Chamar-me-ão (adoro mesóclise) de chauvinista, preconceituoso, machista impedernido e comedor de criancinhas. Pouco me importa. Mas a verdade é que deviam prender o irresponsável que contratou Milly Lacombe para comentar as partidas da Euro Copa pela tv Record.
Lacombe é abaixo da crítica. E sublinhe-se que crítica, dentro do aspecto "comentaristas de futebol", que é um universo assolado por ex-jogadores muitas vezes ignorantes e jornalistas idem, que crêem-se piamente doutores sobre um esporte simples (consiste em 22 sujeitos interessados que uma única bola não lhes vaze a meta, e por vezes muito mais em que esta mesma bola vaze a do adversário), dizia, sublinhe-se que crítica neste mundinho vem a ser algo extremamente raso.
O rol de comentáristas de tv aberta, composto por um Sérgio Noronha, deslumbrado por falar na Globo, sonolento e redundante em tudo que diz e, sobretudo, defensor escancarado dos falimentares clubes cariocas (só comenta jogos destes, o que nos faz pensar que desconhece o futebol que se joga fora do Rio, tendo, em 2005, dito que "o melhor futebol da Europa é jogado por brasileiros", uma burrice incrível). Composto por Neto, Caio e outros, que dizem aquilo que o torcedor é capaz de perceber por si só. Exceções honrosas: Falcão, quando não se embala no ufanismo de Galvão Bueno, e Mauro Betting.
Lacombe tenta dignificar sua qualidade de comentarista com bordões inócuos e repetitivos. Alguns, idiotas. Para Milly Lacombe, nesta Euro Copa, todos jogaram bem, mesmo os eliminados. Todos tinham o toque sulamericano, embora sejam europeus e visivelmente algumas seleções se debatam sem capacidade de jogar um futebol mais gingado.
Fosse apenas falar o óbvio ululante, Lacombe seria suportável. Se ela fosse do tipo que diz, após uma equipe abrir o marcador: "agora o adversário terá de correr atrás para empatar", e redundâncias do tipo, não comprometeria. Mas Lacombe prefere dizer, ao primeiro gol italiano, que "A França precisa de uma virada no placar psicológico" (no jogo França e Itália, onde os franceses jogaram praticamente todo o jogo com um a menos). What's porra is this? Virada no placar psicológico? Ou seja, para ganhar a partida e a classificação, na visão da iluminada comentarista, à França bastaria pensar: "Ok galera. Tá 2 a 1 pra gente! Vamo que vamo!"
Sua insistência em formar bordões é do tipo de situação que dá vergonha alheia. Quando o jogador se destaca, ele é o centro de gravidade do time. Por que ela não diz, "principal jogador"? Num jogo decisivo da primeira fase, ela soltou "que este é um jogo com requintes de crueldade de um mata-mata". A frase, dita uma vez, não amola. Mas repetida buzilhões de vezes irrita.
Outro exemplo foi a partida entre Rússia e Holanda. "É o confronto da criatura com a nave-mãe", ou asneira similar. Não dá pra dizer, "é o jogo entre o passe de qualidade tradicional na Holanda e uma Rússia que vem melhorando técnicamente". Ainda neste jogo, "A entrada de um garoto (Van Persie, acho) na Holanda é BIPOLAR. Pode dar muito certo ou dar muito errado''. Reação do meu irmão: "Puta merda, bipolar não. Ah não, vou sair daqui depois dessa, vai pra merda. Porra, que merda é essa, quem botou mulher pra comentar?''
No jogo de hoje, Espanha e Itália, ao início da prorrogação, "Nesse final de jogo, vale muito a emoção, a raça, a experiência, preparo físico, enfim, todas essas subjetividades". Como assim, "subjetividades"? É praticamente o que compõe um time de futebol, só faltou ela incluir na lista de subjetividades técnica e talento. Raça, emoção, preparo físico e experiência não são subjetividades, são elementos que compõe times, especialmente seleções e mais ainda as vitoriosas.
