente, década de 30, onde os teóricos e filósofos da Escola de Frankfurt, como Theodor Adorno, sujeito ao lado, apontaram a crise da cultura: o que antes tinha valor iminentemente de culto, passa ao valor de troca, mercantiliza-se.
Adorno era, no fundo, um cara legal. Ranzinza, pessimista, provavelmente chato, caxias em relação à juventude de 68 e com sobrenome esquisito, tinha também lá seus defeitos: odiava. Detestava. Cultivava verdadeira aversão ao jazz, e isto, ao contrário de suas notáveis contendas com os estudantes - sobretudo as garotas que deitavam fora os sutiãs - em maio de 68, não se pode perdoar. O jazz é o jazz, afinal.
De qualquer forma, o que conta mesmo, é que Saramago é mestre para mais alguém no mundo. Que a minha admiração pelo português, considerado por muitos um mestre no trato da bela e boa língua portuguesa (que querem vilipendiar com a criminosa, de ocasião e imbecil reforma ortográfica - que se reforme a peripatética Acadêmia Brasileira de Letras, que acha que o idioma é dela, só dela, e dos enormes grupos editoriais que se beneficiarão com este absurdo), enfim, mas eu dizia que o que conta mesmo é que o assunto Saramago me rendeu os primeiros ensejos para conversar com minha namorada, que leu algo do português e que, para o bem ou para o mal, ele continuará sendo o "mestre".
Perdeu, Alexandre Dumas. Perdeu...
às 18:52 1 comentários Marcadores: Cultura
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Finitude
Nos últimos dias, mais do que em todo o transcorrer do ano, deu-me, caríssimos, uma sensação estranha no espírito. Em pouco mais de um mês estarei, se for da vontade comum dos professores, formado. Formado numa profissão complicada, num mercado de trabalho "salve-se-quem-puder" e sem quaisquer nesgas de perspectivas imediatas. Irei embora. Perderei contato com amigos queridos.
E tudo isso me fez contemplar uma sensação de finitude. Não é como quando eu saí do ensino médio, rapaz imberbe onde nas fuças ainda erravam espinhas esparsas e as primeiras poeiras que lhe prediziam barbas no futuro, onde o sentido era de recomeço, de novo caminho a trilhar. Agora é de fim, de encerramento, de missão cumprida e nada mais a se fazer. E me confrontar com isso, com o fim e não o começo, com a sensação de nada mais a se fazer, agravada pela ausência de perspectivas no curto prazo, não foi bonito.
Tudo vai sumindo por detrás das nossas costas. Nós nos ocupamos, por vezes, demais em olhar adiante tentando divisar o horizonte da vida e saber o que vem lá. Mas ao fazer isso, inutilmente, aliás, perdemos o que nos reluzia no passado próximo. E normalmente sentimos mais falta do passado do que de adivinhar o futuro coisa que a grossa maioria do gênero humano não consegue fazer. Enfim.
às 10:16 2 comentários Marcadores: Memórias
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Por que você veio até aqui? (Setembro)
Seguindo minha tradição de um mês, seguem abaixo as buscas mais curiosas que renderam visitas ao blogue em setembro:
- "dexisto"
- "disco vuador ovi"
- "direitos e deveres de locadora de video game"
- "imagem de onça morta"
- "jogos de super mario os que tem no computador da escola"
- "video da morte do super mario"
Ao longo do mês de setembro, através de resultados em serviços de busca, o blogue recebeu 130 visitas. O recorde de incidência foi a busca por "assombração", com 21 ocorrências e em segundo "frases de lula", com 7.
às 04:38 1 comentários Marcadores: Entretenimento
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Sputnik 50 anos
Uma coisa puxa outra. Hoje o Sputnik faz 50 anos, e eu mencionei-o no post anterior, que por sua vez inicia-se falando de outro mais antigo.
Eu não sei muito sobre satélites. Sei que funcionam emitindo e retransmitindo sinais - o que é muito vago e paradoxal, posto que há cinqüenta anos que eles são parte de minha vida. Mas sei que o bip-bip-bip, pueril até, da bola metálica em que consistiu o tal Sputnik revolucionou o nosso modo de vida. Disso daí é que vem a evolução que hoje permite eu publicar este texto e você lê-lo. Caso queira sentir o que sentiram os técnicos da missão soviética que revolucionaria as comunicações em muito menos de duas décadas, ouvindo a transmissão do Sputnik, a primeira transmissão via satélite da história, clique aqui. Eu fico imaginando que o povo da época deve ter pensado: "tamanho barulho por uma bola de metal que faz bip-bip-bip?".
O curioso é que o fato de terem sido os soviéticos, e não os norte-americanos, que enviaram a bola metálica que fazia bip-bip-bip reduz incomensuravelmente a dimensão da epopéia perante os olhos mais incautos. Fosse o Sputnik norte-americano, existiriam dúzias de filmes e documentários acerca do feito. Como aliás existe um filme sobre a Mercury. A missão Mercury foi a resposta de Tio Sam a Gagarin que, aliás, também não foi imortalizado em telas de cinema.
De qualquer forma, depois de Sputnik veio a cadela Laika. A ela seguiram Gagarin e os astronautas da Mercury. O homem foi à Lua. Vieram os ônibus espaciais que começaram a explodir e a interminável MIR. E ninguém jamais quis ir novamente à Lua porque lá não tem porra nenhuma.
Tudo por conta da bola metálica que fazia bip-bip-bip. E saibam meus caros que o tempo é a medida da precariedade de qualquer coisa.
às 12:35 0 comentários Marcadores: Atualidades, História, Tecnologia
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Hermann Hesse ensina:
"'... a maioria dos homens não quer nadar antes que o possa fazer. (...)' Naturalmente não quer nadar. Nasceram para andar na terra e não na água. E, naturalmente não querem pensar; foram criados para viver e não para pensar! Isto mesmo! E quem pensa, quem faz do pensamento sua principal atividade, pode chegar muito longe com isso, mas, sem dúvida, estará trocando a terra pela água e um dia morrerá afogado".
Hermann Hesse, O Lobo da Estepe.
Hesse foi o que mais próximo cheguei de ler de um filósofo/escritor. Ele é um escritor sensacional, denso, inteligente, culto e não trata o leitor como acessório dispensável à sua obra. Leia, mas tenha atenção que o conteúdo extremamente denso e filosófico deste alemão, provavelmente, o fará repensar toda a sua vida. Além de lhe trazer aquele indescritível mal estar que os melhores escritores nos trazem quando nos confrontam com o humano, demasiado humano (vide Nietzsche).
às 00:12 0 comentários Marcadores: Cultura
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
É Mensalão Tucano!
Fosse esse Tertuliano português, por azar não é, ele perguntaria:
- Mas por que o Mensalão de 2005 virou "Mensalão do PT" e o do tucanato empoado e plutocrata que desmontou o país, que movimentou quase R$ 54 milhões de reais - recorde brasileiro em corrupção, virou "Mensalão Mineiro" e não "Mensalão do PSDB" ou "Mensalão Tucano", que seria muito mais justo e lógico, posto que há precedente?
- Vai ver os mineiros todos foram cúmplices, daí extender a culpa a todo o povo com o gentílico.
- Ah tá.
às 14:27 3 comentários Marcadores: Política


