sábado, 26 de dezembro de 2009

Universo é démodé

Estava eu nas intermináveis conversas de família por ocasião do Natal quando o assunto descambou, em função de caipirinhas e caipironas ingeridas aos borbotões, na origem do Universo. Pelo-me de medo de tocar em qualquer assunto que remotamente ataque as sólidas e sisudas tradições católicas da família, questionador e porra-louca que sou.

Envergonho-me a não mais poder que tenha quem, no seio da minha família, sustente que o mundo veio da inspiração indecifrável, insolúvel, até aqui tudo bem, e idiota de um criador onisciente e infinito. Os mais esclarecidos, sim, dizem algo sobre o Big-bang. É uma melhora, sem dúvida, mas estão também redondamente enganados, a dar-se fé nas teorias mais recentes, o big-bang foi um estalinho, um pipoco, um flato de menores consequências na longa caminhada disso tudo que nos obsseca interminávelmente: o nada.

Porque dizer que o mundo e tudo em volta nasceu da vontade de uma divindade é uma muleta fabulosa - no sentido de fábula - que servia bem na aurora dos tempos e na infância do nosso pensamento, onde não tinham florescido nem o método científico e nem a ciência em si, abstração que nos viria ao mundo muito depois dos hebreus condensarem centenas de mitos pagãos - é, pagãos são sempre os outros - no livro que apelidaram de Gênesis, começando com a criação do universo em seis dias e encerrando com a misericordiosa aniquilação da vida na Terra pelo Deus bonzinho que fodeu com tudo porque é misericordioso a não mais poder, e se arrependeu, embora seja alardeado senhor de todas as respostas e de todas as perguntas, de nos criar, humanos, e tudo o mais. Resolveu nos aniquilar misericordiosamente abaixo de 40 dias e 40 noites de chuvas incessantes, que inundaram tudo.

E também porque dizer que viemos de uma explosão bizarramente devastadora é muito bonitinho e explica o universo antes dito em constante expansão. Mas não explica o que vinha antes. E a isso os irrequietos econtraram teoria que desse jeito, esses bravos cientistas, compilando suas abstrações em tratados, regrados e plenos de método, e faltos de certeza. Deficiência esta que, aliás, os põe em perigosa paridade com os textos religiosos, cheios de ignorâncias, fraquezas e achismos e, mais uma vez, nenhuma certeza.

A teoria que explica o que vinha antes não é tão simpática como a do Big-bang, caros. Não há como lhe pôr nome em onomatopeia, como o do famoso relógio londrino, que desponta numa torre e juram os ingleses, nunca atrasa. Diz a teoria, que é uma fusão de outras duas menos votadas, que o universo, para ser verificável matematicamente, teria de ser composto por 11 dimensões e que é a coexistência dessas numerosas dimensões nos colocou aqui. Sempre me pego, distraído, pensando o que nos reservariam as sete que desconheço.

O evento que deu origem ao nosso universo seria o choque de duas dessas dimensões, unindo-as em uma coisa só. Destarte - saudade de usar essa palavra - o Big-bang não deixou de acontecer. A diferença é que ele foi um evento muito menor que nossa empáfia sempre nos levou a crer, sendo, na verdade, um esbarrão de duas dimensões perdidas na vastidão interminável e inolvidável do nosso multiverso. Universo é démodé, portanto, senhores, porque a verdade é que estamos todos perdidos girando a buzilhões de quilômetros numa coisa monstruosamente maior e infinita - pense nisso: o universo, infinito, dentro do multiverso, infinito - chamada de multiverso, uma coleção de universozinhos.

A lamentar-se o fato de ninguém ter entendido muito bem a preroração onde resgatei bagatelas do tempo em que me interessava por espaço, física e o grande "por quê?" - mas lúcido, percebi que não seria eu que encontraria a resposta, e abandonei a questão, engavetando os rudimentos teóricos no fundo da memória, para quando fosse o caso de puxá-los, como um dossiê, em conversas de bares, cantadas em estudantes de Física, ou discussões ignóbeis com a família. Meus grandes por quês hoje são a que horas sai o ônibus e se por lá, onde quer que seja, teremos cerveja e mulheres.

Na conversa de Natal, enfim, faria bem melhor eu se tivesse concordado que em um dia Deus criou tudo. Evitaria tanto latim gasto e olhares de reprovação dos bastiões da fé da minha família. Justo no Natal.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Rádio: Cássia Eller - Por Enquanto

Comecei a gostar dessa música porque ela fala em voltar para casa, e eu vivo voltando para a casa, é um hábito de quase uma década. Hoje já gosto porque ela me diz mais que voltar para a casa:


O dia em que cresci

Incidentalmente, enquanto fazia meus traslados e intermináveis conexões, para despencar de São Paulo para casa da família, testemunhei um episódio na vida de duas pessoas pelo qual eu já passei três vezes, em idades e condições diferentes, mas que me marcaram da mesma maneira que, suponho, deve ter marcado as pessoas.

A troco de calibrar o suspense e caprichar em recursos narrativos nunca dantes experimentados, irei, a princípio, traçar em poucas penadas, a figura das personagens para as quais deitaremos agora os curiosos olhos e a paciente imaginação: imagine um senhor dos seus 50 anos, roliço, pele bastante corada como a de gente que trabalha ao sol, embora eu possa dizer que desconfio que o vermelho que lhe tingia as expressões não vinha das inclemências do sol, mas de alguma condição genética ou, espero que não, mas não recuso a possibilidade, que fosse do consumo do alcool. Era calvo. Daquelas calvícies que começam na parte dianteira do crânio e daí se espalham, como as clareiras pela Amazônia. Ressalto que não afianço a origem do tom rubro da sua pele ao sol. Tenho razões para atribuir a outro fator o vermelhão e essas razões serão descobertas conforme este texto for amadurecendo.

De outro lado, a personagem número dois, era um menino. Arrisco-lhe 12 anos. Posso estar estupidamente enganado, visto que tanto quanto mais nova ou mais velha a pessoa, mais difícil de lhe atestar a idade ao olhar. Aceitemos, pois, que a criança tem 12 anos, tendo em vista que pode ter 15. Ou 8. Quem sabe? Ela. Mas não perguntei. De resto, o menino tinha olhos castanhos, sorria como toda a criança e lembro de que seus cabelos eram encaracolados, quase pichaim, como pouco se vê. Era esguio, leve. E falava sem moderar o tom, quase aos gritos, mas não dava por isso. Aprendemos a engolir as palavras e moderar os tons só com a idade. A tão festejada inocência infantil é, no fim das contas, resumível a falar aos berros.

Continua...

Acaba, anos 1980, acaba!

A-ha anuncia que volta ao Brasil, um ano depois, para mais uma turnê. E essa é a última do grupo.

Uhuuu! Menos uma banda dos anos 1980!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Rádio: Placebo - Song to Say Goodbye

Adoro essa canção. O clip é sensacional. Infelizmente não posso embutir no post a versão de 4 minutos, por conta das políticas da EMI. Mas posso postar a versão extendida, com 8 minutos, que também é muito boa, afinal de contas. Caso queira ver e ouvir a versão menor, clique aqui.



"Now I'm breaking down your door, to try and save your swollen face"...

domingo, 20 de dezembro de 2009

O mal que o racismo causa

Foi como levar um soco no estômago. Ao ver o vídeo que segue, curto e breve, destruidor e avassalador como um tsunami de retórica sobre o ódio, o racismo, o fracasso da nossa civilização, me senti mal, agredido, ofendido. Nosso mundo é uma merda, nossa civilização fede, nossos valores são ridículos. Triste, muito triste:


Revolução

Chega de verso rejeitado
Vamos todos nos unir;
chegaremos em bandos
e antes de você sentir
unidos te venceremos!
onde quer que estiveres
estupraremos seu gado
e espantaremos suas mulheres.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Fuga

A garota te sorriu!
ora essa!
antes que seja tarde,
olhe pro lado,
finja que nem viu.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sem título 1

Tudo me convém
mas nada me apetece.
Sou um verso de desdém,
e uma literatura que esmorece.

Nada me distingue.
Tudo me enfastia
sou de inverno, e quero calor.
Sou feito de hipocrisia.

Nasci imbuído de todos dos destemperos
de egoísmo fiz meus exageros
Morri indômito na minha esperança
fui cômico e por toda vida uma criança.

No fim de tudo, nada de cores,
sigo desdenhando do mundo,
sobrevivendo de horrores
dou de ombros, e rego do meu lado,
solitário, no escuro
as flores mortas do passado.

Epitáfio belchioriano

Aqui jaz o verso
aqui a letra se desfaz
onde a música não toca
me bate o remorso
do dia que me sai torto e disperso
e o poema pelo qual tanto me esforço.
Jaz-me em mim todas as coisas
tudo que foi fugidio
a manhã sorridente, o vento e o tempo.
Aqui jaz tudo que não fui capaz.
É o féretro de um jovem rapaz
que se deu à ingrata tarefa
de amar e mudar as coisas
especialmente o que lhe interessava mais.

Escatologias

Hoje serei escatológico
vou ingerir prosa
digerir mágoas
peidar poemas
que fedem ressentimentos.
Aí caguei versos
arrotei músicas
Até dediquei uma gloriosa
pisei em excrementos
e escarrei as rimas
que esporrei numa
poesia preguiçosa.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Aforismos - Darwinismo de boteco

O louva-a-deus, aquele bicho verde, possuidor de um nome tão simbólico, vinculado ao formato de sua anatomia, que nos recorda um fiel ajoelhado louvando uma divindade, pequeno, frágil e esguio, qual um graveto verde caído de uma árvore qualquer numa ventania inclemente, na sua modalidade masculina, é incapaz de copular enquanto possui a cabeça conectada ao corpo. Diante dessa impraticabilidade absolutamente negativa a qualquer ambição da espécie de evolução, ou modesto perpetuamento - o que mais lhe cabe, tendo em vista a pequena margem de manobra que detém na dura e inclinada escada da cadeia alimentar - as fêmeas dos louva-a-deus, pois, não têm outro recurso que não seja arrancar as cabeças dos distintos machos para, assim, copular.

Diante de mais essa constatação irrefutável das injustiças naturais, não há nada mais que dizer que, louva-a-deus são, em última análise, a metáfora mais bem acabada da vida natural dividida em gêneros que suportamos nós, os homens, e da qual refestelam-se às largas elas, as mulheres. No mundo que conhecemos, elas arrancam cabeças, matam os machos, jantam os tarântulos, executam o zangão. E nós, homens, somos pavimentados naquilo que convencionei chamar em foro íntimo: a asfaltização dos homens pelas mulheres. Não há nada mais indômito que um rolo compressor.

Não me surpreende, pois, o nome do bicho. Só louvando, e muito, para tolerar a vida assim (aliás, é simbólico também que ao que mais louva, mais desgraças e injustiças se abatém. Deus e natureza são duas instituições para lá de injustas e desequilibradas, a dar-se fé que Deus exista mesmo, coisa cada vez mais difícil de sustentar nos tempos que correm). O louva-a-deus não discute as relações, ele dá a vida por elas. O louva-a-deus, se amasse, seria apenas objeto do desfrute da sua fêmea. Aos louva-a-deus não cabem, em hipótese nenhuma, analogias de sexo forte, de dominação ou de bravura. O louva-a-deus é mais próximo ao homem do que o golfinho, que é a única criatura, exceto nós, que faz sexo por prazer. O louva-a-deus seria poeta se escrevesse, filósofo se pensasse, luminar se fosse meio vagalume. O louva-a-deus é o exemplo sintético mais bem acabado da injustiça e da entropia das relações.

O louva-a-deus, antes de tudo, de inseto, de fiel abnegado, é o mártir de toda uma classe.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

20.000 léguas

Navegamos juntos as vagas do oceano
nosso oceano foi pequeno
nossos mares eram um riacho
nas calmarias de nossas águas
vicejaram as lembranças
e o nosso relaxo.

Nossas tormentas eram calmas
nossas águas eram plácidas
a felicidade e a constância
vinham dar em nossas margens.

Nunca fomos oceano
não chegamos perto de rio
a riacho nos faltou pouco
fomos lagoa de outras paragens
com uma canoa a fazer água.
Fomos coisa de louco.

Terminamos em cascata
as lágrimas correram
transbordamos pelos olhos
tudo que calamos na calma
algo boba, algo incoerente
na calma tão nossa, inocente
do nosso amor feito em água
do tamanho do oceano
tênue como o córrego
calmo como a lagoa.

Hoje somos várzeas e bueiros
em nós não flutua mais canoa
somos o fim de tudo
somos as águas canalizadas
somos o desequilibrio
de uma história banalizada.
Somos o sol que estiou a lagoa...
e os fins derradeiros
por onde a água escoa.

Rádio: The Doors - Riders On The Storm

Às portas para uma nova consciência:


Do fundo da moringa

Chega, meu caro
paremos com isso
A vida urge...
e sonhar dá esclerose
chega de verso choraminga
a garganta está seca
tome uma outra dose
esvazie a seringa
é serotonina na veia
e poesia por osmose.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Inoxidável

Eu sigo
todo-poderoso na minha impotência
invencível na minha irresolução
inflexível no meu eterno impasse
eu sou o triunfo da experiência
e o fracasso da boa vontade
eu desfaço a indecisão,
eu sigo à deriva com classe
sou inexorável na fraqueza
desdenho da certeza
eu sou metade escolha
metade covardia
eu sou uma nova consciência
uma filosofia tardia.

A verve de Winston Churchill

Não é segredo para ninguém a admiração que voto a Winston Churchill. A sua biografia é algo impressionante, seus modismos, seus trejeitos, seu sotaque. Enfim, eis aí um sujeito apaixonante.

Churchill era muito bom frasista, e foi da sua capacidade espetacular de se expressar verbalmente que conquistou o povo britânico, comandando a resistência e a vitória britânica na guerra, sobretudo quando a Inglaterra lutou sozinha contra o Eixo. E dessa capacidade também, ainda que de certa forma tenha sido um prêmio político, o Nobel de Literatura de 1953. Churchill, de jornalista a historiador, de político a escritor, de orador a estadista tinha um raciocínio agilíssimo, que o fazia responder muito bem a quaisquer provocações ou situações difíceis. Seus aforismos são sensacionais, e já os mencionei aqui e aqui. E aqui existem outras tiradas:



Mas descobri outros, menos famosos, mas tão engraçados quanto no livro "A Verve e o Veneno de Winston Churchill", que eu reivindicaria como presente de Natal, tivesse eu quem me presenteasse e não tivesse eu, enfim, comprado o livro.

Algumas frases colhidas a esmo:

Pressionado por um diplomata britânico para agradar o líder francês Charles de Gaulle (a quem descrevera como "parecido como uma lhama fêmea surpreendida em pleno banho"):
"Vou beijá-lo nas duas bochechas - ou, se você preferir, nas quatro".

Havia um parlamentar que insistia em interromper ruidosamente um de seus discursos:
"Vossa excelência não deveria, de fato, gerar mais indignação do que aquela que é capaz de refrear".

* Depois de uma série de viagens nos EUA e no Canadá nos anos 1930, perguntaram a Winston se ele tinha alguma queixa a reportar sobre a América do Norte:
"Papéis higiênicos muito finos, e jornais grossos demais".

* A política de panos quentes conduzida pelo seu antecessor no cargo de primeiro-ministro inglês, Neville Chamberlain, contribuiu muito para desandar a Segunda Guerra Mundial. E entre muito do que disse sobre o assunto, Churchill declarou:
"Foi-lhe dada a oportunidade de escolher entre a guerra e a desonra. Ele escolheu a desonra e terá a guerra".

* Montgomery, o vencedor de El Alamein, foi um dos grandes comandantes britânicos na guerra. E era tido como chato. Embora votasse ao general legítima amizade, Churchill disse sobre ele:
"Indômito na retirada, invencível no ataque, insuportável na vitória".

Durante a camapanha no Norte da África, o VIII Exército fez prisioneiro o general alemão Wilhelm Von Thoma, e o General Montgomery, comandante das forças britânicas, o convidou para jantar em seu QG. O caso gerou repercusão e enorme polêmica na Inglaterra, pois tratava-se de um general confraternizando com o inimigo. Churchill reagiu assim à polêmica:
"Tenho simpatia pelo general Von Thoma. Derrotado, humilhado, no cativeiro e... (depois de longa pausa para salientar o efeito dramático)... ainda ter que jantar com Montgomery!".

"Engolir minhas próprias palavras jamais me causou indigestão".

* Foi para defender a Polônia que a Inglaterra entrou em guerra - e verdade seja dita, não fez absolutamente nada, em duas semanas a Polônia tornou-se parte da Alemanha. E foi a Polônia o cerne das disputas entre Churchill e Stalin no fim da guerra. Churchill a queria livre e alinhada com o oeste capitalista, Stalin a queria como satélite soviético:
"Existem poucas virtudes que os poloneses não possuam - e poucos erros que não tenham cometido".

"Minha mulher e eu tentamos duas ou três vezes tomar juntos o café da manhã, mas foi tão desagradável que tivemos que parar".

Quando finalmente aceitou a ideia de mulheres exercendo cargos públicos, Churchill assinou o decreto com a frase:
"Que venham as mulheres!".

Uma mulher, após a primeira eleição de Churchill para a Câmara dos Comuns, disse-lhe: "há duas coisas que não suporto no senhor: sua política e seu bigode". Winston respondeu:
"Madame, por favor, não se aflija, é muito pouco provável que vá entrar em contato com qualquer delas".

* Saindo de um clube tarde da noite e embriagado, Churchill esbarrou numa mulher, que o censurou por estar visivelmente bêbado:
"Amanhã, madame, eu estarei sóbrio. A senhora, por outro lado, continuará feia".

* Em um momento especialmente difícil da guerra, navios mercantes ingleses sofriam inclementes ataques alemães. Em discurso via rádio, Winston acalmou a população:
"Tenho a satisfação de dizer-lhes... que o ímpeto e a fúria germânica vem excedendo em larga escala a precisão de sua pontaria".

Por fim:

Quando, em 1960, um jornalista do Evening Standard de Londres perguntou o que ele achava da recente previsão de que, no ano 2000, as mulheres estariam governando o mundo, ele resmungou a sombria resposta:
"Continuarão sendo elas, não é?"

* Notas de contextualização redigidas por mim. As demais foram extraídas do livro.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Rádio: John Schooley & His One Man Band - Drive You Faster

Banda pra quê? Você põe um cara, dá um violão ou guitarra, o cerca com a bateria, apóia uma gaita de sopro na boca e deixa o microfone por perto para que ele cante. É o minimalismo na música. John Schooley é praticamente um workaholic do rock. Ele faz tudo sozinho com a sua banda de um homem só. Recomendo os dois discos: "John Schooley And His One Man Band" e "One Man Against The World" (Um homem contra o mundo, em libérrima tradução), procurem na rede que, palavra, vale à pena. É um bom exemplo de som bacana, pouco conhecido, com a especificidade única de ser feito por apenas um cara. É uma das melhores coisas do rockabilly nos macambúzios tempos que correm.


Flagelo

Amar.  
é um
flagelo.

Algo ruim
e incompleto,

Amar
é ver
tudo azul...

... acabar amarelo.

BlogPress é o cara

Não vou mais postar do iPod para não acabar parecendo um desse neófitos irritantes deslumbrados com bens tecnológicos. Até porque não posso me deslumbrar, disponho do aparelho há quase um ano. E também porque os dois posts anteriores não foram os primeiros do dispotivo, há inúmeros assim ao longo desse ano.

A diferença é que os dois últimos vieram de um programa que descobri para iPod Touch e iPhone - como sou hype! - e que se presta justamente a nos ajudar a postar com decência de uma máquina que não possui teclas e, sabe-se, não se posta sem teclas, porque precisamos escrever. O nome do programa, a quem interessar possa, e não possa, é "BlogPress", encontrável no caso de você possuir um cartão de crédito internacional e vontade de adquiri-lo originalmente na Apple Store - custando, no site da Apple, módicos US$ 2,95. Ou no site que congrega as versões, digamos, genéricas dos softwares para iPod e iPhone, que é este aqui, e que eu não estou recomendando, apenas comento neste texto a título de informação. Não vou eu fazer apologia à, te esconjuro, pirataria, vade retro, e acabar tendo meu blogue perseguido pelos pulhas, ignorantes, fascistóides da APCM, gente detestável que eu, após expremer o mais que pude minha criatividade, consegui chamar de "filhos da grandíssima puta da indústria do entretenimento, aquela devassa escrota, de fundilhos alargados por tanta e tamanha putaria no último século, este da reprodutividade técnica, com direito a replay".

O aplicativo, não esqueçamos do nome, "BlogPress", é intuitivo, fácil, funcional e tudo mais. Tem a enorme vantagem de, ao contrário de todos os outros que testei para a função "postar-coisas-no-meu-blogue-a-partir-do-ipod-sem-ser-da-maneira-convencional", funcionar. Fujam dos outros. Todos; testei-os e não funcionaram. Ou não logava, ou não postava, ou postava apenas em "draft" (o post ficava configurado como rascunho), ou aconteciam falhas esdrúxulas com as imagens - e este "BlogPress" permite configuração com álbuns de serviços como o Picasa, o que facilita muito a vida de quem posta com imagens desse banco de... imagens. "BlogPress" é o cara. Fosse eu publicitário, recomendaria o slogan de "um novo conceito em postagem a partir de dispositivos móveis". Por que, me pergunto, as pessoas costumam dizer que seu empreendimento é um novo conceito em alguma coisa? Sendo que nunca é? Uma lan-house que se posicione assim é o quê? Oferece mojito enquanto o cliente navega? Mulheres nuas? Shows de strip? Qual é o conceito de "um novo conceito" para esse pessoal que oferece um serviço sem novidade nenhuma perante o mundo e os seus pares?

Enfim. Agora sim posso viajar tranquilo para onde for, sabedor de que, munido de iPod meus registros inúteis, vazios e dispensáveis do dia-a-dia poderão ser divididos com meus 9 leitores em tempo real. E nem preciso me preocupar em espremer tudo em 140 caracteres.

É só vantagens a vida com um iPod Touch.