sexta-feira, 5 de março de 2010

MSN

Por que você ainda não tem tuíter?

Porque eu ainda tenho auto-estima.

Não entendi...

Porque eu não quero seguir ninguém. Quem segue não sabe onde ir, nem pra onde vai. E também não quero que me sigam. Quem segue ou quer ser seguido não tem auto-estima.

Mas e como você fica por dentro das coisas?

Eu não sei. Só sei que eu não vou participar dessa fofoca institucionalizada. Frugalidade e agilidade da informação, pode crer nisso com toda a fé do seu coração, não são qualidades e não são ítens de liquidez certa na nossa sociedade. A gente não precisa de mais informação, a gente precisa de mais entendimento.

E o formspring, qualé o problema?

Isso é coisa de menininha. Ainda lembro de cadernos cor-de-rosa da minha pré-adolescência, onde abundavam corações e florzinhas e que eram cheios de perguntas a serem respondidas. Continua coisa de menininha. E eu não sou menininha.

E o Orkut, por que você mantém o perfil?

Porque sou hipócrita.

quinta-feira, 4 de março de 2010

10 Capas de discos muito especiais

Não é nenhuma exclusividade a muleta de criar listas quando não se tem assunto para abastecer um blogue. Assim como capas de discos para tema dessas listas é algo que compete em pé de igualdade com o ato de caminhar pelo mérito de atividade humana mais antiga; nada de novo no front, e nada de novo no blogue, praticamente.

Mas como eu adoro dar vazão a clichês e me encher de chavões, embarco em mais esse. Cá, pois, menciono a minha lista de capas de discos que me dizem algo. Muitas vezes, dizem muito mais do que os próprios álbuns. As impressões que as capas me passam estão completamente descoladas do conteúdo fonográfico das obras e este foi o critério utilizado aqui nesta lista disposta em ordem alfabética de artista:

1- BB King - One Kind Favor



Disco de 2008, o último lançado do incomparável rei do blues. O disco não chega a ser genial, mas a foto, a paisagem e o ar de solidão do homem e Lucile, a guitarra, me inspiram uma sensação de poesia que sempre me faz ouvir o disco novamente.

2- Chris Eckman, Hugo Race & Chris Brokaw - Dirtmusic



Chris Eckman é um obscuro músico norte-americano que conheci algumas interessantes colaborações - uma delas, inclusive, no álbum 9 dessa lista. Foi vocalista do também desconhecido The Walkabouts, mora na Sérvia e tem um disco em português, posto que ele morou em Portugal. Chris Eckman é bizarro. Dono de um vocal grave e soturno e de discos solo muito interessantes no aspecto experimental, é um sujeito que costumo ouvir com certa frequência. Desconheço os outros dois rapazes deste disco. A capa e a composição de desolação combinam muito com o conteúdo do álbum, só que vai além. A imagem, ouso dizer, fala mais que as faixas do disco, que valem bem serem ouvidas.

3- Johnny Cash - American Recordings



Johnny Cash é muito bem provido de capas impactantes, o que se reflete nesta lista, onde escolhi duas. A primeira é a capa do primeiro álbum da série American Recordings, que veio a se findar há poucos dias com o lançamento do segundo álbum inédito e póstumo do homem de preto, "Ain't No Grave". A capa faz com que Cash pareça com um profeta, o que é corroborado pelo tom sombrio que sua voz grave soa pelas canções do disco.

4- Johnny Cash - The Legend Of



Trata-se de uma coletânea. Mas é uma coletânea que qualquer um devia ter porque consta nela algumas das melhores, não todas, das canções um dia já desbravadas pela voz de Cash. E mais que o conteúdo do disco, compensa tê-lo pela capa: uma foto que diz tudo. Lançado dois anos depois da morte de Johnny, a cena do homem e seu violão seguindo um caminho traz bem a dimensão de rumo, de finitude de alguém que já não caminha pelas mesmas veredas que nós, pobres mortais.

5- Mike Johnson - I Feel Alright


Mike Johnson e sua estonteante popularidade já foi tema deste blogue. Este álbum de 1998 não chega a ser meu preferido do anasalado guitarrista norte-americano, embora conste entre eles. Gosto do disco, que pelo conteúdo que é muito bom, mas mais pela capa. A foto relacionada com o título do álbum constrói uma ironia suave e impactante, a um só tempo. Por outro lado, a suavidade da ironia parece sumir perante a composição da capa que parece gritar "isso aqui não é pra pessoas felizes. É só para os raros, só para os raros!" (vide Herman Hesse).

