quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Calypso para o Nobel da Paz

A notícia ainda não bateu nos grandes conglomerados de mídia, mas é questão de tempo para que aconteça. A banda de discutível qualidade artística foi indicada por um bispo católico do Ceará (ainda procuro o nome do benfeitor de Chimbinha e asseclas)* para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, em função de relevantes serviços humanitários prestados a populações mais carentes do nordeste.

O interessante é as toneladas de críticas preconceituosas que vocês ouvirão e lerão sobre o assunto. A rigor, no nordeste, Calypso é visto como uma celebridade do quilate de um Bono Vox. Joelma, a vocalista, é uma Madonna daquelas áridas paragens onde Deus esqueceu de semear alguma água. Muitos dirão que o factóide, porque é um, é absurdo, coisa de povo atrasado e ignorante. Burrice de quem o disser.

Que Calypso é um ícone popular na cultura nordestina não restam dúvidas, as marcas de vendagem de discos e de pessoas nos shows da banda no nordeste são impressionantes. É lógico que daí a dizer que a banda presta serviços humanitários relevantes é outro ponto. Mas na verdade não importa, porque é uma manifestação popular de massa e se alguém acha interessante que concorram ao Nobel da Paz, ora, que concorram. E quem quiser que reclame com o bispo (sentiram a intertextualidade entre o ditado e o factóide?).

E no fim das contas eles perderão certamente. Mas ainda que ganhem, saibam vocês que o Prêmio Nobel, ao longo dos tempos, cometeu dúzias de injustiças e de absurdos - esse não seria o primeiro e nem o último. Por exemplo, vai parecer que estou obcecado pelo sujeito, mas dane-se, Churchill ganhou o Prêmio de Literatura em 1953, mas tinha sido uma premiação política - embora escritor de vasta produção e de alguma qualidade, Churchill está muito longe do mérito de um Thomas Mann ou de um Hermann Hesse, ambos vencedores do mesmo galardão em outros anos.

O próprio laurel da Paz já sofreu vilipendios das comissões julgadoras. Sujeitos belicosos como Theodore Roosevelt, Yasser Arafat, Shimon Peres venceram o prêmio. De uma forma geral, o Nobel da Paz é atribuído por um ato isolado, e não por toda a tragetória do sujeito - embora esta, hoje em dia, conte bastante. Em literatura, no entanto, existem prêmios por "conjunto da obra".

Em resumo, o prêmio Nobel é muito menos do que realmente parece. Assim como o Oscar - ambos ícones, tem um sentido, uma significação alheia à sua realidade intrinseca, só tem a importância que parecem ter porque nós julgamos que tenha alguma. É um prêmio importante, dá status e 1 milhão de dólares ao consagrado, mas ainda assim, no fim das contas não significa nada. Basta perguntar aos que criticarão Calypso e sua indicação se eles sabem quem ganhou o último Nobel da Paz? E em que ano a Madre Tereza de Calcutá levou o seu? Quantos sulamericanos já venceram esse prêmio?

Claro que não saberão a resposta porque, a rigor, o Nobel é só uma bobagem ocidental. Só isso, Alfred Nobel, aliás, o criou por vaidade, não por altruísmo.

* Descobri. O nome do bispo é João Pedro Nascimento, presidente de uma ONG chamada Comitê da Paz. Viram só como religiosos são vaidosos?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Aforismos - Da validade do pessimismo

Este eu escrevi em 2007, por ocasião da morte de Ingmar Bergman. Se você não conhece o genial diretor sueco, vai aí a dica. Ninguém pode considerar-se um pouco culto se não assistiu, pelo menos, "O Sétimo Selo" (clique aqui e veja o jogo de xadrez, uma das cenas imortais do cinema, entre o cavaleiro e a morte). Não se trata de gostar do filme. Não é isso, trata-se de assisti-lo.

"Vivem dizendo pra largar esse negócio de pessimismo. Mas olha o Ingmar Bergman, era um tremendo pessimista, obcecado pela ideia da morte e do nada, e além de ter chegado aos 89 anos, comeu as principais atrizes suecas. E teve tudo o que fez na vida, até flatos, considerados patrimônios culturais da humanidade, eternizou-se, o desgraçado".

Ninguém me entende

Ninguém me leva muito a sério. O que começa por mim, que desdenho de mim mesmo olimpicamente, e que se verifica nas pessoas do meu círculo íntimo. Mesmo na minha família a tendência é verificada: as pessoas desdenham do meu emprego. Não compreendem como eu posso trabalhar em casa, perante o computador e com horários e expedientes sempre mutáveis e, na maioria das vezes, curtíssimos e ainda ganhar pra isso.

E não é falta de vontade ou ausência de explicações de minha parte. De uma maneira geral, todos acham que estou enganando minha mãe, dizendo que estou trabalhando, e na verdade apenas coçando o saco indefinidamente, até o fim dos tempos.

O que me lembra uma canção do George Thorogood: "Get a haircut and get a real job":



As pessoas não entendem meu emprego na internet, tão pós-moderno quanto eu sou, em que não tenho que ver meu chefe, nem meus colegas e onde cabe uma paradinha para ver Sessão da Tarde ou para matar terroristas no Call of Duty 4 (aliás, deem uma olhada nesse link. Call Of Duty 4 não é um jogo assim tão recente e já faz parte do que se diz "fotorealista", é impressionante a qualidade gráfica e a riqueza do enredo, fazendo-o parecer um filme - essa mescla entre diversão e cinema nos jogos atuais, aliás, será assunto para um post futuro, aguardem).

Mas retornando ao assunto, o fato é que as pessoas não entendem meu emprego e não se esforçam para fazê-lo, porque estão bitoladas a um preconceito que diz que emprego sério é aquele em que o sujeito precisa cumprir horários e marcar presença física em algum recinto. Paciência, com o tempo os preconceitos atuais ruirão. Lógico, para o surgimento de novos. As pessoas, em resumo, não entendem nada de internet e de web 2.0 - mesmo as que dizem saber o que é isso, conforme tenho notado.

Aliás, poucas são as pessoas que me entendem.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ainda um pouco mais sobre religião

Discutir religião é um caminho excelente para controvérsia e, claro, o lugar nenhum. Ninguém converte a ninguém com a discussão. Mas discutir a religião que você pratica entre aqueles que comungam da mesma fé é sempre algo interessante. Aprende-se muito.

Minha relação com a religião é bem distante dos ditames dogmáticos da fé e da Cúria, embora a título de catalogação eu me declare católico e que até vai às missas. Mas não pela Igreja, vou porque disse Cristo: "onde estiverem reunidos um ou mais em meu nome, no meio deles estarei", ou seja, Igreja em si é só o lugar. De uma maneira geral, torço o nariz para a instituição da Igreja porque sempre me pareceu que o homem é falível demais e, portanto, admitir que padres e os demais degraus hierárquicos da Igreja tenham sobre mim algum tipo de precedência moral, qualquer que seja, é uma tolice. É fato que a eles é dado um conhecimento que não tenho e que sua maneira de entender a fé, as doutrinas da Igreja e tudo o mais, provavelmente, é muito mais amadurecida que a minha.

Mas isso não quer dizer que possa e deva sempre prevalecer o que eles creem e julgam certo. O Vaticano ainda prega a infalibilidade papal, princípio sob o qual o papa é infalível e aquilo que diz é a verdade inspirada em linha direta dos céus por Deus. Ora... é mais ou menos como dizer que a Santa Inquisição é fruto da vontade do Senhor, que a perseguição a Galileu e a Torricelli foram inspiradas por Deus, que a Igreja acreditava que a Terra é plana por ordem celeste e que vieram das mais excelsas altitudes a orientação para perseguir aqueles que apontassem o Sol, e não a Terra, como centro do Sistema Solar, que o papa, enfim, não estava errado quando não fez absolutamente nada durante o Holocausto (este foi Pio XII). O papa é humano e erra, conforme se ilustra pelos exemplos acima, com enorme frequência - em resumo, não há nada de "santo padre" no papa - ao menos enquanto ele está em vida.

Não vejo os integrantes da Igreja como demonizados, como ignorantes ou retrógrados. Não. Os vejo como homens, simplesmente, homens. Falíveis, passíveis de tentações, de ambições pessoais, de fraquezas. Assim como vejo sua instituição, a Igreja Apostólica Romana, como um grupo de pessoas e que, dado o seu papel de destaque no mundo, é natural que exerça sua influência nem sempre de maneiras que estariam de acordo com o que diz a fé, afinal na maior parte desses casos trata-se da sobrevivência, de manter o status-quo (exemplo: ir na África dizer para ninguém usar camisinha, porque é contra-aceptivo, sabendo que os níveis de infecção por AIDS lá são assustadores - é bizarro, não faz sentido na lógica cristã, mas "faz" na lógica institucional-dogmática da Igreja). E lastimo quem não consiga despi-los, os párocos e todos os demais, de seu caráter de religiosos e ver neles o que, em última instância, são: homens - e isso explica o choque das pessoas ao saberem que um padre cometeu um crime, como pedofilia, por exemplo. Por que o choque? É um homem, não um semideus. E vale lembrar que Deus nos teria feito à sua imagem e semelhança, portanto, do papa a mim não a distinção nenhuma, somos ambos homens. A não ser que o que ele diz é tido como verdade absoluta e inconteste por multidões, o que eu digo ecoa na minha cabeça tão somente.

Além disso há muito mais que me distingue de quem pratica a religião e nada impõe para questionar o que faz. Eu, por exemplo, conheço muita gente que prega a fé, pratica sua religião com afinco (católicos e evangélicos, na família inclusive), mas nunca leu o livro sagrado que os inspira a todas essas coisas. Acho isso levemente artificial. É como quando você passa a adolescência em plácida aceitação dos princípios e valores que jogam a você. Passam os anos, você cresce e amadurece e entra em crise existencial: você não questiona a validade da vida e dos seus valores, você começa, enfim, o que devia ter feito aos 15, 16, 17 e 18 anos: questiona se aqueles valores são seus. (Isso normalmente acontece aos 40 anos e aparecem os bad-velhos).

E ler a Bíblia oferece esse ponto de vista, questionar a validade e a razão daquilo tudo, encontrar o sentido daquelas coisas e tê-los mais intimamente ligados à você porque você os buscou na fonte, e não cultivou ideias que repetiram à sua volta ao longo dos anos. E é um teste de fogo para aquele que se diz um homem de fé: o Antigo Testamento é repleto de assassinatos, de um Deus que inspira irmãos a se matarem e o homem a sacrifícios morais que, destituídos de suas personagens, se narrados aqui, teriam a conotação de práticas satanistas - muita fé neste mundo não resistiria ao conhecer o Deus do Antigo Testamento, mesquinho e violento (não cabe aqui a discussão de que o livro é uma metáfora e a forma como os hebreus encontraram de explicar o mundo, falamos neste texto de fé e religião, não de História). Já o Novo Testamento é controvertido pelo fato de que o texto não é original, tendo sido modificado diversas vezes na Idade Média e, além disso, é repleto de controvérsias e paradoxos difíceis de entender. Exemplos:

Jesus era filho do Espírito Santo, logo, gerado sem pecado, uma criatura por definição imaculada, sem penas e culpas. Mas então porque ele foi batizado por João que era homem e que exigia de seus batizados o arrependimento? Jesus foi batizado por um homem, sendo filho de Deus, e ainda teve de se arrepender dos pecados que sequer tinha? Qual o sentido disso?

Outra questão interessante diz respeito ao destino de Jesus, que levemente expus aqui, no post sobre o bispo que não crê no Holocausto. Cristo diz que seu destino está traçado, que ele irá morrer na cruz e ponto. Mas então porque Judas tem que ser amaldiçoado? Não parece cruel que alguém, simplesmente por ser o artífice do cumprimento das profecias, padeça como ele padeceu? Se, como de fato Jesus prega, o que tivesse de lhe ocorrer, ocorreria de qualquer forma, não fica a impressão de que não fosse Judas, seria, sei lá, Tiago? Não parece injusto aos olhos de quem deve ter amor ao próximo que um sujeito, simplesmente por ser a ferramenta da profecia, seja amaldiçoado até o entardecer dos tempos?

Alguém poderia dizer: "mas Deus colocou Judas no mundo simplesmente para isso". Então onde foi parar o livre-arbítrio, Judas era um simples autômato divino? E se Judas era mais um enviado do céu, porque a crueldade do seu destino, sobretudo tendo sido enviado de Deus? E se a Jesus repugnasse o destino de morrer na cruz, porque convidara Judas para ser discípulo, sabendo que seria por ele entregue pelas tais 30 moedas de ouro? Por não ter feito nada para escapar da cruz, Jesus, sob certo ponto de vista mais cartesiano, foi um suicida.

E a história de que ele o fez para nos salvar a todos? Sempre que fiz a pergunta a seguir a padres notei um ar constrangido ao responder: mas salvar de quê?

Em outras passagens, Cristo lembra que "não passará essa geração sem que o Filho do Homem tenha voltado". Ora, a geração passou, e fazem já mais de 2000 anos. E cadê o Cristo? De qualquer forma essa controvérsia é mais contornável: no aramaico, a palavra equivalente a "geração", serve também para designar "nação". Ou seja, pode significar que a volta de Cristo esteja vinculada ao fim de... Israel. Duvido, mas é o que os teólogos lidos por mim dizem.

De qualquer forma, excetuando a controvérsia etimológica do último parágrafo, nenhuma das explicações possíveis fazem sentido, desafio, aliás, alguém a prover algum nas questões levantadas - e não vale apelar para a muleta "mistérios da fé". A ausência de respostas não importa nenhum pouco, aliás. Pelo contrário, o fato de eu conservar minha fé e crença na divindade e na existência de algum ser superior, Javé, Deus, Alá, o que quer que seja, movido por íntima bondade, por comunhão e padecimento da vida humana, mesmo depois de me confrontar com tantas controvérsias, da falibilidade da Igreja aos tropeços bíblicos, acho, classifica a minha fé como mais firme que a de muitos que engolem sem questionar.

É fato que Jesus disse "feliz daquele que crê sem precisar ver". Eu sou assim, creio sem precisar das respostas, sem ver. Mas não sem questionar.

Aforismos - Do óbvio e ululante

Dando continuidade aos meus aforismos, mais um de lavra própria e que só me ocorreu depois de anos de intensa meditação e observação dos fenômenos a minha volta. É um aristotélico, praticamente. E tão definitivo que pode ser entendido como uma lei, inclusive.

"Se uma corda tem uma ponta, tem outra".

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aforismos - Da humanidade

Sou bom com aforismos, definições, redundâncias e frases ignóbeis. Vou criar, portanto, uma nova categoria no blogue: aforismos.

E para começar:

"A humanidade se divide em três tipos de homens:
- Aqueles que tropeçam e caem;
- Aqueles que tropeçam e não caem;
- Os que nunca tropeçam".

Amor ao próximo

Semana passada o Vaticano resolveu aceitar em seu seio um bispo que havia sido excomungado em 1988. O bispo Richard Williamson havia sido expulso porque tinha sido consagrado pelo arcebispo Marcel Lefreve, líder de uma facção ultraconservadora da Igreja, à revelia do Vaticano. Uma expulsão justa e em regra, portanto.

Foi recebido de volta há pouco tempo e na primeira oportunidade que teve de falar, falou que o Holocausto, o morticínio de 6 milhões de judeus - excetuando aqui as outras minorias perseguidas - simplesmente não existiu. O que é uma demonstração de uma tremenda burrice, ou de uma estulta má vontade em relação aos judeus, combustível de atrito que jamais faltou nos conservadores e antissemitas. O conceito é idiota: por conta de Jesus ter sido metido na cruz pela palavra dos judeus, a culpa é deles. Mas não dizia o próprio Cristo que o que estava escrito para acontecer sobre ele, aconteceria de qualquer forma? Que culpa têm os judeus das profecias? Sob certo aspecto, ao saber da sua morte nos termos em que ocorreria, por nada ter feito para evitá-la, Jesus é até um suicida.

Desafia o bom senso e a inteligência a postura do bispo Williamson. Existem estatísticas, testemunhas, fotos, vídeos, depoimentos de sobreviventes, depoimentos de soldados alemães, documentos nazistas, confissões no Julgamento de Nuremberg, ruínas de Auschwitz e outros campos, enfim, toneladas de provas que mostram que, sim, Hitler um dia pensou na Solução Final e, sim, seus verdugos da SS a levaram à cabo.

Mas o bispo Williamson carece, qum diria, de amor ao próximo. A postura ultraconservadora da Igreja, sobretudo da doutrina anterior ao Concílio Vaticano Segundo de 1969 era lotada de ransos anti-semitas, com trechos de sacramentos que pediam para que "Deus ilumine o coração mal dos judeus e tire deles a maldade". Os ultraconservadores, como se sabe, nunca engoliram o Concílio de Paulo VI.

Já o atual papa, Bento XVI, que fora menbro da Juventude Hitlerista na adolescência, declarou que as opiniões de Williamson são inaceitáveis e que ele deve rever suas ideias sobre o assunto (aliás, nunca gostei desse papa. Não votei nele. João Paulo II eterno!). Bobagem. Mais do que isso, uma instituição que se diz pronta a conduzir o homem à salvação, que se arvora de ser o luminar da bondade e da paz entre os homens, do amor ao próximo - idependendo sua orientação religiosa - tinha que fazer mais do que isso. Tinha que excomungar Williamson novamente.

Querendo as ratazanas de altar ou não, o bispo fez apologia de um genocídio - que naquela época foi encarado com uma comovente indiferença pelo Vaticano, ocupado então por Pio XII. Se pelo menos 6 milhões de judeus morreram, em decorrência da guerra em si, foram 60 milhões de seres humanos. Quanta indiferença.

A Igreja é mais do que o mundinho cercado de milenarismos e ritos, além de gordas movimentações financeiras. Ela ainda ocupa um papel político destacado no mundo e ouvir de um de seus representantes - não importa se o mais modesto frade ou o mais importante cardeal - que o genocídio é balela depõe contra tudo o que a fé nos inspira a crer.

Com tropeços como esse eu cada vez mais me convenço de que a Igreja, quando da escolha de Bento XVI, decidiu que tinha fiéis demais e que convinha, no curto prazo, perder pelo menos a metade. Afinal, disse Bento XVI: "uma Igreja menor e mais unida". Diminui-la em tamanho e em deferência perante os homens ele vem conseguindo com admirável capacidade. Uni-la, aí eu já não sei.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Líderes com deficiência física

Desafiado a pensar há alguns dias em presidentes e líderes políticos portadores de alguma deficiência física, depois de remoer muito meus neurônios, pude encontrar dois exemplos. Ambos presidentes norte-americanos da primeira metade do século XX, ambos com o sobrenome Roosevelt. Eram parentes distantes.

Theodore Roosevelt: foi presidente de 1901 a 1909 e foi um Bush da sua época com a política do big-stick - sem duplo sentido, por favor. Notório por intervenções em lugares da América Central e pela curiosidade acerca do Brasil: esteve no país com o Marechal Cândido Rondon, com quem percorreu matas selvagens em busca da nascente do Rio Dúvida, hoje batizado de Rio Roosevelt. Sua deficiência: perdera uma das pernas e tinha uma de madeira no lugar.