Além destes, e acreditem, muitos, mas muitos outros exemplos, Milly parece acreditar com toda a fé que as nações têm algum determinismo relacionado com o futebol. Holandeses serão sempre rápidos, ofensivos e criativos. Italianos fortes e competitivos. Alemães taticamente perfeitos. O que denota um estilo wikipedia de comentar e abre espaço para pérolas (outras) como: "É caracteristica desse time, os jogadores turcos já nascem com DNA defensivo''. DNA? De onde ela tirou isso?
A função dela é dizer como o jogo está. Se possível, perceber algo que o torcedor não consegue, porque é justamente isso, torcedor. Mas ela tenta embelezar, empolgar, com termos exóticos e bonitos só irritando quem assiste, que não está afim de ouvir "centro de gravidade" quando poderia ouvir, "camisa 10". Que não está afim de ouvir "zona de conforto", "expôr a jugular" e uma das mais doloridas: "A prorrogação abre um novo portal na dimensão futebol".
Milly Lacombe, vai ver novela, vai.
domingo, 22 de junho de 2008
Milly Lacombe - de doer os ovos
às 19:06 2 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia
terça-feira, 17 de junho de 2008
Frefox 3
Hoje foi lançado oficialmente a nova versão da rapozinha que, nas minhas primeiras impressões, está sensacional.
A nova versão me chama atenção por:
- absoluta convergência com os plugins já instalados.
- muito mais rápido.
- mais bonito.
Não conhece ainda? Aqui você descobre bons motivos para migrar para o Mozilla Firefox.
(Não. Este post não é uma propaganda. Seria inútil se o fosse. O Firefox é um software livre, e por definição, gratuito. Se agrada tanto é porque é mesmo muito bom)
às 17:45 2 comentários Marcadores: Atualidades, Tecnologia
domingo, 15 de junho de 2008
Cidadãos de bem a solta, cuidado!
O cidadão de bem, pagador de impostos e cumpridor de seus deveres votou "não" no referendo. Porque ele tem o direito à auto-defesa, pensou. Então comprou uma arma.
Mas o cidadão de bem se estressa com as vicissitudes da vida moderna, como acontece de ordinário com todos nós, e resolve se auto-defender da esposa, do cachorro, do vizinho, do motorista que o ultrapassou e do caixa do banco que lhe cobrou uma taxa desconhecida.
Medo. Muito medo.
sábado, 14 de junho de 2008
O homem que viveu 10 vezes enquanto todos nos esforçamos para viver uma
Dumas foi o sujeito que inventou alguns modos de produção – e de reprodução até – da cultura. Foi com ele que os folhetins se popularizaram, tornando-se “hits culturais”, numa época em que a desprezada reprodutividade técnica de Adorno ainda era quimera da mente criativa de um Julio Verne – por sinal contemporâneo e amigo de Dumas. Tanto é assim que ao escrever e verificar o sucesso de Os Três Mosqueteiros, teria dito: “descobri minha mina de ouro”. A constatação explica o surgimento de continuações com as personagens envelhecidas (Vinte Anos Depois e O Visconde de Bragelone - obra raríssima no Brasil, onde consta, num capítulo, a histório do Homem da Máscara de Ferro), a exemplo do que o cinema faz hoje para encher as burras. Cinema, aliás, que bebeu muito da sabedoria deste Dumas, pai. Suas obras serviram de embasamento para mais de 200 filmes em toda a história, o que aponta no quão certeiro foi este francês descendente de nobres e de negros haitianos ao compor suas histórias. É verdade que elas não vão no âmago das questões humanas como as agudas obras de Victor Hugo e Balzac, conterrâneos e contemporâneos de Alexandre pai, mas também é verdadeiro que Dumas escreveu para entreter. Seja em suas peças, seja em seus folhetins, a idéia era distrair, agradar, fazer rir. Em suma, contar histórias. Victor Hugo se declarou uma vez invejoso de Dumas. A popularidade e o carisma que queria alcançar pelo seu incontestável talento era