Nós estamos a um acidente de carro, a um diagnóstico, a um telefonema inesperado, a um esbarrão na rua, a uma nova paixão, ou a um coração quebrado, de distância de nos tornarmos uma nova pessoa. Cabe a nós, sempre, nos esforçar para que o novo nos faça melhores.
Viver é um eterno diálogo entre você e suas circunstâncias. Somos deliciosamente frágeis diante dessas circunstâncias, custa muito pouco para que esses eventos inesperados nos mudem de formas tão marcantes e definitivas. Em um lapso de segundos, somos novos, outros, melhores, mais sábios, mais doces, mais otimistas, mais gentis, mais compassivos, mais compreensivos, mais românticos, mais sinceros, muito mais corajosos, menos sonhadores porque mais vivos, mais firmes, mais despertos, mais dispostos, mais plenos (sim, estou sendo autobiográfico aqui).
Sou um homem de muitos amores. Dentre eles, vai esse mistério da vida, essa doçura amarga das verdades libertadoras que aprendemos a entender, a aceitar, a viver.
A vida é desespero, existência é dor, o nada leva ao nada, mas no microcosmo das coisas enormes que se passam no interior de cada um de nós, no intenso e perturbado caos das nossas mentes e corações, tudo se acerta, tudo faz sentido, tudo é bom e maravilhoso e a liberdade maior e última é viver essas coisas, saber do desespero da vida, a ainda assim poder dizer que ama, ama muito à vida desesperada.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Amor à vida
às 10:51 Marcadores: Cartas aos meus filhos, Memórias

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