domingo, 8 de fevereiro de 2009

Válvulas de escape e de descarga

Fugir sempre foi um excelente remédio. A negação ainda é a melhor maneira de resolver problemas insolúveis, fugir das crises e das rupturas que nos cercam sempre é a melhor alternativa. O ruim é que um dia a mente cobra a conta, o que pode resultar numa anti-catarse - o que não é bonito. Mas o futuro a Deus pertence e, se não faz sentido chorar pelo leite derramado, menos ainda tem feito chorar por aquele que sequer sabemos se será derramado.

Enfim, como fuga de crises você pode, por exemplo, inventar um blogue novo, reformar outro e aposentar ainda um terceiro. Meter-se a ler de tudo o que alguns anos vêm acumulando nas estantes, só ganhando poeira. Nos mesmos blogues, postar furiosamente. Ora, a lição e o impulso parece ser: ocupemos a mente, distraiamos os sentidos e deixe que a vida encontre-se a si mesma, valendo aí um novo sentido e um novo rumo. Fuja. Vá para longe.

Mas é tudo falso na vida da gente. Falso. Efêmero. Me divergi neste blogue trocando o template e colocando mais postagens. Bobagem. No que concerne ao blogue, e fiquem livres para desenharem do que direi as parábolas que quiserem, gostaria mesmo é de re-editar algumas passagens, melhorar outras e até encontraria posts que gostaria de excluir. Mas sei lá. Por um lado o computador não permite, por outro reciclar experiências que tivemos não tem sido, na longa carreira das decepções humanas, garantia alguma de sucesso futuro.

Enfim, os scripts não funcionam, o computador emperra, a vida para e eu perco o rumo. E me volto para o esteio seguro da poesia e da literatura, a única ruptura que vivi com a literatura foi lendo Hermann Hesse (pensava eu que ele questionava os meus valores. Ledo engano. Ele questionava se eles eram realmente meus - foi uma boa crise), sobretudo no que concerne ao verso de Pessoa: "... todo cais é uma saudade de pedra". E eu, que nunca me presumi poeta, o que faço de melhor é estragar o verso: "toda a internet é uma saudade de silício".

E ainda, para parar por aqui, deixo mais alguns de minha lavra:

Eu não tenho desculpas.
Mas eu tenho dez culpas.

0 comentários: