quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

20.000 léguas

Navegamos juntos as vagas do oceano
nosso oceano foi pequeno
nossos mares eram um riacho
nas calmarias de nossas águas
vicejaram as lembranças
e o nosso relaxo.

Nossas tormentas eram calmas
nossas águas eram plácidas
a felicidade e a constância
vinham dar em nossas margens.

Nunca fomos oceano
não chegamos perto de rio
a riacho nos faltou pouco
fomos lagoa de outras paragens
com uma canoa a fazer água.
Fomos coisa de louco.

Terminamos em cascata
as lágrimas correram
transbordamos pelos olhos
tudo que calamos na calma
algo boba, algo incoerente
na calma tão nossa, inocente
do nosso amor feito em água
do tamanho do oceano
tênue como o córrego
calmo como a lagoa.

Hoje somos várzeas e bueiros
em nós não flutua mais canoa
somos o fim de tudo
somos as águas canalizadas
somos o desequilibrio
de uma história banalizada.
Somos o sol que estiou a lagoa...
e os fins derradeiros
por onde a água escoa.

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