quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um jereboão de emoções

Impagável. É isso. Simplesmente impagável. Desafio vossas senhorias, meus distintos leitores, a me dizerem o que, afinal, vem a ser "jereboão"?

Pois é. A palavra por si só já soa irreverente. Muitos de vocês, meus queridos, se tiverem pachorra suficiente, irão perguntar ao Pai Google, que vos dirá que, no fim das contas, seria, na verdade, um tal de Jereboão, rei dos judeus em algum remotíssimo passado. E bota remotíssimo nisso, porque eu, leitor de quatro costados da Bíblia, daquela pornográfica e com assassinatos e daquela do amor ao próximo, não me lembro de ter, um dia, tropeçado num Jereboão. Devo ter esquecido.

Mas o fato é que jereboão, assim, no minúsculo é mais do que o rei dos judeus - não o ressurecto. Jereboão, saibam, é o coletivo de bêbados. Você diz aos peixes, cardume. Aos porcos, congresso nacional, digo, vara. Aos lobos, matilha. Aos bêbados você diz jereboão.

Os meus poucos dicionários ainda não confirmaram a possibilidade. Descobri jereboão lendo uma coluna antiga do Ivan Lessa, que é um sujeito sensacional na arte de escrever. Ele chama lá de jereboão a multidão de bêbados.

E confesso que simpatizei de imediato com o verbete. Na verdade, na qualidade de bebedor, me sentia excluído dos favores da língua no que concerne às generalizações de uma grande porção de pessoas embriagadas. Sendo ou não um neologismo do Lessa, não me importa, está adotado o jereboão.

Organizarei uma campanha: reforma na língua! Admitam o jereboão entre nós, façam dele nosso coletivo, a palavra que nos abriga, que nos distingue, que nos faz, todos os bêbados, um!

Estudo seriamente criar uma categoria nova aqui no blogue. Semiotices. Para dar vazão a esse meu fascínio meio torto pelas palavras e seus sentidos. Tenho alguma experiência nisso.

1 comentários:

Anônimo disse...

Essa papo de jereboão me dá saudade daquele... bem... jereboão de PG. Chegará a final da Libertadores e não sei se estaremos juntos e nem se torcendo pelo São Paulo.