domingo, 19 de julho de 2009

Não há mais Henry Surtees

Motoracing is Dangerous. Você encontra essa frase em qualquer ingresso e credencial para uma competição de automobilismo razoavelmente séria. Porque é verdade, corridas podem matar. E matam, eventualmente.

Hoje, numa etapa da F2 na Inglaterra, morreu um garoto. Henry Surtees, 18 anos, filho do campeão mundial de F1 de 1964, John Surtees, não resistiu ao impacto de um pneu. Um acidente bobo, uma morte estúpida, que nos faz pensar até que ponto a bobagem tão humana de dirigir feito loucos pra ver quem é o mais rápido mundo à fora não é, no fim das contas, mais idiota do que parece à primeira vista:



Alguém dirá: mas ele morreu assim? É, o acidente é bem menos espetacular do que sugere a palavra "morte", so tipo de incidente corriqueiro mesmo em corridas. Ele deu um tremendo azar de encontrar o pneu que quicava naquele instante. E como base de comparação, nesse outro acidente, dessa vez na F1, no GP do Canadá de 2007, o piloto, Robert Kubica, saiu apenas com lesões leves na perna:



A comparação entre esses dois acidentes dá uma ideia da palavra fatalidade, do azar. É estranho perceber, e mesmo admitir, que a morte tem um timing próprio.

Como dá para ver no vídeo do acidente fatal de Surtees, um pneu acertou-o na cabeça. Uma tremenda infelicidade, sem dúvidas. Mas é bem verdade que um pneu, àquela velocidade, não poderia sair do carro. Em categorias de mais destaque, como F1 e F-Indy, existem cabos que prendem as rodas aos carros para que não saiam voando e não acabem, assim, arriscando a vida de pilotos, públicos e fiscais de pista (já aconteceram mortes entre público e fiscais por pneusadas na F1 e na Indy). Na F2 não sei se é assim, se há ou não cabo. Se não há, como parece, acontecerão processos, laudos e estudos
- sobretudo se forem reais as informações de que ao longo desse ano não é o primeiro pneu que se solta de um F2 - que dirão: foi uma fatalidade. Mas que poderia ser evitada, que são culpados os promotores da categoria por não ter estudado essa possibilidade e os que projetaram e produziram o chassis, no caso a equipe Williams de Fórmula 1.

O que, hoje, à luz da verdade dura e fria do garoto que interrompeu seu sonho de ser mais rápido que todos os outros, chegar na F1, a coisa toda, não importa nenhum pouco. Não há mais Henry Surtees.

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