6- Mark Lanegan - Whiskey For The Holy Ghost



Longe de ser meu preferido entre os excelentes discos da carreira de Lanegan. Longe disso, acho até que é o que eu menos gosto. Mas não importa. A capa pode ser usada como um resumo de Lanegan e sua carreira: o uísque e o cigarro, consumidos em doses industriais e que lhe moldaram a voz rouca e soturna que ao soar nas canções mais sóbrias nos remetem justamente a memórias desagradáveis afogadas em uísque e sufocadas nas baforadas túrgidas do cigarro. A própria oferta de um gole de uísque para o Espírito Santo dá uma referência do teor dos trabalhos solos de Lanegan, onde figuram algumas presenças religiosas, como na canção "Pendulum". A Bíblia também compõe esta imagem que remete às canções com teor próximo a religião nos seus primeiros discos solo e nas suas recentes colaborações com o Soulsavers, uma espécie de gospel-indie-eletrônico da Inglaterra e que é muito bom.

7- Moby - Wait For Me


Moby é muito legal. Já ouvi mais, mas ainda gosto do som e, sobretudo, da postura do artista perante problemas globais que estão longe de ser apenas charme. Moby faz coisas, não fica apenas falando delas para ser cool e cult. Wait For Me é o disco mais recente, tendo sido lançado no ano passado. O conteúdo das faixas não foge muito do que sempre foi o trabalho do músico nova iorquino, mas a capa é simples e inteligente ao mesmo tempo. E foi desenhada de próprio punho por Moby.

8- Sigur Rós - Takk


A lista dessas capas foi norteada principalmente pela imagem. A capa. Não o conteúdo dos discos. Mas não estou bem certo se consegui ser criterioso nesta escolha. Takk, de 2005, é meu trabalho preferido do grupo islandês de pós-rock especializado em cristalizar sentimentos incrívelmente densos em melodias profundas e em um idioma para lá de incompreensível. Imagem por imagem, talvez, o mais justo seria classificar o último álbum do conjunto, que possui essa capa aqui, com rapazes nus correndo. Uma pouca vergonha. De qualquer forma, a capa de Takk, rabiscada em papelão praticamente, com a silhueta de uma criança diz muito sobre o conteúdo do disco, sobretudo da canção Hoppipolla, dona de um dos clipes mais belos que eu já vi.

9- Willard Grant Conspiracy - Regard The End

 

10- Willard Grant Conspiracy - There But For The Grace of God

  
Willard Grant Conspiracy é uma mistura de banda com coletivo. Não sei definir direito o som dos rapazes, que caminha entre o country alternativo e passa por outras coisas, como blues, gospel, música americana, e o que mais couber - rotulá-los talvez seja uma grande burrice, afinal, mesmo a mim tão dado a elas. Eles usam guitarra, violino, violão, banjo, tudo, e o vocal de barítono do único integrante fixo, o barrigudinho e simpático Robert Fisher - não faço a menor ideia de onde veio o nome e quem diabos é Willard Grant (o sucessor do Lincoln na presidência dos EUA era Ulysses Grant, e todos queremos saber quem está enterrado no seu túmulo, pergunta inaugurada pelo Pica-pau em tempos imemoriais, mas que não nos ajuda a entender quem dá nome ao coletivo e qual é a conspiração). O que conta é que o grupo/banda/coletivo é dono de um talento impressionante e lamento que sejam pouco conhecidos. Muitas vezes quando ouço WGC tenho a sensação de que eles poderiam salvar o mundo. Com suas músicas ou com a simplicidade espartana das capas dos discos, Regard The End (junto com Let It Roll os dois melhores trabalhos até aqui) e There But For The Grace of God (este não tão bom como os outros dois mencionados, mas ainda assim um material da melhor qualidade). Todos os álbuns passam a impressão de que são naturais, simples, sem pirotecnia, assim como os dois casos que finalizam esta lista de 10 mais.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Rádio: Elvis Presley - Trying to Get You

Nada melhor para embalar a nostalgia do que Elvis Presley na sua melhor forma:

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Rádio: Willard Grant Conspiracy - The Suffering Song

Esta nem de longe é minha canção preferida da banda/grupo/coletivo capitaneado por Robert Fisher, e conhecido como Willard Grant Conspiracy. Mas pelo fato de o YouTube não dispor de uma biblioteca muito repleta, resignado, recomendo esta para o deleite de vós:

Dignidade

Como vão as coisas?