concedida em generosas doses pela gente do mundo inteiro a Alexandre. Victor Hugo aconselhou Dumas a escrever para eternizar-se. Dumas ouviu, mas preferiu escrever para ganhar dinheiro. A escolha não fez de Dumas père o mais célebre dos escritores franceses, mas certamente o fez o mais lido. Os folhetins que Dumas inundou com suas aventuras e romances históricos provocaram vendas estratosféricas nos jornais em que iam publicados e trouxeram ao autor rendas igualmente astronômicas que este gastou impiedosamente, terminando a vida em 1871, em casa de seu filho, Alexandre Dumas, cognominado para afastar confusões desnecessárias, fils, com apenas um punhado de francos que, ao contar, verificou que constituíam a mesma quantia com a qual ele se aventurara em Paris mais de meio século antes. Dumas diz ao filho, “ora, ninguém pode me acusar de esbanjar dinheiro, eis que ao limiar da morte me vejo com precisamente a mesma quantia de 50 anos atrás, não lucrei, é verdade, mas também não dei prejuízo”. Além da admirável capacidade de contrair dívidas, Dumas pai tinha a de fermentar sonhos e de, em resumo, viver 10 vezes o que sofremos para viver uma. Sua vasta obra, 600 composições, entre artigos, peças e romances, somou 37 mil personagens. Números que sempre trouxeram à tona a questão de que: seria humanamente possível, em 50 anos, escrever tanto? Há quem diga que sim, entre eles Guy Endore, o biógrafo do primeiro parágrafo. E há quem diga, não. E há outros, que apoiando-se no meio termo, sustentam que o que Dumas fazia era racionalizar o tempo e seus recursos. Ele apenas se cercava de autores de menor expressão aos quais remunerava por pesquisas acerca das idéias que tinha. A estes, Dumas sempre chamou de colaboradores. É verdade que Dumas foi também acusado de plagio algumas vezes. E admitiu-as. Reconhecimento Dumas sempre sofreu um pouco por ser negro e escrever o que hoje diríamos literatura barata. Seria como comparar um Nobel como Saramago e um réles autor de novelas globais. Entretanto, estas questões não o impediram de ser um entusiasta da democracia num período onde a França não se decidia sobre monarquia, república, Bourbons e Bonapartes, duas classes de imbecis despóticos muito semelhantes. De qualquer forma, Dumas encontrou tempo para escrever um grande almanaque de cozinha, amar as mulheres mais cobiçadas do seu tempo, criar lendas, viver algumas, lutar pela unificação da Itália e trazer a “industrialização” para a cultura e, mais diretamente, para as letras. Dumas jamais foi parte da Academia Francesa de Letras, injustiça que seria reparada com a aceitação de seu filho anos mais tarde, também escritor.
A frase é uma adaptação da original do escritor norte-americano Guy Endore, autor de alguns romances/biografias, se é que o termo existe, sobre grandes mentes da história humana. Entre estas obras, “O Rei de Paris”, que com fatos fictícios, outros verdadeiros e alguns, segundo o autor, revisitados, busca contar a vida cheia de graça, glória, alegria, cultura, história, inteligência e peculiaridade de Alexandre Dumas père, o dito Rei de Paris, na época em que esta descobria os boulevards, a cultura, a efervescência política que só foi sossegar depois da Segunda Guerra Mundial.
às 20:35 0 comentários Marcadores: Cultura
sexta-feira, 13 de junho de 2008
sábado, 3 de maio de 2008
Julgamento da História
A continuar assim, o Brasil conquistando impressionantes progressos de ordem política, economica (sobretudo!) e social, a História fará de FHC um Café Filho, um Carlos Luz perante Lula.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Igualdade, fraternidade e liberdade
O trio de "dades" compõem o ideal da Revolução Francesa. Qualquer colegial sabe disso. Ou ao menos deveria saber, afinal.
Ocorre que lendo aqui, descobri uma reflexão interessante envolvendo o ideário gaulês que mudou o mundo a partir do fim do século XVIII. Ao passo que os Estados Unidos adotou a "liberdade" como tema, foco, diretriz central de sua evolução, de sua história - no que são absolutamente escusados pelo contexto, posto que foi por aqueles dias de sans-cullotes em Paris que Washington, o George, não a cidade, desobedeceu ao jugo britânico. Era questão de comodidade abraçar-se ao recém nascido ideal de liberdade de Rosseau. E à França coube agarrar-se à noção de "igualdade" - também rebenta de altas doses de fosfato consumido por Rousseau - e nós, brasileiros, nos esquecemos de nos ater a um dos proclames.
Nos EUA, a liberdade é o bem primeiro, principal e consubstâncial do cidadão e do próprio país, daí a desculpa sempre clássica em qualquer intervenção de caráter militar "estamos assegurando a liberdade". Na França, a noção de igualdade embala um regime democrático que tende sempre ao equilíbrio legal das diversas classes, de onde se entende a grande questão dos franceses que são as reformas. Sarkozy ou qualquer outro dos próximos mandatários, se não quiser ver um país quebrado, terá de organizar a previdência e as leis trabalhistas - mas como mexer nisso sem esbarrar a "igualdade" que embasa a idéia de democracia do francês?
No Brasil, aproveitando os raramente navegados mares da fortuna e do bom momento economico e social, que por hora visitamos, muito mais importante e decisivo que discutir a morte da Izabella - que a rigor é característico do efeito manada no jornalismo e, no fim das contas, é uma tragédia de foro intímo para a família, e não uma catarse nacional - devíamos é nos preparar para abraçar outra idéia ainda não tão visitada em âmbito nacional da Revolução Francesa: a fraternidade.
Um Brasil fraterno, com, por hora, boas chances de futuro, seria sim um país do, e de, futuro.
às 21:54 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia, Política
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
E agora?
A Veja denunciou os cartões coorporativos de altos funcionários do governo federal na onda de criar mais uma crise, na esteira do "caosaereo". Errou na estratégia. Tivesse olhado para as cercanias, teria visto que Serra, no mesmo período, fez mais despesas, hum, voluntariosas. E FHC, quem diria, que tem dois carros cedidos pela União, um Chevrolet Ômega e um Fiat Marea, tendo direito, via cartão coorporativo, a detonar 2 mil reais/mês em gasolina. Como é sabido, o distinto ex-presidente anda muito de carro.
Além disso, o digníssimo ex-presidente tem dois seguranças pagos pelos cofres públicos. E mais, que recebem diárias de 28 a 30 mil reais.
Impeachment neles.
às 12:14 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Tropa de Elite - eu não estou sozinho
Não sou o único a dizer do Tropa de Elite, fascismo.
Vê aqui.
às 21:18 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia
Relativizar é preciso
Se eu pudesse enumerar minhas qualidades, admitindo aí que eu as tenha, uma das que não faltariam deste inusitado índex, certamente, seria a de relativizar tudo. Por supuesto. Um exemplo fresco agora, ou factual como gostam os jornalistas, é a eleição, ou ainda, a campanha das prévias norte-americanas. Parece fugir aos olhos de todos os nossos abalizados analistas e nossos críveis meios de comunicação que, o que mais conta e importa é que, vejam só, postulam à honra de disputar às eleições de novembro - da nação mais importante do planeta, frise-se - uma mulher e um negro.
Me pergunto em quantos milênios de civilização teremos de suportar para ver semelhante rompimento de paradigmas.
