quarta-feira, 14 de junho de 2017

Dia dos desnamorados

Eu queria que não tivesse sido por vaidade que você vinha aqui naqueles dias, eu queria que tivesse sido por saudade, por amor, por vontade e insegurança. Eu queria que fossem essas, e mais coisas, porque aí, nesse caso, eu teria como lhe mostrar o caminho. Eu acenderia o farol, eu iluminaria a baía, eu escreveria na água um novo caminho, eu faria lugar no meu cais, que todo cais é uma saudade de pedra, e aportaria aqui essa nau dos nossos amores, dos nossos possíveis, dos nossos futuros.

Eu queria saber o que acontece, o que foi que houve, de onde nasceu tanto medo, tanto cansaço, de como é possível que você duvide de mim depois da minha espera, da minha temerária espera, de que você, um dia, voltaria e eu, tal qual aquele filhote, correria desembestado em direção ao seu, ao nosso, abraço.

Brinco de imaginar quando, e se, você lerá esse pequeno texto, mais esse resto, essa poeira, esse fragmento, esse vestígio do furacão de amor e saudade que me ensandece a alma, dessa desgraça íntima de precisar desmentir tudo, desdizer que amo você, que quero você, que nesse ano nós iríamos morar juntos, que dentro de poucos teríamos uma criança para adoçar (ainda mais) a vida, uma casa pra cuidar e outros tantos sonhos para buscar. Brinco de imaginar a pessoa que você será quando ler que, apesar de tudo, eu amo você.

Eu não enxergo onde acaba o meu amor por você.

0 comentários: