domingo, 27 de agosto de 2017

Confronto

Hoje, eu me sentei para escrever como nunca tinha feito na vida, e como venho ensaiando a meses, sobre tudo, sobre nada. Fiz, no toque das teclas, o exercício de desacelerar o veio turbulento dos meus pensamentos para transferi-los, um a um e sem obrigação alguma de coesão, ao texto. O resultado, que está longe de encantar qualquer juiz dos rigores e prumos estéticos da expressão escrita, ao menos dá tino de uma porção de coisas para as quais eu tendo naturalmente a fechar os olhos, a esconder debaixo do tapete, a empurrar para de trás do pano de fundo por onde se descortina essa minha vida romanesca.

Em certo sentido, é melhor que meditação: o confronto com as suas ideias e com as suas racionalizações gera resultados mais drásticos que a experiência contemplativa do meditar.

Mas não é para os fracos, não é para todos, não é, na verdade, para ninguém. Não acho que terei energia para tentar o exercício novamente tão cedo.

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