Mas isso é o que eu pergunto à mim. E sem resposta. A nossa estulta mídia se preocupa em responder é quantos votos pra cá, quantos pra lá. Quem perde, quem vence, quem tem chance.
O que, convenhamos, é o básico.
às 15:08 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia, Política
sábado, 9 de fevereiro de 2008
O PARAJORNALISMO DECADENTE DA FOLHA E COMPANHIA ILIMITADA
Do inoxidável Luiz Carlos Azenha, sempre quis chamar alguém assim, e seu viomundo.com.br:
O PARAJORNALISMO DECADENTE DA FOLHA E COMPANHIA ILIMITADA
WASHINGTON - Lá vamos nós, de novo, para a espetacularização da política. Com dinheiro público. Quantas tapiocas vai custar a brincadeira? Será que os partidos não podem se reunir e criar um mecanismo nacional para garantir a transparência de todos os gastos? Aí o dinheiro da CPI pode ser usado para montar o banco de dados com informações não sigilosas de todos os governos. Mas não, vão arrastar a tapioca para dar entrevista. Vão levar a mesa de bilhar reformada para uma perícia no Congresso, com transmissão ao vivo pela Globonews e Record News.
O governo Lula é tão culpado pela situação quanto a mídia partidarizada. Não só pelos eventuais "erros" ou fraudes. Mas por ter se engajado nesse jogo político tosco e, ao fazer isso, ter adotado a tática de dar um passo atrás para depois dar outro passo atrás. E outro. E mais outro. Chegamos a tal ponto que uma reportagem isenta do Jornal Nacional é celebrada com foguetório. Quando a Folha de S. Paulo faz o que nunca deveria ter deixado de fazer, com atraso, ou seja, dar tratamento igual para iguais, é uma festa. O pessoal da Barão de Limeira está furioso: descobriu que está perdendo o monopólio da opinião.
Não caiu a ficha, ainda, de que o Brasil atravessa um período extraordinário numa conjuntura internacional politicamente favorável. E de que projetos de longo prazo dão certo, sim, mesmo quando a maioria dos brasileiros ainda tem complexo de inferioridade. Getúlio Vargas morreu um pouquinho por ter tido coragem de criar a Petrobrás. Posso estar enganado, mas acho que foi o governo Geisel o primeiro a investir na tecnologia de poços profundos. Ou seja, foram mais de 50 anos até que a empresa tivesse capacidade de encontrar - e no futuro extrair - o petróleo do campo de Tupi.
Tirando a Rússia, abarrotada de petróleo, bem armada e com uma população educada, nenhum país tem as oportunidades que o Brasil tem agora. Com os Estados Unidos enterrados no Iraque e no Afeganistão, a América Latina está "sobrando" para a expansão comercial brasileira. Já que precisamos de confirmação externa, vamos ao que dizem a Economist, o Financial Times e o New York Times, grosso modo: terra+água+sol+recursos minerais+alguns setores de ponta na economia+embrapa+petróleo+gás+nenhuma guerra civil (a não ser na internet)+Amazônia. Tudo isso numa conjuntura de escassez de comida, água, energia e recursos naturais.
Como incorporar a Amazônia ao Brasil sem destruí-la? Como evitar que ela seja internacionalizada? Como se preparar para defendê-la? Até onde permitir o avanço da fronteira agrícola? Como criar um polo de biotecnologia? Como aumentar o acesso à internet? O Brasil deve retomar o programa nuclear? Como aumentar os salários dos professores? Qual é a autonomia que se deve dar aos diretores de escolas públicas? Como financiar o SUS, que o Brasil criou em 1988 e os Estados Unidos só vão criar em 2009, se um democrata for eleito?
Esses são os temas que eu gostaria de ver deputados e senadores debatendo, com transmissão ao vivo por emissoras de rádio e televisão. É pedir muito? Eu ajudo a pagar o salário deles e, como brasileiro, concedi através do Estado o direito de explorar o ar à Globo, à Record e à Jovem Pan. Eu até acho que esses debates estão acontecendo, em algum lugar, mas a gente nem fica sabendo.
