segunda-feira, 18 de março de 2013

Rádio: Tom Waits - I Hope That I Don't Fall in Love With You

Tom Waits é um Mark Lanegan mais conhecido.

"These old tom-cat has feelings that you don't understand".

sábado, 16 de março de 2013

Battlefield 1942 mora no meu coração

Vídeogames já são um tipo de arte, como o cinema. Técnica e dependente de inúmeros profissionais. Como os músicos.

Há trilhas de games que não cansam, que não envelhecem, que ainda me evocam o sentido embasbacamento da primeira vez que a ouvi casada com algum momento icônico do jogo em questão.

Uma delas é a trilha clássica, marcial, belicosa e bem marcada dos antigos jogos da série Battlefield. Escolhi a versão do Battlefield 1942, mas poderia ter escolhido qualquer outra. Quando a ouço, lembro de um dia jogando, no PC, isso deve fazer uns 10 anos, um mapa na Normandia em que meu desafio auto imposto era não morrer nenhuma vez. A coisa de "puta que pariu, caralho, eu morrer nessa merda" não parava de surgir na mente a cada progresso pelo cenário. Era uma das minhas primeiras experiências em jogo de tiro de primeira pessoa e no multiplayer.

Não que não se possa morrer nesses joguinhos. É um tipo de guerra cômoda. Você dá uns tiros, explode coisas, avacalha com alguém, dali a pouco morre, e em 20 segundos, volta para tentar de novo. É a guerra civilizada. A única coisa que sai ferida é o orgulho, quando você leva um tiro de mais de 200 metros nas guampas, ou morre esfaqueado.

Eu lembro de um trecho do jogo, na porção singleplayer, que um personagem diz "start fighting or I'll find someone who can". Dadas as limitações técnicas da época, a atuação do dublador era bem macarrônica e o sincronismo labial beirava o inexistente. Mas, por algum motivo, é uma cena que eu sempre lembro da série Battlefield.

Nessa partida histórica de Battlefield 1942, de tantas e tantas, a única que lembro, recordo de ter vencido o mapa. Ter matado uma porrada de nazistas, muitos deles com headshots, eu sempre gostei de jogar como franco-atirador, gosto da ideia de precisão. Lembro que destruí os adversários e, olhando em retrospecto, nada melhor que o tema do jogo para embalar o vídeo desse gameplay que registrei profundamente na memória.

Pode ser que não tenha sido bem assim, mas é assim que eu gosto de lembrar.

Abaixo, a música para as cenas editadas pela minha memória seletiva. This sound never gets old.


sexta-feira, 15 de março de 2013

Pingos nos is

"Ennio Morricone diz que não trabalha mais em filmes de Quentin Tarantino".

Obrigado, velho amigo, obrigado pela única vitória do dia: aqui.

Morricone disse que o diretor coloca as músicas sem coerência em seus filmes. Não espero que fãs do "diretor" entendam a ideia de coerência. Mas, ainda assim, gostaria de que todos vissem a cena de abertura de "Era uma vez no Oeste". Longa, lenta e trabalhada, toda a cena, comunica pelos sons. É o "design de áudio", idealizado por Morricone para a cena.

Aquilo é genialidade e coerência com a proposta do filme, um dos mais lentos do cinema. Fazer o que Tarantino fez em "Django Livre", pegar uma composição de Morricone aleatória e a colocar no filme, é falta de coerência.

Grande Ennio.

Sabor do dia

Hoje é um dia com gosto amargo. Meu irmão vai dar um passo importante na vida, e em que se considere o fato de que fui avisado com pouco tempo, o trabalho me impede de estar presente. Todas as recriminações são merecidas, me sinto envergonhado, pequeno e mesquinho. Mas a verdade é que a vida que eu levo não é a que eu quis. É a que sobrou. Desculpa, brother, mas eu escolhi mal as minhas veredas.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Rádio: O Natal, por Mark Lanegan

Mark Lanegan, o Clint Eastwood da música (o que vale para Clint, que é o Mark Lanegan do cinema), lançou um disco com cantigas de... Natal. Todas soturnamente agraciadas com a voz de rouquidão, uísque, heroína, decepções e derrotas deste patrimônio do rock.

Ponto, parágrafo. Não foi por acaso que um dia definiram Mark como um sobrevivente do rock, apesar de seus melhores esforços (a rock survivor, despite his best efforts).

Mark vende o disco diretamente nos seus shows, um EP de seis músicas. Dark Mark Does Christmas é sensacional. Se um dia tivesse filhos, iria embalar o Natal deles com o bom Mark e sua forma transtornada de cantar a vida e a morte. É um gole de uísque para o Papai Noel (sacaram? A genialidade? Whiskey for the Holy Ghost? Ahn? Ahn?). Que sujeito, caros oito leitores, que sujeito!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Rádio: Joaquin Sabina - ¿Quién me ha robado el mes de abril?

"En la posada del fracaso, donde no hay consuelo ni ascensor, el desamparo e la humedad comparten colchón..."

"El hombre del traje gris".

Lembro dos escurecidos e amargos tempos onde essa canção embalou minha desdita. Trocaria o abril por dezembro, mas de resto, El Flaco acertou em tudo. Pena, mas pena mesmo, que essa é a única canção do espanhol que presta.

"Como pudo sucederme a mí?"

terça-feira, 12 de março de 2013

Sonho que não realiza

Eu tinha vontade de, no futuro, daqui muitos anos, ligar para meu filho, ou filha, no meio do dia, sem razão alguma, apenas para dizer que sinto falta de quando eles eram pequenos e me sorriam com a boca cheia de janelinhas.

De fé

Dizem os especialistas, sempre eles, que há um risco, e não é pequeno, de que a próxima santidade venha a comungar comigo a honra de ter dado os primeiros berros na querida terra dos pinheirais.

Digo que não sei. Nada contra os senhores que se reúnem para escolher o qual, entre eles, terá a duvidosa distinção de usar uma saia maior que a dos outros todos, mas para cá, penso, seria bem ruim que o Paraná, essa nossa Albânia tropical, venha a emplacar um papa.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Nem por deboche

Causa certa comoção a eleição de um membro do partido social cristão ao comando da comissão de direitos humanos que, dizem, é mantida pela câmara dos deputados como um esforço de monitorar o respeito dos ditos direitos em território nacional. Eu juro que, até agora, não sei qual é o nome do sujeito. Tendo a reservar meu tempo para coisas mais úteis, como explodir russos no videogame.

A comoção dá-se porque o distinto edil tem o mau vezo de ser uma daquelas ratazanas de altar, nascidas nos escurecidos tempos da idade média e que, de lá para cá, vêm empestilando o progresso da humanidade, para quem casamento entre gente nascidada no mesmo sexo, respeito ao direito de escolha da mulher, e tantas outras questiúnculas que os religiosos transformam em cavalos de batalha, são definidas a partir do que diz, não diz, ou contradiz, um enorme livro escrito na idade do bronze por pastores que consideravam que mijar nas feridas era uma boa ideia para curar enfermidades.

Sem questionar o direito do distinto deputado a ser um tremendo idiota, é lamentável, mas ele tem o direito de ser idiota o quanto puder e quiser, e mesmo a lisura do desequilibrado processo democrático que o colocou onde está, só nos resta um pouco de equilíbrio para lembrar que a eleição dessa ratazana de altar em específico é apenas reflexo de quem, pelas alvas calçadas do congresso, anda, e quando dá, frequenta suas dependências interiores, como o plenário. Poderiam, se fossem cidadãos melhores, ter colocado alguém nascido no século XX e com mentalidade formada no cargo, mas a verdade é que num congresso tomado de reaças, indigentes intelectuais, pastores e religiosos de diversos matizes, não acho que dava para correr para algo muito melhor. Nem que fosse por deboche.

terça-feira, 5 de março de 2013

Quase

Eu vejo esse quase coração
pulsando para a quase vida
me lembro
da vida de priscas eras
onde tudo seria
e o que não era
podia.

Aí eu resgato
e me lembro
e me digo
e me prometo
e desisto.

Essa coisa de quase viver
ainda vai nos levar
a quase amar, a quase ser
e vai nos matar.
ou quase.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Conselho amigável para muitos jovens

Vá para o Tibet.
Monte em um camelo.
Leia a bíblia.
Pinte seus sapatos de azul.
Deixe a barba crescer.
Dê a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assina The Saturday Evening Post.
Mastigue apenas com o lado esquerdo da boca.
Case-se com uma perneta e se barbeie com uma navalha.
E entalhe seu nome no braço dela.
Escove os dentes com gasolina.
Durma o dia inteiro e suba em árvores à noite.
Seja um monge e beba chumbo grosso e cerveja.
Mantenha sua cabeça dentro d’água e toque violino.
Faça uma dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mate seu cachorro.
Concorra à prefeitura.
Viva num barril.
Rompa sua cabeça com uma machadinha.
Plante tulipas sob a chuva.

