sábado, 18 de julho de 2009

Jacques Villeneuve

O ano era 1997. Já toquei no assunto aqui outras vezes, esse período da minha adolescência. Enfim, carne de vaca, vamos pular os pormenores e apenas à título de por a par eventuais leitores de ocasião, o que há para se dizer é que minha adolescência foi muito, mas muito, anti-social.

Eu tinha gostos muito meus, que não tinham paralelo nos de minha idade. Na verdade, ainda não têm - ou têm pouco, enfim, sou um original, um excêntrico.

E enquanto todo mundo estava às voltas com outras figuras, naquele espírito de copiar os que admiramos, eu curtia o Jacques Villeneuve.

Trata-se, no rigor dos idiotas da objetividade, do campeão mundial de Fórmula 1 em 1997. Canadense, filho de uma lenda do automobilismo, Gilles Villeneuve, que morreu numa Ferrari nos treinos do GP da Bélgica de F1 de 1982. Mórbidos: eis o acidente aqui no YouTube.

Jacques chegou "chegando" em 1996. Venceu corridas e se impôs. Ele era bacana, tinha um capacete cor-de-rosa, pintava cabelos a crepom (ei, eu fiz isso e quase fui expulso e deserdado de casa). Jacques, em suma, era legal porque tinha, o que ele diz faltar na F1 hoje, personalidade. E eu me identificava com ele, achava o cara um heroi porque estava nem aí com o main-stream da F1, e ele vencia o Schumacher, que era, na época, meu anti-heroi.

Enfim, Jacques teve duas grande temporadas, 1996 e 1997. E daí em diante, desandou e nunca mais repetiu grandes performances. Acabou defenestrado melancolicamente da F1 no meio da temporada de 2006 por, diziam os seus patrões da BMW, falta de desempenho.

E hoje Jacques vem dizendo que gostaria de voltar à F1. Muitos torcem o nariz, ele tem já 38 anos, deixou uma última imagem muito infeliz.

Diante disso, perguntaram: "você precisa provar mais alguma coisa ainda na F1?"

Poderia arrotar arrogâncias e as convicções que movem os grandes nomes do esporte, sempre em frases feitas, tocando sempre em "continuo me rápido, me mantenho motivado, sou capaz de vencer, acho que minha história na F1 ainda não acabou..." enfim. Ele respondeu:

"Quero que meus filhos me vejam correr".

Pode parecer piegas. E até meio sem sentido para quem não conhece muito bem o universo da F1. Mas é uma mentalidade, uma declaração, das mais humanas num mundinho feito de dinheiro, vaidades, corrupção e mentiras.

Villeneuve é o cara.

0 comentários: