quinta-feira, 18 de abril de 2013

Aforismos - Desmontando Murphy

Lorde Chesterfield era um aristocrata britânico (aqui nos referimos ao quarto conde dessas paragens, que teve o vezo de ser escritor) que, nos tempos da Inglaterra do século 18, redigia longas cartas a seu filho, orientando-o a proceder como um gentil-homem, termo constante nas deliciosas traduções mais antigas de romances de capa e espada do tempo, que eu devorei na adolescência com avidez. Hoje, menos civilizados, dizemos, simplesmente, gentleman.

Eram várias as orientações de Chesterfield a seu filho, todas muito ponderadas e dignas, mas a que mais meu causou impressão a vida toda, e que na verdade tem pouco que ver com a ideia de ser um gentil-homem, é aquela que diz:

"A paciência é o único meio de fazer com que as coisas ruins não piorem".

E eu não tenho mais paciência.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Aforismos - Vida

Diz-nos Charles Bukowski em seu Factótum:

"Como diabos um homem pode gostar de ser acordado às 6:30 da manhã por um rádio-relógio, pular da cama, cagar, mijar, comer forçado, escovar os dentes e o cabelo, enfrentar engarrafamentos para chegar em um lugar onde, essencialmente, ele faz muito dinheiro para outra pessoa e ainda lhe é pedido que seja grato pela oportunidade?"

terça-feira, 9 de abril de 2013

Oportunidade de negócio

Oráculos, como aqueles da Grécia antiga, seriam um bom negócio ainda hoje. Encontrariam mercado inesgotável em gente como eu, que não sabe o que fazer da própria vida, e pagaria bem caro para atinar com rumos mais alvissareiros do que aqueles que acabou escolhendo.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vaca

Há de se registrar, contudo, que morreu a mãe de todas as vacas loucas do neoliberalismo.

Lamento, apenas, que sua mente tenha se esfacelado há anos, o que a impediu de dar testemunho do desastre, do desbunde, da decadência, do debaclé, da monstruosa e retumbante cagada, enfim, em que redundou seu sistema de estado mínimo, desregulamentação e distanciamento do estado em relação ao cidadão. Sistema que beneficia apenas os de sempre e que acabou conduzindo o mundo a comoções sociais, crises, fome, morte, guerra, desunião.

Aqui, nas tropicais terras de um país que procura se dizer de primeiro mundo via decreto, legamos a herança da perversão neoliberal, e todos os atrasos dela provenientes, aos longos oito anos do tucanato empoado e plutocrata que desmontou o país. Tucanato que vicejou muito bem nutrido no ninho montado por essa nojentíssima senhora.

O saldo do neoliberalismo é que os ricos ficaram abissalmente mais ricos, os pobres mais pobres. Os gregos, por exemplo, passaram a trocar livros e guardados para comer e tem gente na Espanha cogitando seriamente a ideia de residir em conteiners, dada a assustadora putaria em que o mercado imobiliário e o crédito acabou se tornando nos ensolarados oito reinos que compõe os domínios dos últimos Bourbons deste mundo a ostentar coroas sobre as cabeças.

Infelizmente, ao contrário da férrea senhora, a ideia neoliberal, embora absolutamente solapada, resiste nas mãos de interesses e de governantes desleais. Mas dou fé que, como toda escola econômica, a neoliberal encontrará, um dia, seu fim.

Fim que vai permitir que a perversão de Thatcher tenha o mesmo destino que sua grande patrocinadora. A morte, esquecida e desvalida. À Thatcher, a dama de ferro, que de resto, já foi antes, ainda que tarde, só posso dizer: enferruje em paz.

Máximas e mínimas

Há um risco muito grande em toda situação em que você deposita expectativas. Eu aprendi, da pior maneira, a não ter esperanças para nada. Invariavelmente, toda vez em que criei grandes expectativas acabei em grandes decepções, numa jornada interminável de lamentação, dor e loucura.

