Eu evito cair no lugar comum, me dar ao trabalho de logar no blogger apenas para repercutir impressões e opiniões, como um outro Tristam Shandy, sobre as mais recentes, maiúsculas e esmagadoras derrotas e monumentais cagadas da espécie humana nesse mundinho que nos carrega em viagens cósmicas sem sentido e, parece, cada vez mais penosas. Eu evito porque não quero ser visto filosofando em público, não quero criar teorias, lançar movimentos, não quero fazer parte de ondas e vanguardas renovadoras. Não boto mais fé na humanidade do que num bilhete de loteria, ambas as instituições me parecem muito incertas para merecerem confiança. Mas a isso tudo de Realengo, ao ler o que este menino sobrevivente e bafejado por uma sorte hipócrita e cruel, uma sorte madrasta, uma sorte que dá a vida com uma mão, e lega um peso e uma tortura insuportável para um garoto, nem mesmo eu resisto.
Também me aborrece falar no assunto porque, lembro, há coisa de uns dois ou três anos, aconteceu outro crime bárbado que me impressionou em igual escala. Uns sujeitos roubaram um automóvel e arrastaram no asfalto por muitos quilômetros uma criança de 7 anos, que em face aos ferimentos não resistiu. Morreu. Lembro, ainda, de como me senti ao imaginar a situação para a família. É inconcebível imaginar que arrastaram um filho seu, um irmão, um sobrinho até a morte simplesmente porque ele estava no carro. E, a rigor, não mudou nada, porque ontem outro maluco assassinou 12 crianças. Amanhã alguém faz pior.
Stálin dizia que a morte de um homem era uma tragédia. A de milhões, uma estatística. Mas Stálin era um canalha debochado, e é o mesmo deboche que ele guardava atrás daqueles bastos bigodes que impera no mundo onde um sujeito desequilibrado tem acesso à armas - e não a tratamento, onde religiões podem morar na cabeça perturbada de pessoas capazes de decidir se você pode abortar, se você pode transplantar órgãos, receber sangue doado, se você pode usar contraceptivos. Se você pode se vestir, descobrir o rosto, amar. Não existe civilização. Existe uma corrida de vida ou morte mais ou menos organizada, mais ou menos funcional, respeitando uns poucos e cada vez mais esquálidos princípios. O futuro é sombrio para estes, porque se nada garante o direiro à vida, assolado por estados, governos, líderes, corporações, seitas, e malucos, não há muito espaço de manobra nestas veredas escuras da contemporaneidade para qualquer nesga de civilização e gentileza entre macacos pelados que, em última instância, somos.
Poderia ter acontecido em qualquer lugar do mundo (como, aliás, já aconteceu) porque, no fim das contas, seres humanos são iguais em tudo. Na genética, na cor da pele, no cabelo, na ignorância, no temor de deuses e amigos imaginários, na crueldade e na loucura galopante de um tempo em que resta pouco a cada jovem criança que não seja se lobotizar no devaneio coletivo de futuro, estudo, sucesso, trabalho, progresso pessoal. E em conceitos cada vez mais abstratos, como paz, crescimento, fraternidade, união.
Wellington, o nome do assassino, da besta-fera que matou a bel-prazer, não era ateu, religioso, partidário, anarquista, escritor, trabalhador, delinquente, traficante, engenheiro, policial. Era um homem. Um ser-humano. E foi capaz de fazer o que fez. Wellington não é um caso de loucura, não é uma tragédia isolada, sequer um assassino em massa, em série ou qualquer outro rótulo em que possam, os especialistas, encaixá-lo. Wellington é o negativo da nossa espécie, ocupada demais em matar-se, em sabotar-se, em odiar-se para perceber o mal que constrói a cada sonho frustrado, a cada derrota humana. Wellington era feito da mesma coisa que cada um de nós somos feitos. Wellington e cada uma de suas vítimas era feito do mesmo que todos nós somos. Era uma improbabilidade, um triunfo da matéria e da energia. Era uma exceção, porque num universo todo não seria encontrado um igual. E, mesmo assim, não teve dúvidas. A distância que nos separa do assassino, hoje, não é a vida, a morte, o ato. É a perplexidade, porque nos reconhecemos nessa derrota; a tragédia das crianças e das famílias é nossa. A derrota de Wellington, é coletiva, não individual. A vergonha é toda nossa. Nós falhamos como sociedade, como espécie, como indivíduos.
