Por esses dias, fez 3 anos de uma noite de verão em que estive olhando o mar calmamente acariciar a praia, com lágrimas a verter pelos olhos. Eu chorava e chorava sem saber por quê. Sabia por quem chorava, mas não sabia ao certo o motivo.
Naquela noite eu me senti próximo a uma pessoa de uma maneira que nunca tinha sentido antes e que talvez não mais o sinta. Choramos os dois porque tínhamos medo. Não tínhamos nada, não podíamos nada, éramos pequenos, fracos, irresolutos, inconstantes, inocentes, quase duas crianças brincando de amar. O pouco que a gente tinha eram memórias, bons momentos, lealdade, cumplicidade. E amor. Porque foi por amor que a gente chorou e foi por amor que juramos um ao outro que, desse o que desse, viesse o que viesse, teríamos, no fim, sempre um ao outro.
Lembro da pessoa que secou minhas lágrimas. Dela que fê-las escorrerem em outras ocasiões. Lembro de como se vestia naquela noite, do calor que fazia, do passeio que tínhamos dado. Lembro de comentar sobre Jorge Amado ao ver um barco de pescador perdido na areia, alguma observação sobre o esgoto escorrendo ao mar. Lembro da sua mão na minha - como lembro também da segunda vez em que ela me conquistou ao me dizer, por email, "quisera eu ter para sempre a sua mão junto da minha". Eu lembro de todas essas coisas e é a confissão disso, hoje, o que mais me impressiona e me dá o que pensar.
Hoje eu sei mais sobre aquela noite porque hoje eu já sei porque chorei. Eu chorei porque tinha medo, tinha medo que a despeito do coração e das promessas, fosse tudo em vão, tudo acabasse e evaporasse, que no fim eu perdesse aquele contato, aquela ligação com outra pessoa, aquela sensação sublime, perfeita, mágica. Que ficássemos estranhos um pro outro. Que precisasse me confrontar com perda, saudade, remorso e tristeza.
Não saberia definir o estado das coisas pelo meu lado. Vivo uma espécie de letargia, de conformismo apagado, de tristeza meio alegre, de alegria triste, porque ainda sinto as mesmas coisas que me levaram a caminhar por aquelas areias, naquele começo de noite, e a juntar às águas salgadas do mar as minhas gotas de oceano, que explodiram dos meus olhos ao darem com os dela, marejados e angustiados, que me diziam, quase a gritar, "diz que me ama, que vai dar certo, que não foge, que fica comigo, que estará sempre por perto".
Hoje é um dia triste, porque toma-me o coração essas coisas fenecidas, essas memórias sem o lustro dos sentimentos que o tempo se encarregou de relativizar, de matar, de apodrecer. E eu fico triste, deixo a indolência de lado, e desequilibro minha alegria triste, para uma triste alegria. Eu queria vê-la, escutá-la, fazê-la rir - só mais uma vez.
Correr todos os riscos de um reencontro sem sentido, de viver esse disparate, porque hoje, e só hoje, me daria ao direito de me doer inteiro. O grande mal da vida, antes de ser o fato de que não sabemos o que fazer com ela, é o amor, que vai doer na gente de tempos em tempos, sobretudo e especialmente quando está morto.
Nada mais. Talvez no fim de tudo, quem sabe, meus olhos urrassem de dor atrás do esteio que um dia me pediram, e talvez, porque vivo de sonhos há tanto tempo, eu conseguisse dizer "promete que a gente fica junto independente do que acontecer? Que teremos um ao outro? Que você nunca vai me abandonar?"
E que bom se fosse assim.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
O dia em que cresci
às 21:00 Marcadores: O dia em que cresci

1 comentários:
Medo. Entendi tudo. Bjo, moço.
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