Nos últimos dias, me vi envolvido numa dessas situações, onde, inevitavelmente, acabei alimentando esperanças enormes pela chance de um bom emprego. Claro que nada deu certo. E, relendo agora o texto antes de clicar em publicar, me vejo profundamente preocupado comigo mesmo e o tremendo mau vezo de vir aqui escrever essas mínimas como se fosse um adolescente. Ou eu não cresci ou, pior ainda, estou regredindo, porque não fosse essa nova desdita, e eu viria aqui escrever, provavelmente, sobre a feliz ocasião do passamento de Margaret Thatcher e por que o episódio deveria ser motivo de gáudio para o mundo livre.

Hoje olho, novamente, para este sujeito que venho (des)construindo e me pergunto: onde foi que errei e por que não há nada que corrija o rumo. Eu nasci para as pequenas coisas e para viver nesse embalo de tristeza, amargura e total, absoluta e irrecorrível falta de direito a sonhar com coisas melhores.

José Saramago me cravou na alma aquela sua máxima que me é tão querida, a que atesta que "a maior tragédia nossa é essa coisa de não saber direito o que fazer com a vida". Eu acredito, mesmo, que ninguém sabe direito o que faz da sua, mas não deixa de me comover a minha propensão natural para o insucesso, o atávico desperdiço de tempo, energia, saúde, humor e cérebro em que se tornou a minha vida.

sábado, 6 de abril de 2013

Confesso

Eu não gosto de gente que fala alto. Eu não gosto de italiano, eu acho italiano língua de tiazona velha histérica, eu não suporto a Itália, as únicas coisas boas de lá são as curvas de Monza, a ópera e o Ennio Morricone, que sábio, faz música sem precisar usar do horroroso idioma que fala.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Dá uma louça para essa galera

Em 90% dos casos, protestos são sintoma de falta de louça. Sobretudo nos casos das feministas. Aponta pesquisa do Instituto Tertuliano.

No futuro

Eu sou daqueles sujeitos que, um dia, dirá: "eu e minha mulher vivemos aí uns 20 anos muito felizes, até que nos conhecemos".

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rádio: The Platters - The Great Pretender

Oh yes, I'm the great pretender, Pretending that I'm doing well...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Rádio: Elvis Presley - You've Lost That Love Feelin'

Uma das preferidas:

Rádio: Elvis Presley - Trying to Get You

Não é por acaso que chamam ele de Rei.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Réquiem

Eu, dificilmente, casarei um dia. As mulheres, em geral, têm se tornado criaturas muito desinteressantes. E considerando que, segundo todas as probabilidades, eu não vou mesmo comer a Keira Knightley e nem a Ellen Roche, resta-me fazer um conformado voto celibatário, ainda que, eu o confesso, involuntário.

Mas, na hipótese remota de que decida casar para não me aborrecer sozinho pelo resto da existência, saliento que planejo toda a pompa e circunstância para a cerimônia de fim de vida a que se dá o nome de casamento. Não é por acaso que Dumas tenha dito que a cadeia do casamento é tão pesada que, por vezes, são necessárias três pessoas para carregá-la.

Caso case, veja a construção, atestado de má redação que eternizo nesse texto, decidi que adentrarei nos meus últimos passos antes da morte matrimonial com uma marcha fúnebre. Ou talvez uma retumbante cantiga bélica, um Bella Ciao, ou The Red Army is The Strongest, quem sabe até mesmo o tema de Battlefield 1942.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Meu camarada

Se prepara
meu amigo
que dessa vez sou eu que te digo
e te escrevo
mesmo em verso
que a vida deu o bote
que a gente se estatelou
e esse olhar disperso
já não disfarça
essa vida que é farsa
que é bandida
e que veio munida
de faca nos dentes
moeu nossos sonhos
tão inocentes.

sexta-feira, 22 de março de 2013

It just sounds like power 2

Eu não gosto da Ferrari. Mas esse é o ronco de motor mais bonito de todos os tempos. É lírico. É como Pavarotti acordando de bom humor para cantar Nessun Dorma. É imortal como Caruso.


quinta-feira, 21 de março de 2013

Brace myself

Eu disponho de dois serviços para monitorar audiência e acessos deste blogue. O mais antigo deles, o ShinyStat, me acompanha desde que migrei do Blogger da Globo.com para este Blogger do Google, que por bizarrices contratuais, virou blogspot no Brasil. Com o tempo, o Shiny ganhou a companhia do Analytics do Google e, mais recentemente, o contador estatístico embutido no Blogger, que veio numa revisão da plataforma para torná-la mais competitiva diante do WordPress.