Franklin Delano Roosevelt: Não vou falar sobre ele porque é muito conhecido. Foi o sujeito do new-deal e o presidente norte-americano em boa parte da Segunda Guerra Mundial - morreu poucos dias antes da rendição alemã, passando o cargo para Harry Truman, o homem que jogou as bombas atômicas no Japão. Não chegou a ter uma deficiência propriamente dita, contudo, no fim da vida, debilitado pela poliomielite, ficou confinado a uma cadeira de rodas e era nela que ele presidia os EUA e rumos importantes da guerra pelo globo e, claro, alguns dos destinos fundamentais do planeta depois do armísticio.

Posso estar enganado, mas um dos soviéticos também vivia na cadeira de rodas. Não sei se Nikita Kruschev ou Iuri Andropov. Contudo não encontrei informações positivas sobre na internet, portanto, ficamos com os dois Roosevelt.

Ah sim, de onde tirei que Theodore tinha uma perna de pau? Li isso na biografia de Winston Churchill, leitura aprazível e devidamente comentada aqui.

Válvulas de escape e de descarga

Fugir sempre foi um excelente remédio. A negação ainda é a melhor maneira de resolver problemas insolúveis, fugir das crises e das rupturas que nos cercam sempre é a melhor alternativa. O ruim é que um dia a mente cobra a conta, o que pode resultar numa anti-catarse - o que não é bonito. Mas o futuro a Deus pertence e, se não faz sentido chorar pelo leite derramado, menos ainda tem feito chorar por aquele que sequer sabemos se será derramado.

Enfim, como fuga de crises você pode, por exemplo, inventar um blogue novo, reformar outro e aposentar ainda um terceiro. Meter-se a ler de tudo o que alguns anos vêm acumulando nas estantes, só ganhando poeira. Nos mesmos blogues, postar furiosamente. Ora, a lição e o impulso parece ser: ocupemos a mente, distraiamos os sentidos e deixe que a vida encontre-se a si mesma, valendo aí um novo sentido e um novo rumo. Fuja. Vá para longe.

Mas é tudo falso na vida da gente. Falso. Efêmero. Me divergi neste blogue trocando o template e colocando mais postagens. Bobagem. No que concerne ao blogue, e fiquem livres para desenharem do que direi as parábolas que quiserem, gostaria mesmo é de re-editar algumas passagens, melhorar outras e até encontraria posts que gostaria de excluir. Mas sei lá. Por um lado o computador não permite, por outro reciclar experiências que tivemos não tem sido, na longa carreira das decepções humanas, garantia alguma de sucesso futuro.

Enfim, os scripts não funcionam, o computador emperra, a vida para e eu perco o rumo. E me volto para o esteio seguro da poesia e da literatura, a única ruptura que vivi com a literatura foi lendo Hermann Hesse (pensava eu que ele questionava os meus valores. Ledo engano. Ele questionava se eles eram realmente meus - foi uma boa crise), sobretudo no que concerne ao verso de Pessoa: "... todo cais é uma saudade de pedra". E eu, que nunca me presumi poeta, o que faço de melhor é estragar o verso: "toda a internet é uma saudade de silício".

E ainda, para parar por aqui, deixo mais alguns de minha lavra:

Eu não tenho desculpas.
Mas eu tenho dez culpas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Momento Karatê-kid

Uma mosca pousou na tela do computador. Com calma, concentração e paciência, movi com calma minha mão direita até ela. Esperei o momento certo. Preparei os meus dedos, polegar e indicador numa tenaz, numa pinça. Aproximei-os lentamente e... ela voou.

Esse não foi meu momento karatê-kid.

Há alguns anos, no meu blogue original (façam o favor de não vê-lo, morro de vergonha dele), postei anedota semelhante e tão verídica quanto a de hoje. Aconteceu que outra mosca pousara, não no computador, mas na minha testa. Na ocasião escrevi "é um desses momentos únicos da existência, portanto compartilho-o com vocês, eu aqui digitando vagarosamente para não espantá-la". Aí decido e faço o mesmo movimento de tenazes com os dedos e pego-a da minha testa. Nem o senhor Miyagi faria melhor.

E esse foi meu momento karatê-kid.

Ainda sobre mercado

Pois é. Curiosamente eu tenho uma facilidade enorme para entender alguns dos insondáveis mistérios da economia. E precisamente por compreender muito do economês que inunda nossa vida qual vagas de um tsunami financeiro todos os dias é que eu tenho o vezo de guardar para mim isso que sei. Sei lá. Acho que, mais que um mérito, compreender a economia é um opróbrio.

Sim, sou cheio de idiossincraciazinhas.

Mas o que conta é o tema do post. Lendo hoje num conglomerado de mídia qualquer, descobri que a Irlanda, aquela porção de ilha que fica equilibrada acima da Inglaterra e foi célebre nos últimos 200 anos por tensões impressionantes no Reino Unido corre risco de, simplesmente, falir.

O episódio não é propriamente inédito. No fim do ano passado a Islândia, uma ilha minúscula, pródiga em produzir bandas de pós-rock excelentes, submergiu num buraco financeiro que agrava ainda mais a sensação de "poxa" dos islandeses. O tédio por lá é um esporte nacional dada as condições climáticas e geográficas do lugar. Chegaram a pôr a Islândia a venda num site da internet ano passado, o que só prova que o deboche não é uma exclusividade nacional do Brasil.

Sendo a Irlanda um país que até pouco tempo era considerado o "tigre europeu" (referência, caso o leitor não lembre, aos tigres asiáticos), é de se preocupar - sobretudo porque é maior que a Islândia e uma falência irlandesa certamente teria reflexos muito mais extensos que o "poxa, que pena" do mundo em solidariedade aos islandeses. Há uma sensação de que catástrofes como essa podem arrastar juntos porções consideráveis do globo. E aí é que a porca torce o rabo e perde a graça.

Se bem que eu quero mesmo é que tudo mais vá pro inferno. Acho que só se o circo realmente pegar fogo dessa vez é que o mundo toma jeito.

25 motivos que sim, 25 motivos que não

Li no blogue do Marcelo Rubens Paiva, que na definição de Marcelo Tas é um "inestimável observador da alma humana- especialmente quando o assunto é a asfaltização dos machos pelas fêmeas", um levantamento interessante sobre 25 motivos para crer que Deus existe e outros 25 para crer que não existe. Segue minha lista, sem hierarquia.

Pra acreditar:

1. Sorriso de uma criança
2. Praia deserta
3. Ellen Roche
4. Chaplin
5. Truffautt
6. Culinária italiana
7. Vinho
8. Amor de avós
9. Pavarotti
10. O porre de tequila
11. José Saramago
12. Internet
13. Strip de Natalie Portman em Closer
14. Paris
15. Filosofia
16. A invenção do mp3
17. Feriado prolongado
18. Mário Quintana
19. Jimi Hendrix
20. Elvis Presley
21. Amigos
22. Mar do Caribe
23. Johnny Cash
24. Sombra de uma árvore
25. Thelonious Monk

Pra não acreditar:

1. Uma criança que morre de fome
2. A poluição das praias
3. O fato de Ellen Roche sequer saber meu nome
4. Zorra Total
5. Axé Music
6. Big Brother Brasil
7. Odor do Tietê
8. Tudo que é bom engorda
9. Paulo Coelho
11. A ressaca de um porre de tequila
12. Pedágio
13. Closer, o filme
14. Xenofobia
15. Intolerância
16. Aula chata de manhã
17. Subida em dia de calor
18. Fundamentalismo
19. Preço dos CDs
20. Pernilongo
21. Plantações de soja
22. Ciúmes
23. Colesterol
24. Efemeridade da vida
25. ABBA

*Eram só 25 mesmo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Hipocrisia de mercado

Eu acho engraçado. Muito, aliás. Engraçado que Richard Fuld, o ex-presidente do Lehman Brothers (banco todo-poderoso que faliu na bolha financeira em muito patrocinada pelas atitudes gananciosas e inconsequentes de seu ex-presidente, aliadas a de tantos outros) tenha vendido sua mansão que custara, há cinco anos, 13 milhões de dólares, por módicos 10 dólares à sua mulher. O fez não porque tenha perdido o juízo - isso ele e seus pares nunca tiveram, tivessem algum não teriam especulado com um montante de dinheiro que simplesmente não existe - o fez, sim, porque morre de medo de ser processado por gente comum que perdeu dinheiro com suas piruetas financeiras em prováveis processos futuros. Passando a mansão para o nome da esposa ele garante que ela não seja arrolada entre seus bens e, portanto, fica assim na família.

Afinal, foram empenhados ali 13,75 milhões de dólares, resultado, seguramente, de um trabalho duro e de ilibada reputação. Fatos cotidianos como esse só reforçam a minha tese de que o bom senso só se usa depois de esgotadas todas as outras alternativas - e isso tenho visto que vale para todas as situações. Richard Fuld e seus asseclas, que embarcando no neoliberalismo e na globalização tacanha surgida da mente perturbada de gente como Ronald Reagan e Margareth Thatcher, sempre foram os primeiros a dizer que o mercado regular-se-ia sozinho, que era inerente a ele o poder de se policiar, que o Estado era o contrário disso tudo, corrupto, ineficiente e só serviria para atrapalhar o fluxo da economia e do progresso. Hoje, que ironia, estão empregados e recebem gordas remunerações em dia justamente porque quem veio socorrê-los foi o Estado. Ah, a hipocrisia.

Hoje, com a quebradeira, é o Estado quem paga as contas, e por natural conclusão, o dinheiro sai do bolso das pessoas comuns. É o Estado que empresta dinheiro, estatiza empresas e sistemas financeiros globais. É o Estado que paga salários de gente como Richard Fuld no momento. E é você que perde seu emprego se a coisa apertar ainda mais. Ou seja, ainda não esgotamos todas as outras probabilidades para chegar ao bom senso na economia e mesmo no capitalismo e, aliás, não há porque crer que isso vá ocorrer.

Aliás, sobre essa questão de ser o Estado quem controla, hoje, os esqueletos de grandes grupos vale ressaltar uma atitude de Obama: ele limitou os vencimentos dos executivos dessas empresas em módicos, esquálidos, magros 500 mil dólares por ano. Ou seja, eles ganhavam mais que isso. Segundo o The New York Times, pois, Richard Fuld embolsou estonteantes 34,4 milhões de dólares em 2007 - mas não se assustem, num exemplo de extrema racionalidade administrativa, o Lehman Brothers cancelou o bônus de Fuld referente ao ano passado (e por que não fizeram isso antes?). Essa estatização do capital financeiro e economico e o controle exercido pelo governo dos EUA faz deles, arautos da globalização, segundo minhas contas, o país mais comunista do mundo hoje. Lênin deve estar contente e dizendo entre os bigodes embalsamados no Kremlin: "Que fazer?"

Mas eu sou um sujeito solidário e de bom coração, apesar de irônico e cansativo. Chego a ficar preocupado com Fuld e família. Vendendo sua miserável habitação por 10 dólares e tendo, na hipótese de continuar no Lehman, seus vencimentos limitados a curtos 500 mil dólares por ano, será que ele terá verba para mandar as crianças para a escola nesse começo de ano? E o material escolar? Será que sobrará algum para pagar a van? Tomara que sim.

Coitado do Fuld. Não queria estar na sua pele.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Pra voltar a falar de Churchill

Estou lendo uma das tantas biografias do primeiro-ministro de sua majestade quando dos tenebrosos anos da Segunda Guerra Mundial - entre tantas épocas fascinantes à mim da história, é o conflito bélico que pôs o maniqueísmo em pé de igualdade com a mentira o meu evento preferido. Quem se interessar pela obra, clica aqui.

Já falei aqui no blogue um pouco sobre Winston. Muito antes de emergir no estudo mais aprofundado de sua vida e de me confrontar com a existência de um sujeito que, não fosse a Segunda Guerra, seria apenas mais um envelhecido político inglês que teve sua chance de chegar ao poder supremo, mas a perdeu pela sua incrível capacidade de se impacientar e fazer escolhas erradas, conheci o estadista que se indignava com a passividade do governo inglês perante o armamento do nazismo, e isso me impressionou enormemente, assim como a leitura de seus discursos na coletânea "Sangue, Suor e Lágrimas" - que lhe valeu o Nobel de Literatura em 1953. Churchill esteve no limiar da insignificância histórica, apesar de sua brilhante capacidade, nunca negada, como administrador e político.

Churchill é uma figura encantadora. Sobretudo porque é humano. Fez escolhas erradas, como ter uma incomoda boa vontade para com Mussolini, ao passo que alertava o mundo para os perigos de Hitler. Foi contra as suffragettes, votava um ódio impressionante em relação aos movimentos de esquerda, embora fosse normalmente favorável aos mais humildes porque se compadecia deles. Muito embora jamais tenha abrido mão de seus luxos, é verdade.

Winston Spencer Churchill é uma figura ímpar do século XX. Enxergou muito longe, adiante de sua época em diversas ocasiões. Teve destacado papel como político nas duas guerras mundiais que desenharam o nosso mundo contemporâneo. Esteve intimamente ligado - a ideia foi sua, aliás - com a catástrofe militar dos Dardanelos na Primeira Guerra Mudial, quando era o Primeiro Lorde do Almirantado - equivalente a Ministro da Marinha - (Dardanelos ou Gallipoli. Estima-se que as perdas humanas tenham sido de 180 mil para os aliados e 220 mil para os turcos. Pode não parecer, dado o romantismo que o cinema deu à Segunda Guerra, mas se morria muito mais facilmente e em proporções muito mais bestiais na Primeira), onde lançou as forças da Commonwealth contra Atatürk (em turco, "Pai dos Turcos", sujeito responsável pela formulação do estado turco moderno, que suplantou o Império Otomano. Tertuliano também é cultura). Em contraste, chegou a ser coronel no front francês ainda na Primeira Guerra, foi anos mais tarde a grande pedra angular da virada da Batalha da Grã-Bretanha, tão importante na Segunda Guerra, além de, obviamente, um dos grandes incentivadores do desembarque aliado na Normandia. O homem foi cheio de altos e baixos, como parece ser comum na trajetória de grandes figuras.

Nem mesmo os anos em que lutou sozinho contra a Política de Apaziguamento, embora fundamentais para transformarem-no em primeiro-ministro depois da queda de Chamberlain, hoje, olhando em restrospecto, podem ser elogiados sem a menor crítica. Muito da intransigência belicista daquele período e da argumentação utilizada por Churchill é verificada em ações do governo Bush. A retórica da interferência antes que eles nos ataquem, no fim das contas, cabível naquele contexto, transformou-se numa muleta para as aventuras contemporâneas dos impérios decadentes que nos cercam. Triste que um legado tão interessante da vitória pela palavra - naquele tempo a única arma de Churchill, fora do governo - tenha se transformado nisso de hoje.

