Acorde às 6 horas da manhã. Exercícios de cálculo para refazer, semana que vem tem prova, puta que pariu, e o trabalho? 8 horas da manhã, faz o café, amargo, de doce já basta a vida. Pega o carro, vai na construção, da construção vai na advogada ver como anda a negociação porque a construtora, que entre outras aventuras, ergueu parte da casa no terreno errado, simplesmente largou a obra. Dor de cabeça, mas que venham, que eu não tenho medo, eu tenho razão, e, melhor ainda: eu sou bom de briga. 10h30 da manhã, mensagens no celular, não vou ler agora, tenho que me concentrar no trabalho, esse que paga as contas e soma as bases do amanhã que há de ser ainda melhor. Consulta, a quantas anda essa miopia? Volta, almoço, não almoço, mas faço companhia, minha mãe aposentada cozinha qualquer coisa que eu acabo provando e, claro, gostando. Aí vamos lá, vai chegando a tarde, tenho que ver esse ruído na direção do carro, não é problema de segurança, mas me irrita uma barbaridade. Volta da concessionária, vida em trânsito, volta para a casa. Qualera aquela história do Python mesmo? Como usava aqueles self? E como diabos faz aqueles laços com for? Puta que pariu, Python, como você consegue ser tão simples e, justamente quando simplifica as coisas, ficar tão complexo? Paro de estudar, trabalho mais um pouco, aí sou indulgente, vou ver um documentário sobre ciência, um episódio de uma série, dou-me folga, e volto com uma ideia para o SOSF 1.2 Fetutine (SOSF é meu Linux homebrew, cujo codinome de versão é Fetutine, já que o Google usa as sobremesas para o Android, eu vou de massas), integro suporte ao Wi-Fi para SOSF e fico feliz quando a parada toda funciona. O que me incentiva a continuar o curso à distância sobre C#. 18h. Tomo banho, lavo bem as mãos, manejo as lentes de contato, computador novo na mochila (como eu fico animado com computador novo, como eu sou bobo), mochila nas costas, eu no assento, 7 quilômetros, estaciono, vou à aula. Putz, esqueci de novo de ligar para pedir reembolso daqueles vinhos extraviados no transporte. Aliás, a encomenda do meu irmão saiu da alfândega na Alemanha? Bora checar, se não esquecer, lá no instituto. Matemática. Funções, limites e derivadas, tudo tranquilo, aí tem aula de Banco de Dados, me dá sono, mas fico ainda mais convicto dessa ideia de, lá pelos 50, aposentado e com as crianças crescidas, cursar matemática só por amor ao esporte. Fim da aula. Cerveja com os camaradas na bodega que vende artesanal, que não tem letreiro, abre de vez em quando e que faz uma questão absurda em não ser conhecida por ninguém. Volta pra casa, rapaz, tá na hora de ir dormir, amanhã é isso, e muito mais, tudo de novo.

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