sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Ainda sobre mercado

Pois é. Curiosamente eu tenho uma facilidade enorme para entender alguns dos insondáveis mistérios da economia. E precisamente por compreender muito do economês que inunda nossa vida qual vagas de um tsunami financeiro todos os dias é que eu tenho o vezo de guardar para mim isso que sei. Sei lá. Acho que, mais que um mérito, compreender a economia é um opróbrio.

Sim, sou cheio de idiossincraciazinhas.

Mas o que conta é o tema do post. Lendo hoje num conglomerado de mídia qualquer, descobri que a Irlanda, aquela porção de ilha que fica equilibrada acima da Inglaterra e foi célebre nos últimos 200 anos por tensões impressionantes no Reino Unido corre risco de, simplesmente, falir.

O episódio não é propriamente inédito. No fim do ano passado a Islândia, uma ilha minúscula, pródiga em produzir bandas de pós-rock excelentes, submergiu num buraco financeiro que agrava ainda mais a sensação de "poxa" dos islandeses. O tédio por lá é um esporte nacional dada as condições climáticas e geográficas do lugar. Chegaram a pôr a Islândia a venda num site da internet ano passado, o que só prova que o deboche não é uma exclusividade nacional do Brasil.

Sendo a Irlanda um país que até pouco tempo era considerado o "tigre europeu" (referência, caso o leitor não lembre, aos tigres asiáticos), é de se preocupar - sobretudo porque é maior que a Islândia e uma falência irlandesa certamente teria reflexos muito mais extensos que o "poxa, que pena" do mundo em solidariedade aos islandeses. Há uma sensação de que catástrofes como essa podem arrastar juntos porções consideráveis do globo. E aí é que a porca torce o rabo e perde a graça.

Se bem que eu quero mesmo é que tudo mais vá pro inferno. Acho que só se o circo realmente pegar fogo dessa vez é que o mundo toma jeito.

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