Mas não escreva poesia.


Charles Bukowski

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

É impossível legislar contra idiotas

Vivemos num mundo onde idiotas acendem fogos de artifício dentro de uma boate lotada e onde retardados, que comparecem a jogos de futebol achando que estão descendo na Normandia, disparam sinalizadores navais contra a cabeça de jovens de 14 anos.

É, amigo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Rádio: Oswaldo Montenegro - A Lista

É quase uma sinfônia para o ocaso, uma daquelas letras que nos lembram do que a gente é, do que foi e onde vai parar. "Quantos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em você?". No meu caso, uma porção deles.

"Quantas pessoas você amava, hoje acredita que amam você?".

"Faça uma lista dos sonhos que tinha, quantos desistiu de sonhar?".

Em certo sentido, é um pouco do golpe de realidade que Douglas Adams escreveu com fina ironia em seus livros, ou o choque psicológico da leitura da penserosa e caudalosa prosa que nos deixou Hermann Hesse, aquele pequeno canhão germânico, quase uma outra big bertha, o verborrágico e econômico escritor alemão, que nos despia com suas ideias, nos desarmava com suas histórias, e nos pavimentava com as conclusões de suas narrativas, constantemente a nos recordar do desespero de causa em que a vida vai virando a cada dia em que você acorda só para se lembrar da inexorável derrota dos sonhos, das esperanças, do descaminho.

Ponto, parágrafo. Hermann Hesse é um escritor inoxidável. Seus escritos vão continuar a estragar a vida da humanidade mesmo daqui 46 milênios.

Em relação à música, é uma boa música essa do Oswaldinho. O ruim é que ele só é boa porque a vida é ruim.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Rádio: Elvis Presley - Snowbird

Fazia tempo que não me embrenhava entre o vasto repertório de Elvis Presley. Resgatei, dessa feita, uma canção que, antes, não me dizia nada. Snowbird é, agora, uma daquelas que dizem tudo. É sempre um prazer, Elvis.

"And if I could you know, that I would fly away with you".


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Rádio - Fleetwood Mac - The Chain

Sempre que essa canção do histórico álbum Rumours chega aos 2:50 lembro da Fórmula 1. Quem é entendido, vai saber bem por quê:


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Gaiola das loucas

Quando, em 2005, a igreja decidiu por Bento 16, quando podiam ter escolhido um negro, um asiático, um latino-americano, mas foram de alemão conservador da Juventude Hitlerista, eu cheguei à conclusão de que a igreja havia descoberto que tinha fiéis demais, e que devia perder, pelo menos, a metade.

Agora, depois de ter readmitido bispos que negam o holocausto, de ter abrigado debaixo das saias padres pedófilos e ter dito uma tonelada de besteiras desde que assumiu o último trono absolutista do mundo, com o espocar constante de escândalos de corrupções que fazem corar as mais sanguinárias ratazanas de altar, Bento entrega os betes e abre espaço para a igreja promover outro reacionário a um posto que poderia muito bem ganhar a divisa de Poder, Corrupção e Mentiras.


A queda de Bento 16 é só mais um sintoma da falência da ideia da religião no mundo. Mais que isso, é sintoma da doença crônica da qual padece a santa sé, milenar burocracia planetária que, incapaz de se reinventar, se descobriu impedida de dirimir suas divergências internas pelas veias democráticas. Afinal de contas, armar a guarda suíça e sair por aí matando adversários, cardeais e arcebispos não é mais um recurso entre o arsenal deles, escondidos nas vastas saias de sua santidade. E, ainda que o fosse, já não sufocam os problemas, antes, os aumentam.

Que as religiões, em geral, estão totalmente em descompasso com a realidade já se sabe. Mas o caso da igreja católica é mais grave: nesta última quadra, se abraçou sem medo num conservadorismo, na ideia da dimensão terrena e estritamente convencional daquilo que sua gente de batina resolveu decidir ser a palavra do tal deus e a orientação política e econômica conveniente para se chegar à terra prometida nos santos evangelhos. A derrocada tem data: a igreja perdeu-se em 2008, no exato momento em que o primeiro banco grande demais para cair se estatelou nos derivativos e na curiosa ideia de emprestar dinheiro que não existe para quem não tem como pagar.

O saldo das estripulias dos banqueiros foi uma crise social sem precedentes. Embastilhados na dourada vizinhança romana em que vivem, os burocratas do Vaticano divisam uma Europa contrita, empobrecida, quebrada e pronta para as convulsões sociais. Em meio à tudo isso, a igreja não tem nada a dizer para o seu, antes, enorme rebanho. Talvez tivesse se, em vez de usar Ratzinger como rolo compressor que pavimentou a amistosa ideia de Teologia da Libertação nos anos 1980, a tivesse promovido e entendido que os tais libertários queriam, no fim das contas, apenas falar aos mais pobres. Agora, à igreja, resta trocar de papa e orar. Rezar, como se sabe, é uma forma de tentar ajudar a resolver um problema sem fazer nada.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Clássico

Red Dead Redemption, já escrevi sobre neste blog, é uma das experiências de jogo mais completas, complexas, gratificantes e extremas disponíveis na atualidade. O jogo é um clássico instantâneo, é uma enorme, avassaladora, celebração de Ennio Morricone, Sérgio Leone, o pistoleiro sem nome, Clint Eastwood, os clássicos do gênero, a ideia de redenção, tão cara aos bons westerns, e que vai até no nome do jogo.

Abaixo, um vídeo que, acho, deviam ter mostrado para Tarantino antes de ele ir realizar "Django Livre". Tivesse visto ou, oxalá, jogado Red Dead Redemption, Tarantino teria mais recurso para não fazer cagada.



No vídeo, embora a edição seja de qualidade profissional, que você pode atestar nos cortes muito bons, digo que faltou um pouco do humor, do lado humano e carismático de Marston.

Mas isso não é problema. Para redimir a falha, pegue o seu videogame e bote para rodar Red Dead Redemption, clássico esmagador e testemunho daquilo de melhor que os games podem trazer para a sua vida. O game, que foi lançado em 2010 e me convenceu ainda mais da urgência de se adquirir um console, me fez entender melhor a paixão que meu pai tinha pelo gênero faroeste e me colocou, igualmente, interessado pelas obras-primas do estilo que, infelizmente, definha nas telonas há décadas.

Red Dead Redemption não é um jogo, é algo próximo a uma experiência, um tipo de jornada, de busca, de narrativa onipresente da vida de um sujeito, seus remorsos e sua necessidade de fazer acertos com seu passado, emendas com o seu presente e sonhos, que nem sempre se verificam possíveis, para o seu futuro.

Ultimamente, venho jogando muito Battlefield 3 porque, bem, todos os meus amigos e colegas de trabalho têm o jogo e costumam jogar juntos. É bem divertido. Mas não passa perto da adrenalina do duelo, de arrumar confusão no saloon, de assaltar diligências no multiplayer de Red Dead.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Vem, Keira

Eu não posso mais ver filmes com a Keira Knightley.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Rádio: Frank Sinatra - Something

Eu não sou muito de Beatles. Mas gosto bastante do George Harrison, que compôs, entre outras, Something. Há uma versão dessa canção com Elvis Presley, que adoro, e outra, com Sinatra. O velho Frank, o "the voice", gostava de dizer que Something é a mais bela canção de amor já escrita, sem precisar dizer, em nenhum instante, eu te amo.



Gosto especialmente do arranjo por volta de 2:20. Ali a voz de Sinatra irrompe para te lembrar porque ele era simplesmente conhecido como A Voz.

O lado bom de ouvir essas canções antigas, do tempo em que eu era romântico, por exemplo, é recordar o tipo de pateta manipulável que fui, e enxergar o que sobrou. Sobrou que, hoje, eu conservo músicas assim no repertório pela velha tendência de conservar as flores mortas do passado.

O lado ruim é constatar o desastre, o desbunde, a tragédia, a catástrofe em que a vida virou.

Rádio: Jimmy Durante - As Time Goes By

Devem existir 8 bilhões de versões da canção que ganhou a eternidade nas arengas de Humphrey Bogart em Casablanca. A grande frase da história do cinema foi, aliás, proferida em Casablanca por Bogart. Casablanca e Bogart são passaportes para a eternidade. Não se fazem mais filmes como Casablanca e homens como Bogart.

E nem canções como As Time Goes By. Meu futuro é, sombrio, cantarolar no juízo minha versão preferida, essa abaixo, enquanto sorvo meu último cálice de uísque na espera do último suspiro de uma vida dedicada a sei lá quantos anos de solidão: