"I used to believe, although I don't now, that growing and growing up are analogous, that both are inevitable and uncontrollable processes. Now it seems to me that growing up is governed by the will, that one can choose to become an adult, but only at given moments. These moments come along fairly infrequently - during crises in relationships, for example, or when one has been given the chance to start afresh somewhere - and one can ignore them or seize them.”
Nick Hornby, em "Fever Pitch".
Só prova que eu devia ter menos reservas quanto a reler alguns livros.
E dado o tipo de literatura de Hornby ("Uma Longa Queda", alguém?), não me espantaria se ele tivesse tirado suas conclusões sobre amadurecer a partir de experiências de vida similares as que eu tive, a partir de uma percepção dessa desgraça que são os ideais inatingíveis de masculinidade e seus efeitos no longo prazo que, em sujeitos como eu, podem espocar na depressão.
Esse tipo de percepção, associada com uma visão muito clara e precisa daquilo que você quer para a sua vida, é o que fortalece nos momentos de dificuldade e na hora de fazer escolhas e de enfrentar a vida. Você passa a honrar o compromisso com você mesmo de não se deixar abater, de não cair, de não permitir que a escuridão volte a assombrar.
Eu nunca esqueci de uma palestra, anos e anos atrás, com o Flavio Gikovate. Eramos todos adolescentes na plateia e ele gastou um tempo enorme dizendo, em especial para os meninos, não amadurecerem como seus pais: à base de paulada e usando referenciais externos. Para que, ao contrário, questionassem seus valores e princípios não como forma de rebeldia, mas para descobrir se eles eram mesmo nossos. Me pergunto, hoje, se algum de nós entendeu o recado e seguiu o conselho.
Eu sei que eu não.
Eu, bobo, pensava que um dos meus maiores compromissos na eventualidade de ser pai seria o de, sempre que ouvisse uma pergunta do tipo "pai, por que o céu é azul e a grama é verde?" eu responderia da melhor forma possível, se tivesse a resposta, ou diria "eu não sei, filho, mas a gente pode procurar juntos essa resposta, o que você acha?" ou "eu não sei e ninguém sabe. Mas você pode crescer e ser a pessoa que vai descobrir essa resposta", para usar como último recurso. A ideia aqui, vejam só a sutileza do meu artifício, é manter viva a curiosidade e ensinar os pequenos o poder emancipatório da aprendizagem.
Mas, hoje, especialmente na eventualidade de ter filhos meninos, incluo um compromisso muito firme de afastá-los desses padrões de comportamento insustentáveis, dessas expectativas monstruosas sobre o que eles devem ser na vida adulta.

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