sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O dia em que cresci

Ultimamente venho reparando nos pensamentos que me ocorrem nos instantes antes de dormir. Nos raros instantes antes de dormir, frise-se. Quando era criança, eu pensava sobre o universo. Sobre o conceito de tempo e espaço. É mesmo infinito, o universo? Qual é a dimensão de algo infinito? E o tempo, também não tem fim nem começo, então como pode ser medido? Como pode, aliás, não ter fim nem começo? Um dia viajaremos tão rápidos como a luz, e quem sabe até mais velozes que ela para podermos conhecer outros mundos? Existiram e existirão outros mundos? O que é a morte? As pessoas mortas sentem? Os ruídos lá fora, é algum assaltante rondando a casa ou qualquer coisa acontecendo ao acaso? Se eu viajasse no tempo, para quando iria? Se eu der a volta na Terra à velocidade da luz eu chego ao ponto de partida antes de ter partido? Isso significa viajar no tempo? Se sim, a luz viaja no tempo? Por que dinossauros eram enormes e tinham cérebros pequenos? Por que somos pequenos e temos cérebros grandes?

Ponto, parágrafo: eu lia muito Julio Verne.

Aí o sono vinha em alguma das respostas, ou arremedos de respostas que eu desenvolvia antes de cair aniquilado de sono. E, hoje, mais de dez anos depois dessa época, observo que as perguntas que me faço antes de dormir são tão bobas. Fáceis de responder. Normalmente elas são respostas com interrogações, só isso, e mesmo assim me pergunto. Desimportantes perante a complexidade do tempo e espaço, da vida e da morte, da dimensão do nosso universo em expansão, levando-se aqui fé em certas vertentes teóricas.

Hoje eu me preocupo em trabalhar, e a me perguntar sobre o assunto. Meus projetos darão resultado? Porra, eu tinha que iniciar 4 coisas ao mesmo tempo? Não vou dar conta e não vou ter em quem por a culpa? E essa merda de vizinho? Quando é mesmo que House reestreia?. Hoje eu me ocupo em planejar o feriadão com os amigos. Com a defesa do São Paulo, me censuro por não ler tanto quanto lia há algum tempo. Hoje a vida ficou sem graça nas perguntas. E nas respostas também.

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