Já falei sobre o assunto neste post, mas não posso deixar de falar umas poucas linhas a mais sobre. Tropecei nesta matéria, que dá conta da indignação das celebridades cariocas por conta da revisão do modelo de partilha dos royalties de petróleo.
Esportistas e artistas radicados na cidade maravilhosa resolveram ir às ruas protestarem porque o estado perderá parte substancial de sua receita, caso a reforma no sistema seja aprovada. Pois é. Dentre as declarações indecentes colhidas pela reportagem, há uma bem emblemática: "Não podemos deixar que o bairrismo de uma pessoa afete o Rio. Nós sambistas temos que colaborar com isto, pois o samba recebe recursos do governo”, diz-nos o chefe de bateria da Unidos da Tijuca, que nem merece seu nome citado aqui - detalhe: bairrismo, para ele, é universalizar os dividendos do petróleo, quando, na verdade bairrismo é o contrário; mantê-los restritos a estados mal administrados e sem projeto de longo prazo. O pessoal das escolas de samba, depois que perdeu os fundos perdidos dos bixeiros, entrou na verba fácil do governo. É a indignação comprada pelas lágrimas de crocodilo do governador Sérgio Cabral.
É esse o problema. Grana. Financiamento público para os eternos bailes da Ilha Fiscal, onde as socialaites e as celebridades de ocasião possam se refestelar com toda a dignidade, abastecendo por sua vez o noticiário de fofoca, tão caro às massas. Ninguém ali está muito preocupado com um projeto de nação, com o desenvolvimento de um país, com a construção de uma sociedade. E é sintomático que a manifestação destes, vazia em propósito e em ideias tenha mais respaldo midiático que a greve dos professores de São Paulo, que foram mordaçados pelo autoritário governador, quase candidato a presidência, José Serra, contra o qual ninguém diz nada.
Vou vomitar.
quinta-feira, 18 de março de 2010
A onda agora é protestar
às 10:30 Marcadores: Atualidades, Mídia, Política

0 comentários:
Postar um comentário