Não há a menor necessidade para tantos contadores num blogue só. Primeiro porque todos fazem rigorosamente o mesmo serviço. Segundo, que o Analytics é, de longe, muito melhor do que os outros dois. Terceiro, meu blogue não é assim tão requisitado, conserva sempre os mesmos visitantes e um ou outro esporádico, que cai inadvertidamente aqui por uma busca inocente no Google, que acaba apontando para cá.

Todo o enorme preâmbulo para dizer que, eventualmente, checo, a título de curiosidade, as estatísticas de acesso do meu blogue. Há vezes em que vejo que recebi um visitante da Mauritânia. Já houve gente da ilha de Java. Até de Moutain View, sede do Google, lá na ensolarada Califórnia. Na imagem que ilustra este post os caros leitores verão que recebi gente de outros cantos, como a Holanda. Sou uma marca internacionalizada, como se vê.

Hoje, inocentemente, checava os resultados do mês de março quando vi que recebi uma visita suspeita. Às 15 horas, 25 minutos e 50 segundos, deste dia 21 de março, um computador rodando Windows XP, usando o Explorer 7 como navegador, entrou neste blogue em busca de sei lá eu o quê. O IP da máquina remete aos Estados Unidos. E, de acordo com o monitor de acessos, o provedor de acesso da máquina em questão é o U.S. Department of State. Só é injusto, nesse mundo da internet, que nenhum desses serviços de monitoramento me permita estancar no limiar da porta deste blogue, medir da cabeça aos pés o eminente visitante, e dizer-lhe: "a que devo a honra?".

O Departamento de Estado norte-americano, gerido por Hillary Clinton, tem qualquer interesse nas idiotices que eu escrevo. O que é bem preocupante, porque nem com muito deboche logro ter ideia de qual seria o interesse dos esbirros e da gente togada do referido departamento em minha humílima, desinteressante e carcomida pessoa. Só espero não ter concorrido, ainda que inadvertidamente, para irritar os suscetíveis humores da belicosa gente que milita no referido órgão e, se o fiz, resta-me pedir desculpas e me declarar, desde já, inexoravelmente disposto a reparar qualquer que tenha sido o descuido. Em todo caso, na hipótese de que eu desapareça no futuro próximo, caros oito leitores, fiquem cientes de que devo estar respondendo à máquina de medo em algum buraco de Guantánamo.


Música

"It just sounds like power".



E não poderia faltar o motor mais musical de todos os tempos:


quarta-feira, 20 de março de 2013

Rádio: Mark Lanegan - Burn the Flames

Um belo arranjo, baixo e guitarra, melodia sombria, voz estragada. É a trilha sonora da minha vida de céu cinza, do inverno que chega, do vento, o único toque que ainda me acaricia a face. A solidão assombrada de uma caminhada sem volta, meio desajeitada, essa coisa que chamamos de vida, a tragédia tão nossa, exemplarmente definida por Saramago: "a nossa grande tragédia é não saber direito que fazer com a vida".

Ensombreça a alma:



"So burn, so burn, burn the flames, higher, higher and higher".

Quem dera gritar

Há uma canção do Chico Buarque, aquela do "tô me guardando para quando o carnaval chegar" que, em dado instante, diz: "quem dera gritar".

Eu vivo me imaginando soltando berros libertadores, de rasgar o peito, no meio do trabalho, sempre, em todas as ocasiões em que sou confrontado com alguma das patranhas do ofício.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Rádio: 16 Horsepower - Prison Shoe Romp

16 cavalos de potência nunca foram tão divertidos.

Sempre quando me encontro com essas bandas, soterradas num passado de sexo, drogas e rock n' roll, me sinto como o sujeito que se atrasou para sair de casa no dia em que choveram dinheiro e Ellen Roches.


Rádio: Tom Waits - I Hope That I Don't Fall in Love With You

Tom Waits é um Mark Lanegan mais conhecido.

"These old tom-cat has feelings that you don't understand".