sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Plantar um livro, ter a árvore e escrever o filho

Gostaria de anunciar aos meus oito leitores que estou depurando meu lastimável conteúdo, se é que tenho, de modo a separar o joiô da bosta e poder, enfim, publicar mais um livro, que não há de fazer mal a ninguém.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Rádio: Cartola - Preciso me Encontrar

Rir pra não chorar:

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Rádio: Buffalo Springfield - For What's Worth

Ninguém está certo se todo mundo está errado:

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Poeminha da diretriz

Eu vou tomar o rumo
descer pelas estradas
atrás de paz e um pouco de certezas
eu vou de peito aberto às geadas
e cabeça fechada às belezas.

Poesia euclidiana

Eu vou sobrepor no peito
uma nova geometria euclidiana
e vou derivar sentimentos ortogonais
às minhas razões sem arestas
e desenhar polígonos com Quintana
cheio de catetos proporcionais
nos prolongamentos agudos
das minhas dimensões irracionais.
Dos meus vértices traço novas veredas
esterço no peito os limites das superfícies
vivo num ângulo oblíquo atrás do conflito
de duas paralelas que se acham antes do infinito

Perpendicular a tudo vou medindo
tangente ao real e às convenções,
sou o impossível euclidiano
frente ao passado que se turva
os pontos que se medem, as linhas que vergam
dois pontos distintos que definem uma curva.

Vou me exilar

Hipócritas de todas as cores rodam a baiana e sobem nas tamancas por conta do Estado brasileiro firmar relações diplomáticas com o Estado iraniano. E, ao mesmo tempo, querem fazer do Brasil um império fundamentalista da Opus Dei. Estamos fodidos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Rádio: Bill Callahan - Jim Cain

Lembra demais, até no timbre de voz, Willard Grant Conspiracy. E é tão bom quanto:

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O dia em que cresci

Mulheres. Assunto espinhoso. Dava para compor um novo blogue, uma antologia, uma enciclopédia e muito mais material condensando algumas observações e ponderações que tenho a fazer sobre o coletivo das mulheres. Não sobre uma em específico, mas todas elas. Aforismos e lições colhidas ao longo de 25 anos nem sempre muito bem vividos.

Não vou longe, no entanto, porque dita o bom senso na internet que postagens sejam breves. Sobre as mulheres, das muitas verdades que se sabe sobre o tema, uma das inescapáveis é a de que chega um momento na vida em que, respirando fundo, você, sobranceiro, pode afiançar para seus pares que, com todo orgulho, depois de muito sangue, suor e lágrimas investidos, sim, você sabe alguma coisa sobre elas. E, via de regra, passa pouco tempo e você percebe que, não, não sabia porra nenhuma.

Quando você era adolescente, crescia e se derretia por ebulição hormonal ao vê-las, elas sabiam. Quando se apaixonava e não sabia o que fazer sobre, elas sabiam. Quando olhava, elas sabiam. Quando estava nervoso, tímido, elas sabiam. As mulheres desde cedo se vestem privilegiando as curvas, os volumes. Elas se exibiam. A mais gostosa do colégio sabe que é a mais gostosa. Percebe rapidamente que tem um equipamento que a distingue das demais, que a faz cobiçada. Elas provocam, seduzem e instigam unica e exclusivamente pelo gosto de se sentirem desejadas. É um imperativo biológico assustador. E cruel, porque não tem jeito, elas não vão dar. E que persiste por toda a vida. Talvez não toda, mas eu não entendo nada de menopausa. Ainda.

Dada certa altura da vida você se dá conta que mulheres são fáceis. São seres confusos, comandados por instintos de auto-preservação cruéis, manipuladores e profundamente egoístas. Você percebe, com todo o contexto, que elas sempre foram assim. Enquanto você saía para encher a cara, ver futebol ou conversar sobre assuntos correlatos com os camaradas, as mulheres consumiam o tempo e o fosfato pensando em você, avaliando, calculando, definindo, projetando. Amadurecendo. A grande lição da dita guerra dos sexos é perceber, que elas sempre estão um passo à frente e que o homem se resume numa desesperada e inócua tentativa de empate.

No fim das contas nunca importava o que decidiam, planejavam, calculavam ou definiam, coisa que o tempo também ensina. Aliás, são sempre as mulheres que decidem as coisas. O mito de sexo frágil, de que pequenas mulheres inofensivas e assustadas caminham pela Terra em busca do amor e do príncipe encantado é, desde sempre, uma enorme mentira, o embuste da humanidade, criado por grandes, destemidas, poderosas e cruéis mulheres que, secretamente, governam o mundo.

Pouco importa, dizia, o que vinham a planejar, decidir ou fazer as mulheres. No fim das contas, a gente acabava sempre abandonado, esquecido, amargurado, num pântano, atolados aos pescoços num lodaçal de solidão, rancor, ressentimento, poesias e porres homéricos.

P.S.: Poesias no meu caso (embora, como se saiba, eu esteja longe de me presumir poeta), que sempre foi outro mal costume que adquiri muito cedo na vida, como dormir tarde, beber café e gostar de Elvis Presley.

sábado, 9 de outubro de 2010

Rádio: Mark Lanegan - Field Songs

"I spent my days loving you...

 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Rádio: The Rolling Stones - You Got Me Rocking

Eles são melhores que os Beatles.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Nada demais

Eu me lembro
porque eu sonho
eu me esqueço
porque eu acordo
Eu sou porque eu mereço
eu vivo porque me transbordo

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

20% de deslumbrados mal informados

Eu me pergunto se o pessoal "cool", moderinho e descolado, que votou em Marina Silva sabe que ela crê que o mundo e o cosmos veio de seis dias de trabalho de deus. Se sabem que ela é contra a pesquisa com células-tronco e que três projetos que estão na câmara, todos contra o aborto, são de autoria de deputados do PV.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Para não dizer que parei

Vou-me
dar
um
poema
ruim
e sem
tema
com 
uma
palavra
por
verso
e
toneladas
de
confissões
de
que
esperto
faço
teorema

Aforismos - Vida saudável

Em ordem absolutamente proporcional, tenho notado que tanto quanto mais eu fico saudável, maior vai me ficando o interesse por comida gordurosa, alcool e relacionamento sério. Todas coisas que fazem mal.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Não tem jeito

E, pensando no assunto agora, de fato, parece que Saramago morreu mesmo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Plínio, o senhor bizarro

Que o vociferante octagenário, dado a delírios e arroubos de um tempo que desmoronou nos muros que segregavam as Alemanhas, se converta em voto de protesto de quem cansou, eu compreendo. Deboche é uma forma muito sagaz e meritória de protesto. É aquela que, no caso dos pleitos, chama ainda mais desgraças sobre a cabeça de todos em puro desespero de causa, patrocinado pelo fastio do vazio das ideias, a morte das ideologias e dos candidatos pasteurizados. De todo coração, é compreensível. Num mundo onde começa a chover bosta, pode-se sim de tudo.

O que não dá para entender é quem encontre mérito nos delírios ululantes do cidadão que, arvora para si, a glória de ser o campeão das esquerdas, único e pleno candidado capaz e competente de mudar qualquer coisa por aí que não esteja nos trilhos. Ou que se esteja no trilho das minorias muito bem ajambradas dessa terra ensolarada, tratar de descarilá-las.

Filho de barão do café, formado em Direito pela, sobretudo naqueles tempo, restrita Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Plínio é o candidato que brande o orgulho proletário, sem nunca tê-lo sido. É o cidadão que jura que difere-se dos outros, que tem pavor das doutrinas neoliberais, mas que foi secretário do Banco Interamericano de Desenvolvimento. É o sujeito de delírios socialistas extremos, o anti-burguês (vai hífen nisso?) por excelência, e que tem o maior patrimônio declarado entre todos os outros candidatos à presidência: 2,1 milhões de reais. É o que adora pregar na testa dos outros a pecha de capitalista e burguês, fazendo isso esgrimindo uma arrogância extremamente mordaz, como se fosse ele o árbitro que regula os rótulos de todos, esquecendo do seu telhado de vidro.

Plínio não se desfaz do seu quinhão da capitalismo - queremos crer, todos sacáveis e aplicáveis nas melhores casas do ramo - um contraste bastante curioso em face às espartanas convicções que advoga e à campanha que mobiliza. É o líder das esquerdas, o depositário de todas as tradições socialistas, devidamente incrustado na redoma milionária, sua humilde casa, donde observa o mundo e traça planos de todo poder aos proletários, que ele parece ter conhecido à mesma distância daqueles que, mais uma vez, faz questão de rotular. Plínio de Arruda Sampaio, roam-se seus sequazes, é tão burguês como José Serra. E não há o que dizer sobre isso.

Sou mais um proletário de fato de que um proletário wanna-be.

A mim as incongruências de análise e de proposição são, no máximo, furibundas. Plínio não pode nada não porque não será eleito. Não pode nada porque está no tempo e espaço errados, no contexto onde seus devaneios já não falam mais à ninguém. Não pode porque discursa para meia-dúzia de românticos, que suspiram ao lembrar da Cortina de Ferro e a quem Stalin não era tão mal sujeito assim. Àqueles que liberdade de imprensa e de expressão são conceitos diferentes - e ainda, assim passíveis de interpretação, conforme agradar. Plínio é candidato de uma gente facilmente conquistável com o deboche e a necessidade de rupturas, de quem canalisa energia demais achando que o mérito das coisas está no quão inovadoras e diferentes possam ser, sem necessariamente serem boas. Plínio é uma besta, joga para a torcida, conquista aí seu espaço e nisso, tiremos o chapéu, porque o ancião se mostra bastante competente.

