segunda-feira, 21 de março de 2011

Tio Sam e Pai Goriot?

Tomahawk lançado de submarino inglês submerso.
O líbio nem viu de onde veio...


Longe de mim vir falar de política, estratégia e defesa. Mas tenho colhido a esmo aplausos e congratulações à intervenção militar promovida na Líbia que me lembram de uma velha ponderação: defesa e estratégia no Brasil é como falar de sinfônia e orquestração a uma tribo de canibais africanos que só tenham em seu repertório modestos e repetitivos tons de percução. Não é sem motivo, aliás, que a Marinha brasileira arrasta há décadas o programa para um submarino nuclear de... patrulha! Ou que nas páginas dos jornais as "análises" estejam calibradas no achismo e nas declarações, ora, dos militares. Civis, no Brasil, se alijaram de entender da matéria, o que não é ruim. O ruim é pagar valores estratosféricos por um submarino nuclear... de patrulha!

Ninguém foi bombardear os líbios, certos ou errados, apoiadores ou revolucionários, por salvaguardas humanitárias, ou intenção honesta de preservar uma massa fustigada de uma ditatuda hipócrita, despótica e hoje sedenta de democracia (dizem eles). A ideia é desfilar equipamentos bélicos para encantar compradores para as próximas décadas. O boom de defesa está aí, Estados no mundo todo se armam e não é coincidência que, basicamente, todas as vanguardas em matéria de caças (já acontecem os testes dos modelos de quinta geração, que devem atingir estado da arte em 2014-2015), desenvolvimento de propulsão para submarinos independente do ar e do átomo e toda uma nova família de mísseis estejam para pipocar nas vitrines da civilização. E incontáveis outros saltos em logística e outros materiais bélicos.

Isso sem contar, evidentemente, nos avanços de secos e molhados (novos rifles, munições, explosivos, táticas florescidas na poeira e no lamaçal regado a sangue em campos de batalha do Iraque e em tantos outros rincões tumultuosos desse admirável mundo velho). E também nos progressos tecnológicos que estão aí a dilatar as capacidades da guerra eletrônica a ponto de que, tal qual você com seu computador-tablet-notebook-smartphone jamais consiga acertar pé com o progresso técnico, governos e aparatos militares jamais estejam em pé de igualdade com o que há de mais avançado em monitoramento passivo e ativo de qualquer espaço físico.

E como diria Brecht, a quem interessa?

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