Sobrevivendo, meu querido... tô usando medicação para refrear a calvície, cara minha dignidade se esvai nas gotas que esparramo pelas portentosas entradas da minha já nem tão vasta cabeleira.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A hora de ter um hobbie

Eu nunca tive um hobbie e jamais parei para pensar nisso como uma contingência, algo que precisasse ser resolvido. Por outro lado, sempre conservei à minha volta traços e interesses difusos que, sob determinadas condições, poderiam resultar em hobbies: sempre gostei de cavalgar em regiões ermas, considero que o violino produz o que mais perto podemos chegar do som da alma e adoraria sair velejando o mundo sem destino e pressa alguma.

Cada uma dessas afeições poderia converter-se em hobbies. O que, aliás, seria algo interessante de observar numa criatura tão indolente como eu. Nunca tive nenhum deles, seriam coisas para o futuro distante, quem sabe no ocaso da vida, onde me sobre tempo e espírito, eu me veja capaz de dedicar essas duas porções de mim na conservação de um hábito prazeiroso, que nós damos o nome de hobbie, seja praticando o violino, aprendendo a velejar, ou mantendo um sítio ou chácara, com árvores, campinas e animais. E internet.

Hoje eu não posso dizer que adquiri um hobbie, mas posso, ao menos eleger um novo e sério candidato para o posto - e isso muito antes dos anos de outono da minha vida. Falo de cosmologia, olhar para o céu noturno e contemplar a magnificência do cosmo que nos cerca. Mais que um hobbie, suponho que descobri uma vocação, tardia, de astrônomo, físico, cosmólogo, enfim, áreas que se debruçam a compreender e esmiuçar o universo que nos cerca.

Como primeiro passo na instituição desse lazer, declaro que tentarei construir um pequeno telescópio. Não é assim uma meta tão ousada, há explicações na internet sobre como fazê-lo e, diabos, Galileu foi capaz de sozinho construir um sem internet e espelhos perfeitamente planos no século XVI, com o qual quase acabou incinerado pela piedosa e iluminada Igreja Católica, para quem o homem veio do barro, a Terra é plana e sustentada por colunas e onde Deus teria criado o Sol depois das plantas. Enfim. Na verdade, a atividade de construção do telescópio demanda de miolos, eu os tenho, interesse, não me falta, dedicação, estamos por nos encontrar, e alguma verba para custeio dos instrumentos, que as há ainda nas burras. Na pior das hipóteses eu desisto e me conformo com as fotos do Hubble.

Rádio: Johnny Cash - Ain't No Grave

O novo disco póstumo do homem de preto, festejado por mim quando anunciado em dezembro para esta semana que marca o aniversário de Cash, vazou. Em decorrência disso pode ser baixado na internet, coisa que fiz, e portanto posso afiançar-vos, caros leitores, que Cash continua supremamente bom em combinar voz, violão, arranjos pertinentes e alguma sobriedade nas composições. Destaques para "Ain't No Grave", a faixa que batiza a compilação, e "For The Good Times", que eu ainda acho melhor com Elvis Presley - mas aí são estilos diferentes e a de Cash não fica a dever em nada a do Rei.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Regime

Adotei uma dieta rigorosa
cortei as carnes
aboli o alcool
dei fim a vida gulosa,
disse não ao açucar.
Vivi de alface.
Cortei o que nem comecei.


Em uma semana perdi 7 dias.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Poesia Quântica

A poesia é minha nova ciência
é a fronteira quântica das minhas palavras
a poesia é apoesia na medida da minha consciência
é o sentimento derivado das minhas estrofes escravas.

Não contem para o Boris

Nas estripulias que estão na ordem do dia, afinal, é carnaval, encontrei essa fotografia:


Dilma Rousseff, séria candidata a presidência, dançando com um gari na Sapucaí na noite de ontem, í. Se Boris Casoy ver isso, uma das primeiras personagens da República dançando com um dos "representantes da escala mais baixa do trabalho", nas palavras do terrorista de direita e reacionário ex-caçador de comunistas, provavelmente cometerá um haraquiri - quanto í - o que estará bem longe de desagradar as massas e ser uma grande perda, afinal de contas.

Evangelhos Segundo José Saramago

O bom português:

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Dinastias e democracias

Uma notícia menor chamou-me a atenção. Foi como o cheiro que norteia o rumo do sabujo. A nota refere-se ao anúncio de que o deputado Patrick Kennedy, filho do senador Ted Kennedy morto em agosto de 2009, resolveu retirar-se da vida pública, não se candidatando nas eleições parlamentares que se avizinham, e não dará, portanto, continuidade à marcante família Kennedy, que nos últimos 60 anos esteve visceralmente envolvida com os rumos dos EUA e, por força disso, naturalmente, com os do próprio mundo.