A nossa mídia é tão atrasada que nem naqueles cadernos supostamente "especiais", que acompanham os jornais de domingo, os assuntos que mencionei acima aparecem. É mais barato traduzir calhaus que sairam no Le Monde e no New York Times. Assim como é mais barato gastar com comentaristas enfezados do que com reportagem.
às 17:54 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia, Política
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
O doce ar da marginal
Ele está a minha espera toda manhã quando embarco no trem. Invade minhas narinas ainda entorpecidas pelas poucas horas de sono sem a menor cerimônia. Sua fragrância inconfundível toma de assalto todo o espaço tangível, lembrando que essa é uma conurbação para lá de mal planejada e mal sucedida, e que é bem possível que eu venha a encerrar meus dias no planeta, assim como tudo que hora vejo e conheço vá também embora sem que o doce ar da Marginal Pinheiros tenha se esquecido sequer de uma manhã de vir brindar o novo dia.
às 08:47 0 comentários Marcadores: Memórias
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Reminiscências sobre literatura em meio ao caos
O que é mais escasso aqui em São Paulo é tempo. Ao menos pra mim e para o batalhão que encontro, todos os dias - carnaval inclusive - a dormitar pelos bancos do metrô, o fio condutor da ininterrupta sucessão dos acontecimentos que nos acostumamos a chamar de "tempo" é algo fugidio. Em São Paulo, àqueles menos abonados e que ainda precisam provar algo, tempo é artigo de luxo.
E nesta escassez abandonei a leitura. Com muito custo logrei ainda concluir a leitura de "Cavaleiro Inexistente", nos poucos minutos que sobram, do italo-cubano, se é que podemos chamá-lo assim para garantir o trocadilho, Italo Calvino. O bom livro, vim a saber depois, é parte integrante da trilogia batizada "nossos antepassados", ou coisa que o valha. Embora triologia, os livros independem entre si e podem ser lidos separadamente. Compõem também o trio do pequeno compêndio: "O Visconde Partido ao Meio", que narra a história de um visconde que ao receber um canhoaço foi partido e que viu suas duas metades adquirirem personalidades absolutamente distintas e "O Barão nas Árvores", que conta por sua vez a anedota de um barão que resolveu ir viver no cimo de uma árvore. Ambos ainda não lidos. 
Mas o que conta é que "Cavaleiro Inexistente" teve um lado positivo: recuperou em mim as melhores disposições de espirito em relação a Calvino que vinham sensívelmente abaladas após a leitura de "Castelo dos Destinos Cruzados". A idéia, enquanto forma, é invejável: construir uma narrativa que se renove e que transcenda o ato de contar uma mesma história, ou ainda, uma vastidão delas num livro. E´, em essência a aplicação máxima daquilo que Calvino chamaria de "múltiplas possibilidades do narrável", contudo com um fim e um alcance muito inferior ao avassalador "Se um viajante numa noite de inverno", da mesma lavra. O "Castelo dos Destinos Cruzados" foi, à mim, uma leitura assaz aborrecida. Para que você conheça, de modo breve, era a idéia do livro histórias contadas pelas personagens mediante cartas de tarô. Estas cartas podiam ter inúmeras conotações e proporcionam intersecções nas histórias alheias.
Voltanto ao romance sobre o cavaleiro que tinha a inescapável faculdade de não existir, só se pode dizer que é a glória narrativa: criatividade, fluência, profundidade e irônia, todas elas, bem dispostas de maneira equilibrada e doce nas pouco mais de cem páginas do volume. Poderia ser melhor, talvez, se fosse mais extenso. Mas para isso teria de resolver, muito provavelmente, algumas das mais deliciosas questões sobre a personalidade de Agiulfo, o cavaleiro que não existia, e talvez ao fazê-lo acabasse por desmontar o encanto da história: a mordacidade de um mistério muito apropriado a uma história sensacional. Como tudo que é bom na vida, "Cavaleiro Inexistente" tem o tamanho certo. Nem mais, nem menos.