Ontem Wellington, era o nome do rapaz, Wellington como o general que venceu Napoleão. O nome deve ter atravessado continentes e se popularizado por conta desse vencedor, que promoveu morte e destruição para parar outro, que por sua conta dedicou a vida a promover morte e destruição em escalas industriais num tempo em que a arma era o bacamarte, a infantaria ia à cavalo e naves à vela ameaçavam a estabilidade dos impérios.
Hoje a arma está ali, na mão do psicopata. O arsenal nuclear na mão de mais ou menos qualquer um, como um dia esteve o zyklon-b. Hoje. Amanhã, não sei.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Vai dizer o que depois dessa, ô ser-humano?
às 12:21 0 comentários Marcadores: Atualidades
terça-feira, 5 de abril de 2011
Aforismos - Pensamento positivo
Se pensamento positivo adiantasse alguma coisa, tirando eu, tava todo mundo muito bem por aí.
às 10:57 1 comentários Marcadores: Aforismos
sexta-feira, 1 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
Dia de cão
Dia de cão. Inexplicavelmente você esquece de programar o despertador. Vai dormir e perde o horário. Inexplicavelmente porque você o faz, religiosamente, todas as noites. É a primeira vez que perde a hora no trabalho. Acorda às 10:30, quando você já devia estar na redação, à meia hora. Corre. Toma banho, nem escova os dentes e torce pra que ninguém lhe dirija a palavra até chegar ao trabalho. Lá, no banheiro, escova, dane-se.
Na redação, a notícia: "cara, você viu o email?", "que email?", "então, você tá escalado pra cobrir a coletiva do Adriano no Corinthians". Quando? 12:30. Mas não ia ser às 17 horas? Não, cara, o mundo resolveu te foder inapelavelmente hoje, e a bagaça vai rolar às 12:30.
Para chegar no fim do mundo onde o Corinthians resolveu erguer seu CT, sem trânsito, você leva uns 40 minutos. Eu tinha isso. E nenhuma certeza sobre rumos desimpedidos até lá. Desci da redação, requisitei a viatura da firma. Demora, não tinha um puto de um motorista no prédio todo.
O motorista não tinha a menor ideia de onde era o CT. É no Parque Ecológico do Tietê, eu falei. Onde é isso? Porra, não sei, cara. GPS não localiza o lugar. Ligo a cobrar na redação e peço um endereço. Onde diabos é essa porra? Avenida Afif Ribeiro ou Guirá-acarantara. Hã? Como?
E não era nada disso. O raio do CT fica no quilômetro 17 da Rodovia Ayrton Senna. Soube depois e ao custo de muito suor, nervosismo e quase lágrimas.
Chego lá. O pessoal da guarita pede identificação, credencial de imprensa. Não tenho salário e, tecnicamente, não sou sequer funcionário da empresa onde trabalho, sou mais um voluntário remunerado, então não tem carteirinha e crachá nos conformes. São 12:30, horário da coletiva. Alguma insistência e, enfim, falam com a assessoria, liberado. Entro.
A coletiva começa assim que me sento nas nada confortáveis cadeirinhas da sala de imprensa. Perguntas, rasgação de seda. Adriano responde. Aí um cara repercute uma matéria do O Dia do Rio. Adriano sobe nas tamancas. Aí um torcedor dentro da sala de imprensa surta também. "Ô são-paulino!", "É, você mesmo, dando risada...". Barraco. O torcedor se emputece com o que considerou uma agressão. É só jornalismo.
Ele se dirigia à mim. Sou são-paulino. Mas pouco depois percebi que ele se emputecia com o repórter que perguntou sobre a matéria do O Dia, que irritou Adriano. Pensei: "era só o que me faltava, dia de merda".
Termina a coletiva, emendamos o caminho de volta para a redação para subir as duas toneladas de vazio e nulidades que Adriano se dignou a desfiar a um pequeno pelotão de jornalistas. Trabalho feito, hora de ir embora, tirar o time de campo. Aí você sobe no ponto de ônibus. Bingo, acabou o bilhete único e você está sem um puto no bolso.
Anda 20 minutos para encontrar um caixa-eletrônico. Saca no limite, embarca no ônibus lotado e vai embora ruminar o dia e lamentar-se por não ter tido tempo de ler uma página de Cosmos.
Dia de merda.
às 16:05 0 comentários Marcadores: Memórias
terça-feira, 29 de março de 2011
Aforismos - Fé 2
Fé é um tipo de falência. Fé é a admissão intrínseca da ausência de mérito numa afirmação. Se você diz ter fé em algum conceito ou ideia, vale de Deus à incorruptibilidade de determinado caráter, você admite que acredita neste conceito por um valor subjetivo sustentado por sua única vontade, e não por seu próprio mérito.
É por esse motivo que você não verá alguém dizendo "a democracia é real, ela existe, vai nos salvar, eu vou ter fé"; ou "a Terra gira em torno do Sol, eu acredito, terei fé".
às 13:12 1 comentários Marcadores: Aforismos
Rádio: Willard Grant Conspiracy - Another Lonely Night
Que seria de nós sem o grooveshark?
às 12:04 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
Do que devia
A vida devia ser uma canção do Belchior. Um filme do Sérgio Leone, um romance do Saramago, uma poesia do Leminski, uma trilha sonora do Ennio Morricone...
às 10:40 1 comentários Marcadores: Memórias
domingo, 27 de março de 2011
Berço
Nascia, ainda agora
um poema de última hora...
crescia aqui, levando de mim
um pouco de vida lá fora...
quinta-feira, 24 de março de 2011
Por um punhado de amigos
"Quando Explode a Vingança" talvez seja o menos conhecido dos grandes e retumbantes clássicos de Sérgio Leone, mestre último de uma forma de cinema que vem sumindo. Na mesma medida talvez seja o mais fraco dos filmes em termos de trilha sonora, composta pelo inseparável Ennio Morricone. A trilha desta fita empalidece quando comparada a qualquer acorde das canções marciais que embalam a "Trilogia do Dólar". Mas mesmo assim, é Morricone, e mesmo assim é Sérgio Leone no que fazia de melhor.
Trailer de "Quando Explode a Vingança"
O filme é magistral porque não se preocupa com nada, conquanto se preocupe em mostrar tudo. A história gira em torno da improvável amizade de um renegado e cínico terrorista irlandês, vivido por James Coburn (um ator impecável, sua atuação poucos anos depois de Pat Garrett em "Pat Garrett & Billy the Kid", filme que apresenta Bob Dylan na pele de um monossilábico jagunço, é memorável) e de um bandido mexicano, que sem querer, acaba se tornando um dos grandes comandantes da revolução mexicana. O ladrão mexicano é vivido por Rod Steiger, ator B, outra marca de Leone: dar vez e aproveitar atores desconhecidos em papéis de destaque.
Uma coisa que sempre me impressiona nas peças rodadas pelo italiano é seu firme conceito de coisas abstratas, condensadas na tela, chegando a um peso, uma dimensão, um diâmetro incomensuravelmente enorme. A tal ponto que os filmes de Leone podem servir para ilustrar dicionários. São tão bem construídos que servem de sinônimos a conceitos como amizade, vingança, luta, derrota, amor, redenção. A amizade entre os dois personagens, de Coburn e Steiger, de "Quando Explode a Vingança" é tangível. A relutância no começo da relação incidental entre os dois, os reencontros e o final das duas figuras é algo crível. Leone era mestre em fazer de filmes absurdamente lentos, como "Era Uma Vez no Oeste", proporcionalmente marcantes, firmes, agudos. Fosse outro diretor, provavelmente, a história, até certo ponto comum e nada inovadora, de "Era Uma Vez no Oeste" teria se perdido, o filme teria sido ignorado - como de fato foi à época um espetacular desastre de crítica, só sendo reconhecido anos e anos depois - e seria só mais um grande desperdício de acetato.
"Quando Explode a Vingança" segue mais ou menos essa linha. É um filme ignoto, guardado na mente de gente como eu, não muito festejado, a trilha sonora não é imediatamente reconhecida como a de "Três Homens em Conflito", mas certamente, quem vê a peça e conhece um pouco de amizade, situações extremas, conflito, vida, sociedade e arte consegue guardá-lo em algum recesso mais profundo do coração.
Amizade. Talvez seja sobre isso que Sérgio Leone tenha falado em boa parte de seus filmes - se não mesmo em todos. A forma como os amigos acabam em "Quando Explode a Vingança", o reencontro dos dois grandes amigos em "Era Uma Vez na América", sendo um deles o traído e o outro o traidor, a dor excruciante do traidor que quer se ver morto, a do traído incapaz de sacramentar a vingança, a amizade entre bandidos rivais em "Era Uma Vez no Oeste". A amizade igualmente florescida de onde menos se espera em "Meu Nome é Ninguém" (cujo cartaz, devidademente avacalhado, é o banner deste blogue), onde Leone fora diretor assistente. Todos mostram facetas das nossas relações no mundo dito real, todas essas amizades são vividas em algum ponto por todos nós. E é simples reconhecer isso, embora seja incrívelmente difícil resumir tudo isso em formas de expressão como palavras e filmes.