Os Kennedy foram do senado a presidência, com John Fitzgerald Kennedy, que acabou assassinado em praça pública. Tiveram personagens menos conhecidas também, mas de marcante relevância na história, como o Procurador Geral Robert Francis Kennedy, irmão do presidente JFK e que teve destacado papel na consolidação dos direitos civis nas refregas e escaramuças que animaram os anos 1960, e que foi assassinado em 1968 depois de ter vencido as prévias californianas. Marcadamente liberais e democratas - sem levar aqui o termo liberal pelo mau conceito que lhe anda muito em voga - os Kennedy são um tanto quanto icônicos no que tange a política norte-americana e o Partido Democrata. É difícil considerar até que ponto os Kennedy deixarão saudade, porque não vivo nos EUA e me faltam informações para tanto. O homem é corruptível, todos nós sabemos. Quiçá as famílias. E nem mesmo posso dizer se um dia voltarão, porque embora saima de cena agora, a centelha de, na melhor definição que existe de política, "fazer cagada e contar sorrindo aos outros como isso é gostoso" deve estar impregnada na cepa de genes que se distribuem pelos Kennedy, e não seria difícil vê-los voltar.

Mas o que surpreende é que a dinastia acaba, ao menos por hora, tendo durado 60 anos. Em paralelo, a lamentar-se que no caso brasileiro, Sarney e sua jagunçada se desdobram pela política brasileira há uns bem lamentáveis 70 anos. Cada um, enfim, tem a democracia e, mãe dos contrasensos, a dinastia que merece.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Intangibilidade de sábado

Inúmeras coisas são intangíveis na vida da gente. Nosso primeiro sorriso quando crianças, a primeira dor, a lembrança do primeiro amor e da última decepção. Coisas bonitas e profundas podem e, normalmente, são intangíveis, embora algumas delas tenham mais densidade que o próprio chumbo, o que dá pano para manga para deliciosas e incompreensíveis analogias com a física quântica, posto tamanho contraste como é o caso.

Embora a tentação de embarcar na seara da ciência restritiva ao entendimento da ignorância calada das multidões - eu incluso - resistirei galhardamente, porque não era esse o objetivo do breve texto que por aqui se desenrola, perdido como eu estava ainda há pouco lendo Laurence Sterne: nunca vi tanta palavra e ideia bonita junta, nunca me encontrei tão perdido lendo tanta coisa interessante ao mesmo tempo. Corria pra lá e pra cá entre conceitos, regressões e digressões, perdido, como fazia, aliás, no tempo em que jogava futebol. Corria desesperadamente atrás da bola sendo quase que sempre bastante mal sucedido em reavê-la do adversário ou conduzi-la, quando calhava de ela parar nos meus desastrados pés.

Dizia eu qualquer coisa sobre a porção de sentidos e memórias intangíveis que compõem a nossa vida. E antes da digressão, diria que dentre essas coisas marcadas pela tênue memória eletroquímica distribuídas nas sinapses do cérebro, ainda que densas como o chumbo que reveste coisas impenetráveis às estripulias atômicas, existem belas e más recordações. Bons e maus momentos, porque é da distribuição mais ou menos caótica desses dois inversos que perfazem, no fim das contas, o que definimos como vida.

Uma coisa ruim é, por exemplo, na morosidade do sábado pela tarde resolver ouvir música. Algo calmo, que combine com humores presentes e passados, e aspirações futuras. Algo que sintonize com o sol tímido lá de fora, que caminhe na toada do sábado que se desdobra vagarosamente logo ali fora. Você escolhe o que quer ouvir mediante essas calibragens. Digamos que seja Willard Grant Conspiracy.

Vai tudo bem. Até que - sempre tem um "até que" - seu vizinho, incrívelmente desligado da realidade que o cerca, tanto como de alguns padrões estéticos, resolve que não há trilha sonora melhor para o sábado sobejadamente descrito linhas atrás como sonoros, repetitivos, rasos e lamentáveis grandes e menores sucessos do pagode e do sertanejo universitário. E tudo no mais alto volume que o aparelho de som for capaz de defecar e regurgitar pela vizinhança. São dois dos maiores flagelos contemporâneos da humanidade, pagode e sertanejo, que vicejaram nesse mundo do intercâmbio fácil e comôdo de arquivos e de mídias cada vez mais convenientes, o que só nos prova que até mesmo avanços sensíveis da humanidade, como é o caso dos arquivos intercambiáveis, das mídias mais eficientes, têm em si algo de ruim, nada pode ser perfeito, não há o que dê jeito nesse marco regulador do universo. A vastidão quase que oceânica da internet, no fim das contas, veio trazer no bojo de suas vagas algo de ruim.

