quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Há um ano

Há um ano eu lembro de estar feliz com meu emprego. Com tudo, traçando planos para realização no curto prazo. Há um ano, lembro bem, eu lia Ana Kariênina, um romance incrível, irreprensível, perfeito, magnífico do russo Léon Tostoi. Não que hoje eu não esteja feliz. Eu estou, do meu jeito, eu sempre estou, aliás.

Lembro que há um ano eu dormi no fim da tarde, cansado da leitura, com o livro no colo. Cai no sono, eis tudo. Acordei sobressaltado, passava da meia-noite. E eu tinha um compromisso, em virtude da data. Fiquei preocupado por faltar e não poder me justificar, porque o sono não é uma desculpa de mérito. Contava que ainda houvesse tempo, que fosse só um atraso.

Não foi o caso. Faltei o compromisso. Chateado comigo mesmo, fui observar se havia causado algum transtorno, se algum agravo havia sido, involuntariamente, perpretado com quem eu tinha marcado. Acho que não era o caso. Naquele momento, no MSN, estava lá: feliz 23, e não estou falando do Marcelo Rangel.

Eu sei que isso tudo aconteceu porque anotei em um caderninho. Não lembro porque anotei. Acho que era por conta de uma intenção que tinha, de escrever e compilar essas coisas num livro. Ou porque não queria esquecer. Curioso, mesmo, foi achar o caderninho que ficara esquecido aqui em São Paulo por meses e achar a nota, ainda ontem. Merecia um post, uma "memória".

Era o que eu precisava saber. Há um ano.

O dia em que cresci

Foi então que eu percebi, e da pior forma, que eu era parte de um passado que ela queria esquecer. Que mais que isso, eu fui um episódio. E um episódio superado. Um capítulo lido num livro que voltou para a estante. Percebi que, enfim, eu tinha fim. Tudo que supostamente era pra sempre, tinha fim. Que nada do que havia sido dito, vivido e dividido importava mais. Pertencia a um passado, a um tempo que não volta. E que eu estava sobrando, que eu devia sair dali, porque estava deslocado. Tudo porque eu sempre faço a coisa errada. Aliás, independente do que eu faça, acaba sendo o errado.

Nunca tinha sentido a dor de perder algo que nunca tive realmente. O que aprendi no momento não foi muito bonito. A virulência das emoções que experimentei naquele instante não foram, de maneira alguma, agradáveis. Mas, no fim das contas, que bom que as vivi. Que bom que aprendi, ainda que da pior maneira, os limites dos sentimentos humanos.

Aprendi também que eu não posso mudar as coisas. Que eu não volto, o tempo não volta. O destino não se conserta a si mesmo. Não há compensação para a lágrima derramada. Só as lições e o aprendizado que a gente conquista das situações extremas. As felizes e as nem tanto. Diante disso, o que digo, é que quero paz. Que eu não sou sobre-humano. Que tenho defeitos. Que eu não sou o coração impassível que aceita frio um jogo de cena que não é o meu. Eu não nasci pro mise-en-scène dessas relações descartáveis de hoje. E, acredite, pago caro por isso. Nas amizades, nas inamizades, até na família.

De resto, sigo aqui com minhas cismas. Coagulo minhas penas em versos ruins, mas bastante verdadeiros, que jamais cristalizarei noutro livro. Passou a vontade. Passou, sobretudo, a coragem, a fé de que tudo que é feito bem e pelo bem, compensa. De que há, em qualquer lugar no meio disso tudo, algo de bom a ser conquistado, buscado, atingido, ainda que o preço seja caro, seja medido em lágrimas, suspiros e uma saudade que não morre, de um sentimento que não se nega, que não se destroi. De um sentimento que não está vivo, nem morto. De um sentimento que não está. Um sentimento que simplesmente é. Como o ar é, a vida e a morte também. Um sentimento que não existe nele mesmo, mas em todas as coisas. Todas. Todas. Mil vezes todas.

E, como eu dizia, se tive que aprender a perder algo que nunca tive de verdade, que agora eu possa, enfim, aprender a conservar o pouco do nada que me restou. E isso só saberei fazer na paz do meu sossego, no anonimato do esquecimento, na calma certa do tempo que passa, e qual as vagas pacientes e silenciosas do oceano que tudo moldam, acaba por levar de mim toda a memória de tudo que tive e que precisei abrir mão. Espero que entendam isso da maneira que eu tive de entender: resignadamente, ainda que sob protestos, e em paz.

domingo, 20 de setembro de 2009

Medo e delírio na Rua Augusta


Eu já tive noites mais divertidas. Aqui em São Paulo, inclusive. Ontem não foi um dia de sucessos na arte da distração, mesmo com o manacial quase que totalmente inexplorado da Rua Augusta aos meus pés. Fila enorme para o show do Mundo Livre. Uns 40 minutos de espera e, "sinto muito aí pessoal, mas a casa está lotada".

Não tem tanta importância. No tempo em que eu morava, e até certo ponto, vivia, em uma certa cidade do interior do Paraná eu tinha tido a oportunidade de ir a um show do Mundo Livre. Neste não deu, então ok.

Do outro lado da rua há um pub. Mas é um pub mesmo. Com a decoração dos seus pares londrinos, tudo de bom gosto. Tem chopp da Guiness lá, tida pelos entendidos e pelos nem tão entendidos como o melhor fermentado de cevada dos nossos tempos, quiçá dos outros todos. Embora eu ache Warsteiner mais saborosa. Importada, a bebida é cara. Vamos de Heinneken. Ou de Stella-Artois (pronuncia, segundo meu francês de alfarrábio, "estela-artoá"). Heinneken que é envasada na mesma cidade do interior paranaense onde eu morava, e até certo ponto, vivia.

No pub há um inglês. Ou um sujeito que se diz inglês e disfarça o sotaque, o que não é difícil, ao atender os clientes dando, assim, uma propriedade mais legítima ao pub. Dez reais a consumação. Duas garçonetes revezam-se na tarefa de saciar as vontades dos clientes, ou ao menos as vontades mais púdicas. As zonas da Augusta ficam mais adiante, sentido Avenida Paulista, e este respeitável pub não é o caso. Embora não falte quem fantasie com as duas, sobretudo na nossa mesa, onde nasce uma paixão de um dos colegas, classificando a loira como muito parecida com aquela que virá a ser, um dia, a mulher da sua vida. Não faz meu tipo, tatuada demais. Loira. Mas faz o dele. Tímido, a chamamos para amedrontá-lo.

Por um lado, o pub está cheio. Mas por outro, não está lotado. Não há mesas vagas ou lugares ao balcão, mas não obstante, não se vê ninguém insulado em alguma rodinha em pé. Estão todos, nós inclusive, ao encontrar um lugar ao balcão que logo seria trocado pela mesa, bem instalados.

Conversamos sobre banalidades. Mas rimos muito. Confessamos desgraças e, delas, fizemos troça. Aliás, é o que elas merecem. E que cegos fomos ao pensar um dia o contrário. Lá pelas tantas, de maneira impensada, surge um sujeito na mesa: "PG!?". Ele aponta pra nós. Encontramos em São Paulo mais um exilado do interior paranaense, que nos conhecia de vista e que tinha conosco amigos em comum, tendo sido nosso contemporâneo na universidade, contudo fazendo outro curso. O sujeito formou-se em História e veio, com sua banda, tentar a sorte. Planos de uma nova viagem "fear and loathing" pela América do Sul, para comemorar o aniversário da primeira, feita a Buenos Aires há quase quatro anos, são traçados na mesa do bar. Planos de roubar o copo de chopp da Heinneken com referências à UEFA Champions League são feitos e abandonados, em virtude da falta de blusas para esconder o produto do furto. Planos, risos, desgraças, chopp, noir.

Eu tinha para contar dúzias de observações, ponderações e pensamentos que me ocorreram em virtude do alcool e das conversas. E dos risos. Eu poderia contar sobre inúmeras coisas que ocuparam meu espírito durante estas quatro horas, planos para o futuro que me parecem bastante alvissareiros. Mas nunca se sabe. Sobre pessoas no pub, nas calçadas, nas mesas. A cantada arrependida de um amigo à garçonete loira tatuada, qual um gibi, meu trabalho de cupido debochado. Outras tantas glórias e pequenas batalhas do convivio social vividas ontem. Há, de fato, muita coisa a ser dita sobre essa noite. É pena que tenha que calar. É pena que eu não tenha paz, que eu me livre do desassossego de uma história mal resolvida, e que venham me contaminar novamente. É pena que tenha quem não aprenda e não respeite, que tenha quem se faça e desfaça. Que não tenha coragem de assumir uma ou outra. Quem não se resolva. Que volte atrás se é pra voltar, e que siga em frente se é pra seguir. Quem destroce o que há de bom em mim, e se esforce mesmo, dando tudo de si, para que incompreensão se converta em ódio. Que um punhado de boas memórias virem ressentimento, mágoa, e mesmo sejam esquecidas. Que tenha quem morda, e assopre. Quem machuque só por machucar.

