segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Eu grito

Tenho vontade de gritar o seu nome, como quem comemora, como quem faz gol, como quem levanta a taça. Soltar um berro, um brado retumbante. Quero chamar inteiro. Chama, chama que inflama, vem e volta, desaparece e acha que me engana, chama que não se apaga. Sem graça. Saudade daquelas letras que me notificavam, que vibravam no meu bolso, na minha mente. Mas é, agora, indiferente. Você diz que morreu, eu renovo. Você matou, eu ressuscito, você esfria, eu rimo triunfante. Você diz que é hora, que agora vai embora; eu planejo o casamento. Chega de drama, mulher, abre a porta, não sufoca a chama, que eu te incendeio. Tenho saudade de ter o seu nome, de poder dizer, de poder ler, de ter comigo, cinco letras, uma palavra, duas pessoas, todos os amores. Saudade de você, que se colocou onde não foi chamada, foi embora quando foi mais amada, e não volta mais, talvez porque nunca foi tão clamada. Você teme e esfria, eu suspiro e desarmo a sua desforra. Não, não digo que te chamo. Digo que te amo. Mas não, não volta. Digo sim que fica, que daqui você nunca foi-se embora. Quero uivar o seu nome, feito lobo. É fogo. Faça o fogo, que eu levo os fogos.

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