"... eu queria começar com uma conversa, uma desarmada conversa, esse encontro tão adiado de dois inteiros, eu queria um pacto, eu queria um laço para atar as nossas pontas soltas. Eu queria dizer como me sinto, como encarei esse processo, o que eu fiz. Eu queria ouvir o que tens para dizer, eu queria processar o seu lado, eu queria entender, eu queria ter mais subsídios para me colocar no seu lugar. Eu queria te ouvir falar, livre e sem receios, eu queria que você confiasse em mim, que me dissesse dos teus medos, que me deixasse te entregar meu coração como devoção última de que, de uma vez por todas você entenda, eu me comprometo, eu não fujo, não vai embora quem chegou onde sempre quis na vida. Eu queria firmar esse laço a partir dessa convicção já tão antiga de que não nos abrimos como deveríamos, de que nós precisamos de diálogo, de que eu quero você na minha intimidade, e eu quero navegar deslumbrado pela sua. Eu queria uma conspiração, um projeto, uma união que determinasse nossos protocolos, nossas formas de aparar arestas, eu queria o projeto e esboços para os jogos, para as descobertas, para os exercícios que eu imaginei e que deveríamos praticar para corrigir essas coisas, para nos encontrarmos mais um no outro, eu queria inaugurar a nossa vida juntos com essa convicção íntima de que, venham da vida as pedradas que vierem, recaiam sobre nós os problemas que recaírem, dê eu a você, e vice-versa, as respostas atravessadas que forem, no final de tudo, de indissolúvel está esse laço, esse pacto, essa firme certeza de que há uma constante, e essa constante é nós, o nosso bem estar. Eu queria, escrito a ferro e fogo nesse pacto, as nossas verdades: eu amo você, você me ama, eu quero você e só você, você quer a mim e só mim, juntos vamos para sempre. O que mais for da vida, nós encaixamos nessas verdades, a nossa guia é o bem-estar nosso em torno desse compromisso e dessa entrega. Eu queria um pacto que nos põe em ordem, que nos endireita o rumo, que nos dá metas, que nos faz trabalhar como time em busca de resultados, da conquista dos nossos sonhos, tão nossos e bonitos. Eu queria preparar o palco desse encontro de gigantes com o calmo e necessário processo de depuração, de cura, de calma e ponderada abertura, em que lhe digo as minhas verdades, lhe confesso os meus segredos, me penitencio dos meus erros, na convicção tão inocente e minha de que você faria o mesmo. Eu queria te reencontrar, do outro lado desse vórtice de erros, de distância, de bobagem e de fraquezas da forma que eu sou agora, de braços abertos e sem os ressentimentos que nunca consigo manter contra você, grande e pronto, generoso e calmo, desperto e apressado.
Queria lembrar você de que a vida que nós queremos é sempre luta, que todo mundo briga, que esperar não é saber. Que me recordo de uma vez em que você me escreveu, ou escreveu no seu blog, já não tenho certeza, quando você estava desse jeitinho, completamente apaixonada e eu perdido, toda doce e encantada, planejando e suspirando plena dessa paixão que hoje me assola a alma, que tinha conversado com seu pai sobre estar feliz porque tinha resolvido a vida, tinha resolvido a vida porque tinha me achado e por isso tudo, de agora em diante, seria fácil. Seu pai te respondeu que era engano seu, que era agora que começava o trabalho duro.
O que eu não prometo é que as coisas sejam fáceis, porque nada que vale na vida é fácil, que a ilusão de que as coisas devem ser fáceis é o que explica nossos descompassos. O que eu não posso prometer é que não vamos encarar dificuldades, que a vida não vá ser bandida, que as armadilhas não estejam à nossa espreita. Mas o que eu posso prometer, entretanto, é que de mãos dadas somos um, mais forte e resistente, e que eu te protejo do que vier de ruim, que sou esteio, deságue em mim suas angústias, confesse-me esses seus medos que eu nunca conheci, que eu nunca perguntei, me diga onde estão esses fantasmas que eu vou lá com a luz que me ilumina e pacifica espantar essas suas assombrações e reinstaurar essa calma. O que eu posso te prometer é que, mesmo em face das durezas que eu quero da vida, e eu quero da vida as durezas porque elas são inevitáveis e não há proveito nenhum em se esconder delas, sempre estarei do seu lado, como companheiro inarredável dessa vida que eu quero nos dar porque ainda antes de amar a você, eu amo a nós.
O que eu quero não é recomeço, não é volta, não é emenda e conserto, o que eu quero é futuro, é vida, é sentimentos e convicções. O que eu quero é início, é firmeza, é sinceridade e clara honestidade com o compromisso, eterno, do que sentíamos, das promessas e sonhos a que nos demos direito. O que eu proponho é leveza, eu quero batalhar do seu lado, eu quero proteger você. O que eu quero é calar essa voz que me canta no ouvido esse soneto da saudade, essa canção da falta, da urgência de todas as coisas que envolvem esse meu jeito de amar que não cansa, que me sufoca, que me abraça..."

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