Eu, como sempre, tenho muito a dizer. Eu, como poucas vezes, vou calar.

Indefinidamente.

Há vida - de clichê? - na imprensa

Já há algum tempo queria falar do excelente trabalho da repórter Elaine Brum, da revista Época. Ela é excelente, mesmo. Tropecei ontem nessa coluna sua na revista em que trabalha e fiquei, simplesmente, sem palavras. E, que pena, faço dela um clichê, porque a repetirei aqui em parte e peço a todos que a leiam. Um diagnóstico muito interessante àqueles que se apavoram pelo futuro e que vivem de incerteza em incerteza:

Diz Elaine:

"Do mesmo modo que é mais fácil botar no mundo o primeiro chavão que nos vem à cabeça, também é mais fácil – e mais aceito – viver segundo os clichês da nossa família, sociedade, época. Penso que a maioria de nós vai vivendo e repetindo velhas vidas que aparentemente já deram certo e não incomodam ninguém. O que seria o clichê de uma vida de classe média de um brasileiro de hoje?

Vou arriscar. Estudar num colégio privado desde a creche. Começar a falar inglês ainda bebê. Alguma coisa tipo ballet ou artes marciais ou aulas de circo. Em algum momento do ensino médio ir para a Disney com a turma ou até fazer um intercâmbio para melhorar o inglês. Ingressar na universidade. Antes ou depois da faculdade morar um tempo em Londres. Em algum momento tocar saxofone ou algum outro instrumento que lembra bares boêmios, com atmosfera noir, de uma vida que leu nos livros e/ou viu nos filmes. Produzir alguma coisa de cinema de documentário e/ou criar um blog onde finalmente pode expressar seu verdadeiro eu. Rebelar-se um pouco e enfim trabalhar, reclamar do trabalho e fazer umas baladas com os colegas de trabalho e os velhos amigos da faculdade. Descobrir que ser adulto é aceitar a vida como ela é. Casar, comprar apartamento, ter um ou dois filhos, entender de vinhos e fazer viagens de férias bacanas para a Europa, Estados Unidos ou países exóticos da Ásia e mais recentemente também da África. Não sei bem como continua.

Não é ruim ou errado, não se trata disso. Pode até ser muito rico, se for vivido como algo próprio, segundo a singularidade de quem vive, não segundo a ditadura do clichê do que deve ser uma vida de uma pessoa de classe média do início do terceiro milênio. Parece-me, porém, que não pensamos muito antes de vivermos uma vida lugar-comum. Não pensamos nada quando acordamos pela manhã e seguimos até a noite uma rotina instituída por quem? Ah, sim, por nós.

Não pensamos nem mesmo que nada impede que façamos tudo diferente. Apesar da pilha de empecilhos-clichês que temos na ponta da língua para ocultar nosso medo de arriscar, se formos pensar com a necessária honestidade, a vida está mesmo nas nossas mãos".


O resto da ótima coluna de Elaine você pode acompanhar aqui. E faço questão, mesmo, que o faça. Vale a pena.

Rádio: Soulsavers - No Expectations

Ah, a letra dessa canção. Soulsavers para salvar almas.

Take me to the station
And put me on a train
I've got no expectations
To pass through here again

Once I was a rich man and
Now I am so poor
But never in my sweet short life
Have I felt like this before

Your heart is like a diamond
You throw your pearls at swine
And as I watch you leaving me
You pack my peace of mind

Our love was like the water
That splashes on a stone
Our love is like our music
It's here, and then its gone

So take me to the airport
And put me on a plane 
I've got no expectations
To pass through here again.



Medo e delírio

Fear and loathing:



sábado, 19 de setembro de 2009

Rua Augusta

Entre a cruz e a espada;
entre o suco de uva e o vinho tinto.
Entre o show e a literatura.
Entre o amor e a minha cura.
Um pouco de paz, outro tanto de loucura.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O dia em que cresci

Eu pensava quando tinha meus 12, 13 anos que a vida era fácil. Um processo, nada mais que isso, que consistia em deixar que a ação do tempo nos guiasse rumo ao futuro. Eu achava, enfim, fruto da inocência da infância, que a vida era fácil.

E hoje, que perdi a inocência, e as ilusões, como diria Balzac, me pergunto com frequência: onde foi, em que momento, eu realmente perdi a ilusão de que a vida era fácil, de que bastava fazer as coisas bem e escolher sempre o certo diante do errado.

