Chamaram-me a atenção dia desses para que meu blogue tornou-se um amontoado de bobagens de auto-ajuda. A princípio, me preocupei. Depois, ao pensar no assunto vi que não era o caso. Auto-ajuda são experiências ou bobagens ditas para as pessoas se sentirem melhor e acreditarem que tudo tem conserto, "basta acreditar em si mesmo, mentalizar" e bla, bla, bla.
Eu, Tertuliano, não faço isso. Conto minhas experiências. Não digo que são certas, que dão certo. Não as torno exemplos, apenas escrevo e digo como senti determinadas situações, como tirei delas algo de bom ou de ruim. Eu vivo e escrevo. Ou escrevo e vivo. É por aí.
Seria auto-ajuda se eu dissesse que tudo que faço é o certo e você aí, do outro lado, devia seguir meu exemplo. Quando é justamente o contrário. Pautar-se por exemplos, e conselhos dos outros, é sempre meio caminho andado para a frustração e arrependimento. E aquela incomoda sensação de "e se tivesse feito diferente?". A gente deve viver com as nossas escolhas. E fazê-las é mais legal do que deixar que as façam por nós. Mas se você é feliz do outro jeito, quem sou eu pra dar palpite?
Na verdade acho que quando escrever uma auto-biografia, supondo que um dia eu desperte em alguém tamanho interesse pelo meu passado, vou começar assim:
"Houve um tempo em que tudo era fácil. Eu era feliz, dava tudo certo, tínhamos tudo de bom conosco, o medo do futuro era uma vaga noção de algo nebuloso que ataca quem não era infeliz. Houve um tempo em que tudo era alegria, dava certo. Em outras palavras, tinha que acabar..."
Convenha, isso não é auto-ajuda.

1 comentários:
Auto-ajuda é um conceito muito furado, né? Sei lá, se é "auto", então pra quê o livro? É uma maneira de dizer pra alguém que ela pode ser feliz por suas próprias forças, mas supor que ela não pode fazer isso sem alguém cochichando no ouvido dela. Enfim... é, também acho que você não faz isso.
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