quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Emputecido

Para avaliar meu profundo emputecimento, escuto música. E timbro muito em declarar que, na lista das cem canções mais belas de todos os tempos (eleitas democraticamente por gente normal no Reddit), já nas 50 primeiras, tem muita coisa boa que ouço há anos. Ennio Morricone, Sigur Rós, Radiohead, Johnny Cash.

Eu tenho bom gosto. E dedo podre pra empregos.

Sem pierogada

Toda vez que eu faço planos para o fim de semana, acabo tendo de resolver alguma papagaiada do trabalho. Toda vez.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Culinária subcultural

Hora de preparar o muque, estocar o requeijão caipira, que sexta-feira é dia da Tradicional Pierogada do Tertuliano.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

He is the most beautiful car in the world

Você sabe quando um carro é sério quando escrevem "Superleggera" nele.


Cem anos de Aston 2

Aliás, não por acaso escolheram um Aston Martin DB9 para o trailer do Forza 4, game de simulação de corridas do Xbox 360. Curioso notar, no vídeo abaixo, que boa parte das cenas ocorrem em São Paulo. Aparece até a Avenida Paulista.

Sempre que vejo, ou lembro desse vídeo, tenho uma sincera vontade de prestar um solene minuto de silêncio em honra ao piloto dentro de todos nós, que foi morto pela sociedade moderna.

Dava 10 anos da minha vida para ser o cara que pilota o DB9.


Cem anos de Aston

Hoje a Aston Martin, a montadora de maior carisma no mundo conhecido, completa seus primeiros cem anos de vida. Nesse centenário, foi de fabricante de fundo de garagem a campeã de Le Mans. Se eternizou com o DB5 prateado dos filmes de James Bond, quase sucumbiu junto com toda a indústria automobilística inglesa, sobreviveu nas mãos da Ford. Hoje, independente, produz o DB9, o Rapide, o Virage, o novo Vanquish (ai, ai), o V12 Vantage.

Carros bonitos, poderosos, verdadeiros bastiões tecnológicos de um mundo que sucumbe à ideia de que carros não podem dar prazer, criar sentimentos. Que carros, e quem gosta deles, estão na contra-mão do progresso. Aston Martin conquista corações, Aston Martin continua, hoje, em 2013, tendo paineis, motores, carroceria, bancos feitos com extensivo e cuidadoso trabalho artesanal. A Aston Martin é onde o apaixonado por carros se encontra com o que realmente importa em um carro: a alma.

Eu nunca vou ter um Aston Martin. Eles são caríssimos, não são exatamente carros, são símbolos. São até ostentação. Se eu tivesse recursos para ter um é provável que não tivesse simplesmente pelo reconhecimento disso. Mas não importa. Os Astons são como obras de arte. Você não precisa tê-las, precisa senti-las. Saber delas. Só.

Cem anos de força, beleza e alma, celebrados pelo vídeo abaixo.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Na cozinha

Por que você não chora cortando cebola?

Porque ela só me faz mais forte.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Rádio: Craig Armstrong - Escape

Essa bela composição em crescendo me recebe toda vez que resgato, do passado, as muitas horas que me envolvi em escaramuças no Atlântico Norte, durante a Segunda Guerra Mundial, fazendo o que podia para esconder meu u-boat nas profundezas contra os contratorpedeiros e fragatas dos aliados, em especial, os de sua majestade, e sua compulsão por dinamitar todo o oceano com aquelas cargas de profundidade.

Engenhosas são as cargas de profundidade, na mesma medida que devia ser bastante aterrorizante se enfiar num charuto metálico que mal suportava a pressão do oceano há cem metros de profundidade, que dirá as explosões.

