quinta-feira, 14 de abril de 2011

Antropocentrismo

Eu sou um amontoado mais ou menos ordenado de carbono, água, cálcio e um mosaico quase interminável de moléculas orgânicas chamado Tertuliano Máximo Afonso (não que a esta altura minha identidade seja um grande segredo para boa parte dos meus oito leitores, mas mantenhamos, o mais que pudermos, as aparências). Você é um conjunto de carbono, água, cálcio, moléculas orgânicas, mas com um rótulo diferente.

Muitos consideram essa compreensão da natureza humana degradante. Entendem que a visão desapegada de alma e subjetividade, em última análise, descaracteriza-nos como centros do universo, como triunfos da criação.  Eu, por outro lado, acho absolutamente fascinante que de um big-bang, de estrelas que explodiram e planetas que se formaram, possa ter saído porções de matéria capazes de se perguntar sobre suas origens, conjecturar sobre o que os forma e contemplar o que os cerca. 

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