Plínio, no fim das contas, é só um burguês que mora num apartamento de milionário, e que tem aplicação de 1,7 milhão de reais no Credit Suisse (banco suíço. A Suíça, como se sabe, é execrada por todos os socialistas que se prezem) e que virou político por falta de quê fazer. Foi chefe da Casa Civil de Carvalho Pinto, governador de São Paulo no começo da década de 1960, uma espécie de Alckmin ainda mais conservador. Plínio, com idas e vindas, pulou o muro, descambou para a esquerda ainda nos anos 1960 e nunca mais acordou. O mundo girou e hoje ele é candidato que caiu do céu em um partido irrisório, que apesar de toda a coqueluche no Twitter, sofre para somar 1% nas pesquisas.

Plínio é só um chuvisco de risadas e de protesto vazio e inocente, caído do céu onde ele, ex-democrata-cristão, crê que habita um deus. Plínio só prova que nem tudo que cai do céu é anjo. Nesses doidos e doídos tempos que correm, tudo que das excelsas atitudes calha em descer, como tem se visto, é bosta.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O rúgbi brasileiro assombra o mundo

Publicidade bem feita não é exatamente coisa que se veja todos os dias, portanto, nada mais justo que indicar três peças absolutamente geniais:

   
Mais um:
   
E outro:

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Berlusconi, o conselheiro amoroso

Berlusconi, premiê italiano é uma figuraça. Um escroque de marca maior, um grandíssimo filho-da-puta, um bon vivant na política, dirão. E estarão todos certos. Berlusconi é uma canalha. Escroto, não há dúvidas, mas é um mafioso à moda antiga, daqueles que em bons filmes do gênero nos arrancam simpatias envergonhadas. E Berlusconi, com todos esses méritos e deméritos, se enraizou no poder pelos lados da Bota.

E hoje pinga no rss que o diguiníssimo chefe de governo italiano declarou que as jovens mulheres deveriam procurar homens ricos como ele, como via para se atingir à felicidade.

Se por lá estivesse, tascaria-lhe um tapinha nas costas e diria "elas já fazem isso, meu campeão".

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sobrevivamos

Um cidadão estatelou-se do 39º andar em Nova Iorque. E sobreviveu. Ainda não se sabe se o sujeito caiu ou deixou-se de lá cair, embora a segunda hipótese demonstre-se bastante mais fiável, tendo-se em vista que o rapaz tomou o cuidado de registrar em seu perfil no Facebook que "minha vida acabou".

Salvo escoriações, colapso pulmonar, calcanhar esmigalhado e outras tristezas de menor monta, o rapaz sobreviveu e, até onde vão os informes, goza de estável condição em algum hospital da cidade da Maçã - apelido que nucna logrei entender de onde veio e que é a alcunha vinculada a Nova Iorque. Enfim.

O rapaz caiu 128 metros e esborrachou-se a não mais poder num Dodge Chaser - automóvel bonito que não teve a mesma sorte do projétil que lhe arrebentou os vidros traseiros e para o qual eu encontro cinismo que chegue para lamentar.

Seguramente o que salvou o rapaz, ou prolongou seu sofrimento na Terra, tudo uma questão de ponto de vista, foi o amortecimento que o veículo proporcionou, dado o ângulo da queda, o rapaz caiu nos vidros e acentos traseiros.

Mas no entender do proprietário do veículo, Guy McCormack, nada disso. A sobrevivência do cidadão é tudo uma conspiração divina, patrocinada pelo rosário que este carregava no automóvel. Um amontoado de contas de plástico dispostas em forma de cordão, pois, salva vidas. Claro que nem todas, só a de iluminados, ou escolhidos por esse deus assaz justo, a quem apraz condenar alguns portadores de rosário à morte, suícidas ou não, e outros portadores do mesmo dispositivo de segurança, não.

Nem passa pela cabeça de McCormack, por exemplo, que não são poucas as crianças que morrem de fome (muitas no mesmo momento do acidente), com ou sem rosário, e que àquelas que se apegaram em um, faltou a onisciência e a boa vontade do deus que investe de poder de vida e morte em pedaços de plástico, que fosse lá, milagrosamente, lhes dar sustância para suportar a vida.

Também escapa à mente que busca padrões em tudo, que busca sentido onde não há, compreender que, no fim, Thomas Magill, o acidentado, sobreviveu sim por milagre. Milagre físico, geométrico. Chances e probabilidades. Golpe de sorte.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Rádio: Mark Lanegan - When Your Number Isn't Up

Eu estava lá.