segunda-feira, 29 de março de 2010

Às canoas

Chove miseravelmente em São Paulo. A cântaros que derramam desumanamente, como se não houvesse amanhã. Covem mais que canivetes, despencam dos céus adagas e cimitarras para lá de agudas e afiadas. Como se subitamente Deus tivesse mexido seu gordo e misericordioso traseiro sagrado e, esbarrando no pinico, deitou na Terra toda a água que acumulava para outro dilúvio e outra sacanagem com essa boa gente daqui.

Olho do alto do sétimo andar o caos da Marginal, o esgoto que alguns ainda têm a audácia de chamar de rio, a água acumulando na rua que já principia a alagar e penso, cá comigo, "porra, como é que eu vou embora?"

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