Eu vou escrever hoje meu melhor poema, meu amor.
Vou esgrimir com os versos, vou me econtrar onde quer que for.
Estarei lá, ao pé de toda a tristeza, rir e enfrentar o pavor.
Vou correr o risco de chorar novamente, só para te chamar de flor.
Vou te dar hoje, meu amor, o meu melhor sorriso.
Entre o som da sua voz, a carícia do seu olhar indeciso
vou encontrar o mérito de tanta teimosia para acariciar teu cabelo liso.
E com as rimas te acalmarei, toda essa angústia, eu amenizo.
Hoje, meu bem, será um dia de alegria e de sentimentos.
Enfim, verdades e sentidos irão curar nossos ferimentos,
e no fim da noite escura, o alvorecer da manhã nos assegura,
há muito porvir e há ainda muito o que sentir.
Eu vou caminhar as novas veredas sem olhar para trás.
Comigo, no peito, vão todos os sonhos do mundo,
na cabeça todas as paixões do tempo de rapaz,
e do teu coração guardo o olhar profundo.
Não vou esquecer seu jeito de manhã serena.
Vou viver por outro dia em que lhe acaricie a cabeça morena.
Vou viver do sonho de um dia ter te amado,
e o pesadelo atroz de que o seu amor tenha acabado.
Este poema, meu bem, é o que venho escrevendo
Escondido, condenado às minhas penas, sigo perdendo
Lembrando nossos dias cinzas, de memórias vou vivendo.
De misérias, desditas e solidões, vou-me esquecendo.
Eu te daria outras Notas, diria outros livros.
Construíria planos, de sonhos viveria as tuas dores,
eu te levaria, Flor, onde não existe amor,
só para que juntos construissemos no vácuo novas flores.
Meu amor, te espero ciente da inutilidade.
Já demos adeus demais, e eu sou jovem demais pra tanta bobagem,
eu queria mesmo era um novo sentido para a felicidade,
queria dar a ela o plural, a verdade da sua imagem.
Não posso ser alegre enquanto meu coração ama.
Não posso deixar de te amar, porque senão meu coração reclama.
Não posso correr porque não há para onde ir.
Não posso ficar porque não há mais motivo para rir.
Eu cansei de colher tristezas dessa nossa desdita.
Meu amor, a vida é feita de escolhas e de alegria.
Amor e covardia não vivem juntos, antes machucam
E nos afastam amargamente, nos deixam viver de incerteza.
Meu coração, estou onde sempre estive, ainda te amo.
Penso em você e esvazio meu coração em cada segundo,
mas não posso mais, sou jovem demais, é tanta tristeza!
E quieto, meu amor, escrevo meu melhor poema,
na convicção fria da dor da sua apatia,
do amargo da minha saudade,
do peso de tanta responsabilidade:
fazer verso para nenhuma lealdade.
sábado, 26 de setembro de 2009
Meu melhor
às 13:12 Marcadores: Poemas para combater a calvície

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