"Escape" dá um sentido de urgência, de dramaticidade, a qualquer coisa. Escovar os dentes ouvindo essa composição dá impressão de se trata de uma luta feroz entre você, escova e os dentes. "Escape" transforma tudo em uma questão de vida ou de morte. Eu, que vivo a regar, no escuro, as flores mortas do passado, tenho, agora, a trilha sonora apropriada.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Me fez rir e sentir bem

Seremos incomodados por mais uma edição do infindável Big Brother Brasil. Enquanto isso, na civilização, um programa de TV brinca com a realidade, resgata valores comuns, discursa com humor inteligente, faz todo mundo embarcar num sonho de construir uma casa de verdade com Lego.



Aprende, Brasilzão.

PS: O inútil YouTube, embuído na decisão de destruir completamente a usabilidade do serviço, não permite que eu embuta o episódio correto no post, apenas a lista de reprodução da série. Para assistir ao episódio específico ao qual me refiro, carregue a lista e clique no episdóio 6. Não lhe fará mal algum, aliás, ver os demais.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Nunca gostei de Dostoiévski

Nos bons tempos, quando eu era leitor, e consumia três volumes por mês, me torturei infinitamente por não suportar a literatura desenvolvida pelos senhores James Joyce e Dostoiévski. Fico feliz que, hoje, na idade do deboche, posso, enfim, fazer a paz com essas convicções ao lembrar-me da máxima de Bukowski que define, mais ou menos, que "com mulher e literatura de má qualidade não vale a pena perder tempo".

E, agora, velho e desiludido, digo que o que mede a qualidade de um livro é meu gosto pessoal. Isso coloca todos os thrillers de Forsythe em alturas mais privilegiadas do meu canone, ao passo que Joyce e Dostoiévski precisam se conformar com a sorte que os faz escritores de meia pataca, desses que trocaram letras a vida toda em enormes volumes que, ao menos na minha consideração, não servem nem pra limpar bosta.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Rádio: The Red Army Choir - Bella Ciao

Tenho o sonho de ver esse tipo de música tocar no carnaval de minha cidade no sul do Paraná e ouvir, do palco, "bota pra ferver esse sangue eslavo aí, minha gente!".

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A noite em quase fui preso

Perguntem-me, meus hipotéticos filhos, sobre a madrugada do dia 3 de janeiro de 2013. Ou a seu tio, Alexandre. A noite em que quase fomos presos por incomodar a força bélica de Irati e adjacências.

Não há como negar que 2013 começou com certo estilo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Voltando atrás

Começa um novo ano e encho-me de razão para chutar o balde. Largar mão da vida atual e ir em busca de uma nova. O caminho para uma existência mais tranquila e repleta de bons prognósticos, no entanto, no meu caso, passa pela necessária correção de rumo e troca de profissão. Acontece que trocar o rumo significa investir numa nova formação acadêmica.

Nada demais. Escolhidos curso e área de interesse, toca observar quais são as opções em termos de instituições de ensino que ofereçam a dita faculdade em horários e lugares convenientes.

Aí você descobre que, na melhor das hipóteses, o deleite de se ilustrar sobre todos os conhecimentos que encerram a formação de bacharel em engenharia da computação orça, todo o mês durante cinco anos, a nada módica cifra dos 1500 reais.

De sorte que, registre-se, ficam revogadas todas as disposições de ano novo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Para começar

Há poucos dias, resolvi eleger uma música para despedir 2012. Agora, nada mais justo, escolher uma para saudar 2013. Ennio Morricone, com Titoli:

Titoli by Ennio Morricone on Grooveshark

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Fim de conversa

A Terra girou (gira, gira il mondo gira, nella spazio senza fine) por mais trezentos e sessenta e tantos dias e, a dar-se fé na incapacidade humana de marcar datas para apocalipses, nada diz-nos que o planetinha, no fim, não conseguirá terminar mais um abraço em torno do Sol.

A Terra girou mais um ano e me parece bem inútil falar sobre o assunto. Não há nada que possamos fazer para desencorajar o astro de sua elíptica teimosia, de sorte que ela girou, gira e girará milênios à fio.

E o que não encontra remédios já está devidamente resolvido. Por isso, já que 2013 vem aí e nada podemos com isso, só nos resta dar adeus a 2012. Não farei balanços e nem promessas, não medirei meses e dias, só direi a 2012 meu adeus com uma canção:


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ahoy, herr Kaleun!

Eu confesso que gostaria de ganhar uma fortuna na loteria só para poder me internar e jogar, sem parar, por uns seis meses, Silent Hunter.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Linux ainda é Linux

Eu, quem diria, estou usando Linux. No caso, o Mint 14 Cinnamon. Algumas coisas são legais no sistema, mas preciso dizer que, sinceramente, cinco horas e meia para instalar um driver de vídeo com toda a sorte de linhas de comando, realmente, acabam com qualquer aspiração do pinguim. No Windows 7, e até naquela joça do Windows 8, tudo o que você precisa fazer é dar dois cliques.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Rádio: Astor Piazzolla - Invierno Porteño

Dizem, e se não dizem, não seja por isso, ao menos eu sempre disse comigo mesmo, que a descoberta do amor, depois que se acabam as ilusões e se desdizem as juras, é perigosa, falsa e, via de regra, dá em besteira.

Mas eis que de repente estava eu escrevendo qualquer coisa, quando me assalta a lembrança de um nome: Piazzolla. Ao que consta, seria algo que um diretor sugeriu como referência a um músico para a criação de uma trilha sonora de um filme. Fiquei com o nome na cabeça porque o tom da sugestão tinha elegido os talentos do tal Piazzolla às mais excelsas alturas.

E fui pesquisar quem seria, enfim, o Piazzolla. E aí descobre-se: argentino, Astor Piazzolla radicou-se em Nova Iorque e por lá criou um híbrido de jazz e tango, que marcou a segunda metade do contamos como século XX. Pode ter marcado a ferro e brasa o lombo curtido dos músicos da nobre arte do jazz, mas digo que não fora o suficiente para que eu, antes desses nem sempre tão bem vividos 28 anos de sangue, de sonho e de América do Sul, viesse a dar por sua existência. Ao fundir tango com jazz, Piazzolla criou todo um novo ritmo, o tango nuevo. Que seria violentamente esculhambado por Adorno, se ainda vivesse, ele que odiava com todas as forças o jazz. Todas as forças e retóricas, mas que no fim das contas, errado estava ele, que jazz é música de melhor qualidade, o problema sempre tem sido encontrar o timbre no manancial inesgotável de tons e formas pelas quais o jazz se manifesta.

Eu, por exemplo, não vejo a menor graça em Miles Davis. Mas gosto bastante de Herbie Hancock, coisa que os entendidos execrariam como fariam os sommelies que admirassem, pasmos, o sujeito que, desavisado, engole o melhor dos borgonhas numa única e virulenta tragada.

Piazzolla, muito mais que Hancock, é meu número em se tratando de jazz. E de tango. Estimo muito que, do alto de todo esse castelo de cinismo no qual me embastilho, desafiando filosofias, paixões e realidades, tenha eu, bem depois de velho, me encontrado com o amor na forma de música.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Viagem no tempo

Se construirmos um telescópio suficientemente poderoso, aqui, na Terra, e um enorme espelho perfeito, posicionado a 22 anos-luz daqui, poderemos, no ano que vem, assistir ao vivo à chegada do homem na Lua.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Exercitando o desapego e paciência

Há duas semanas, quebrei o óculos que, velho, já estava mesmo requisitando a aposentadoria. Fui ao oftalmologista para descobrir que o grau aumentou. Encomendei novo óculos, dessa vez investi pesado, comprei uma armação de boa qualidade, toda em alumínio. Se por um lado não poupei na armação, gastei os tubos no par de lentes. Transitions, daquelas que escurecem sob a luz do sol. Dizem que faz bem para os olhos, ainda mais os meus, que são claros. Bloqueia as radiações ultravioletas e é cômodo para andar debaixo do sol.

Hoje fez 12 dias do novo óculos, que eu acabei de quebrar.