Embora tenha cultivado desde cedo o gosto pela palavra escrita, e tenha até certo ponto me esmerado em escrever, admito, que meu maior defeito é por nome naquilo que escrevo. É o que explica, por exemplo, os nomes ridículos que dei para boa parte dos meus poemas, listados aqui. Ou do conto que por ora escrevo, que batizei de "O Cofre". Nada transcendental.
Se o mérito da pena se revela nos títulos que escreve, então, resta-me conformar-me com a sina de escritor de meia pataca.
De qualquer forma, estou para condensar e imprimir meu segundo livro. Sim, condensar. Meus versos são gotículas que pairam na minha cabeça, há que resfriar o vapor das minhas sinapses para fazer delas versos condensados nas paredes da minha mente - a associação é ridícula, bem o sei, mas é por aí. Nesta toada, chego aos 50 anos com mais de 10 livros condensados, quiçá impressos, e quem sabe um deles preste pra alguma coisa (e faltará tão somente escrever uma árvore e plantar um filho). Enfim, meu segundo livro, o primeiro foi uma reportagem (que batizei com um verso do Fernando Pessoa), será um compêndio das menos lamentáveis poesias que cometi nesta vida. O que me lembra uma frase do Alexandre Dumas, em "Os Três Mosqueteiros". Relatava ele os cantos dos protestantes ingleses naquele tempo de huguenotes, e depois ressalvava que "os versos estão longe de ser excelentes, mas como se sabe, os huguenotes nunca se presumiram de poetas". O que é uma ironia tão sútil que merecia um tratado só sobre ela. Eu que não sou nem inglês, nem huguenote, me presumo poeta e saio por aí condensando meus disparates rimados.
Para título da coletânea, oscilo ainda entre "Mecânica Universal Aplicada", "Poesias do Geometra" ou "Conjunto de Mandelbrot". Todos nomes de poderosas associações com o conteúdo de um ou outro poema que, altaneiro, guardo comigo, crente de que um dia lerão e encontrarão qualquer um desses significados perdidos nas minhas rimas.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Nunca fui bom com títulos
às 11:28 Marcadores: Memórias, Poemas para combater a calvície

2 comentários:
Eu sempre achei "Poemas para combater a calvície" um título bonito pra caralho. Achei que ia ser o título do seu livro.
Não lamente o mais do mesmo dos outros. Não te perturbe a tua inteligência, sagacidade, simplicidade e até pq não, suavidade.
Vc não tem de ser formatado, bonitinho como os demais. faz sentido pra vc.
Tá eu sei q existe a mídia (essa merda de quem depende os escritores). Mas pra mim, tá muito bom do jeito q está.
Parabéns, pq tenho lido o q vc deixa aqui estou começando a acreditar q há VIDA INTELIGENTE NA NET.
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