Na vaga tentativa de arriscar uma prosa-poética direi que este post, o que encerra o ano de 2009, foi redigido a custa de suor, decepções, alegrias, descobertas, vitórias, derrotas, surpresas, e muita vida por todo o ano. E é verdade - ainda que seja mentira, porque se querem saber mesmo, escrevo isso dentro de um ônibus, em algum lugar entre o Paraná e São Paulo, no dia 20 de dezembro, e só lhes garanto que será postado na hora oportuna porque programarei assim - e a esta hora, se tudo correr como o previsto, estarei mais que bêbado, trêbado. Traçando as pernas, tropeçano pelas areias da Ilha do Mel, chutando a bunda de 2009, dando-lhe sucessivos ponta-pés nos fundilhos e recebendo, mais bêbado que qualquer um, bêbado a não mais poder, 2010, que nos foderá de jeito e de diversos jeitos, mas que será bem-vindo, porque é o que vem, é o que temos, não dá para saudar outro que não 2010, 2011 fica para depois, e 2009 já era. O que conta é que daqui um minuto 2009 cai de podre, velho e caquético, carcomido e desolado porque chegou sua hora. Nos chega 2010. Vamos, assim, abrir a segunda década do século XXI. Ê!.
Em 2009 descobri uma porção de coisas. Que empregos vão e vem. Submeti a mais testes a teoria que virou lei, sobretudo depois de tanto empirismo, que dita que a minha profissão, de jornalista, é um mato sem cachorro, num mercado de trabalho mate ou morra - mas de toda forma, vou navegando bem entre os escolhos e os recifes, norteado por uma sorte maior que tudo e todos. Em 2009 também, mais uma vez, percebi a nulidade de estabelecer planos para um novo ano: não consegui cumprir absolutamente nada - e não foi exatamente culpa minha na maior parte dos casos. Em 2009 coisas que podiam dar errado não fizeram por menos: foram lá e deram muito errado. Em contrapartida, coisas que eu nem sabia que podiam dar certo, apareceram, e deram certo.
Em 2009 morri, como diz a canção. Frustrei expectativas, tive expectativas frustradas, voltei a consumir música em proporções industriais e, sobretudo na última metade do ano, comecei a negligenciar minhas leituras, o que sempre me entristece para comigo mesmo - me fazendo sentir-me em dívida com alguma coisa. E cinema, néscio vos, diria eu cofiando minhas hirsutas barbas, porque perdi completamente o hábito e acho que não há mais o que dê jeito. Em 2009 comecei a perder o interesse em lustrar minhas prosas, cansei do pedantismo. Em contrapartida, me descobri poeta. Dos ruins, mas poeta. Nem todos podem ser Paulo Leminski e eu me conformo com as minhas rimas fracas e poesias esdrúxulas, debruçadas sobre emoções primárias e sentimentos pueris. Afinal, eu sou feito de clichês e isso não é assim um demérito tão grande.
Ao longo do ano, tive pontos altos. De cabeça lembro agora de uns momentos que posso lhes contar e que guardarei com carinho na mente - e que estão nos arquivos deste blogue. Fui ao show do Radiohead em São Paulo. Aluguei um carro e fui com amigos ao DemoSul em Londrina, e de quebra tirei foto com o Rogério Skylab. No jogo entre São Paulo e Vitória no Morumbi, puxei mais de 50 mil almas mo coro de "ÔôôÔôÔ o campeão voltou!", saí do estádio e comi dois X-pernil sem pagar. Fui ao show do Mark Lanegan, arrumei ingresso autografado e roubei um copo lindo e afrescalhado da casa de shows - já devidamente esfrangalhado por mãos desastradas. Testemunhei o apagão de novembro na capital paulista, enquanto ouvia Nevilton tocando na laje à luz de velas. E há muito mais debaixo do tapete que não posso revelar, porque é pessoal.
Nem tudo foram flores. A rigor, pouca coisa foi flor nesse ano, talvez mesmo porra nenhuma. Comecei o ano com um ótimo emprego, termino-o na base de frilas e procurando algo novo. Comecei o ano com sonhos, terminei com metas. Comecei o ano sorumbático e recalibrando minhas velhas prevenções acerca de passionalidade, terminei o ano recordando as antigas prevenções e acrescendo-as muitas outras. E ainda assim 2009 vai deixar saudades, porque 2009 foi único. Ainda que ruim em algumas coisas, bom em poucas, meia-boca na maior parte delas, 2009 não será repetido, foi esse, não terá outro, é o que deu para fazer, e que diabo, eu faria tudo de novo. E com gosto.
Que venha 2010!
"Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro".

1 comentários:
Eu queria ter ido no show do Radiohead! rs
Feliz Ano Novo!
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