"As Benevolentes"
O livro tem um preciosismo insuperável - e invejável: pesquisar a fio e à exaustão a nomenclatura, os momentos, os contextos, as hierarquias para lá de herméticas e há muito esquecidas (fazem já mais de 60 anos!) do exército nazista, por mim, já merecia uns três Nobel. Fosse eu quem escrevesse a obra, faria uso da literatura preguiçosa, driblando todas essas minúcias por puro ócio. Sorte nossa que Jonathan Littell não é este Tertuliano. Fosse eu o francês e teria avacalhado com um promissor clássico: eu faria de "As Benevolentes", comparado já com "Guerra e Paz", mais um thriller a exemplo das centenas de Forsyth, Clancy, Ludlum e congêneres que abundam pelas estantes do mundo todo.
Ainda bem que eu sou eu, afinal. E se for para fazer um remoque à edição brasileira de "As Benevolentes", que seja o de estar muito mal resolvido o glossário e o sistema de notas remissivas para esclarecerem a enxurrada de termos técnicos que compõem a obra.
P.S.:
Não me leiam. Parem. Internet é a confluência das coisas, e um blogue incapaz de trazer fotos - fotos! - é mais um atestado de incompetência. Estou trabalhando nestas dificuldades técnicas nos meus 5 minutos livres nestes dias lépidos de, me parece, apenas 12 horas. Acredito que aqui a circunferência da Terra seja menor, daí os dias serem assim, tão rápidos.
às 09:40 0 comentários Marcadores: Cultura
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Amanhã? Que amanhã, meu caro?
Amanhãs existem na medida direta dos vossos sonhos. Sonhe e terás ali o seu amanhã. Contudo, nunca se esqueça, que na hora de fazer dele seu hoje, não será de sonho que precisará. Será da plena certeza de que o que é tangível na diferença do hoje e do amanhã, é o fato que ao surgir da aurora, o que era sonho, morre. E renasce na quimera abatida a pálida e túrgida realidade.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Paixões
Paixões, todas elas, da garota bonita ao escrever, no fundo existem para serem irrealizáveis enquanto isso que são, paixões. E, esta é a dimensão da paixão, sua impraticabilidade. A humana impraticabilidade de tudo que é bom e vale à pena fazer.
Viver é frustrar-se.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Quando Janeiro foi Abril
É muito estranho estar num prédio de 24 andares repleto de jornalistas.
Muito estranho.
P.S.: logo coloco fotos!
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Férias e tensão
São Paulo, caos, movimento, cansaço, saudade, oportunidades, tensão e crise.
E Curso Abril de Jornalismo no meio disso tudo.
às 17:55 0 comentários Marcadores: Memórias
domingo, 30 de dezembro de 2007
Folha Alerta: Venezuela domina a fronteira com o Brasil
Pare. Pare absolutamente tudo que estiver fazendo nesse momento. Se prepare. Depois do "Fantástico" ter mostrado dia desses como será a invasão militar venezuelana ao Brasil, a Folha, depois de meses de investigação, depois de estudos abalizados e extremamente aprofundados na conjuntura de equilíbrio de forças no continente, depois de consultar os mais gabaritados estrategistas militares deste e do outro tempo, vaticina: perdemos o controle da fronteira com a Venezuela.