Talvez exista um momento que divida as duas coisas. Seria ali o meu batismo de homem. Ou o funeral de uma criança, é sempre uma questão de ponto de vista. Mas talvez o que tenha acontecido é que houve um processo, duramente construído com decepções, alegrias, tentativas, frustrações, sonhos e desistências, e a coleção de cada um desses momentos, de cada experiência foi, enfim, me moldando. Hoje eu sou o que eu sou. Nada mais, nada menos.

Mas o fato é que seria mais fácil eleger um evento isolado que, sozinho, desencadeou todo o processo que terminou me dando responsabilidade, pêlos na cara (ou pelos, como quer a reforma), conta no banco, cabelos brancos, carteira de motorista, uma voz mais grossa. Sonhos, tristezas, vitórias e amores.

Eu não sou capaz de dizer o dia, o momento, o que aconteceu que, de um dia pro outro, da água pro vinho, da semente à flor, e outras disparidades que tais, me fez de menino em homem. Eu não sei, na verdade, se não sou, no fundo, o mesmo menino de sempre, brincando de ser gente grande, buscando sentido nas coisas e propósito nos sonhos. E mérito nas lutas.

Eu não sei. Eu nunca sei, até já ser muito tarde. É o meu maior mal.

Rádio: Soulsavers - Some Misunderstanding

Eu não consigo viver um dia sem ouvir Soulsavers. Impressionante o trabalho desses caras.



Jazz pra ninguém botar defeito

Mas alguém sempre acha defeito. Impressionante a sanha humana de desagradar. Enfim, estão aí as anedotas bíblicas e históricas para dizer-nos que, se nem Cristo passou sem que lhe botassem defeitos - a ponto de o pregarem num arranjo de madeira - quem sou eu e o meu recente e juvenil entusiasmo pelo jazz para supor-se capaz da unanimidade. Quem sou eu? Quem sou eu?

Unanimidade que é sempre burra, dizia Nelson Rodrigues que, veja você, estava fadado a jamais agradar a todos. Por mais que você cultue a literatura suja, o senso da realidade, a esquizofrênia do nosso tempo, o jornalista de olho ligado, o frasista de mão cheia, enfim, um dia você acaba descobrindo que o sujeito era favorável à ditadura militar. Fato este que o desmonta considerávelmente no panteão dos meus herois.

Se nem Cristo, nem Nelson Rodrigues, lograram tento na dura peleja de sensibilizar os corações humanos na sua totalidade, quem sou eu, dizia, para supor que o jazz seja capaz de tamanho feito. Aqui mesmo já disse que, a rigor, o jazz já desagradou gente de garbo na arte do pensamento. Adorno, o querido Dodô, se esmerou para desancar substancialmente o gênero musical em questão durante todos os anos de sua vida. E o fez em prosa daquelas. Só não o fez em verso por desconhecerem-se até aqui, mesmo entre os renomados biógrafos do filósofo germânico, que fosse ele capaz de versejar. O que em alemão, desconfio, deve beirar as raias do impossível.

Enfim, o que conta é que o jazz deveria ser disciplina na escola. Neste ano, aliás, neste setembro, comemora-se o 50º aniversário (viu o que eu fiz ali? Coloquei o numeral ordinal na forma de algarismo para dificultar a sua leitura e facilitar minha escrita. E você ainda assim continua lendo). Comemora-se o aniversário, enfim, do disco Kind of Blue, de Milles Davis e seu sexteto, considerado pela gente que entende dessa bossa, que é jazz, como um marco divisor da história do gênero. E só pode ser isso mesmo.

Faz falta no jazz, ao menos nesse clássico e mais sisudo, voz. Vocalidade vende, rapaz. As músicas ficam nas nossas cabeças porque gravamos as letras que nos dizem verdades. Ou mentiras, pouco importa. No jazz, contudo, a sonoridade sem palavra é interessante. Quando você começa a se interessar verdadeiramente pelo som, voa com ele. O jazz tem qualquer coisa de especial que eu só havia vivenciado em concertos de música clássica. Dá até um senso de purismo essa cultura do som, da música, unicamente pela melodia.

Na internet há toneladas de megabytes à guisa de erudição a respeito do jazz e especificamente de Kind of Blue, sobretudo agora na esteira da efeméride. Não vou repercuti-las, provavelmente lerei poucas e menos ainda indicarei aos caros que as leiam. O melhor que faço, num dia tedioso como esse, e que começa bem pouco alvissareiro, é recomendar que ouçam o álbum, se calhar. Se não, não perdemos nós aqui nada, afinal, é impossível agradar a todos. "Mormente a alguém, eu que sei, eu que sei..."

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Highway to hell

Em novembro, no Morumbi, AC/DC. Eu vou. Mais um sonho de pré-adolescente se tornando realidade.

Who knows?

On my way to... São Paulo. Mas bem que poderia ser Cingapura.

Mas... quem sabe?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Campanha internacional contra o tempo

Era uma vez um homem.
De peito aberto ele contraiu o vírus chamado momento,
socorrido não teve jeito, nada que desse remendo,
restou a ele resignar-se e chorar ao relento,
enquanto as lágrimas iam ao vento,
E ele foi definhando,
morria sorrindo um riso cinzento

até que, enfim, disse toda a gente
o homem morreu,
morreu de tempo
e viveu de desalento.

Tempofobia

O tempo.
passa, ele não faz outra coisa.
O tempo nos leva.
O vento nos afasta.

O tempo vem.
O tempo não se detem.
O tempo não dói,
o tempo corrói.

O tempo é meu amigo.
O tempo leva meu abraço.
O tempo traz o meu cansaço.
É o que consome a minha serenidade.
O tempo multiplica a minha saudade.

O tempo é meu inimigo.
O tempo envelhece o meu coração,
O tempo carrega a minha inocência
e me traz uma sensação
de uma vida de indolência
O tempo torna tudo incoerência.

O tempo passa.
O tempo não faz outra coisa.
O tempo morde.
O tempo assopra.
O tempo sou eu.
O tempo leva tudo que é meu.

O tempo não volta.
O tempo dói.
O tempo nos perde
é como um labirinto.

O tempo é uma dimensão.
O tempo é infinito.
O tempo é uma ilusão.
O tempo, hoje, é tudo que eu sinto.

Auto-ajuda?

Chamaram-me a atenção dia desses para que meu blogue tornou-se um amontoado de bobagens de auto-ajuda. A princípio, me preocupei. Depois, ao pensar no assunto vi que não era o caso. Auto-ajuda são experiências ou bobagens ditas para as pessoas se sentirem melhor e acreditarem que tudo tem conserto, "basta acreditar em si mesmo, mentalizar" e bla, bla, bla.

Eu, Tertuliano, não faço isso. Conto minhas experiências. Não digo que são certas, que dão certo. Não as torno exemplos, apenas escrevo e digo como senti determinadas situações, como tirei delas algo de bom ou de ruim. Eu vivo e escrevo. Ou escrevo e vivo. É por aí.

Seria auto-ajuda se eu dissesse que tudo que faço é o certo e você aí, do outro lado, devia seguir meu exemplo. Quando é justamente o contrário. Pautar-se por exemplos, e conselhos dos outros, é sempre meio caminho andado para a frustração e arrependimento. E aquela incomoda sensação de "e se tivesse feito diferente?". A gente deve viver com as nossas escolhas. E fazê-las é mais legal do que deixar que as façam por nós. Mas se você é feliz do outro jeito, quem sou eu pra dar palpite?

Na verdade acho que quando escrever uma auto-biografia, supondo que um dia eu desperte em alguém tamanho interesse pelo meu passado, vou começar assim:

"Houve um tempo em que tudo era fácil. Eu era feliz, dava tudo certo, tínhamos tudo de bom conosco, o medo do futuro era uma vaga noção de algo nebuloso que ataca quem não era infeliz. Houve um tempo em que tudo era alegria, dava certo. Em outras palavras, tinha que acabar..."

Convenha, isso não é auto-ajuda.

Morte e vida

Hoje morreu um pouquinho de mim.
Um pedacinho que teve fim.

Mas o que conta é que amanhã é outro dia,
e que me apareça ali uma parte mais sadia.

Rádio: Oswaldo Montenegro - A Lista

Ah, Oswaldão.


Do outro lado da vida 2

Mas o que eu quero saber é: alguém já foi entrevistou a Whoopy Goldberg em virtude do passamento de Patrick Swayze ante-ontem?

Rá.

Chega de humor negro.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Do outro lado da vida

Morreu ontem, por conta de um câncer bastante agressivo, o ator Patrick Swayze.

Hum... acho que a Demi Moore não dorme essa semana...

Rá.

"Eu conheço o medo de ir embora...

... não saber o que fazer com a mão..."

 

O original você pode ver aqui.