Há alguns livros, algumas fotos, alguns poemas que são simples de se fazer. Mas a gente precisa de alguém os fazendo para perceber isso e encontrarmo-nos com a verdade última da arte. Os filmes de Leone são assim. É fácil falar de amizade na tela, construir um pano de fundo, uma história. Colocar Charles Bronson como galã. Abusar no plano longo pelo horizonte desolado e desértico do oeste norte-americano (ainda que as filmagens sejam na Sicília italiana, daí o termo western-spaghetti). Focar as expressões dos momentos capitais da trama denunciadas pelo close fechado diretamente no olhar, mais ainda, pelos olhos dos personagens. É tudo muito fácil, mas a gente precisava de Sérgio Leone pra perceber isso.
*Rapaz, eu devia este post há tempos para Leone, Morricone e Coburn.
às 12:14 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura, Memórias
terça-feira, 22 de março de 2011
Rádio: André Abujamra - Imaginação
A música é tão boa que a letra é um detalhe:
às 16:54 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
segunda-feira, 21 de março de 2011
O dia em que a vaca quase foi pro brejo pra nunca mais voltar
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| O USS Beale, o navio que quase estourou a Terceira Guerra Mundial |
Só que até aí eram só tensões. Provocações. Os soviéticos queriam esparramar uns mísseis em Cuba, os norte-americanos não os queriam tão perto de seu território. Impasse diplomático em outras circunstâncias, mas que virou o bicho que virou porque Kruschev era muito cabeçudo (desconheço se ele era ruteno, mas sendo, isso explicaria muita coisa) e porque, ora bolas, era a Guerra Fria.
Um episódio, entretanto, esteve muito próximo de deflagrar uma escaramuça de proporções globais de fato.
Um destróier norte-americano - no Brasil chamam essa configuração de casco de contra-torpedeiro, mas é um destróier - da classe Fletcher, o USS Beale identificou um submarino russo ao largo da ilha de Fidel. O submarino fazia o seu míster, e navegava submerso na esperança de se manter anônimo, em que consiste toda a ideia de um submersível. O Beale deve tê-lo ouvido pelo sonar.
Numa atitude bastante discutível em tempo de paz. Aliás, totalmente discutível, porque é um ataque, o Beale minou as águas com cargas de profundidade - dispositivos que afundam e são programados para explodir pela pressão da água - para provocar o submarino a emergir. Ainda assim, há controvérsias dizendo que era tudo um exercício e não um ataque pro-forma.
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| Um Foxtrot que virou museu |
Era necessário que os três oficiais mais graduados no submarino: o comandante Savitsky, o oficial ponderado e Ivan Maslennikov oficial político - bizarria do regime da URSS, que aboletava em tudo, de fábrica a escola, de time de futebol a força militar, um oficial partidário para monitorar o comportamento e respeito ao comunismo das pessoas comuns - concordassem com o disparo de um armamento nuclear. O segundo oficial o dissuadira a, pelo contrário, emergir e esperar ordens de Moscou. Savitsky subiu nas tamancas, rodou a baiana, discutiu, e considerando que não tinha autoridade suficiente sobre o oficial político, também parte importante no processo de tomada de decisões, acabou cedendo e desistindo do ataque.
O nome do sujeito que salvou o mundo é Vasily Arkhipov, que morreu em 1999. Outra curiosidade sobre o intrépido homem que segurou um torpedo nuclear na base da retórica é a de que ele fazia parte da tripulação do K-19, primeiro submarino de propulsão nuclear da URSS e que cujo primeiro cruzeiro foi um retumbante e clamoroso desastre (retratado no filme "K-19 The Widowmaker", com Liam Neeson e Harrison Ford numa das atuações mais vagabundas da carreira de Indiana Jones). A intervenção de Arkhipov, aliás, serviria de inspiração num outro filme, "Maré Vermelha", com Denzel Washington e Gene Hackman.
Enfim, o episódio, como boa parte das trincheiras secretas da Guerra Fria, ficou anônimo por 40 anos. Quem trouxe a anedota à tona (hum...) foi Robert McNamara, na conferência de 40 anos da crise realizada em Havana, em 13 de outubro de 2002.
No fim das contas, caros, no próximo gole de vodka que tomarem, dediquem um à memória de Vasily, marujos. Você está aqui hoje, provavelmente, graças a ele.
às 17:41 0 comentários Marcadores: História
Fogo amigo
E, me ocorreu agora: Gaddafi ia cair por força das circunstâncias. Agora, com as baterias de mísseis de três nações industrializadas, EUA, França e Inglaterra, voltadas para si, pronto, Gaddafi pode dizer que luta contra os imperialistas. Ditador que não usa propaganda não existe.
E lá se vão mais algumas toneladas de mísseis.
às 12:25 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
Tio Sam e Pai Goriot?
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| Tomahawk lançado de submarino inglês submerso. O líbio nem viu de onde veio... |
Ninguém foi bombardear os líbios, certos ou errados, apoiadores ou revolucionários, por salvaguardas humanitárias, ou intenção honesta de preservar uma massa fustigada de uma ditatuda hipócrita, despótica e hoje sedenta de democracia (dizem eles). A ideia é desfilar equipamentos bélicos para encantar compradores para as próximas décadas. O boom de defesa está aí, Estados no mundo todo se armam e não é coincidência que, basicamente, todas as vanguardas em matéria de caças (já acontecem os testes dos modelos de quinta geração, que devem atingir estado da arte em 2014-2015), desenvolvimento de propulsão para submarinos independente do ar e do átomo e toda uma nova família de mísseis estejam para pipocar nas vitrines da civilização. E incontáveis outros saltos em logística e outros materiais bélicos.
Isso sem contar, evidentemente, nos avanços de secos e molhados (novos rifles, munições, explosivos, táticas florescidas na poeira e no lamaçal regado a sangue em campos de batalha do Iraque e em tantos outros rincões tumultuosos desse admirável mundo velho). E também nos progressos tecnológicos que estão aí a dilatar as capacidades da guerra eletrônica a ponto de que, tal qual você com seu computador-tablet-notebook-smartphone jamais consiga acertar pé com o progresso técnico, governos e aparatos militares jamais estejam em pé de igualdade com o que há de mais avançado em monitoramento passivo e ativo de qualquer espaço físico.
E como diria Brecht, a quem interessa?
às 11:48 0 comentários Marcadores: Atualidades, Política
domingo, 20 de março de 2011
Bufas e Cagadas
Eu vivi todas as horas do fim
foi ali onde me desavim,
despedi-me das alegrias desesperadas
e me contentei com uma vida nova
toda de bufas e cagadas.
Formicida
Sugiro um brinde a nós!
formicida com gelo
de porre em porre, de bar em bar
que apesar de tudo, na alegria desregulada
ou no tédio sorumbático,
é nas esbórnias que eu te encontro
nas aventuras que eu te esqueço
é na vida desregrada, no eterno confronto
que vive você: a minha sombra de toda madrugada.
domingo, 13 de março de 2011
Rádio: Mamonas Assassinas - Uma Arlinda Mulher
"Eu fundei a Associação Internacional de Proteção às Borboletas do Afeganistão"...
às 03:29 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
quarta-feira, 2 de março de 2011
No país das desmaravilhas
Estava eu encarando meu reflexo no espelho. Evento desagradável a que me obrigo, ao menos uma vez ao dia, a passar. Situação constrangedora a não mais poder para as duas figuras mimetizadas e intermediadas pelo vidro. De um lado, o real. Do outro, o intangível. De um lado uma projeção, de outro um testemunho. De um lado o potencial, do outro o possível.
Trilha sonora para um suicídio
Bosta por bosta
e o poeta aposta
que no fim das contas
ficamos todos com as feridas
expostas
e o que mais vale
é dar as costas
a tudo que possa
nos por de fossa.
Apenas um rapaz latino-americano
Eu continuo pensando, em maior ou menor intensidade, que a vida deveria ser como uma canção do Belchior. Triste por vezes, mas com um fundo de verdade, profundidade e senso de realidade impactantes, dos quais não se pode fugir. A beleza está na verdade das coisas, na intangibilidade dos sonhos e no fato de que as melodias embalam qualquer existência. E de que este raciocínio não tem nada, absolutamente, nada de original.
às 12:57 1 comentários Marcadores: Aforismos, Memórias