A Venezuela, conforme se sabe, é uma das maiores potências militares do momento. Todo cuidado é pouco. Os belicosos vizinhos do norte dispõe da mais avançada tecnologia militar, sendo capazes de construir seu próprio armamento. E além disso, no frigir dos ovos, conforme se sabe, na hora de decidir a batalha, desde as Termópilas, vence aquele que tem mais soldados para empregar na peleja. E a Venezuela, oh meu Deus, estamos fadados a ser uma "colônia bolivariana", possui impressionantes, incríveis, esmagadores 21 milhões de pessoas, todas capazes de pegar em armas, evidentemente. Os 186 milhões que somos, conforme se sabe, jamais conseguiriam se impor a contento perante esses 21 milhões de carniceiros de sedes assíricas que são os venezuelanos.
Ou seja, se tem família, meu caro leitor, busque estar com ela. Estoquem víveres e se puder, peça já de antemão exílio no exterior. De repente na Rússia ou no Paquistão, depositários da tão defendida democracia da Folha e demais porcarias de análogo jaez.
A Folha diz que a presença militar venezuelana é "ostensiva". Ostensiva de 45 soldados para cobrir os 500 quilômetros que o fôlego da reportagem pôde acompanhar - "armados", garante o jornal, e nós, cá perguntamos onde é que já se viu soldado armado perto de fronteira? - mas ao que parece, os 45 soldados, seguramente dispostos a tudo e a encampar a vanguarda da invasão ao Brasil no front, que constituem a ameaça real de menos de um soldado por quilômetro, são o que basta para o jornal publicar a "anedota". Me recuso terminantemente a considerar isso uma reportagem.
Enfim, só que esquece a Folha que a fronteira entre Brasil e Venezuela é uma faixa de terra de 2199 quilômetros. Ao "analisar" apenas 500 quilômetros, a Folha ignora solenemente 88% da área de fronteira entre os dois países, ou em valores absolutos 1699 quilômetros de terra.
Ridículo.
às 00:14 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia, Política
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Vem comigo!
Goulart de Andrade vai sair do ar. Eu li aqui.
É curioso, mas no momento o que conta mesmo no circuito "informativo e objetivo" de Folha, UOL e congêneres é dizer que Glória Maria estará fora do Fantástico em 2008. Comparar Goulart e seu senso de reportagem e capacidade de aproveitar ao máximo pautas interessantes com a pieguisse e o padrão Globo de "relevância" representados pela anciã Glória Maria é uma desmedida crueldade.
Enquanto Glória Maria é pauta da Caras e congêneres, na interminável conjectura de quantos anos ela têm (meu palpite é que passam dos 70), Goulart não figura como uma "celebridade". Seu programa, com qualidade superior a esmagadora maioria das pautas da "revista eletrônica" (!) dominical da Globo, que vivia no ostracismo, agora, encerra as atividades.
Vou sentir falta do Goulart. Lembro de inúmeras reportagens bacanas. Teve uma que ele mostrou, antes da queda, evidentemente, as entranhas do World Trade Center em Nova Iorque. Recordo de quando, no mesmo estilo da visita às torres, ele mostrou a Catedral da Sé em São Paulo, ou ainda uma mais recente, o dia-a-dia a bordo de um submarino da Marinha do Brasil. A mais sensacional, no entanto, foi a dos trabalhadores que consertam quilômetros e quilômetros de linhas de metrô pelas madrugadas à fora em São Paulo.
Numa abordagem digna do refinamento e elegância de um Talese, o registro dos caras cortando trilhos de ferro maciço e substituindo-os madrugada a dentro marcou-me.
Mas nada vai suplantar a importância de saber, afinal, quantos anos terá Glória Maria?
às 21:44 0 comentários Marcadores: Atualidades, Mídia
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Patacoadas jornalísticas
Manchete da Gazeta do Povo, jornal do estado do Paraná, para amanhã:
"Estudo de ciclistas afirma que pedalar é mais barato que andar de ônibus e de táxi"
Séééééério???
E depois me aparece um recalcado pra dizer que editar é ficcionar.
Ainda bem que estou saindo da universidade. Não tenho mais fígado pralgumas coisas.
às 00:27 0 comentários Marcadores: Atualidades