O que nos faz encerrar essa croniqueta com o agourento remate de que no meio de tanta coisa intangível e boa que nos faz humanos, há espaço para uma raiva descomunal, intangível e densa, que nos faz um pouco bestas.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Escatologias 2

Vou lamber gotas de bactericidas.
Jantar de equimose
Vou beber o pus das minhas feridas,
Vou coagular misérias
E gozar espermicidas.
Na sobremesa, cisticercose.
Vou defecar pelas orelhas,
enquanto trato da overdose.
Quero, no fim, exalar nuvens de bactérias
Me encontrar em meio ao lixo
chafurdando atrás da minha saudosa fimose.

Escatologias 1

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Escaramuças

Nada mais me importa desse coração latino.
De todo o poema, só resta desatino.
É hora de abrir a janela, desvendar o destino...
e sair caminhando nas nuvens em busca de um sonho peregrino.

* E de poemas melhores.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Rádio: Nevilton - Pressuposto

Eles são tudo que o rock nacional deveria e poderia ser. E são muito loucos e legais, além de bons camaradas. Possuem uma estranha fixação por conhaque. Por força de tantos e tamanhos atributos, lhes recomendo que baixem o EP do trio de Umuarama, homônimo a canção que ilustra este post e que pode ser encontrado aqui. Trio que chama-se Nevilton e que por hora caminha pelas ruas, canais e águas espraiadas da Paulicéia Desvairada, logo ali, entre a Augusta, esquina com Peixoto Gomide - encontro ainda não celebrado no cancioneiro nacional como o encontro da Ipiranga com a São João, mas é tudo questão de tempo. Ao ouvirem, meus caros, o extended play, que é, não diga, a expressão donde vem o EP, não deixem de prestar atenção em "O Morno", eleita irrevogávelmente a melhor canção do disco por este que vos bloga.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Haiti

O desastre que assola o Haiti, ou melhor, a acumulação deles, das mais diversas naturezas, político, humano, econômico, social, e agora sísmico e todas os seus desdobramentos que vão complicando ainda mais os desastres que o precediam, só nos comprova uma coisa:

"Miséria pouca é bobagem".

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Aforismos - Considerações inquietantes da natureza dos relacionamentos

O primeiro amor é o triunfo da imaginação sobre a inteligência, conforme nos diz H. L. Mencken, que sabia proverbialmente das coisas e seu maior defeito foi ter morrido cedo demais, antes que pudessemos todos nos embriagar das suas ponderações. E o segundo amor e os que mais você tiver o desazo de cometer são outras vitórias. São, em todos os casos e sem exceção conhecida e prevista, o triunfo da esperança sobre a experiência.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O pálido ponto azul

Ultimamente tenho assistido a série Cosmos, idealizada, apresentada e escrita por Carl Sagan. Os documentários nos colocam no devido lugar: nos dão noção da nossa insignificância perante o que nos cerca, nos trazem uma perspectiva impressionante de um mundo incidental, da vida por acaso químico, do espaço indiferente a nossa condição humana. Cosmos é ciência, é difusão do conhecimento, é filosofia e um pouco de poesia, porque Carl Sagan tinha uma veia para a palavra escrita que o fez, além de cientista de carreira para lá de produtiva, um autor respeitadíssimo e a qualidade do texto adaptado de sua obra está presente em cada episódio de Cosmos.

E o vídeo que segue, embalado por Mogwai, embora não conste em Cosmos, dá uma boa noção da série, do texto de Sagan e, para muito além disso, de nós mesmos:

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vivendo num palíndromo

Palíndromos são palavras ou frases que podem ser lidas em qualquer sentido, tanto na leitura normal, esquerda para a direita, como o contrário, que ainda assim terão o mesmo sentido. Caso clássico de "Socorram-me! Subi no ônibus em Marrocos", que é o maior palíndromo da língua portuguesa.

E por que falar em palíndromos? Simples, meus caros, caso ainda não tenham percebido, hoje, vivemos em um: 01022010!

Sinistro.