Diz Talese nas últimas páginas de "Reino e Poder":
"Garrett, que morreu com mais de setenta anos em 1954, era dono de uma casa de fazenda junto a um rio, muito perto do balneário de Ocean City, Nova Jersey, onde nasci e fui criado. Lembro-me, quando menino, de ver Garrett entrar na loja de meu pai: um cavalheiro distinto, usando invariavelmente chapéu azul-escuro e terno escuro, com longos cabelos brancos. Sentava-se às vezes durante horas, falando sobre a situação do mundo ou reminiscências do Times, assunto que fascinava meu pai, uma das três pessoas que liam aquele jornal, recebendo pelo correio, todas as manhãs, a edição de dois dias antes.
Depois que fui trabalhar no Times, meu pai me perguntou mais de uma vez se o nome de Garrett era mencionado por lá. Tive de dizer que não, nunca, e eu me perguntava se em algum outro lugar ele teria a fama de jornalista e contador de histórias que gozava em minha casa. Então, quando comecei meu livro sobre o jornal e não conseguia entender direito o estilo e o caráter de Ochs a partir das entrevistas e das leituras que fizera até então, encontrei um exemplar de "The American Scholar", de Richard C. Cornuelle, um escritor e consultor empresarial de Nova Iorque, que também fora amigo e admirador de Garrett. Foi por meio dele que consegui ler e tirar proveito de todo o diário de Garrett".
Se, de fato, eu conseguir ir nas duas palestras de Gay Talese e tiver a chance de conhecê-lo - vou tentar - me apresentarei como Garrett.
Seremos praticamente amigos, portanto.

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