Muita coisa distingue mulheres de homens. E não me refiro ao temperamento, detalhes vinculados ao comportamento, prioridades e idiossincrasias. Nem a apêndices reclusos da anatomia nos homens, ou reentrâncias, curvas e concavidades nas mulheres.
Me refiro a capacidade de enxergar cores. Nós, homens, enxergamos menos de 16 cores, sendo como versões ancestrais do Windows. Homens são, portanto, 8 bits. Verde, amarelo, azul, vermelho, branco, preto, cinza, roxo, marrom. Mais uma ou outra variação, como verde marinho, azul marinho e etc. Mas não mais do que isso.
Mulheres não. São como celulares novos, que distinguem nos seus visores minúsculos mais de 2000 cores. Só que não existem 2000 cores. E a capacidade de distinção de novas cores bizarras, aumenta exponencialmente à razão geométrica de duas vezes por ano. Ano que vem as mulheres serão capazes de distinguir não mais 2000, mas sim 4000 cores. Que, torno a existir, não existem. Existem as 16 fundamentais, e só. Exemplos:
Gelo. Gelo não é cor, caralho, é água congelada. E é translúcido, como pode algo transparente ser cor? E gelo, a cor, na verdade, é branco. Gelo é gelo, não é cor - gelo só tem alguma tonalidade se for de água suja, caudalosa, mas se for de água límpida, então não tem cor nenhuma, porra. Vinho. Vinho é o sumo fermentado da uva, e se for tinto, é roxo. Não é nome de cor, é nome de bebida. Com vinho a gente se embebeda e esquece da vida - e via de regra, das mulheres que nos patrolam a existência - a gente não tinge nada com vinho. E seria um sacrilégio se o fizesse, porque vinho não é cor e nem tinta, vinho é bebida.
Damasco é uma fruta cara e que se consome bastante no Natal. Mas não é cor. Aquilo é laranja, talvez meio amarronzado, mas é laranja, que também é fruta. Damasco é nome de fábrica de café, Damasco é nome da capital da Síria. Damasco é nome de fruta, não de cor. A maioria das mulheres que sai colorindo o mundo de damasco nunca provou ou viu um fruto de damasco na frente. Damasco não é cor, nunca foi e jamais será, porque é laranja, não é cor de damasco, é cor de laranja.
Salmão é um peixe. E a porção interior do peixe, porque a exterior é cinzenta como de ordinário são a maioria dos peixes - com a exceção dos de aquário que são multicoloridos, mas que nunca, sob hipótese alguma, ultrapassam o limite de 16 cores básicas e distinguíveis no espectro pelos objetivos olhos masculinos. Salmão é um peixe caro, do qual se extraem postas muito apreciadas na culinária. E só. Salmão não serve para construir carros, não dá para espremê-lo e extrair seu sangue para pintar uma fachada. Salmão não é cor.
Petróleo. Petróleo é uma muleta feminina, assim como dizer que está confusa é para terminar compromissos, petróleo serve para tudo que seja preto e elas não queiram chamar de preto. Petróleo é um fóssil. E é preto. Se fosse azul, chamaria de azuóelo. E se fosse vermelho, vermelhóleo. Se chamam de petróleo é porque aquela porra é preta. E se é preto, já tem cor e nome, não vale usar o petróleo.
Cáqui se enquadra no exemplo do damasco. Cáqui é um fruto ame-o ou odeie-o, mas nunca, sob hipótese nenhuma, uma cor. Cáqui é beje no interior e amarelo por fora, quando em vias de amadurecer, e vermelho quando maduro. Cáqui é fruta, não cor. Assim como pastel é um preparo de farinha frito em óleo quente, mas não é cor. Nunca vai ser, porque pastel se usa para comer, não para colorir.
A tendência do verão em matéria de cores é nude. Nude, porra, isso tá em inglês! E não é cor, pqp, nude é nu. E nude, pelo que pude ver, é praticamente qualquer cor. É o coringa das cores. Nude, na verdade, na obscura e elíptica visão feminina, é um tecido que deixe enxergar o corpo, ou seja, são cores desbotadas: do beje ao preto, tudo é nude. Digitem nude no Google Images, não vai aparecer uma cor, vão aparecer corpos expostos, mostrando outras tantas diferenças de homens e mulheres. Como as cores.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Gelo não é cor, porra
às 02:13 Marcadores: Atualidades, Cultura

3 comentários:
Eu compartilho com os homens a incapacidade de enxergar esses milhares de cores. =/
Mulheres, "que nos patrolam a existência"... haahhaha. Fabuloso, fabuloso!!!
O João é daltônico. Esses dias ele tava comentando que não reparava na cor da roupa das pessoas, aí eu fechei os olhos dele e perguntei: que cor é minha blusa? e ele: azul! quando olhou minha blusa (cor de rosa), disse: tá vendo como eu reparo em você? acertei!
é, com daltônicos é bem pior.
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