Eu sinto como se a vida fosse um Cubo de Rubik. Porque quando você acerta todos os quadrados de uma das faces, acaba bagunçando outra. Aí você rearranja todos novamente, na esperança de manter o que estava correto e corrigir o que faltava, tudo para descobrir em seguida que, no processo, você bagunçou a face que tinha resolvido e não foi muito longe em progredir naquela em que estava se dedicando.
Se a minha vida é um Hipercubo de Rubik, porque eu sou muito mais complexo do que seis faces, precisamos aí de mais uma dimensão para dar conta das minhas excentricidades, posso dizer que venho me deparando com essa situação ultimamente. Um esforço enorme é feito em por em ordem uma determinada face do cubo que, no entanto, destrói uma outra. Abre parêntesis: hipercubo é um cubo em quatro dimensões, informei. Fecha parêntesis.
Em meio a esse processo, eu sinto como se tudo que resta, além dessa inútil luta contra os fatos, contra a entropia (eu sou fascinado por qualquer conceito da física e da matemática que você possa extrapolar nas relações humanas e como metáfora geral da vida) que dá cabo de todas as coisas, essa vontade inexorável termodinâmica que nos empurra para o limiar do caos, mas eu dizia, que sinto como se tudo que nos resta é o poder das escolhas.
Eu, quando jovem, novinho e com todos os sonhos do mundo dentro do peito, escolhia sorriso, escolhia acreditar que as coisas se endireitam, escolhia calma. Pessoas, um dia, se apaixonaram por mim porque eu era... calmo, calmo diante de tudo, porque eu sempre parecia ter a solução, ter a resposta e essa fé íntima em que as coisas se encaixam.
Até que nada mais deu certo.
E aí, na tentativa de corrigir uma face do cubo que estava em total desarranjo, baguncei essa minha face. Perdi a calma. Mais que tudo, perdi o otimismo, a serenidade, a gentileza, perdi o senso do real e do imaginário em meio às garras de um negrume que nunca fui eu, mas que só esperava o tempo de dar o bote.
Foi em meio a esse caos que conheci uma das pessoas mais importantes da minha vida. E foi pena, porque ela chegou certa, precisa e preciosa no momento errado. E, sina de quem não sabe resolver o cubo, na esperança de por no prumo a face das coisas que eu fui - força, garra, sorriso, otimismo e generosidade - acabei me afastando dela, que era a face desse hipercubo que eu não gostaria nunca de ter desmanchado.
O saldo é assim, agridoce, porque eu corrigi, no fim das contas, essa face das coisas que eu era. Eu, hoje, me reconheço no jovem que eu fui, não na sombra que eu me deixei transformar ao longo de uns anos. Eu me restaurei, e sem me arrepender de nada, porque eu valorizo muito o que há de bom em mim. Mas não consigo deixar de olhar para esse hipercubo da vida sem desejar ter um guia para, enfim, dar conta de por em ordem duas faces ao mesmo tempo, para ter comigo tudo que eu sempre sonhei. E sonho.
Se a minha vida é um Hipercubo de Rubik, porque eu sou muito mais complexo do que seis faces, precisamos aí de mais uma dimensão para dar conta das minhas excentricidades, posso dizer que venho me deparando com essa situação ultimamente. Um esforço enorme é feito em por em ordem uma determinada face do cubo que, no entanto, destrói uma outra. Abre parêntesis: hipercubo é um cubo em quatro dimensões, informei. Fecha parêntesis.
Em meio a esse processo, eu sinto como se tudo que resta, além dessa inútil luta contra os fatos, contra a entropia (eu sou fascinado por qualquer conceito da física e da matemática que você possa extrapolar nas relações humanas e como metáfora geral da vida) que dá cabo de todas as coisas, essa vontade inexorável termodinâmica que nos empurra para o limiar do caos, mas eu dizia, que sinto como se tudo que nos resta é o poder das escolhas.
Eu, quando jovem, novinho e com todos os sonhos do mundo dentro do peito, escolhia sorriso, escolhia acreditar que as coisas se endireitam, escolhia calma. Pessoas, um dia, se apaixonaram por mim porque eu era... calmo, calmo diante de tudo, porque eu sempre parecia ter a solução, ter a resposta e essa fé íntima em que as coisas se encaixam.
Até que nada mais deu certo.
E aí, na tentativa de corrigir uma face do cubo que estava em total desarranjo, baguncei essa minha face. Perdi a calma. Mais que tudo, perdi o otimismo, a serenidade, a gentileza, perdi o senso do real e do imaginário em meio às garras de um negrume que nunca fui eu, mas que só esperava o tempo de dar o bote.
Foi em meio a esse caos que conheci uma das pessoas mais importantes da minha vida. E foi pena, porque ela chegou certa, precisa e preciosa no momento errado. E, sina de quem não sabe resolver o cubo, na esperança de por no prumo a face das coisas que eu fui - força, garra, sorriso, otimismo e generosidade - acabei me afastando dela, que era a face desse hipercubo que eu não gostaria nunca de ter desmanchado.
O saldo é assim, agridoce, porque eu corrigi, no fim das contas, essa face das coisas que eu era. Eu, hoje, me reconheço no jovem que eu fui, não na sombra que eu me deixei transformar ao longo de uns anos. Eu me restaurei, e sem me arrepender de nada, porque eu valorizo muito o que há de bom em mim. Mas não consigo deixar de olhar para esse hipercubo da vida sem desejar ter um guia para, enfim, dar conta de por em ordem duas faces ao mesmo tempo, para ter comigo tudo que eu sempre sonhei. E sonho.

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