Churchill não é um heroi (se há algum heroismo na guerra, esse deve ser legado a quem perdeu a vida nela). Foi um estadista, um líder na melhor acepção da palavra. E a mim, sempre um admirador seu, foi comovente ler sua vida e descobrir nela erros, enganos, injustiças e falhas que o heroismo que a posteridade se acostumou a atribuir-lhe - não de todo injusto - pareciam sempre teimar em esconder.

Eu queria ser Winston Churchill quando crescer.

Não é do Drummond

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional".

Tim Hansel

Uma calculadora de divórcios

Seus problemas acabaram! Uma economista norte-americana criou uma ferramenta que pode calcular a tendência de um casamento acabar em divórcio. Betsey Stevenson pegou as estatísticas de divórcios do censo norte-americano e, através de dados que o usuário cede, a calculadora é capaz de apontar as tendências de que o casamento dê errado. Clique aqui.

Alguém poderia dizer que isso não faz o menor sentido. Mas faz. Porque se os divórcios crescem e a há tendência cada vez maior de que qualquer relacionamento afetivo, de qualquer ordem, dê errado - no sentido de que torna-se efêmero, a despeito das juras de amor eterno -, enfim, relacionamento estável que dá certo no longo prazo é exceção, não regra. Talvez já há algum tempo que romances tenham deixado o campo platônico das ideias e descido um pouco mais abaixo, num universo meio aristotélico ou cartesiano, onde o que conta é o bem estar do próprio umbigo. Em resumo, não precisa calculadora para saber que todo relacionamento é de risco, afinal você está delegando sua estabilidade emocional a uma pessoa que, a rigor, você não conhece.

Você que lê provavelmente pensa diferente porque está envolvido no momento. Mas basta olhar a sua volta: no seu círculo familiar e de amigos, quantos são os relacionamentos que deram certo e continuam firmes à sua volta? Mesmo seus pais podem estar hoje separados, o que só reforça a teoria de que é um mal do século, nascido na esteira do Maio de 68, que só serviu para uma coisa, aliás: dizer que as mulheres tem o direito de se exibir tanto quanto os homens.

É claro que se as pessoas fossem sensatas para pelo menos considerar as estatísticas não dirigiriam depois de beber e não acenderiam o primeiro cigarro. O que são os fatos diante da esperança e da tendência humana tão bonita e idiota de perseguir seus sonhos?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Macarrônico

É um adjetivo legal. "Macarrônico" é o tipo de termo pouco conhecido, mas que abriga em si uma porção de sentidos e possibilidades de significação que bem poderia ser figurado em qualquer estudo mais aprofundado da língua.

"Macarrônico" tem uma riqueza de sentidos impressionante. Por exemplos: o sujeito chega e diz: "minha vida afetiva anda macarrônica" - o que nos leva a considerar que o cidadão atravessa uma quadra não muito estável, que remete ou a um dramalhão ou a uma italianada - afinal, macarrão, se não inventado pelos peninsulares europeus, foi ali popularizado depois que Marco Polo havia roubado a ideia dos chineses.

Você pode dizer que "vivemos num país macarrônico", o que passará uma ideia de zona, de bagunça, porque macarrão é assim. Se você foi a uma festa e pôde dizer que ela foi macarrônica, então deve ter sido uma festa legal, cheia de coisas ao mesmo tempo, divertida e interessante. Se algo tem proporções macarrônicas pode ser algo bom ou ruim, afinal.

Assim é o macarrão. Assim é a vida. E desejo do fundo do meu coração de gelo: macarrão com queijo para todos!

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Nada mal pra quem nunca quis ir muito longe em nada na vida.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sou mais eu

Conversando sobre perspectivas profissionais interessantes e o futuro do jornalismo contemporâneo com um chegado:

- Cara, eu acho que o lance é ou apostar, no caso dos impressos, em algo que mereça o dinheiro ou tempo gasto na leitura, por exemplo "piauizar" nossa imprensa, ou, do contrário, parem tudo que eu quero descer. Vão quebrar todos quando a crise refletir em anúncios e eu não quero ficar pra apagar a luz.

- E quem te disse isso? De onde você tirou essa conclusão? - diz o acadêmico revoltado por conclusões não abalizadas por pesquisas e métodos insolúveis.

- Eu disse. Não tirei de lugar nenhum. Não preciso de respaldo para falar bobagem.

Visual novo

Tava na hora. O outro era legal apenas porque eu tinha feito, mas não porque fosse de fato atraente e interessante. Temam, contudo, ó mortais, porque tenho me esmerado em aprender a usar o Dreamweaver. Aguarde e confie.