segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Como ser escritor para dummies

Eu li o novo livro do Gay Talese, lançado há coisa de dois meses aqui no Brasil, chamado nestas plagas de "Vida de Escritor". Ok. Retifiquemos, na verdade ainda estou lendo. Já não sou o mesmo devorador de páginas que antes e não canso de me mortificar por isso. Mal da idade. Mal desses 24 anos de sangue, de sonho e de América do Sul, como nos diz o bom, já não mais sumido, Belchior.

E para gáudio deste que vos escreve o livro em questão, "Vida de Escritor", não é tão bom quanto os demais escritos por Talese. Não. De forma alguma. "Vida de Escritor" não é tão bom como "Fama e Anonimato". É melhor.

Qual o critério usado? Na verdade, um bem subjetivo. Como trata-se de um livro voltado ao próprio Talese, torna-se mais um manual de como ser escritor. O personagem principal na obra não é mais o sujeito anônimo com algo a contar que mereça ser publicado. O personagem principal é o próprio Talese, contando suas manias, sua maneira de escrever, de cavar uma pauta. Nasce aqui um clássico do Jornalismo Literário porque nos ensina a todos que honramos um pouco o gênero como Talese trabalha. E me aborreço ao pensar que, tivessemos uma versão brasileira deste livro há dois anos, e meu TCC ficaria melhor. Bobagem, porque não fez falta.

O livro rende bons momentos. É excelente se sentir de certa forma íntimo de uma pessoa a quem você admira. Conhecer como são as casas e o cotidiano do escritor, ainda que há 10 anos atrás - que é o período do princípio do livro - é algo delicioso.

Assim como conhecer um pouco da história de vida de Gaetano. Saber, por exemplo, que ele veio a se tornar jornalista e escritor por conta de um Sr. Garrett, que fora editor importante do The New York Times, e que o inspirou Talese na juventude. À mim foi um episódio passado quase que completamente despercebido na obra. Não chamou nenhum pouco a minha atenção que o tal Sr. Garrett seja descrito como um sujeito loquaz, de voz forte e que, embora beirando naqueles tempos - 1948 - os setenta anos, não apresentasse nenhum sinal de debilidade física. As passadas eram vigorosas. E que Talese via muitos homens elegantes na loja de seu pai, mas nenhum como Garrett. "Ele personificava em mim o esplendor metropolitano para o qual eu esperava um dia fugir", remata Talese.

Nem me chamou a atenção. Curioso.

1 comentários:

Pina disse...

Rapaz, bom saber de um novo livro do Talese. Mas vamos concordar: merecia uma capa melhor, não?